Dica R do Dia – Penn World Tables 9.x

O prof. Zeileis tem feito ótimos pacotes para o R. O último é o que contém os dados da última versão da Penn World Tables (ele tem também pacotes para as versões anteriores). Claro, deve-se ter muito cuidado com esta base de dados.

Ela já foi mais simples. Hoje, está longe de ter seu uso feito sem um bocado de restrições. Leia, por exemplo, a documentação que se encontra aqui.

Pokemon Go…breaking it!

Ok, mais R. Agora, mudando o final do período de 06/2016 para 01/2017.

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library(gtrendsR)
res <- gtrends(c("Pokemon", "Evangelion", "Dragon Ball"), geo = c("BR"), time = "2004-01-01 2016-06-01")
plot(res)

res <- gtrends(c("Pokemon", "Evangelion", "Dragon Ball"), geo = c("BR"), time = "2004-01-01 2017-01-01")
plot(res)

Não somos tão racistas assim

O título acima poderia ser reescrito como: somos, mas não tanto, comparativamente. Digo isto por conta das evidências usadas neste artigo interessante sobre os impactos do racismo sobre o desenvolvimento econômico. Na amostra utilizada – 94 países – o Brasil aparece na 85a colocação.

O artigo é basicamente empírico – o argumento teórico é apenas verbal – e testado econometricamente e envolve história econômica, instituições (logo, colonização). Vale a leitura do texto e, sim, eis a figura que todo mundo gosta de ver.

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Tavares Bastos e a abertura unilateral do comércio

(…) a livre navegação do Amazonas deve ser estipulada em convenções com outros governos não ribeirinhos, ou é melhor permiti-la por ato próprio do governo imperial? Quando não sentíssemos já os efeitos de tratados dessa natureza, como são as convenções consulares, bastava o fato de não se haver carecido de tal recurso a respeito dos outros rios mencionados para se abandonar essa idéia, que determinaria delongas inúteis, além de outros inconvenientes mais sérios. [BASTOS, A. C. T. O vale do Amazonas: a livre navegação do Amazonas, estatística, produção, comércio, questões fiscais do vale do Amazonas. Brasília: Editora Nacional, 1975, p.46]

Eis aí a defesa da abertura comercial unilateral, por Tavares Bastos, que também achava que capital humano é importante para o bem-estar.

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Direitos autorais importam: o caso da Mulher-Hulk

Quando Stan Lee começou a achar que a Universal ia inventar uma Hulk mulher na série de TV, sobre a qual passaria a teros direitos, preparou uma solução preventiva a toque de caixa. (…) ‘Foi uma coação’, disse David Anthony Kraft, que assumiu os roteiros da série. ‘Foi tipo: ‘Precisamos inventar uma personagem chamada Mulher-Hulk, e tem que ser daqui a trinta segundos’ (…)’. [Sean, Howe. Marvel Comics: A História Secreta, Leya, 2013, p.235]

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A importância das preferências reveladas – Howard, o Pato

Um dos personagens mais bizarros da Marvel Comics é Howard, o Pato. Ele serve para explicar, mais uma vez, a importância – e a dificuldade – de se considerar corretamente as preferências dos consumidores.

“- Claro”, você dirá, “isto é fácil”.

Contudo, estamos falando do lançamento da revista em 1976. Howard havia aparecido algum tempo antes, em outras histórias e estava há algum tempo fora do radar dos leitores de quadrinhos. Quando do lançamento da revista ocorreu o seguinte:

[Os consumidores] (…) corriam para as bancas e compravam todos os exemplares da edição – às vezes, até antes de estarem expostos”. [Sean, Howe. Marvel Comics: A História Secreta, Leya, 2013, p.191]

Quanto à editora, segundo depoimento no mesmo livro:

Eu falei: ‘Qual é a desse pato? É só mais um personagem tipo Disney. Não vai dar certo’, disse o diretor de circulação da Marvel, Ed Shukin, à New Yorker. ‘Por isso só imprimimos 275 mil. Na época, eu ainda não havia lido um exemplar de Howard. Foi um erro. Subestimei o patinho.

Os especuladores, não. Em questão de semanas, o gibi estava sendo vendido a quase dez vezes o preço de capa – se você encontrasse alguém a fim de vender. [Sean, Howe. Marvel Comics: A História Secreta, Leya, 2013, p.191]

Ou seja, a preferência revelada não é desprezível. A narrativa do livro segue mostrando que a Marvel rapidamente percebeu o valor do pato e iniciou uma agressiva campanha de propaganda.

Ah sim, não, eu nunca li uma história do patinho. ^_^

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A economia de Snoopy

Em 1902, William Randolph Hearst, o extravagante proprietário do New York Morning Journal, com 33 anos de idade e biótipo um pouco caricatural – homem alto, voz fina – teve a engenhosa idéia de aumentar a receita líquida ao vender o direito de publicar suas tiras em quadrinhos a donos de outros jornais, em uma centena de outras cidades, simultaneamente. [Michaelis, D. “Schulz e Peanuts – a biografia do criador do Snoopy”, Seoman, São Paulo, 2015]

E assim começa mais uma leitura que me levará de volta à economia dos gibis…

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Sábados Econômicos

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Sábados que se iniciam com um almoço potencial, passam por uma descoberta no sebo mais próximo e terminam com uma ótima conversa no almoço efetivo. Claro, o hiato do almoço aí inclui os ausentes porque nem sempre o almoço opera em sua capacidade plena devido aos ciclos de agendas individuais (o almoço tem microfundamentos, né?).

De estereótipos perpetuados por sociólogos: o caso do mineirinho pão-duro

Poupar é o caminho!

Poupar é o caminho, uai!

Minas, por exemplo (…) com uma população superior à de vários Estados europeus. Neste Estado, é dominadoramente abundante o tipo do ‘rentista’. Encontramos ali, talvez, o nosso paraíso do Pré-capitalismo, portanto.

No ponto de vista da mentalidade econômica, o mineiro pode ser considerado o francês do Brasil: poupado, seguro, extremamente parcimonioso, desprovido do gosto da especulação e da aventura, principalmente no campo da indústria. Tem um padrão de viver modesto, mesmo quando poderia deixar de tê-lo. Carece visivelmente da vocação para nababo – tão freqüente entre os paulistas. [Vianna, O. “História Social da Economia Capitalista no Brasil, vol.2, Ed. Itatiaia/UFF, 1987, p.66]

Assim, paulistas têm vidas nababescas e mineiros são pão-duros. Experimente encontrar um rico mineiro na zona sul de Belo Horizonte. Ele não é muito diferente do paulista nababesco.

Agora, não dá para não parar de rir com a noção de que Minas Gerais é a terra dos rentistas. ^_^

Pombal e sua novilíngua

Imensas as dificuldades do governo: mal começadas as obras acentua-se a denominada ‘crise do Brasil’ (1760), defluente do declínio da produção aurífera. Ademais, a guerra com a Espanha (1762).

Para prover despesas da reconstrução, foi imposto ao Brasil um tributo extraordinário, sob o impróprio nome de donativo ou ‘subsídio voluntário’. [Avellar, Hélio de A. História administrativa do Brasil; a administração pombalina, 2.ed, UnB/FUNCEP, 1983, p.16]

Engraçadinho ele, né? Para quem não sabe o que é novilíngua, clicar aqui.

Um livro nem sempre é um livro

Qu20170118_091325-001ando estava na graduação, sofri muito com microeconomia. Para tentar me sair bem, comprei o famoso livro de Henderson & Quandt, que existia em português. Cheguei até a fazer uma errata do mesmo (acho que ainda tenho este documento…). Com o passar dos anos, consegui comprar a terceira edição do livro em inglês (em um sebo), já que a nacional era, salvo engano, a tradução da segunda edição norte-americana. Um belo dia, um antigo professor meu resolveu me presentear e me deu a primeira edição norte-americana do mesmo livro.

Claro que o valor emocional desta última é imenso para mim e é por isso que eu mantenho os dois livros em minha biblioteca. Um, por saudosismo (e por ser uma fonte útil para meu trabalho) e outro porque é um presente de alguém que foi extremamente importante em minha formação.

Pois é, há livros e livros. ^_^