Uncategorized

Por que o keynesianismo pterodoxo não explica nada?

Resposta de um respeitável economista:

Keynesian economics failed because Keynes did not provide an intellectual foundation to his policies that was consistent with the underlying microeconomic theory of behavior; economists express this critique by saying that Keynesian economics does not have a microfoundation. Expectations… provides this foundation by explaining why unemployment cannot be cured by a fall in the money wage. It also provides a dynamic version of Keynes’ theory of aggregate demand that suggests a policy to maintain full employment that is different from the two remedies that are common today.

Keynes’ theory was static; he did not account for decisions that are made by households that take account of the future in a consistent way. He argued that the Depression occurred because firms were not spending enough on factories and machines: This lack of private investment expenditure should be replaced by government expenditure through deficit spending and his arguments were responsible for the fact that government in the US currently accounts for more than 20% of purchases and 30% of total expenditure Expectations, Employment and Prices explains how an alternative policy can maintain full employment without the need for government to have such a large footprint in the economy. I argue instead for the creation of a new institution, similar to the Fed, that is charged with the role of maintaining asset prices much in the way that the Fed controls the interest rate.

Eis o original. Moral da história: não me venha com este lero-lero furadíssimo de que temos que “reler a Teoria Geral no original”. Não há nada disto. O que é importante é avançar no conhecimento, não se dedicar a adorações messiânicas de economistas mortos.

Uncategorized

Austríacos gostarão disto

Charles Koch, seu livro e seu instituto. A julgar pela propaganda do livro, os professores de Administração terão que encarar o fato de que o livre mercado não é o vilão da história (hoje em dia, por incrível que pareça, esta é a tônica no discurso da “responsabilidade social”), mas sim o melhor meio de se gerar prosperidade para a sociedade.

Compre e me dê de presente (o livro) antes que eu mesmo o compre…^_^

Uncategorized

O fiscal do fiscal e outros trabalhos de Sanson (e um breve comentário)

Meu – sumido – amigo Sanson em alguns bons momentos. Primeiramente, o curto ensaio sobre a fiscalização no setor público. Em segundo lugar, dois textos de fôlego que mostram a riqueza da nova economia institucional na análise do crescimento econômico. Este aqui e este. Creio que Sanson – e seus orientandos – tanto quanto Leo Monasterio – idem – são fontes de leitura cada vez mais obrigatória nesta época em que economia regional não é mais aquela dos anos 50, mas sim algo perfeitamente integrado com a teoria econômica (ver Krugman e seu Nobel) ou a prática (ora, ora, veja a econometria espacial).

Uncategorized

Mais sobre Galbraith, bobeiras e crise mundial

Excelentes textos.

Claro, ambos complementam esta crítica do Mankiw. É irônico ver o filho de Galbraith (o também irônico, mas péssimo em previsões, errou todas que fez em seu livro publicado no Brasil naquela famosa coleção “Os Economistas” que nunca rivalizou com Paul Samuelson, por exemplo, como “arqui-inimigo” de Friedman) atacar os colegas por, supostamente, não terem acertado previsões.

O comentário do Tyler Cowen está perfeito: o povo que vive de misticismo financeiro (não me refiro ao pessoal sério, que já anda meio abalado) certamente perderá espaço. Eis aí um momento interessante para os que pretendem entrar no curso de Economia. Afinal, a crise é mais um daqueles momentos de “boom-and-bust” que geram curiosidade e novas demandas por gente inteligente.

Vejamos.

Uncategorized

A pesquisa em economia austríaca que funciona

Peter Boettke tem uma excelente resenha sobre a economia austríaca (e sobre porque Paul Davidson continua sem entender nada sobre muita coisa). Está aqui. A prova cabal de que austríacos legítimos não são dogmáticos, mas se submetem ao teste do mercado das idéias está aqui.

But Mises nowhere imposed a freezing of economic knowledge around his theories. In fact, as Mises explicitly said: “Science does not give us absolute and final certainty. It only gives us assurances within the limits of our mental abilities and the prevailing state of scientific thought. A scientific system is but one station in an endless progressing search for knowledge. It is necessarily affected by the insufficiency inherent in every human effort. But to acknowledge these facts does not means that present-day economics is backward. It merely means that economics is a living thing — and to live implies both imperfection and change.” (p. 7)

Later on Mises states again clearly that in matters of science: “All that man can do is to submit all his theories again and again to the most critical examination.” (p. 68)

p.s. se era só retórica, dançou, he he he.

Uncategorized

Econopower

O novo livro de Mark Skousen, Econopower, foi traduzido e está a venda. Confesso que é a primeira vez, em quase dez anos, que consigo ler um livro de Skousen e não ter reparos ao tom de seu texto. O autor tem alguns insights interessantes mas sempre adotou uma linguagem quase mal-educada em termos de quaisquer aspectos não-austríacos de trabalhos alheios. Exceto por sua tese – The Structure of Production – outros livros apresentam sempre algum tipo de deselegância quanto a Keynes ou keynesianos puramente gratuita.

Neste livro, contudo, Skousen faz algo complementar a Levitt, Landsburg ou Harford. Mas ao invés da tradicional exposição dos problemas econômicas em formato desafiador e contra-intuitivo, ele apresenta contribuições reais dos economistas para a solução de problemas práticos. De vez em quando escorrega em críticas bobas à teoria econômica (mas muito de vez em quando porque o próprio livro é uma celebração da teoria bem aplicada), mas no geral é um livro interessante.

Recomendo a leitura.

Uncategorized

Como as elites podem destruir o crescimento econômico e mais sobre a crise mundial

A high level of trust between members of a small elite magnifies the returns to political rent seeking by this elite. We present empirical evidence consistent with this thesis, and argue that it follows naturally from viewing political rent seeking as a cooperative game among members of the elite and a non-cooperative game between the elite and the rest of society.

Isto significa, grosso modo, que a patota que adora louvar os supostos méritos de empresas familiares, devem qualificar seu otimismo. É a literatura sobre “rent-seeking” explicando, creio, o subdesenvolvimento de um grande bananal latino-americano (e suas conexões bolivarianas).

Falando em artigos de economia, eis um que finalmente vai além do colunismo irresponsável ou das explicações contraditórias sobre a crise mundial.

“Where’s the Smoking Gun? A Study of Underwriting Standards for US Subprime Mortgages”
by Geetesh Bhardwaj, and Rajdeep Sengupta

The dominant explanation for the meltdown in the US subprime mortgage market is that lending standards dramatically weakened after 2004. Using loan-level data, we examine underwriting standards on the subprime mortgage originations from 1998 to 2007. Contrary to popular belief, we find no evidence of a dramatic weakening of lending standards within the subprime market. We show that while underwriting may have weakened along some dimensions, it certainly strengthened along others. Our results indicate that (average) observable risk characteristics on mortgages underwritten post-2004 would have resulted in a significantly lower ex post default if they were to be given a loan in 2001 or 2002. We show that while it is possible that underwriting standards in this market were poor to begin with, deterioration in underwriting post-2004 cannot be the explanation for collapse of subprime mortgage market.

Full Text – Acrobat PDF (1.1M)

Entendeu, né? Ao invés de um bate-papo tradicional com uma triste narrativa sobre o dinheiro perdido ou algo mais doentio sobre um suposto fim do capitalismo, o autor investiga uma das mais citadas causas (supostas) da crise: o relaxamento nos critérios para a concessão de empréstimos. Se ele tem razão, há muito o que ser feito ainda.

Engraçado é que pouca gente tem se arriscado, na faculdade, a tentar explicar a crise. Muito papo mole sobre Finanças sumiu diante da crise atual (todos passam horas lamentando o destino do rico dinheirinho na bolsa), mas os macroeconomistas da casa não são capazes de oferecer boas explicações sobre a crise. Eis outro aspecto “rent-seeking” de alguns componentes da academia. O suposto especialista de Macroecoomia é melhor qualificado do que eu (homem de Microeconomia, se é que me entendem), para falar sobre crises. Pelo menos é o que os macroeconomistas normalmente dizem (esta é, por exemplo, a regra de ouro dos pterodoxos). Mas, se isto é verdade, porque eles esperam os colegas dizerem algo sobre a crise para, só então, pronunciarem-se?

Ao meu favor, ter o Alexandre Shwartsman no 5o SEBH (mérito dos colegas da comissão organizadora, Ari e Salvato) e o Hélio Beltrão Jr. no encontro de 15 dias atrás, foi uma forma de tentar promover o debate. Lamentavelmente, quase nenhum macroeconomista da casa foi ou debateu.

Moral da história: diga-me o que és que eu saberei o que não és.

Uncategorized

A teoria da fraude do seu amigo CEO

A Monopoly Model Of Accounting Fraud
Laura Ebert, Margaret L. Gagne

ABSTRACT A monopoly model is used to show why a CEO would engage in accounting fraud, high risk behavior given the severe negative consequences, should the fraud be exposed. A monopoly model of the market transaction between the buyer of the fraud, the CEO, and the seller of the fraud, the accountant, demonstrates the motivation behind the CEO’s willingness to engage in the fraud. The accountant (seller) receives a monopolist profits while the CEO (the buyer) pays a price equal to the perceived net marginal benefit. The CEO wants the accountant to believe that the net marginal benefit equals the price when in fact the actual net marginal benefit to the CEO is much lower than the monopolist’s price. The resulting cost to the CEO for fraud is relatively low because of the CEO’s ability to shift a substantial portion of the cost to the company.

Economia do crime, corrupção, CEO’s…tudo isto em um pequeno artigo interessante para uso em sala de aula. Pense na crise atual e em como este modelo pode ser melhorado, é o que sugiro.

Uncategorized

Oferta e demanda de heróis

Artigo interessante. Eis o resumo:

Where Have All the Heroes Gone? A Self-Interested, Economic Theory of Heroism

Brock Blomberg
affiliation not provided to SSRN

Gregory D. Hess
Claremont McKenna College – Department of Economics; CESifo (Center for Economic Studies and Ifo Institute for Economic Research)

Yaron Raviv
Claremont Colleges – Claremont McKenna College

Abstract:
Heroism is a valued part of any society, yet its realization depends on the decisions of individual actors and a public reward to individuals who undertake heroic actions. Military combat related activities provide a useful starting point for thinking about the empirical nature of heroism. Interestingly, if we define heroism by those who have been awarded military honors such as the Congressional Medal of Honor, the number of heroes has actually fallen in the past 35 years. We develop a theory to explain heroism in a rational decision-making framework, and we model the case in which individuals respond to danger to themselves and others based on the costs and benefits associated with acts of courage. We also provide insight into how a government may wish to optimally subsidize heroic actions. We then use our model to understand why the observed decline in heroism could, in fact, be both an optimal individual and social response.

Uncategorized

Duas resenhas, mas qual delas você escolhe?

Constantino, desculpe-me, mas fico com a concorrência. Mark Skousen tem uma famosa foto em que rasga o livro de introdução de Paul Samuelson. É verdade que Samuelson não é nenhum Deus e tenha sido besta o suficiente para acusar Buchanan de fascista ou reclamar de Coase por conta do seu incorreto exemplo de bens públicos (*), mas ainda assim, Samuelson é muito importante para merecer uma foto como esta.

Ok, há outras críticas mais sérias quanto ao livro de Samuelson, mas ainda acho um exagero. Skousen costuma ser muito agressivo quando seus argumentos não são aceitos. Talvez a única coisa interessante que eu goste em seus trabalhos é sua tese “The Structure of Production” que, para mim, é uma versão mais chata de ler do que o bom “Time and Money” de Garrison.

Mas leia as resenhas: o ponto central de Skousen é importante. Talvez só seja mal defendido…

(*) Agora eu não me lembro se ele apenas xinga Coase e reclama dos faróis ou se xinga Buchanan e reclama de Coase. Já li isto em algum lugar mas não me lembro a referência.

Uncategorized

O heterodoxo que presta…

…contas de sua formação é aquele que se preocupa em testar sua teoria contra a realidade. Este, por exemplo, saiu do lenga-lenga do “fulano-realmente-disse” e fez algo útil.

Se eu fosse um autor importante ficaria feliz não com a idolatria estéril dos eunucos teóricos, mas sim com o contraponto do que eu disse com a verdade, de algum jeito sério, i.e., estatístico. Quem gosta de idolatria é bezerro de ouro e mamar nas tetas da vaca heterodoxa (ou homodoxa, rs) não é bem minha praia. Para os que gostam, a mensagem é: “got milk?”

Uncategorized

A Teoria Econômica continua a funcionar, a despeito das asneiras que se espalham pelo ar!

Puxa, Alex, aula básica agora? Se bem que pelo que tenho ouvido das bocas de burocratas e do líder máximo da administração da Silva, eu tenho que concordar, tem gente precisando muito de aulas básicas de Economia. Bem, talvez eles devam assistir palestras interessantes como esta. Nada pessoal contra os excelsos çábios do governo, mas vale a recomendação: “se beber, não fale (em público). Se falar (em público), não beba (antes)”.

Este povo que tanto usou de gravações ilegais no caso das privatizações das teles, agora, tenta impedir que seus adversários joguem dentro de suas próprias regras…e falando pelos cotovelos.

Já sei: o problema deste país é este.

Fonte da imagem: esta.

Uncategorized

Café com o Economista – Brevíssimo

Caro sr. da Silva,

Li que o senhor ficou muito chateado – e até bravo, eu diria – com o fato de que o fim da CPMF não se traduziu em queda dos preços. Entendo sua frustação, já que o senhor não deve ter conversado com bons economistas antes de fazer esta declaração.

Mas, sr. da Silva, veja, eu também tenho uma queixa. Mesmo que ignoremos sua declaração, não é que a  arrecadação do governo aumentou, inclusive, com o aumento da alíquota do IOF para algumas transações? Como é que o senhor espera que os preços caiam? Alguma mágica? Alguma fórmula que seus amigos bolivarianos sopraram em seus atentos ouvidos?

Sr. da Silva, espero que não se ofenda, mas trocar um imposto por outro e dizer que isto implicaria em quedas de preços é algo que nem seus mais profundos admiradores pterodoxos têm coragem de dizer em público. Uns porque sabem que está errado e outros, claro, porque acham que está certo mas desconfiam que podem estar falando besteira.

Para concluir, friso que não tive, nem de longe, a intenção de fazer um modelo de equilíbrio geral mais detalhado para tentar estimar o impacto líquido da substituição da CPMF pelo aumento da alíquota do IOF em todos os mercados para melhorar a qualidade do meu argumento. Mas, cá para nós, o senhor também não fez isto, né?

Atenciosamente,

Claudio

Uncategorized

Você tem grana e estuda em uma faculdade boa?

Ei, eu disse “estuda”, não “frequenta”, ok? Tá, então, agora que estamos de acordo, veja só que interessante esta dica do Filisteu (via e-mail):

What Makes an Entrepreneur?
Simeon Djankov
Yingyi Qian
Gérard Roland
Ekaterina Zhuravskaya*
January 2008
Abstract We test two competing hypotheses on what makes an entrepreneur: nature – attitude towards risk, I.Q., and self-confidence; or nurture – family background and social networks. The results are based on data from a new survey on entrepreneurship in Brazil, of 400 entrepreneurs and 540 non-entrepreneurs of the same age, gender, education and location in 7 Brazilian cities. We find that family characteristics have the strongest influence on becoming an entrepreneur. In contrast, success as an entrepreneur is primarily determined by the individual’s smartness and higher education in the family. Entrepreneurs are not more self-confident than non-entrepreneurs; and overconfidence is bad for business success.

Interessante, não? “Empreendedorismo” é um dos tópicos que, recentemente, têm sido mais bem tratados na Teoria Econômica. Após uma longa pausa (desde os insights de Schumpeter), economistas passaram a dar mais atenção ao tópico quando iniciaram os estudos sobre teoria da agência (agente-principal). Claro que, por fora, sempre houve Israel Kirzner, repetindo e repetindo.

O estudo acima me faz pensar em quão pouco sabemos sobre o tema. Afinal, como já disse Baumol (e já citamos muitos estudos sobre o tema neste blog), há empresários que usam seus talentos para um capitalismo produtivo e há os que colam na burocracia, em busca de privilégios. O artigo acima nem arranha esta questão, mas creio que este é o próximo passo para que possamos entender melhor que tipo de empresário gera mais (e mais duradoura) prosperidade e qual é que devemos evitar.

Lamentavelmente, o preconceito e a ignorância de muito professor de faculdade de Administração prejudica o conhecimento e a leitura de textos como este por parte de seus alunos (e do próprio professor), o que difunde uma visão prejudicial sobre o papel do empresário na sociedade. Estatisticamente, contudo, é impossível que todos sejam preconceituosos o tempo todo, o que me dá uma esperança de que, em algum lugar, neste Brasil, há um professor de Administração que realmente ensina empreendedorismo como fonte de auto-crescimento, eficiência e prosperidade ao invés de simplesmente ensinar como maquiar documentos para conseguir uma linha de crédito pública.