Uma excelente aula de Ronald Hillbrecht

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Por que as pessoas fazem o álbum da Copa, mas não o do Brasileirão?

Melhor dizendo, por que há mais entusiasmados em um, mas não em outro? Isso me intriga, porque sou exatamente o oposto deste sujeito típico. Entretanto, parece que pessoas preferem competições mundiais muito mais do que as nacionais. Por exemplo, este artigo encontra que o entusiasmo em participar de esportes amadores, na Alemanha, sofre impacto positivo do desempenho da seleção alemã em copas do mundo, mas não do desempenho de seus times em outros campeonatos (mas apenas para o futebol masculino). Talvez este efeito seja geral e o entusiasmo das pessoas com o álbum da Copa em relação ao álbum do Brasileirão seja um reflexo disso, aqui no Brasil.

A propósito, uns brasileiros publicaram um artigo interessante sobre previsão de resultados de campeonatos de futebol, mas não fique achando que isso vai te ajudar no mercado de apostas ^_^.

Incentivos importam: o caso da propaganda gratuita para partidos políticos

Exemplo simples.

“O Brasil assegura aos candidatos tempo de propaganda gratuita na televisão. Paradoxalmente, isso pode aumentar o custo das campanhas, além de contribuir para a fragmentação dos partidos políticos”. [Taylor, M.M. (2018). “A corrupção e as reformas anticorrupção no Brasil”. In: Seligman, M. & Mello, F. “Lobby desvendado…”. Record, p.105]

Em outras palavras, ao dispersar custos e concentrar benefícios, a propaganda gratuita (financiada por todos nós, queiramos ou não = custos dispersos) gera um efeito colateral que foi brilhantemente exposto em um vídeo do Spotniks há alguns meses.

 

Macroeconomia no Coursera

roro

Você, que sempre se perguntou quem era a “Rô-Rô” de minha apostila antiga de microeconomia, agora já sabe…

Minha amiga Roseli, não satisfeita em reclamar dos seus alunos presenciais, resolveu decuplicar o número de desafetos com seu novo curso virtual no Coursera. Trata-se de um curso de Macroeconomia e, sim, eu o recomendo.

Conheço Roseli de longa data e, apesar das manias e chatices dela (ela diz o mesmo de mim), não tenho como negar (tripla negação para confundir) sua seriedade e competência.

A Análise Econômica do Direito encontra a Economia dos Esportes

Duas áreas que me são muito queridas se encontram neste artigo meu com Ari e Frank. O resumo?

In this article we used the approach of economic analysis of crime to understand the determinants of punishment for offences in games of Brazilian Soccer Championship in 2012. Models on the determinants of the most serious offenses committed by athletes from clubs in the Brazilian Championship, punished with red and yellow cards (Poisson regression models and negative binomial) were estimated. In fact, athletes seem to respond to economic incentives. Our results suggest that: (a) the athlets of the home team receive, on average, a smaller number or red and yellow cards; (b) there is a positive trend of punishments through the championship and (c) there is non-linear relationship between punishments and goals.

É isso aí.

O café dos mestrandos: o bem público provido privadamente

O bem público é indivísivel (não-rival) e não-excludente. Seria o café da sala dos mestrados um bem público ou um bem privado ofertado de forma coletiva? Ou ainda um bem de clube (ou “toll good”)? Um bem de uso comum?

Vejamos os fatos.

P_20180227_102005_vHDR_Auto.jpgA sala de estudos dos mestrandos – onde supostamente estudam os mestrandos, como diriam nossos jornalistas atuais quando: (a) querem induzir um viés ideológico (“supostamente” roubou, mas eu não acho) ou (b) são medrosos (“melhor dizer suposto que levar um processo ou, pensando bem, vou me fingir de ideologicamente simpático como em (a)”), tinha lá uma cafeteira velha e umas bolachas do século passado.

Em algum momento, após uma animada conversa sobre o café no Brasil e o Convênio de Taubaté (eu acho), eu e um mestrando, Caio, resolvemos mudar isso. Comprei uns cafés e ele trouxe sua cafeteira elétrica. Inicialmente, ele fazia o café. Logo em seguida, falei do adoçante que acabava e a Raquel comprou um adoçante do próprio bolso.

Como se vê, tínhamos um bem provido coletivamente. Cobrava-se pelo café? Não. Além disso, qualquer um – professor ou aluno – poderia (e pode) invadir a sala e encher sua xícara.

Em seguida, por pura sorte do acaso, um dos mestrandos que, por coincidência também é barista, melhorou a tecnologia do preparo do café com instruções específicas de como preparar a bebida que nos ajuda na hora de estudar.

Claro, apareceram os problemas de ação coletiva porque a cafeteira é tal que é mais fácil derramar café na mesa (ou no chão) do que na xícara (como apontado pelo Caio: um interessante problema de engenharia do fabricante) e nem todos limpavam (eu mesmo tenho preguiça, mas tenho me esforçado para ser mais civilizado e ajudo a deixar o local mais limpo).

P_20180420_134010_vHDR_AutoPosteriormente, comprei uns cafés melhores da Ucoffee (propaganda gratuita) – pedi moído, mas vieram em grãos – e o nosso barista providenciou a moagem dos garotos. Até o momento, o modelo parece quase auto-sustentável. O café matinal pré-estudos e pré-dissertação-meu-Deus-do-céu-preciso-fazer-isso-logo parece ter se estabelecido como uma rotina que a todos agrada.

O café é um bem de uso comum ou um bem público? Eu diria que, no momento, temos não-rivalidade e não-excludência operando igualmente, o que o torna um bem público, fruto da ação coletiva de um professor e de vários alunos (no caso, aluno = estudante). De vez em quando nos esquecemos de limpar a sujeira no chão (resquícios de bem público sempre existem…), mas eu diria que o experimento é um sucesso.

Por que pessoas (essencialmente, “o setor privado” por excelência e definição do termo) ofertariam o bem público? Acho que a idéia de um café de boa qualidade a menos custo (gasta-se menos tempo fazendo-o na sala do que tendo que ir buscá-lo fora) é um fator importante. Os custos e benefícios de se fazer este café também não são tão distorcidos: dado o pequeno número de envolvidos, falar em dispersão de custos e benefícios concentrados (ou seu inverso) não parece fazer muito sentido. Melhor dizendo, os efeitos de eventuais desvinculações de custos e benefícios são pequenos e facilmente solúveis com barganhas de Coase.

Obviamente, nem sempre há café na máquina e nem todos podem fazer café porque o objetivo central é estudar, passar nas avaliações, escrever artigos e fazer dissertações. Por outro lado, nada disto é possível sem um bom café, o que ajuda a explicar parcialmente o mistério da mão invisível que opera este café público.

Outra Dica R do Dia – Mais Organização Industrial

Pois é, o simpático leitor, no twitter, contou-me de um pacote que eu não conhecia: antitrust. Ele vem, inclusive, com o PC-AIDS. Tive um orientando na graduação que queria estudar aspectos antitruste de fusão e aquisição de um certo setor com o qual tinha familiaridade.

Na época, não existia R. Digo, “R” era só uma letra do alfabeto. Bem, ele pediu autorização ao autor do PC-AIDS (o programa para simulação de fusões) e fez sua monografia.

Agora, vejam só, o mesmo encontra-se dentro de um pacote do R…