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Como entender as diferenças entre as duas equipes econômicas ligadas à oposição?

Este vídeo parece promissor nisto. Honestamente, fico com Gustavo Franco. Mas concordo que ambos representam políticas econômicas (portanto sociais, mesmo que você não goste de ouvir desta forma) infinitamente melhores do que as que vejo entre os representantes do status quo.

p.s. o Roberto DaMatta é um show à parte. Não sou nada perto de um especialista em antropologia, mas gostei do que ouvi (notadamente sobre a origem dos jornais no Brasil).

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Qual foi a reação do Doutor Destino quando seu novo assessor lhe disse que usava a “contabilidade criativa” no cálculo do superávit primário?

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Em homenagem ao Plano Real – em seus 20 anos – ofereço, além desta reinterpretação do quadrinho do presidente proletário Doutor Destino diante da famigerada “contabilidade criativa” que destruiu a economia da Latvéria, a reprise dos meus vinte minutos de video sobre o impacto da inflação da gloriosa era heterodoxa (eles são tímidos, mas não custa lembrar que a hiperinflação era seu maior orgulho) no bolso de quem era criança.

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Lições de Desenvolvimento Econômico: reflexões a partir de uma entrevista

Tem vários exemplos legais de crescimento. Mas nenhum deles deixou de ter um componente de mudança institucional não raro contenciosa que fizessem prevalecer as instituições que fazem a economia crescer em oposição às tradicionais. (Gustavo Franco, em entrevista à Conjuntura Econômica, Fev/2014, p.38-9)

Pois é. O Plano Real fez 20 anos (e comentei sobre isto em 20 minutos, aqui). O Gustavo Franco, no trecho acima, chama a atenção para algo muito importante: mudanças institucionais não se fazem facilmente. Não basta saber o que tem que ser feito e nem dá para ignorar as questões políticas. A revista informa que a entrevista estaria no ar mas, honestamente, eu procurei e não a encontrei (e olha que sou assinante!).

Reformas institucionais são importantes? Acho que você não precisa estudar Economia para saber que a resposta é positiva. Por outro lado, se não estudar Economia, provavelmente não saberá organizar suas idéias sobre as reformas. Panfletários de todo os lados apenas vendem suas bandeiras, mas quantos deles param para pesquisar a realidade? Quantos panfletários marxistas ou libertários apresentam-nos um estudo sério, que vá além das correlações, sobre causalidades? O assunto não é fácil, eu sei, mas temos que começar.

O problema é a educação! Eles são jovens, vão aprender!

Vão mesmo? Na mesma entrevista o Gustavo Franco nos lembra que fazer reforma educacional é tão importante quanto difícil. Por exemplo, há um grupo poderoso (que adora não se ver como grupo poderoso…como todo grupo poderoso, aliás) que tem uma visão bem cartorialista da educação:

Mas há um preconceito sindical absurdo quanto ao estabelecimento de metas, planos e meritocracia no funcionamento da educação – na superior então é outra conversa. Você precisa mexer nas engrenagens. É reformar. (idem)

Grupos de interesse agindo? Tirando crescimento econômico? Já ouvi esta história antes. Não dá para ignorar o tema, nem em Macroeconomia. Aliás, o livro do Richard T. Froyen, de Macroeconomia, é o único que tem um capítulo sobre política fiscal que inclui uma discussão interessante sobre o tema da política e eu o recomendo para bons estudantes (e alguns capítulos do mesmo são leitura obrigatória comigo).

Enquanto isto, jovens, muitos deles, querem apenas repetir frases, fazer memes de economistas mortos. Não que não seja divertido brincar de repetir frases, aprender a citar, mas o objetivo final da Educação é melhorar a sua (e a nossa) compreensão da realidade. Então, sim, no final do dia, queremos todos saber se há ou não impacto da educação sobre o crescimento econômico de um país. Não apenas isto, queremos saber, já que recursos são escassos, em que metas devemos focar e com quais instrumentos. Qual é a elasticidade-retorno da educação para cada R$ 1.00 investido no Pará? No Acre? Aqui? E assim por diante.

Você quer falar de livre mercado? Eu gosto de livre mercado. Mas quero saber o quanto a flexibilização do mercado de trabalho geraria empregos e salários relativamente a hoje. Você pode ser um destes que acha os fenômenos sociais complexos e tal, mas, no final do dia, ninguém vai te contratar (no setor privado, pelo menos) para você contar histórias bonitas sobre a não-linearidade do mundo ou sobre o efeito-borboleta. Isto é papo bonito, mas vale para a realidade? Para qual delas? Como se aplica?

Jovens falam em mudar o mundo…

Todo mundo quer mudar o mundo mas, dizem meus amigos libertários, ninguém quer ajudar a mãe e lavar a louça. E eu complemento: e menos gente ainda querem sentar e estudar. Infelizmente, para os que não curtem um bom tempo investido em pesquisa, as pesquisas continuam mostrando que a educação, digo, a Educação, é importante. Por exemplo, lembra deste gráfico?

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Repare que ele ilustra três variáveis, na verdade. A escala das “bolinhas” é medida em Capital Humano (medido em 2010, com dados atualizados de Barro e Lee). Brinquei com este gráfico nestes últimos dias, focando nas variáveis dos eixos vertical e horizontal. Mas repare no tamanho do capital humano dos países. Veja, por exemplo, como esta história de filantropia também parece ter uma correlação forte com o capital humano.

Não quero sugerir mais do que o gráfico nos diz, mas aposto que mais tempo na escola também tem algum impacto na visão das pessoas sobre o que elas pensam daqueles mais desfavorecidos. Ou sobre a ajuda a velhinhas na travessia de pedestres. Pode ser que não, mas é possível que, em média, haja um impacto positivo neste aspecto. Vai saber. Só mesmo com…mais estudo para responder perguntas assim.

Mas as mudanças institucionais…como ficam?

Alguém tem que trabalhar nisto, não tem? Então, vamos lá.

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Apenas uma correlação? Ou há como explicar isto?
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Ainda o Plano o Real

Excelente editorial do Estadão sobre o Plano Real. Destaco:

Só um BC revigorado e com bons instrumentos poderia ter vencido com rapidez, como venceu, os surtos inflacionários de 2002-2003 e de 2009. Em 2000, a Lei de Responsabilidade Fiscal completaria a reforma.

Então, eu sei que tem um povo que acha o Banco Central um vilão malvado e feio, mas eu sou daqueles que ainda agradece aos bons funcionários do BC quando eles nos ajudam a minimizar efeitos de crises. Eles podem errar, eles podem enfrentar interesses políticos e gestões temerárias, mas, bem, eles fazem parte desta história de 20 anos aí, ok?

p.s. o governo que se seguiu à FHC nunca foi muito entusiasta da Lei de Responsabilidade Fiscal. Por que será? Humm….

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A inflação é o jeito mais fácil de tirar um doce de uma criança

A jornalista modificou um pouco minha frase (usou “brigadeiro” onde eu disse doce), mas, essencialmente, minha breve participação nesta entrevista está correta. Um resumo dos 20 anos do Plano Real pode ser encontrado neste artigo do Gustavo Franco. Os leitores mais novos, que não passaram pelo horror inflacionário ganharão muito se lerem o texto dele.

Quem não passou por isto tende a minimizar os efeitos da inflação e acham graça quando o governo tenta enviar mensagens sutis para a população com um tom, digamos, inflacionista, repetindo uma antiga falácia de que “a inflação é apenas um pequeno preço a pagar pelo crescimento” ou “o neoliberalismo nos impõe uma meta de superávit primário para ajudar a combater a inflação, mas isto vai gerar impostos para vocês” (este último caso deve estar fresco em sua memória, não?).

A inflação não tem nada de engraçado, entretanto. A inflação, como a que vivemos nos anos 80, é algo a se evitar, sempre. Quem nunca viu, precisa ser educado mas, ao contrário de alguns, eu não acho que a melhor forma de educar uma pessoa nos horrores da hiperinflação seja deixando ela experimentá-la (em troca, claro de uma reeleição, ou algo assim).

Voltarei ao assunto da inflação nos próximos dias, para falar dos 20 anos do Real.

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Plano Real faz aniversário dia 27

Muita gente deve estar comemorando. Alguns nunca negaram sua participação e apoio no plano. Outros, claro, foram contra e depois fizeram de conta que eram amigos do Plano Real desde o início.

Existe um Plano Real hoje? Acho que o que temos é uma economia que se favoreceu imensamente deste plano. Talvez o blog faça algo mais detalhado sobre o plano. Acho que visão da inflação em queda já é algo digno de ser notado. Quem iria conseguir fazer um programa como o Bolsa-Família em uma economia com inflação que atingiu marcas históricas como 80% ao mês?

A estabilização é tão boa que até gente irresponsável consegue destruir instituições monetárias com suas políticas alucinadas. Enfim, a estabilização é democrática: não favorece somente os bons e justos, mas também os canalhas e ignorantes. Talvez esta seja a maior virtude de uma estabilização de um processo inflacionário. Uma virtude que alguns parecem querer deixar para trás agora.

Eu me lembro bem do início do Plano Real. Eu tinha uma bolsa de mestrado (um importante sujeito que votava em listas fechadas enviadas pela sua célula em um certo partido, hoje, muito importante no Tesouro Nacional, também vivia assim, mas vamos preservá-lo, né?). Era aquela vida maluca em que os preços não paravam de subir.

Quem nasceu depois de 1999 não pegou – graças a Deus – aquela época terrível.

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A fotografia n(d)a inflação nos anos 80-90

O editorial da Conjuntura Econômica, aquela revista da FGV, lembra-nos de como era a inflação, numa época em que as pessoas achavam que o Banco Central não deveria seguir sistema de metas e que a política fiscal deveria ser uma entidade livre, sem amarras, voltada para o desenvolvimento mesmo que às custas de alguma inflação.

Em 1993, o dinheiro virava pó em questão de horas. Ir ao supermercado exigia uma logística complexa para carregar pacotes de dinheiro que no dia seguinte não valiam quase nada. A inflação, medida pelo IPCA, criado naquele ano, bateu na casa dos 2.477%, apesar dos seis planos implantados nos anos anteriores, por meio de congelamentos, troca de moedas, caça aos bois no pasto na época do ministro Dilson Funaro, fechamento de supermercados que reajustavam preços pelo povo, do traumático confisco nas aplicações financeiras no governo Collor, só para citar as mais relevantes.

Eu acho que é importante não se esquecer que 2.477% deve ser lido como: “dois mil e quatrocentos e setenta e sete por cento”. Isto no ano. Não é difícil voltar a este patamar. Basta não seguir o livro-texto de Economia (ou seguir os livros “alternativos” de Economia). A história mostra que os mais ricos conseguirão se safar de algum jeito, pois a eles será facilitado o crédito bancário, o fundo de investimento camarada, etc. Já o bobo pobre, que mal sabe ler, que acha que tudo cai do céu por mão de Getúlio Vargas terá uma vida mais difícil. Bem mais difícil.

Falei da inflação recentemente aqui, numa perspectiva de mais curto prazo, não é? Vimos uns gráficos bonitos, um papo de econometria aplicada, etc. Mas se pensarmos um pouco na História Econômica, a inflação brasileira, no quadro de mais longo prazo, fica bem mais feia.

É difícil dizer se “vivemos ainda sobre o Plano Real” ou não. Mas é de se comemorar o fato de o mesmo ter sido implantado com sucesso. Não resolveu os problemas do mundo e nem foi a cura do câncer. Mas, como todo tratamento bem-sucedido, deixou o vírus da inflação sobre controle.

Talvez você não tenha muita noção, caso seja um leitor jovem, do tamanho do problema. Bem, vou republicar uma foto que já apareceu neste blog (se não me engano) há algum tempo atrás.

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Eis aí o preço de encomenda de algumas fotos avulsas lá nos idos dos anos 80, já depois do fracassado Plano Cruzado. Imagine, hoje, você levar R$ 5 mil para encomendar uma foto avulsa do seu negativo, digo, pendrive, de 30 x 40 cm. Inacreditável, não? Pois isto aí era a inflação.

Acho que dá para imaginar o porquê de eu achar irritantemente imbecil alguém dizer que a inflação é o preço a ser pago por um pouco de crescimento ou que a população sempre estará disposta a ter um pouco de inflação. Ou, a mais ridícula: a inflação faz parte da cultura brasileira. Aliás, quem diz a última frase nunca pegou em um livro de história econômica ou nunca pesquisou sobre a inflação ao longo dos séculos.

Bom, deixemos o deflator do PIB para outro dia e fiquemos apenas com esta foto. Ela já nos diz muito sobre a vida dos brasileiros há pouco tempo.