Seu professor está de olho em você

O pessoal quer métodos pedagógicos que aumentem a honestidade acadêmica ao menor custo. Digo, o pessoal da sala dos professores porque os alunos, bem, os alunos querem assistir ao hilário Como se tornar o pior aluno da escola (eu assisti, é bom mesmo).

No que os professores estão pensando? Nisso, nisso e nisso (e olha que eu poderia citar mais uns três artigos…).

p.s. (não?) queria ser aluno dos autores citados…

 

 

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Como ser um líder (estudantil, sindical, político, etc) sem saber nada

Alan Sokal é um cientista inesquecível dos anos 90. Ao mostrar a absoluta falta de critérios nas Ciências Sociais, deixou o rei sócio-filosófico nu, nuzinho mesmo. Para o pessoal sério da área, foi um choque. Para os plagiadores, nem tanto. Para entender o que digo, veja este texto.

O problema do plágio

Trecho:

It’s strange to think of the Net as limiting, especially when it comes to knowledge, but the fact is that many students have forgotten or never learned how to make use of “real world” sources. In my own experience of teaching college students, I had numerous classes where most of the students were actually unable to locate books on the shelf, much less grasp the concept that journal articles which were not in databases might still contain useful information. Even the idea of digging through databases was foreign; if it couldn’t be found through Google, the thinking went, it’s not worth finding.

The predictable result was that a fair chunk of students in each class turned in papers using nothing but freely-available Internet sources, even when some scholarly sources were required. They had come to think of the Internet as so all-encompassing that it was hard to imagine the need for anything more. Also, going to the library required more work.

And so began the plagiarism. Students who were poor writers, students who were running behind, and students who were simply lazy copied sections of various websites directly into their papers. Their creative thinking had apparently been so circumscribed that they did not even bother to plagiarize from books or journal articles, both of which would have been far more difficult to detect.

Plágio no governo

Esta é uma notícia grave mesmo.

Pirataria.

O edital da SECOM da Presidência da República, para contratar uma empresa por R$ 11,1 milhões, cujo trabalho será redesenhar os sites da casa, mostra bem a cara do petismo. O texto do “briefing”, que explica o “fenômeno”da internet, é copiado de um artigo de uma estudante de graduação, publicado onde mesmo? Na internet. Sem citar a fonte. Sem nenhum “segundo fulano” ou “apud sicrano”. É ou não é a cara deste governo?

O que o Coronel encontrou, pelo visto, vai além de qualquer crítica ao governo feita até então. É muito sério. Trata-se de uma total falta de critérios por parte da gestão pública. Eu me pergunto sobre o que pensam meus ex-alunos de Administração Pública quando se defrontam com uma ocorrência como esta. A burocracia tem, no mínimo, que se desculpar perante a sociedade (ao invés de mostrarem aquela arrogante plaquinha sobre a prisão de quem reclama da ineficiência do serviço público brasileiro, como que dando um “carteiraço” porque passou em um concurso público) e rever o texto.

Para mim, como ex-professor, por mais de 11 (onze!) anos de metodologia de pesquisa, o mais importante é a retratação pública. Talvez a jovem autora até seja militante governista, mas isto está acima das paixões políticas: é uma questão legal.

Nenhum resultado de indicador de “respeito aos direitos de propriedade” pode me convencer do contrário. Plágio é coisa muito séria e o último lugar em que poderia ocorrer é na administração pública.

Fraude no GMAT

A fraude no GMAT terá consequências. Sim, eu falo dos EUA. No Brasil, quais as consequências de um plágio ou de uma fraude como esta? Nunca vi nenhum “abaixo-assinado de juízes” a respeito do assunto, mas é notável o silêncio da sociedade quanto ao tema aqui na selva. Incentivos ou preferências?

A história de um péssimo historiador

No debate sobre a proibição de armas nos EUA, Bellesiles perdeu não apenas a razão como também a integridade. Mas ele não é o único historiador a fazer bobagens. Aqui no Brasil ainda não há um único estudo que investigue as práticas ruins no meio, mas o resumo desta matéria, para os EUA, é chocante.