História econômica e Fábula econômica: qual a diferença?

Robert Higgs geralmente é ótimo quando se trata de sua especialidade: história econômica dos EUA. Um artigo curto e interessante é este cujo trecho reproduzo a seguir.

A maior parte das pessoas ouve falar da relação entre o crescimento das grandes empresas e a expansão do governo como se fosse um auto de moralidade. Na versão mais difundida, apresentada em quase todos os livros-textos de história americana, o surgimento das grandes empresas (no papel de diabo) teria causado diversos males e abusos — monopolismo, poluição, exploração de trabalhadores etc. Usando um estilo pungente (ainda que não muito escrupuloso quanto aos fatos), Matthew Josephson conta essa história em The Robber Barons [“Os barões do crime”]. As massas também teriam gritado por auxílio e teriam pressionado seus representantes políticos a criar legislações protetoras. Assim, sobretudo em períodos como a Era do Progresso, da Grande Sociedade e do New Deal, surgiu uma profusão de programas governamentais e agências regulatórias, bem como a participação direta do governo na vida econômica (como se fosse a intervenção divina), que serviu para proteger o povo do efeito supostamente esmagador do brutal capitalismo laissez-faire.

Em geral, muita gente aprende imprecisões como se verdades fossem – como no popular e muito problemático livro de Leo Huberman – sobre história econômica mundial. Na faculdade, temos que corrigir os estragos feitos por professores que se esqueceram, eles mesmos, no ensino médio, de fazer o dever de casa básico: pesquisar antes de lecionar.

Ah sim, Higgs é bom, mas quando se mete a falar de Ciência Econômica, costuma bater em obstáculos.

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Falácia econômica: o falso dilema entre liberdade e segurança

Outro dia falei aqui sobre a besteira que é supor que existe um trade-off entre liberdade e segurança. Bem, não é que Robert Higgs, também já citado aqui, várias vezes, lançará um livro explicando isto aos incautos? Vejamos um trecho da sinopse do novo livro:

Synopsis

“Those who would give up essential Liberty, to purchase a little temporary Safety, deserve neither Liberty nor Safety,” wrote Benjamin Franklin. Attempting to gain security by sacrificing liberty is also a foolish action, some would add, because it only increases the potential for harm.

In Neither Liberty nor Safety: Fear, Ideology, and the Growth of Government, economist and historian Robert Higgs illustrates the false trade-off between freedom and security by showing how the U.S. government’s economic and military interventions reduced the civil and economic liberties, prosperity, and genuine security of Americans in the 20th century. Extending the theme of Higgs’s earlier books, Neither Liberty nor Safety stresses the role of misguided ideas in the expansion of government power at the expense of individual liberty. Higgs illuminates not only many underappreciated aspects of the Great Depression, the two world wars, and the postwar era, but also the government’s manipulation of public opinion and the role that ideologies play in influencing political outcomes and economic performance.

Higgs tem insistido neste ponto há anos. Acho importante que haja gente assim, como sempre diz o Adolfo (Sachsida), interessada em manter vivas as idéias boas em épocas de abundante ignorância. Muitas vezes, a preguiça mental é racional, como vemos nos estudos de dissonância cognitiva em economia (Akerlof, Caplan) e irracionalidade racional (Caplan). Se você gosta do tema, deveria ver a bibliografia deste artigo (e o próprio, que é para leigos).