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Seu padrão de “cliques” na internet é racional, consumidor?

É. Duvida? Dá uma olhada nisto. Olha o resumo:

We study users’ responses to sponsored-search advertising using consumer-level data from Microsoft Live. We document that users click ads in a nonsequential order and that the click through rates depend on the identity of competing ads. We estimate a dynamic model of utility-maximizing users that rationalizes these two facts and find that 51 percent more clicks would occur if ads faced no competition. We demonstrate that optimal matching of advertisements to positions raises welfare by 27 percent, and that individual-level targeting raises welfare by 69 percent. Revealing the quality of the advertiser prior to clicking on a sponsored link raises welfare by 1.6 percent. (JEL D12, L86, M37) [Jeziorski, Przemyslaw, and Ilya Segal. 2015. “What Makes Them Click: Empirical Analysis of Consumer Demand for Search Advertising.” American Economic Journal: Microeconomics, 7(3): 24-53.]

Muito bom para jogar na cara de quem duvida da racionalidade do consumidor, né?

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Um novo modelo de teoria da decisão?

Há quem ainda afirme – talvez não o faça se fizermos um anti-doping – que é possível ter uma nova teoria da decisão sem o uso da matemática (e, talvez, do português, do inglês, da inteligência, etc).

Bom, não é possível. Desculpe-me.

Dito isto, veja que sensacional a idéia deste artigo. Uma perspectiva menos técnica e bem intuitiva está aqui.

p.s. Eu diria que o povo de Nova Economia Institucional (no qual me incluo) não tem nada a perder com isto.

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Teoria do Consumidor e Matrizes

Não, não vou falar de formas quadráticas (e estas não dizem respeito ao Bob Esponja) e nem condições de segunda ordem. Na verdade, eu me pergunto o que é que leva alguém a perguntar ao professor, de forma preguiçosa e debochada para que servem as matrizes se nunca vou usar isto na minha vida (pois consigo prever o futuro e sei disto, embora não consiga saber a matéria da prova)?

Pois é. Matrizes não são apenas para seu masoquismo, leitor. Matrizes servem para muita coisa. Por exemplo, digamos que eu, empresário, queira descobrir padrões de preferências dos consumidores. Claro que você percebe o motivo de algum empresário querer fazer isto, né?

Assim, considere este texto do excelente blog do Joel Caldwell (e este outro, que ele cita lá). Não sei não, mas me parece que as matrizes são muito mais úteis do que você imaginava, não?

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Teoria do Consumidor…aplicada

Preferências do consumidor. Eis algo que a gente toma como dado e parte para a análise. Bom, isto é para facilitar a vida dos alunos porque, claro, nos dias de hoje – ao contrário de 30 anos atrás – obter dados sobre preferências é mais fácil.

Caso você queira ver como é que se estuda preferências, veja, por exemplo, este texto. Ah sim, sem aprender R, você fica menos capacitado para a brincadeira. Mas, claro, você sabe como alocar seu tempo para melhorar suas chances de arrumar um bom emprego, né?

Ah se eu tivesse tempo para me dedicar a tudo o que é interessante…aproveita que você não precisa trabalhar e manda ver, filho(a)!

p.s. em assunto não relacionado…livro novo do Pastore (a droga é que não achei como já fazer encomenda do mesmo…).

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Google e R – teoria do consumidor em ação (e um aviso)

Como medir o impacto de uma estratégia (incentivo) sobre a demanda? Esta pergunta assombra os economistas há séculos. Bem, lá na Google, cujo economista-chefe é o Hal R. Varian, autor do livro de Microeconomia mais badalado no mestrado (pelo menos assim o era nos anos 90) e também de um bom livro de graduação (até hoje), eles levam esta questão muito a sério.

Obviamente, eles usam o R como uma das ferramentas de trabalho. Eis o exemplo mais recente. Reproduzo o trecho.

Google has just released a new package for R: CausalImpact. Amongst many other things, this package allows Google to resolve the classical conundrum: how can we asses the impact of an intervention (for example, the effect of an advertising campaign on website clicks) when we can’t know what would have happened if we hadn’t run the campaign? For a marketer, the worry is that the spike in clicks was partially or wholly the result of something unrelated (say, a general increase in web traffic) rather than your campaign.

Como diriam os americanos: how awesome is this? Eu te digo: muito. O pequeno texto – cujo trecho citei acima – explica rapidamente como funciona o exemplo.

Muitos alunos de Ciências Econômicas (e outros de Marketing) fogem da parte de métodos quantitativos com as desculpas mais variadas, mas o progresso gerado pelos mercados (Schumpeter, Smith, Mises, etc) tem levado nossa profissão para um grau de sofisticação nesta área do qual não podemos mais escapar. Acabou aquele choro de “não quero aprender Econometria” ou “não sei o que fazer porque minha faculdade não ‘tem o Eviews'”.

Com o passar dos anos tem ficado claro que escolas de Economia que se recusem a ensinar Cálculo não vão colocar no mercado profissionais que vençam um chinês de 14 anos. As escolas que se fiarem em retórica apenas ou na formação de quadros para movimentos e partidos ideológicos também não vencerão um chinês de 15 anos de idade (nem mesmo os que trabalham na doutrinação comunista). Finalmente, as que fazem o jogo infantil de “pluralismo só com a Sociologia”, nem vou comentar.

Poesia é muito bonito mas, a não ser que você seja um Carlos Drummond de Andrade ou uma Cecília Meireles, o mercado vai te engolir.

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Tempestade de Teoria do Consumidor: sanduíches e bebidas alcóolicas…e tudo precisando de elasticidades!

Sim, mais barato! Corra lá e peça já o seu! Caso o custo da passagem seja um “sunk costs”, ok. Mas, caso contrário…

O pessoal da faculdade já pode comemorar! Desconto no Subway! Espere, calma….não é na loja ao lado da faculdade. É lá no Japão e, embora alguns alunos megalomaníacos acreditem que Harvard tem uma sala Ibmec, não estamos tão bem assim (aliás, graças ao trio Tombini-Augustin-Mantega, acabamos de ser rebaixados e um líder do partido do governo, que não previu problemas com corrupção em seu partido, acusou as agências de risco de não terem previsto a crise de 2008 e…bom…não preciso continuar, não é?).

Mas veja a promoção.

With just days left until Japan’s consumption tax jumps from five to eight percent, we’ve resigned ourselves to having to suddenly pay a little bit more for, well, just about everything. So it’s nice to know that this week brings one last hurrah for budget-based pricing, as for two days Subway is cutting us all a break by knocking the price of two of their most popular sandwiches down to almost half of what they ordinarily go for.
The internationally-loved sandwich chain has decreed that this year March 27 and 28 shall be known as Subway Days. Actually, Subway runs a similar promotion every year in Japan, but seeing how 2014 marks its 22nd year in Japan, it’s discounting two of its menu items by 220 yen to just 290 yen each.

 

A estratégia de criar um dia do Subway é tal e qual a do vendedor de auto-proclamados hambúrgueres (quer comer um de verdade? Vá ao Carl’s Jr…). Só não tem a campanha filantrópica. Ah, e a promoção é restrita a apenas cinco sanduíches por pessoa por visita. É, você entendeu corretamente: só dá para comer cinco sanduíches. Quem estiver de dieta, claro, não terá muitos problemas com isto.

Um ponto: repare que os consumidores japoneses já sabem, há meses, do aumento do imposto (para ser mais correto: muitos meses…). Um sanduíche destes pode ser conservado por pouco tempo na geladeira e, portanto, não creio que a proximidade do dia do imposto seja algo assim tão importante para os consumidores de sanduíches.

Aliás, já que falamos de aumento de impostos…

A revised excise tax for alcoholic drinks in Lithuania is set to begin on April 1, 2014, increasing taxes on wine by 14 percent, beer by 10 percent and spirits by 1 percent. This is good news for the spirits industry, as taxes on spirits will be raised the least, therefore making spirits more affordable to consumers. However, the flow of illicitly traded alcoholic drinks may increase in the country due to the new taxes, which are set to be revised and most likely increased again in 2015. – See more at: http://blog.euromonitor.com/2014/03/industry-impact-lithuani.html#sthash.LIixybc7.dpuf

Os incentivos, agora, são para os lituanos fazeremo o que, exatamente? Bom, a autora acha que a notícia é boa para o pessoal do Jim Beam/Jack Daniel’s (eu e o Ari estamos nesta, creio), mas, na verdade, deveríamos olhar a elasticidade-substituição entre estes bens, não? Não sei qual é o efeito-preço cruzado entre estes dois bens e, portanto, não tenho claramente uma noção de quanto aumenta na demanda do whiskey quando aumenta o preço do vinho. Aliás, pensando no Ari, ele teria problemas aqui. Já eu, que não sou fã de vinhos…

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Utilidade marginal da renda (ou das moedas…) e o monge zen budista Ryoukan

A pergunta da qual o aluno foge…

Qual é a utilidade marginal da moeda (renda)? Alguém poderia me dizer que é o multiplicador de Lagrange. É, eu sei que esta é a interpretação mais famosa e comum (e não sou eu quem pretende lecionar Análise Microeconômica há quase 20 anos?).

A resposta que o professor espera…

Mas este conceito não faz muito sentido sem que você entenda realmente o que significa sentir-se mais feliz em achar algum dinheiro. Sempre penso nesta relação entre teoria e prática quando descubro anedotas como esta, relativa ao lendário monge zen budista, Ryoukan (a pronúncia correta e a grafia correta é esta, com “u” mesmo, mas vou citar o texto a seguir tal e qual).

Someone said, “It’s exciting to find money on the street”.

Hearing it, Ryokan threw his own money onto the street and picked up. He did not enjoy it at all. Suspecting that the man had tricked him, Ryokan kept on throwing money, but eventually he could not find where the money had gone. He searched for it everywhere until, finally, he found the money and was overjoyed. Then, he said to himself, “The man didn’t trick me after all”. (Tanahashi, K. “Sky above, great wind – the life and poetry of Zen Master Ryokan”, Shambhala, Boston, 2012, p.207-8).

 

Para um aluno de primeiro ano, eu daria este texto como um exercício de reflexão (não necessariamente zen budista). A história é, no mínimo, divertida. Para descobrir a utilidade marginal da renda (ou das moedas, para ser mais fiel à anedota), repare que o monge faz uma alteração proposital e arriscada sobre seu conjunto orçamentário: ele o zera espalhando suas moedas aleatoriamente.

Então experimenta o prazer do achado (bem, repare como o “prazer” tem que ser experimentado com um certo custo que é o de zerar o conjunto orçamentário correndo o risco de não achar mais as moedas…) e aí conclui que, sim, aumentar o conjunto orçamentário realmente lhe fornece um ganho positivo de satisfação (ou bem-estar).

…E a piada inevitável com os filósofos da ciência…

É, a gente poderia fazer até uma piada se ele tivesse jogado as moedas no chão e as procurasse apenas sob os recantos iluminados (a galera da metodologia científica que busca entender a ciência, também criando hipóteses apenas sob seus recantos iluminados adora esta metáfora…). Mas não é esta a anedota do divertido Ryoukan.

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Quanto de utilidade derivei ao consumir estas duas leituras em proporção fixa? Só eu posso responder, eu sei, mas minhas múltiplas personalidades não decidiram ainda como vão se decidir a respeito.
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A economia aplicada – um caso clássico (de novo a restrição orçamentária)

Para alunos de Microeconomia 

Caso você não seja um deles, desista. Ou aceite o desafio, mas veja algum livro-texto antes. Vamos lá?

A esposa que não queria dar subsídios…mas não queria pobres analfabetos

Outro dia cheguei em casa do serviço e encontrei minha esposa muito nervosa. Ela havia lido o jornal e esbravejava a respeito de alguma política do governo. Levou um tempo até que ela se acalmasse (um bom tempo).

Como sempre, a questão era algum uso dos nossos impostos. O debate que ela havia assistido na TV era sobre alguma discussão como estas de programas assistencialistas: devemos dar dinheiros aos pobres? Não devemos? De qualquer jeito? Tem que exigir que o filho vá para a escola? Tantas questões, não?

O que fazer? Chame o economista!

Mas existe uma segunda opção que é a do voucher. O voucher é simplesmente uma espécie de vale, um presente (ou, se quiser, um “vale-presente”) que deve ser gasto no bem em questão. Digamos que o debate seja sobre a educação no país. Então, suponha que o governo esteja debatendo se vai ou não vai gastar para aumentar o número de gente matriculada. Vamos analisar estas duas opções.

Subsídios…

A primeira é o subsídio. O que o subsídio faz? Ele diminui o preço do bem. Imagine a nossa restrição orçamentária entre dois bens: o gasto com outros bens, “D” e a educação, “X”. A renda nominal do consumidor é “M” e, assim, supondo que ele tenha separado esta quantidade de dinheiro para gastar com estes dois bens, temos:

M0=pxX +D

Ok. O subsídio seria financiado via impostos (suponha que os impostos sejam sobre a renda dos mais ricos). Então, temos:

M0=(px-t)X +D

Percebe o que acontece? O conjunto orçamentário do pobre aumenta com um viés por gastos em educação. Caso o consumidor queira viver de aulas e outros bens, certamente escolherá uma nova alocação de seus gastos. Eu diria que é bem provável que gaste mais com educação.

E o Voucher?

Agora, imagine o caso do voucher. O sujeito que o recebe tem que gastar um mínimo X0 com a educação. Para isto, ele recebe um voucher de valor “g”. Então, sua restrição é um pouco diferente da que acabamos de ver. Ela fica assim:

D=M0  para 0 < X ≤ X0

M0 + g = pxX + D para X > X0

Veja que há uma descontinuidade. Com sorte, o consumidor conseguirá aumentar seu gasto em educação e em outros bens, de forma similar ao caso anterior. Entretanto, há uma diferença: o voucher pode levar um indivíduo que não estudava a gastar em educação.

Preferências Quase-Lineares! 

Suponha o caso de preferências quase-lineares com solução de canto em D, de forma que existe um consumidor que pode viver numa boa sem gastar um tostão em educação. Mesmo que você lhe dê aumentos de renda, não há qualquer impacto em seu consumo de educação.

Mas o voucher pode alterar isto. Em uma situação em que | TMS | < | px |, pode haver uma solução em que o consumidor gasta alguma quantidade positiva em educação. Ótimo, não?

E no mundo real?

Bom, a questão interessante é empírica. Um governo inteligente (e no qual o desejo de educar supera o de apenas fazer a política tal como ela é…) permitiria a adoção de um ou outro mecanismo para várias escolas, afim de coletar dados e buscar padrões de comportamento. Você quer um exemplo empírico? Eu te dou um. Aqui. Scott Susin, neste estudo de 2002, diz-nos:

Since the early 1980s, low-income housing subsidies have increasingly shifted towards
vouchers which allow recipients to rent in the private market. By 1993, vouchers subsidized as many households as lived in traditional housing projects, although most low-income households did not receive any subsidies. This study investigates whether this policy has raised rents for unsubsidized poor households, as many analysts predicted when the program was conceived. The main finding is that low-income households in metropolitan areas with more vouchers have experienced faster rent increases than those where vouchers are less abundant. In the 90 biggest metropolitan areas, vouchers have raised rents by 16 percent on average, a large effect consistent with a low supply elasticity in the low quality rental housing market. Considered as a transfer program, this result implies that vouchers have caused a $8.2 billion increase in the total rent paid by low-income non-recipients, while only providing a subsidy of $5.8 billion to recipients, resulting in a net loss of $2.4 billion to low-income households.

Legal, não? Dá uma lida no texto dele se isto te interessar mais.

Mas não poderíamos dar um tipo de transferência em dinheiro (“cash transfer“) para ele?

Assim me perguntou a minha esposa. Bem, não é difícil ver que a solução é bem interessante. Pode ser melhor que esta história de voucher. Mas estou cansado. Então, veja o exemplo deste blog. Viu porque algumas pessoas acham que o melhor mesmo é ganhar dinheiro, ao invés de vouchers?

Conclusão?

Sem conclusões. O negócio é pensar em quem demanda e em quem oferta políticas públicas como estas. A quem interessa receber dinheiro? A quem interessa ofertar dinheiro? Ou vouchers? Ou subsídios? Bem, esta é uma outra questão. Vai ficar para outro dia.

Bibliografia

A aula de hoje beneficiou-se de Hirshleifer, J.; Glazer, A. & Hirshleifer, D. Price Theory and Applications. 7th ed, Cambridge University Press e de alguns outros materiais que li ao longo do tempo.

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Excesso de opções? Eu diria: maior diversidade!

O título da matéria parece carregar na conotação negativa implícita. Eu reescreveria para: ampliação das opções de consumo faz com que diminua o consumo relativo de uma das opções. Fica meio óbvio, mas é isso.

A matéria, contudo, lembra-nos de algo muito interessante sobre teoria do consumidor: a questão das preferências e a própria definição de “bem”. Afinal, como sabem os estudantes do primeiro ano, “um copo de água” e “um copo de água no deserto após dois dias de caminhada” não são o mesmo bem.

Então, sim, “sucos e achocolatados” não é a mesma coisa de “sucos e achocolatados no café da manhã” e, de novo sim, a ampliação das opções faz com que o mesmo consumidor tenha mais itens para serem gastos com sua renda (permanente) o que, portanto, faz com que caia a proporção do item no total do orçamento.

Eu, por exemplo, não conhecia alguns tipos de cerveja e, após conhecer, passei a apreciar um pouco mais o produto. Obviamente, outras cervejas perderam espaço em minha restrição orçamentária, como eu disse a esta repórter.

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Preferências do consumidor importam? Pergunte à Ivete Sangalo, Fernanda Lima ou à Regina Casé!

Pois é. Ordenação de preferências já é um negócio em si. Diz o Estadão:

No grupo Newcomm, as celebridades são tratadas da mesma forma que uma marca de refrigerante ou sabão em pó. O “sobe e desce” da credibilidade de 140 potenciais garotos-propaganda é acompanhado anualmente pelo estudo BAV, feito pela rede, que no Brasil é dona de agências como Young & Rubicam, Grey e Wunderman. A pesquisa, segundo o diretor de inteligência de mercado do Newcomm, César Ortiz, ouviu 3 mil consumidores em seis regiões brasileiras. A ideia, diz ele, é determinar quais “marcas” de celebridades podem dar o maior retorno na hora de vender um produto ou empresa.

Não estamos falando de você, estamos falando de 3 mil consumidores. Bem, é uma amostra razoável (dependendo do que você quer medir, esta é uma amostra razoável sim).

A escolha de um garoto-propaganda, explica Ortiz, considera diversas variáveis. É por isso que as celebridades são analisadas sob os mesmos pontos de vista das marcas de varejo: é preciso entender quais têm mais credibilidade e também quais têm atributos de modernidade. Com base nessas e em outras variáveis, a pesquisa consegue determinar os nomes mais adequados para campanhas institucionais, que ajudam a construir a imagem de uma marca, e quais são bons para transformar produtos em objetos de desejo.

Quais são as dimensões do produto “garoto-propaganda”? Bem, olha aí: alguma coisa chamada “credibilidade” e outra chamada “modernidade”. Obviamente, como profissional de marketing não é bocó, estes conceitos têm uma definição técnica. Afinal, ninguém gasta dinheiro para entrevistar 3 mil pessoas sem pensar no retorno, certo? A matéria tem uma tabela interessante que eu refiz para destacar algumas correlações.

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O estudo apresenta duas características: “glamour” e “confiança” que, supostamente, seriam importantes para os consumidores das classes AB e C. Eventualmente, há mulheres famosas que apresentam as duas características para a amostra pesquisada, mas nem todas.

Repare na Fernanda Lima, que inspira glamour para a classe C e confiança para a classe AB, o que a torna um ativo interessante, já que pode fazer campanhas para um consumidor mediano mais representativo da população total (embora com ênfase distinta em cada faixa da população). Outra nesta categoria “universalista” é Ivete Sangalo, inspiradora de glamour para todos e confiança para a classe C.

“- Gente, eu acho que vocês me vêem como uma curva de indiferença…”.

Então, preferências importam. Quando o consumidor assiste a um comercial com a Ivete Sangalo, portanto, ele tenderia a perceber estas duas dimensões: glamour e confiança. Como seria a relação entre estas características para um consumidor? Creio que depende do produto. Digamos, por exemplo, que o produto seja um serviço diferenciado de um banco. Neste caso, para os clientes “vip”, uma Ivete Sangalo na agência bancária seria a garota-propaganda ideal, segundo esta pesquisa. Em outras palavras, eu diria que esta clientela tende a ver glamour e confiança como bens complementares.

É, para mim, a Ivete Sangalo gera um nível de utilidade, para o consumidor mais abastado do banco em uma função com curvas de indiferença do tipo Cobb-Douglas ou Leontief.

Pudesse eu ter acesso às 3 mil observações da amostra e vocês veriam só o que eu iria fazer com o R…

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Frases do Dia: não tenha medo da interdisciplinaridade!

Você tem medo de Econometria? Tem medo do R? Não tenha. Mente aberta! Talvez ajude se eu citar alguém da área. Que tal um Nobel de Ciências Econômicas?

Perhaps no other science receives as much criticism from both its own members and outsiders as does economics, and one of the ever fashionable criticisms is that economists are slow to take account of highly relevant work in other disciplines. Modern statistics had such a development, and, judged by its fruitfulness, it was of undeniable importance in economic study. The speed and generality with which the new techniques were adopted by economists left no occasion for complaint.

 

Studies in the history of economics usually culminate in apology or criticism. I seize this opportunity to end one such study on a note of pride.

A referência:

The Early History of Empirical Studies of Consumer Behavior
Author(s): George J. Stigler
Source: Journal of Political Economy, Vol. 62, No. 2 (Apr., 1954), pp. 95-113
Published by: The University of Chicago Press
Stable URL: http://www.jstor.org/stable/1825569.

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O que você prefere?

Este artigo me deixou curioso sobre um tema avançado – para a graduação brasileira – em Economia: preferências. Todo aluno quer saber de onde elas vieram. Bem, nós assumimos que existem e mandamos bala na álgebra. É mais simples e, se você é aluno de primeira viagem, deveria agradecer a Deus por facilitarmos sua vida.

Agradecer a Deus, mas não deixar de continuar se questionando. Isso significa que você deve tentar construir seu conhecimento da maneira correta: aprenda primeiro muito bem a usar a ferramenta e, depois, procure por alternativas (ou aperfeiçoamentos da mesma). A mesma coisa se dá com o termo “preferências”.

Lembra do post de hoje sobre “cultura”? Pois é a mesma coisa. Eu só comecei a estudar o tema depois apanhar muito (e ainda apanho) da teoria tradicional. Aliás, até prova em contrário, ainda sou da velha guarda pois, de gustibus non est disputandum.

Ah é, falaram para você de interdisciplinaridade mas só te mostraram a porta do partido político do professor? Então esqueça. Há vida interessante na academia e ela inclui relações com a computação, com a matemática, com as ciências biológicas, da saúde, com a história, com a neurologia, etc. Antes de dar o salto, faça como economistas: suba os degraus. O ganho é sempre marginal.

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Equilíbrio em trocas no qual há consumidores saciados? Isto…dá prá fazer.

Some sufficient conditions for the existence of a competitive equilibrium in economies with satiated consumers
Norihisa Sato – Graduate School of Economics, Waseda University
Abstract
It is well known that a competitive equilibrium may fail to exist when consumers’ preferences are possibly satiated. In this paper, we provide three new sufficient conditions for the existence of a competitive equilibrium in the standard Arrow-Debreu pure exchange economy with satiated consumers. We first consider a condition that restricts the behavior of the excess demand correspondence on the boundary of a certain subset of the price domain. Another two sufficient conditions are obtained by using the existence result under this condition.

Opa, opa, opa…veja só, leitor, como é esta história de ciência. Como é que pode haver um equilíbrio numa economia de trocas quando os consumidores estão saciados? Nosso amigo aí diz que há como isto acontecer. Obviamente é uma questão teórica mas há um grande apelo empírico como, por exemplo, quando você quer estudar a consistência teórica de um modelo CAPM.

Dá uma olhada no artigo – altamente técnico – que você perceberá o tamanho do problema.

p.s. e os pterodoxos da ala heterodoxa? E aquele papo todo – que nunca gera um artigo digno de nota nas revistas científicas de qualidade – de que “as preferências não são estáveis” e coisas do gênero? Heim? Heim? O colega aí acima contribuiu muito mais do que esta galera simpática que toma cerveja com os alunos, fala mal dos adultos com os adolescentes mas, lamentavelmente, não produz nada.

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Teoria do Consumidor – aplicações

O pessoal que gosta de história e de economia, certamente achará isto interessante. O abstract é convidativo:

This article concentrates on analysing the rightward shifts of the demand curve for Mediterranean agricultural products from 1850 to 1938. We have found that such shifts were especially conditioned by the different income elasticities of demand and by changes or otherwise, in consumer preferences. Our aim is to show that there was an initial conditioning factor for the producer countries to take full advantage of these potential growth opportunities, namely the size of such shifts.

Eis aí algo bacana. Pena que não tenho acesso ao artigo porque a curiosidade é grande. Talvez o working paper deste artigo esteja aqui.