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Mais Liberdade Econômica…(brincando com as correlações parciais)

O pessoal da Mackenzie lançou os dados do índice de liberdade econômica estadual. É o início de um trabalho de maior fôlego, espero. Os dados são de 2015, embora o nome do índice possa deixar o leitor com a impressão de que os dados são de 2017 (o ano que, aliás, ainda não acabou).

Obviamente, espero que divulguem as planilhas para que pesquisadores possam trabalhar com os dados, tal como faz o Fraser Institute, instituição, da qual, aliás, vem a metodologia utilizada.

Apenas para matar a curiosidade, eis duas correlações. Uma com a variação na taxa de vítimas por homicídios dolosos entre 2014 e 2015 e outra com a a taxa de 2015.

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Não se obtém relações muito claras e, claro, seria legal testar para o nível geral de criminalidade e para os diversos tipos de crimes existentes mas isso fica para o leitor. Os dados de crime vieram do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Rawlsiano é também Actoniano?

Roberto Campos, sempre ele, cita-me Lorde Acton, em sua “Autocrítica”, capítulo de famoso livrinho seu dos anos 70:

Os homens que pagam salários não deveriam ser os senhores políticos dos que os recebem, pois a[s] leis devem ser moldadas por aqueles que correm o maior risco no país, para os quais o desgoverno não significa apenas o orgulho mortificado ou o luxo prejudicado, mas privação, dor e degradação, e perigo para as suas próprias vidas e para as almas dos seus filhos. [Roberto de Oliveira Campos, A Técnica e o Riso, APEC, 1976, 73-4]

Entendo que a discussão do véu da ignorância de Rawls abraçou Lorde Acton aqui, heim?

Quando o resultado do artigo incomoda…

Justamente por não ser uma questão religiosa é que a ciência se torna interessante. Por exemplo, imagine quando resultados empíricos não te agradam ou questionam suas crenças. Claro, há sempre o que discutir quanto ao método, fundamentação teórica, etc.

Algo bem diferente da religião, que é uma área da vida em que você faz perguntas diferentes.

Roberto Campos deveria assessorar candidatos (sérios) a qualquer cargo público

Cheio de ironia, Campos declarava-se um recém-convertido ao nacionalismo (hoje seria chamado de “nacional-desenvolvimentista”, “heterodoxo” e assemelhados). Concluía, em seu Elogio da Ineficiência:

  1. O Brasil não deve exportar nada que esteja em alta demanda no mercado mundial. O melhor é esperar que haja superprodução, porque aí não temos nenhum sofrimento em entregar os nossos bens ao estrangeiro.
  2. É melhor exportar pouco, a preços altos, que muito, a preços mais baixos. Se algum de nossos exportadores pretende vender mais barato a fim de aumentar o volume e deslocar concorrentes no exterior, subordinando-se servilmente ao mercado mundial, pancada nele, que a intenção é suspeita e o caso é de polícia.
  3. Deve-se sempre vender caro e comprar barato. Se é assim que os homens ficam ricos, por que não as nações?
  4. Quanto a produtos mineirais, o melhor mesmo é conservá-los no subsolo, até que possam ser decididamente industrializados. Assim não ficam buracos nem se estraga a paisagem.
  5. Cumpre preservar cuidadosamente os déficits de Governo, que são fontes de geração de riquezas; e a empresa pública é sempre preferível à privada, pois descobriu o segredo de dar emprego sem dar trabalho.

Está lá em “A Técnica e o Riso, APEC, 3a ed, 1976, p.27. Ah sim, sobre a xenofobia deste discurso, vale a conclusão do capítulo, na p.28:

Em verdade, em verdade vos digo: o único mal deste país é ter sido descoberto por estrangeiros.

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Meu mundo acabou – versão Paul Samuelson

Paul Samuelson, senhoras e senhores (SAMUELSON, P. A. A Catenary Turnpike Theorem Involving Consumption and the Golden Rule. American Economic Review, v. 55, n. 3, p. 486–496, 1965) diz-nos como o mundo acaba.

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No final de sua conclusão, um conselho de apóstolo: Acumulem! Acumulem! Acumulem! Mas não mais rápido do que a Lei de Ramsey e somente se você compartilhar da filosofia de que não há preferência temporal. (a preferência aparece apenas na oitava nota de rodapé)

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Foi realmente um dos maiores economistas que já tivemos…

Nova ferramenta do governo e uma aplicação rápida para os dados relativos a Pelotas

O Ministério do Planejamento lançou um ótimo bem público (economistas sabem que uso o conceito econômico de bem público) que é este portal sobre transferências federais.

Aproveitei para ver como o município de Pelotas, no RS, aparece neste quesito, olhando por órgãos federais. Eis algumas figuras bastante ilustrativas.
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Claro, eu poderia melhorar mais a análise observando o status dos projetos (estão em execução? Já encerrados?), mas isso fica para o leitor. Peço desculpas, também, pelos títulos dos gráficos. A bem da verdade, o grande transferidor de recursos para o município é o Ministério da Educação e eu poderia ter feito, basicamente, só um gráfico.

O significado disto tudo? Vários pontos interessantes podem ser destacados aqui, mas isso fica para outro dia. Comentários, como sempre, são bem-vindos.

Ah sim, parabéns aos que disponibilizaram mais esta fonte de dados públicos. Ficou ótimo!

Seu professor está de olho em você

O pessoal quer métodos pedagógicos que aumentem a honestidade acadêmica ao menor custo. Digo, o pessoal da sala dos professores porque os alunos, bem, os alunos querem assistir ao hilário Como se tornar o pior aluno da escola (eu assisti, é bom mesmo).

No que os professores estão pensando? Nisso, nisso e nisso (e olha que eu poderia citar mais uns três artigos…).

p.s. (não?) queria ser aluno dos autores citados…

 

 

Às vezes é por erro

Treisman tem um novo working paper no NBER. Essencialmente, ele argumento que 2/3 de sua amostra são de países nos quais a democracia surgiu por “erro” mesmo. Ponto interessante porque, muitas vezes, esquecemo-nos que o ser humano é falível, imperfeito e é este mesmo ser humano que exerce o poder em um regime mais fechado.

Ao argumento desenvolvido pelos autores deste ótimo livro,  portanto, temos uma adição interessante: muitas vezes a mudança se dá por erros da elite de uma ordem de acesso limitada (OAL), não necessariamente por janelas de oportunidade.

O que assusta é o percentual que Treisman reputa aos “erros”: 2/3. Mas é mais um ponto a ser estudado por quem curte pesquisar mudanças institucionais e seus impactos no bem-estar.

Eu tenho lampejos de bom humor. Estes são dois deles.

Estou fazendo este post apenas para tentar me livrar do mau humor que tomou conta da minha tarde. O pior é que nem pude ir lá no Cruz. Os caras adoram fechar o boteco no sábado à noite.

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John Galt cartola e o horizonte de planejamento

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“- Ao menos poderia ser uma bola de futebol…”.

A função social do empreendedor, padarias e tudo aquilo

Acho que foi Armen Alchian que disse que a função social do empreendedor é conseguira fazer previsão de demanda para que você, leitor, encontre na padaria, de manhã, o que precisa para seu café da manhã.

Não só na padaria, mas também no supermercado, etc. Claro, fica fácil entender a importância de métodos de controles de estoque tão populares entre o pessoal que estuda Administração ou Contabilidade.

Um dos componentes essencias a um bom planejamento diz respeito ao cenário legal com o qual se trabalha. Imagine o dono de uma padaria, por exemplo. Preocupado em não terminar o dia devendo até suas mãos para credores e sabendo que a demanda é aleatória (mas não totalmente), ele busca prever o quanto precisará de ingredientes, produtos e funcionários para uma média diária (ou semanal, mensal, etc). É uma tarefa fácil? Não.

Claro, ele conta com uma razoável estabilidade legal. Razoável porque, claro, imprevistos ocorrem. A bem da verdade, ele trabalha com uma margem de erro nesta estabilidade: um ou outro imprevisto pode ocorrer no que diz respeito a alguma legislação tributária e ele pode ter que pagar um imposto maior amanhã.

O bom empreendedor tem que pensar nisto tudo e, mesmo que seja competente e bem-intencionado (honesto), ainda assim poderá ter sua vida dificultada com mudanças de regras repentinas.

Creio que isso não é algo difícil de se entender. Sempre que há uma situação, no mundo real, em que alguém oferta algo que é percebido como “de valor” (valoroso) por alguém, sob um marco legal específico (por exemplo: “é proibido roubar para se conseguir algo”), a chance de que ocorram trocas é muito grande. Claro, havendo trocas, sabemos todos, há papel para a Ciência Econômica atuar.

De padarias para clubes de futebol

Dito isso, não é estranho que exista uma área chamada de Economia dos Esportes e, dentro dela, o estudo da Economia dos Esportes Profissionais. Afinal, há por aí um contingente nada desprezível de pessoas que desejam ver seu time ganhar campeonatos.

Do outro lado, clubes profissionais buscam gerenciar seus recursos (setor administrativo, marketing, departamento de futebol, etc) para ofertar aos torcedores não apenas belos espetáculos (como os proporcionados pela seleção de Telê, em 1982), mas também vitórias (conquistas). É óbvio, né?

Pois bem, como em qualquer cenário econômico, existem torcedores e torcedores tanto quanto existem clubes e clubes. Alguns, com menos recursos, trabalham com menos graus de liberdade (assim como uma padaria pequena tem mais dificuldades do que uma padaria maior, com várias filiais) para seu planejamento. A demanda destes times é composta de torcedores que, claro, reclamam de tudo, independente de se têm ou não razão (no sentido de conhecerem as realidades financeiras de seus clubes).

A demanda, como se vê, é tão aleatória quanto a de uma padaria. Talvez até mais, já que ninguém é muito fanático por uma padaria, embora possa até ter alguma ligação emocional com a mesma (padarias também buscam se diferenciar). Mas e quanto à oferta? Como já disse, existem clubes de tamanhos diferentes. No caso do futebol, o que existe é um cartel que, diferentemente do que ocorre em outros setores da economia, é visto de maneira menos negativa.

Este cartel é a liga ou, na configuração institucional brasileira, é a CBF ou a CBF e suas federações estaduais. Dada a estrutura específica do mercado de futebol, geralmente se pensa – entre economistas – que a liga é uma solução interessante, mas não necessariamente perfeita.

Tome-se como exemplo uma federação de futebol. Espera-se da mesma que organize campeonatos criando condições para que os clubes gerem espetáculos que atraiam público para os estádios. Quando existem várias divisões – como é no caso brasileiro (e não é isso uma exclusividade nossa) – o trabalho da federação é mais difícil, pois tem que lidar com regras de acesso e também com o fato de que os clubes podem ter maiores ou menores dificuldades financeiras.

Exemplo de problemas no gerenciamento de clubes em dificuldades financeiras

Eis um exemplo interessante de um problema comum para clubes que estão na segunda divisão. Trata-se do Esporte Clube Pelotas, o popular Lobão, que se encontra há alguns anos na segunda divisão, com algumas dificuldades financeiras. A notícia, em resumo, diz que o clube se planejou com uma expectativa de calendário que não se concretizou.

A Federação Gaúcha de Futebol (FGF) sugeriu inicialmente a data de 4 fevereiro e abriu espaço para a opinião dos clubes. Segundo o diretor de futebol do Pelotas, Manoel Nunes, cerca de 90% dos times foram favoráveis a data apresentada pela entidade. Mesmo assim surgiu a hipótese de o campeonato ser adiado para março. Essa é, por sinal, o calendário defendido agora pelo presidente da FGF, Francisco Novelletto.

Será que a FGF sempre foi uma federação rigorosa nas datas e nas regras? Será que 90% dos clubes queriam algo que a FGF resolveu mudar? Este último caso parece improvável (é claro que se 90% dos clubes quer X, não faria sentido a liga lhes oferecer não-X, exceto por imposição). Parece mais um caso de expectativa formulada com muito mais ruídos do que sinal.

Isso não seria um problema se o clube estivesse em uma situação confortável (mais um dos infinitos exemplos que eu poderia dar sobre a importância de que clubes tenham protocolos de responsabilidade fiscal para que não se endividem insustentavelmente).

Como em uma padaria, o empreendedor tem sua margem de erro mais ampla quando possui mais recursos. No primeiro caso, não existem sócios-torcedores. No segundo, este é um contingente cada vez mais importante. Principalmente no Brasil, onde a falta de receita de transmissões pela TV complica a vida de muita gente.

O problema das lesões no sumô

292px-asashoryu_fight_jan08Como não poderia deixar de ser, é um problema relacionado com a oferta e a demanda. Do lado da demanda, o autor deste artigo (artigo de jornal, ok?) chama a atenção para o aumento da popularidade do esporte (o que é ótimo!) com o consequente aumento da procura dos atletas por parte de prefeituras (para exibições).

Do lado da oferta, o sumô exige indivíduos fortes e pesados. O autor também aponta para um aumento do peso e da altura médios dos lutadores ao longo dos anos (segundo o “Sumo Kimarite Picture Book, da “Beisebol Magazine Ed., 2016”), a altura média evoluiu de 1.79 para 1.85 cm e o peso médio, de 116 para 164 kg entre 1960 e 2015 (ver p.106) . Como é um esporte de impacto sem proteção (como o rugby, por exemplo), não é estranho que as lesões se tornem mais frequentes.

O problema, como em qualquer esporte, é encontrar o número de lesões ótimo. Neste caso, trata-se de minimizar o número de lesões e o que incomoda os lutadores é que eles podem cair no ranking caso se ausentem muito (veja o artigo citado). A última temporada ilustra bem as consequências disso com muitas ausências notáveis entre os principais lutadores (yokozunas e oozekis).

É verdade que, sem eles, aumenta a incerteza quanto ao resultado do torneio (aumenta o chamado balanço competitivo), mas o outro lado da história é que o balanço aumentou porque alguns dos melhores competidores estão ausentes e isso não necessariamente atrai mais público para as temporadas.

p.s. Eu não tenho os dados de público por temporada, mas já sei onde encontrá-los. (^_^)

Video games e ordem espontânea

Este artigo parece-me bastante preliminar, mas gostei do cuidado do autor em tentar contextualizar o problema (pouco usual para muitos) do video-game como um problema de ordem espontânea (uma área interessante para pesquisas).

Há uma entrevista com o autor feito pelo prof. Sutter. Eis o vídeo.

Algumas buscas no Google Trends (mais um pouco)

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Não é causalidade, mas mostra a busca por palavras-chave no Google. A busca pela palavra “uber” aumentou, provavelmente, por conta da crise (tanto consumidores quanto desempregados que buscam ofertar o serviço).

Caso a busca represente, de alguma forma, o interesse dos eleitores, então o termo “uber” parece estar na liderança, por exemplo, em relação ao termo “imposto sindical” (na segunda figura).