Quando disserem, pejorativamente, a você que o Prêmio Nobel de Economia não é bem o Nobel…

…você já pode se sentir menos ofendido (ou não? Descubra lendo até o fim o artigo a seguir)  ^_^

Dynamite Regulations. The Explosives Industry, Regulatory Capture and the Swedish Government 1858-1948

Josefin Sabor, Lena Andersson-Skog

Abstract
In this article, we argue that the regulation of the explosives industry in Sweden between 1858 and 1948 can give a slightly different perspective on regulatory capture. In this case it was the upstart company, the Nobel Dynamite Company, and not the established explosives companies that in negotiation with the regulator succeeded in establishing new national regulations. Through three different cases we show that the method behind this successful capture was indirect and direct with a common trait of risk minimizing for the public that developed in cooperation with the regulator. 

O artigo é aberto e você pode obtê-lo sem pagar taxas.

Anúncios

Angus Deaton é o Nobel

Consumo e pobreza. Angus Deaton é um dos autores do clássico “Deaton & Muellbauer”, conhecido por todos os estudantes de pós-graduação em Economia. Também desenvolveu o modelo AIDS (almost ideal demand system) para estimação de consumo.

Vamos ouvir o comitê agora.

nobel_2015_deaton

UPDATE (08:24): super-didáticos os materiais explicativos sobre a obra de Deaton. Tanto o técnico quanto o não-técnico.

Mais sobre o Nobel

Os leitores que também estudam Economia acharão interessante ler este documento, sobre as contribuições de Sargent e Sims. Não é difícil perceber a importância dos mesmos. Há vários anos eu defendia, neste blog, que Sims ganhasse o Nobel. O significado de sua contribuição para a economia se encontra em toda metodologia macroeconômica moderna.

Sargente, como já comentei, é outro que merecia o Nobel faz tempo. Acho que o prêmio, como disse o Selva Brasilis, voltou ao foco correto, que é o de premiar a obra científica dos autores.

Quando Krugman ganhou o Nobel, vários pterodoxos insinuaram que o prêmio mostrava a relevância de idéias keynesianas e anunciavam o fim da economia, tal como a conhecemos (nem Krugman chega a este grau de ingenuidade…). Bem, com o prêmio de hoje, imagino que os mesmos pterodoxos terão que rever seus conceitos.

A macroeconomia novo-clássica – e também a macroeconomia novo-keynesiana – ainda são os pilares do que se faz hoje (inclua aí o pessoal de real business cycles e temos 99% do que há de sério por aí) em economia. Os que pretendem substituir a teoria econômica por arroubos ideológicos podem tirar o cavalinho manco da chuva.

James Buchanan

Já vi muita gente dizer que James Buchanan teria ganho o Prêmio Nobel sem uma contribuição científica clara (sim, inclusive os pterodoxos ortodoxos gostam desta conversa barata). Bem, passe os olhos pelos slides de Ostrom e Williamson, em suas respectivas leituras na premiação do Nobel de 2009, para ver o quão babacas alguns economistas podem ser. Veja aqui e aqui.

p.s. para ser justo, os pterodoxos heterodoxos, em sua esmagadora maioria, adoram citar (incorretamente em boa parte das vezes) Williamson e, claro, ignoram solenemente Buchanan. É a eterna barreira do wishful thinking desta galera.