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O grande fosso entre a ideologia e a realidade: o ataque à turma da Mônica

Nem quero saber quem foi o autor do projeto de lei que resultou na bobagem resumida abaixo.

No Brasil, temos a felicidade de poder acompanhar o surgimento de leis arbitrárias a cada semana – fascículo especial com capa dura todo mês na banca mais próxima de você. O projeto de lei 5921/2001, que foi aprovado há três meses, trouxe a proibição de publicidade voltada para o público infantil. De brinde, uma caneta esferográfica e o fim da exibição de desenhos animados na TV, que hoje não têm patrocínio.

Incrível, não? Enquanto isto acontecia, o movimento libertário brasileiro fazia de conta que não era com ele e publicava mais um meme com a foto do Thomas Sowell no seu Facebook. Ou promovia mais uma conferência no Brasil, para promover a idéia de que o Banco Central deveria ser extinto. Ou então poderia ser encontrado em grupos de discussão, nos quais a maior briga ocorre porque alguém não quer discutir a econometria usada para se testar se propagandas influenciam compras de artigos infantis porque a mesma econometria não era usada por Mises.

Como nos ensina a boa economia: tempo é dinheiro. Já que alguns gostam de usar o termo, bem, a ação humana tem um propósito (se não tivesse, seria engraçado, né?) e qual será o propósito de se investir tanto dinheiro na marca pop que é se dizer libertário, anarco-sei-lá-o-quê, dizer que leu alguns parágrafos-chave do livro “A Ação Humana” (ou mesmo o livro todo), divulgar frases de liberais norte-americanos e falar que o Banco Central deveria ser extinto e que abortar pode (ou não) ser uma grande bandeira libertária?

Há libertários e libertários e, como já falei aqui antes, este é um movimento que cresceu muito nos últimos anos, ocupando um espaço que estava praticamente vazio, dada a hegemonia inegável (mesmo) dos emporiofóbicos no Brasil (para uma definição de “empóriofobia”, use a caixa de busca acima). Isso não quer dizer que esta ocupação seja homogênea, até porque, como sabemos, indivíduos são…indivíduos. A qualidade intelectual e das estratégias utilizadas são diferentes. Tem de tudo no movimento libertário, para o bem ou para o mal.

O que não tem, de forma insistente, devo dizer, é pesquisa empírica. Falar em estimar carga tributária, por exemplo, é rotulado de “questão puramente acadêmica” (tenho salvos os diálogos sobre isto, em backup). Então, a discussão séria morre porque só se discute sobre mundos virtuais em que existem infinitas cargas tributárias e infinitos governos. Ótimo para RPG ou para pessoas com forte pendor autista, mas pouco útil para uma efetiva ação em prol da mudança da sociedade brasileira.

Mas não precisamos nos ater a questões econométricas. Advogados não faltam no Brasil (taí um artigo que não falta no supermercado da vida…). Tem advogado de tudo que é jeito, claro. Até alguns que se dizem libertários. Vai ver existe até publicitário libertário também, mas eu me afastei do grupo pelos motivos que você está lendo aqui, dentre outros, e não sei muitos nomes neste campo. Economistas liberais? Fácil de encontrar.

O que não é fácil de encontrar é um grupo de dois ou mais liberais que tenha conseguido sair da areia movediça da discussão ideológica – na qual se “investe” muito tempo rotulando um liberal de “socialista” (e isto geralmente ocorre quando se vai discutir algum problema de política pública…) – para a ação real. Poderíamos chamar estes liberais de liberais autistas (sem ofensas aos autistas), pela característica dificuldade de passar das idéias para a ação.

Temos aí as características individuais – gente que adora brigar, que tem dificuldade para se relacionar com outras pessoas, que não curte agir em grupo (esquecendo-se que ser liberal não é sinônimo de abandonar a sociedade, como diria Adam Smith) – e há também a velha operação das leis econômicas básicas: a existência do caroneiro (aquele que não quer arcar com os custos, mas apenas deseja usufruir dos benefícios) também é um fato. A falta de leitura (profunda), típica do estudante brasileiro também é um entrave. Afinal, por que você acha que o mercado editorial brasileiro não vai bem? Uma video-aula, por melhor que seja, não substitui as horas de leitura e nem o esforço do indivíduo em organizar suas idéias, resumir, ler literatura especializada, etc.

Quem ganha com esta inação? Não é apenas o governo (ou os políticos), mas também empresários que não querem concorrência. Sabemos que não existe almoço grátis. Agora, a quem interessa este tipo de política? Quem ganha com tanto investimento em debates e brigas sem qualquer ação efetiva contra a baixa concorrência e a alta carga tributária?

Eis o desafio do dia: faça-me feliz. Mostre-me um link para uma ação legal efetiva gerada por advogados ou grupos de advogados liberais contra alguma arbitrariedade do governo. Faça isso nos comentários. Vou abri-los apenas para este tipo de texto. Se não quiser fazer isso por mim, faça-o pelas crianças, que curtem, dentre outras, a Mônica, a Magali e o Cebolinha.

O governo quer quebrar esta promessa?
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Libertários

O pessoal de Minas Gerais quer fornecer uma nova opção política ao Brasil. Vejamos se a população realmente quer. Afinal, reclamações sobre a “falta de oposição” abundam. A questão é: libertários, oriundos da mesma cultura política e povo brasileiros, conseguirão se diferenciar do que está aí?

A priori, bem-vindos, claro. Não poderiam surgir em momento mais oportuno.

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Libertarian Papers

Novo ejournal. Pena que começa com artigos já lidos exceto, creio, o último deles……….o que me lembra minha eterna crítica aos austríacos radicais: não produzem nada de novo, apenas reciclam antigos pensadores. Isto não é uma boa prática, seja para libertários, austríacos ou qualquer um.

Se você quer publicar novamente um artigo antigo clássico de alguém crie logo uma biblioteca virtual com os seus “clássicos”. Journal é para novos artigos, reflexões de autores que fazem acontecer. Deixe os mortos com sua honra para a posteridade…

No mais, tomara que tenha futuro este “Libertarian Papers”.