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Austríacos gostarão disto

Charles Koch, seu livro e seu instituto. A julgar pela propaganda do livro, os professores de Administração terão que encarar o fato de que o livre mercado não é o vilão da história (hoje em dia, por incrível que pareça, esta é a tônica no discurso da “responsabilidade social”), mas sim o melhor meio de se gerar prosperidade para a sociedade.

Compre e me dê de presente (o livro) antes que eu mesmo o compre…^_^

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O menino que decidiu mudar de gênero…aos 4 anos

Eis um intrigante caso de clara definição de preferências por alguém que ainda não tem idade legal para se decidir sobre o assunto. Eu me lembro, nestas horas, de um capítulo de “The Machinery of Freedom” no qual a discussão teórica era interessantíssma e dizia respeito aos limites dos direitos individuais dos menores de idade. Sempre achei o assunto meio esotérico, até ler esta matéria. O que se percebe é que David Friedman – o autor do livro citado – estava à frente do seu tempo…

p.s. quem assiste Law and Order vai se lembrar, ao ler a matéria, de um episódio sobre o tema…

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Obama é a vitória liberal – educação

Excelente balde de água fria na mídia governista brasileira, que insistem ligar Obama a qualquer política social brasileira voltada para a minoria (?) afro-descendente. Obama é menos governo na educação. Ah sim, acabei de falar da cotação de Larry Summers.

Como já disse aqui antes, a diferença entre a administração da Silva e a administração Bush (ou Obama) é que os assessores, lá, são melhores. Já os presidentes, atualmente, são idênticos.

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IV Encontro de Pensadores Liberais

IV Encontro de Pensadores Liberais – A Crise Internacional e a Atuação do Estado Brasileiro

Meus Caros,

Convido-os ao IV Encontro de Pensadores Liberais. Dessa vez com o tema:

A CRISE INTERNACIONAL E A ATUAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO

Data: 29/11/2008 (Sábado)

Horário: 14:00 às 18:00 horas

Local: Universidade Católica de Brasília (916 norte)

Em breve estarei divulgando a programação completa referente ao Encontro.

Adolfo Sachsida não descansa nunca…

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Mercado e Liberdade – Comentários de um Espectador Levemente Engajado

https://i2.wp.com/comunicados.ibmecrj.br/temp/2008925153650.jpg
http://comunicados.ibmecrj.br/temp/2008925153650.jpg

Ok, o encontro foi muito bacana. Primeiro, pela surpreendente quantidade de pessoas. Não muitas, mas muito mais do que eu esperava. Registra-se a presença de não-liberais (radicais) como Philipe do Matizes, Igor do Quatroventos e Áurea. Faz tempo que tento reencontrá-los em botecos.

Tivemos também a Luciana, minha ex-orientanda e ex-estagiária do CATO Institute, uma liberal estatal (piada endógena), o Juliano Torres (que foi o autor intelectual desta deliciosa subversão na faculdade), o Pedro Homo Econometricum (nosso econometrista-chefe do NEPOM).

Ah sim, o velho Instituto Liberal de Minas Gerais teve alguns amigos presentes: o eloquente Álvaro, o entusiasmado Ildeo e o discreto Sérgio.

Uma visita inesperada – e bacana – foi a do João, do IEE de Minas Gerais. Nossa faculdade tem muito empreendedor potencial, mas quase nenhum conhece o IEE, o que é uma terrível falha de mercado que o João e eu buscaremos corrigir (espero).

Bem, as palestras. Paulo Uebel tem tudo para levar o Instituto Millenium para frente. Muito boa a palestra. Explicou corretamente os pilares que o Instituto defende. Valeria a pena ter os slides disponíveis na página do mesmo. Paulo vem do IEE gaúcho que é um dos mais antigos e atuantes think tanks brasileiros na defesa de uma sociedade melhor para todos. Para quem acha que economia de mercado é um anacronismo ou uma palavra feia, a palestra do Paulo deve ter sido chocante.

Hélio Beltrão Jr. é filho do saudoso Hélio Beltrão, que tentou melhorar a vida de muita gente no final do regime militar. Hoje em dia os professores do ensino médio se esquecem de citar este nome e a juventude pensa que nunca existiu um esforço para desburocratizar o governo. Uma pena. Mas vamos à palestra. Hélio tentou explicar a crise atual do ponto de vista da economia austríaca (aliás, você sabia que há a possibilidade de você conhecer mais sobre isto no próximo semestre?), pilar do Instituto Mises Brasil. Não sei se concordo com tudo o que ele disse, mas foi uma palestra que despertou muitas perguntas.

Ah sim, João, do IEE-MG fez uma breve apresentação do Instituto para a platéia. Ao final do evento ele me surpreendeu positivamente sobre como funciona a dinâmica do instituto em Minas Gerais. Acho ótima a iniciativa mas sou sempre um pessimista. Portanto, para ele me impressionar positivamente…

O evento foi tão bacana que, ao invés de terminarmos às 21:00, fomos até 21:30. Alguns compraram camisas do Instituto Mises Brasil pela módica (mesmo!) quantia de R$ 10,00. Normalmente eu faria as honras da casa e sairia com os dois palestrantes para um jantar agradável. Bem, o legal é que o jantar foi, de fato, agradável. Mas o clima informal dominou o ambiente. Bruno do Sobretudo e mais alguns de seus amigos, meus dois monitores, o Fernando (Econometria II) e o Pedro (Teoria dos Preços) e mais um bocado de alunos e visitantes de fora da faculdade se juntaram ao Álvaro, eu, Hélio, Paulo, Ildeo, Juliano Torres na proposta de um “chopp”. O papo, novamente, rendeu. Foi muito bom. Fechamos o Sushi Beer à meia-noite e levei os palestrantes para os respectivos hotéis. Um dos alunos tirou algumas fotos e prometeu me enviar mas, até o final deste texto, nada de novo em minha caixa postal.

Surpreendentemente, para mim, há muito jovem crítico e inteligente por aí. Sempre fui pessimista quanto à velocidade na qual jovens inteligentes superariam a criminosa lavagem cerebral que alguns pedofilosófos lhes fazem no suposto ensino pré-universitário (e universitário). Não é necessário ser liberal para escapar disto, claro. Philipe e Igor – já citados – são bons exemplos de vida inteligente na blogosfera sem que sejam, necessariamente, austríacos ou liberais de outro matiz. Pedro Sette, uma vez, chamou-me a atenção para isto: há muita gente boa que escreve textos articulados, gostosos de ler e interessantes (ele mesmo é um destes jovens).

O evento, então, parece ter cumprido seu papel. Tivemos a informalidade típica dos liberais que, sim, são meritocratas mas, não, não são arrogantes (eu sei, eu sei, há exceções pouco honrosas, mas não neste caso) e tivemos o debate. Se as pessoas entenderam um pouco melhor sobre mercados e as vantagens de uma democracia liberal, é algo que somente saberemos no futuro. Mas, veja só, não é isto o que Hayek sempre dizia?

Obrigado ao Paulo Uebel e ao Hélio Beltrão Jr. Obrigado também ao João, do IEE, pela divulgação de uma nova opção para a formação complementar de futuros empreendedores.

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O IEE, o Liberalismo e o que ainda falta

Diogo Costa faz uma boa ponderação sobre meu ceticismo. Quem acompanha o blog sabe do que falo. Agora, Diogo, há uma importante reflexão: assim como a ideologia não-liberal se confunde com os limites (ou com os limitantes) das aulas e tudo o mais, seria importante que o IEE cuidasse para não fazer o mesmo. Já vi empresários desprezarem qualquer economista que não beijasse a mão do bispo austríaco. Isto, também, é ideologia e, portanto, contraproducente.

Se fizéssemos uma avaliação independente – uma prova mesmo – para os estudiosos do IEE, obteríamos como resultado uma boa média da turma no conhecimento da relação entre economia e mercados (ou livre mercado)?

Eis aí a questão que o liberalismo brasileiro precisa, novamente, enfrentar: o papel do ensino universitário na difusão do conhecimento, liberal ou não e de sua ausência em qualquer discurso liberal brasileiro (exceto, talvez, no do Diogo e de outros poucos). Como já afirmei aqui antes: sem uma séria discussão, tudo vira confetes sobre alguns austríacos do século XIX ou XX. Ou seja, liberalismo festivo, tal qual o marxismo festivo. Certamente não é o que Hayek gostaria de ver após anos de Mont Pelerín…

Outro ponto que Diogo aborda em seu comentário diz respeito ao custo da propaganda. Segundo ele, é difícil para um aluno distinguir liberalismo de “neoliberalismo” nas escolas e isto é correto. Contudo, eis a realidade: isto é assim porque vários professores não querem mudar a situação. Os diretores, por seu lado, nem sempre sabem a diferença (até os bem-intencionados) pois não são treinados para ensinar, mas para dirigir (em caso de escolas mais sérias quanto à divisão do trabalho). Por sua vez, Diogo, os pais dos alunos vivem em uma sociedade rent-seeking e não é muito confortável ser honesto com o filho quanto ao liberalismo (muitos apelam para o cinismo puro e simples). Logo, nem estes podem exigir da escola muita coisa porque não querem ou não acreditam na utilidade deste conhecimento (isto, aliás, nos leva a outra discussão que tivemos aqui sobre currículos em economia).

Se acreditamos que o mercado funciona, mesmo para o mais desinformado mendigo, que sabe bem o que deseja ao escolher mendigar do que ficar preso a um abrigo precário fornecido pela prefeitura, porque deveríamos pensar que a informação é um problema para um sujeito que está na universidade?

Eu entendo a questão, mas não estou totalmente convencido deste argumento. Embora o destaque da crítica do Diogo seja: “o lado da oferta também é responsável, não só o da demanda”, acredito que, no caso do ensino superior brasileiro, o problema da demanda seja muito mais forte. Afinal, após o fracasso de Collor, quem deixou de ir às ruas foram os estudantes, não os professores. Não há nenhum bom motivo para dizer que a oferta de informações diminuiu de lá para cá, seja para ensinar Mises ou para divulgar a corrupção. O que parece ter ocorrido é uma queda na busca pela mesma, principalmente naquela de cunho liberal.

A discussão poderia ir longe e talvez até meu entusiasmo com o Ordem Livre tenha a ver com uma perda de fôlego dos think tank liberais tradicionais (o que talvez ajudasse a explicar algo). Mas deixemos isto para uma possível tréplica.

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Frases que eu gostaria de ter escrito

Não existe nada mais perigoso para a inteligência e talvez até para o caráter do que isolar-se num ambiente em que não há discordâncias, porque fica muito fácil perder o outro enquanto outro de vista. Não há nada pior do que adotar, ainda que inconscientemente, uma atitude como “o problema do mundo é que as pessoas não pensam como eu”.

Esta é do Pedro Sette Câmara, sempre elogiado aqui (e condenado na blogosfera chapa-branca).  As frases aí em cima, no conjunto, são de uma sabedoria e clareza notáveis. Eis o primeiro passo para ser um economista pterodoxo: acreditar que todos estão errados e só você – e sua turma – estão certos.

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Seminário de Economia Austríaca

Será que um dia teremos algo similar no Brasil? Eu gostaria de ver um seminário similar, mas que não tivesse o tom exegético que outras heterodoxias tupiniquins adoram. Algo mais sincero, cientificamente. Jovens austríacos têm tudo para fazer um seminário destes após seu doutoramento.

A propósito, o Juliano (Preço do Sistema, link fixo ao lado) tem feito um ótimo trabalho de reflexão sobre economia austríaca em seu blog.

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Was Roberto Campos a liberal economist? An Austrian one? NO!

Sobre a tese de Roberto Campos, escreve Ernesto Lozardo (Some inferences concerning the international aspects of economic fluctuations, FGV Editora, 2004 (original de 1947)]:

When structuring his master’s degree thesis, Roberto Campos formulated his knowledge based on the determinants of sustainable economic growth, and presented a critical view of the different conceptions regarding the theories of international economic fluctuations. In this sense, three great thinkers and economists of that time guided his analytical structure: F.A. Hayek, Joseph Schumpeter and J.M. Keynes. [p.xiv-xv]

Em outro momento, a boa e velha análise de Hayek, sem adoração fervorosa:

Hayek’s light dismissal of the case made by monetary nationalists in favor of exchange adjustments, when a country suffers a deterioration of its competitive position and deflationary pressure because of a higher rate of technological growth in a competitor country (…) cannot thus be accepted. [p.87]

Ok, ele é crítico de Keynes, mas nada que se equipare a certas “análises” raivosas que temos por aí (veja o link acima). Eis aí um bom tema de pesquisa para o leitor: uma análise dos escritos econômicos de Roberto Campos (creio que só há, de sério mesmo, esta dissertação). Era Roberto Campos um liberal? Como compreender suas escolhas não-liberais na prática (seus anos de governo) sem cair nas acusações quanto ao caráter pessoal de Campos (ou seja, não faça isto)?

Ah sim, lá há uma análise sobre o padrão-ouro. Vale a leitura se você gosta deste tipo de estudo (história do pensamento econômico brasileiro).

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O maior inimigo da Escola Austríaca, frequentemente, é o Economista Austríaco, também seu melhor amigo. Como assim?

“Nada de dogmatismos, meus caros”. É o que digo aos amigos austríacos sempre. Primeiro, eu acho que é importante notar os artigos da RAE. Temos aqui Horwitz & Lewin usando derivadas, Cowen baseando-se em literatura “neoclássica”, Mulligan usando somatórios e derivadas, Levy & Peart usando previsões para discutir um interessante problema de metodologia, McCabe usando economia experimental (dados, dados, dados!) para falar de bons insights austríacos e, finalmente, Wagner & Oprea fazem uma crítica do livro de Roger Garrison, Time and Money, no qual se vê que bons economistas austríacos estão longe da idolatria (Rothbard nunca errou, Mises está sempre certo, Hayek é um Deus, Kirzner é um gênio), mesmo que esta seja uma perigosa armadilha para os austríacos (que podem transformá-los em pterodoxos, como a muitos “heterodoxos” brasileiros):

If Austrians wish to join the discussion of contemporary macroeconomics, they must let contemporary macroeconomics join the Austrian discussion. This means necessarily that the Austrian tradition will be subject to transformations as it grows, incorporates the better ideas of modern macroeconomics and becomes more robust to its critics. If the tradition is viewed as a fort, this transformation will be viewed as a corruption. But if the tradition is viewed as a town, it will be viewed as healthy infusion of new ideas. This is both the price and reward of participating in a living tradition.

Creio que a jovem blogosfera austríaca tem todo o potencial para fazer algo como Horwitz, Boettke e Garrison, ou seja, levar os insights austríacos para a Teoria Econômica sem medo ou necessidade de rótulos (“se não se chamar austríaco, não brinco”).

Em homenagem ao meu austríaco preferido, Hayek, reproduzo a nota de rodapé 2 do texto de Caplan – um sujeito que gosta de Rothbard, Mises, Hayek e outros, mas não os idolatra – cujo link fiz acima.

While modern admirers of Hayek often present his work as a radical alternative to mainstream economics, there is little evidence that Hayek thought this. Contrast Mises and Rothbard’s stringent rejection of mathematical economics with Hayek’s desire to “…avoid giving the impression that I generally reject the mathematical method in economics. I regard it as indeed the great advantage of the mathematical technique that it allows us to describe, by algebraic equations, the general character of a pattern even where we are ignorant of the numerical values determining its particular manifestation. Without this algebraic technique we could scarcely have achieved that comprehensive picture of the mutual interdependencies of the different events in the market.” (F.A. Hayek, “The Pretense of Knowledge,” in F.A. Hayek, Unemployment and Monetary Policy (Washington, D.C.: Cato Institute, 1979), p.28.

Hayek é como Minas, para os mineiristas radicais que adoram este amontoado de minério, queijo, goiabada e políticos estranhos: Hayek são muitos. Confio na capacidade intelectual dos jovens economistas austríacos brasileiros como confio em minha própria capacidade: com muita (auto-)crítica.

p.s. claro que se formos discutir filosofia com base em insights austríacos, estou muito pouco qualificado. Só posso falar da (ir)relevância de idéias austríacas na teoria econômica.

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Entrevista com Ronald Hillbrecht, outro liberal bacana

Mais uma entrevista. Hoje, com Ronald O. Hillbrecht, meu ex-orientador de mestrado e doutorado. Ronald escreve no blog Escolhas e Consequências. Compare com a entrevista do Adolfo Sachsida para ver como é bacana o mundo dos pensadores liberais.

1. Ronald, fale-nos um pouco sobre você.

Sou economista com mestrado na USP e doutorado na University of Illinois. Decidi percorrer a via acadêmica pois percebi que meus conhecimentos em economia apenas da graduação eram constrangedoramente insuficientes. Ao melhorar minha compreensão sobre a organização econômica da sociedade acabei por defender idéias liberais, como as virtudes de mercados competitivos e de governos limitados sob democracia. Desta forma, acabei por conhecer melhor a filosofia política do liberalismo clássico e do libertarianismo atual. O mais interessante nessa combinação de teoria econômica com filosofia política é que ela permite apreciar o liberalismo clássico sob dois ângulos distintos: não apenas o liberalismo clássico está baseado em sólidos princípios morais (a idéia de direitos naturais, ou seja, os direitos à vida, propriedade e liberdade) como também gera consequências econômicas desejáveis (a construção de uma sociedade próspera e pacífica).

2. Você é conselheiro acadêmico do IL-RS. Parece-me que isto é recente. Fuzilando: onde está a produção acadêmica do IL-RS? Complemento minha pergunta com uma observação: será que é relevante que os think tanks liberais produzam pesquisa científica? Quais os incentivos que guiam a – muito escassa, na minha opinião – produção científica destes difusores do pensamento liberal?

Acredito que a principal missão de think tanks liberais no Brasil é a disseminação dos princípios e idéias liberais aplicados a problemas do país. Aqui é importante contextualizar o problema em questão. O “modelo mental compartilhado”, para utilizar a terminologia do Nobel em economia Douglass North, do brasileiro médio, é fortemente anti-liberal e intervencionista. Existem vários motivos para tal, mas talvez os principais sejam o analfabetismo econômico e o político. A baixa penetração ds idéias liberais no Brasil também deve-se ao fato de que o sistema educacional foi capturado (numa perversa combinação de Gramsci e Stigler) pelos grupos de interesse que professam idéias anti-liberais, como sindicatos e partidos socialistas e totalitários. Acredito que a grande contribuição dos think tanks liberais seja a de levar seus ideais para o público em geral. Não adianta tentar convencer os “amigos de viagem”, é necessário competir com esses grupos encastelados no sistema educacional para mudar os rumos da formação de opinião no país.

Adicionalmente, a atuação limitada dos think tanks nacionais deve-se à sua dependência de ações voluntárias. É claro que boa vontade é necessária em qualquer atividade nossa, mas fazer o que gostamos com funding é muito melhor. O problema é do tipo “ovo ou galinha”. É mais fácil atrair recursos se a instituição é produtiva e tem alta penetração na sociedade, mas como conseguir isso sem os recursos necessários?

Apenas para concluir, então. Como já disse Hayek, boa parte do nosso trabalho não é gerar idéias novas, mas levar às novas gerações aquelas idéias que já foram testadas ao longo do tempo, que têm os conteúdos morais e consequenciais que desejamos, aqueles princípios fundamentais dos quais depende a civilização. Cada geração nova precisa ser convencida destes princípios, caso contrário nossa sociedade corre o sério risco de se desintegrar.


3. Existe empresário liberal no Brasil? Existe estudante liberal no Brasil? Melhor ainda: existe algum liberal no Brasil? Não falo de liberal da boca para fora (ou “liberal de quermesse”), mas liberal mesmo, aquele que pratica o que estuda.

Acredito que a grande maioria das pessoas, em qualquer parte do mundo, seja liberal. Pegue, por exemplo, o vídeo “A Filosofia da Liberdade”. Não consegui encontrar ninguém que seja frontalmente contra os princípios ali delineados. Entretanto, a prática no cotidiano (em relação às posturas político-econômicas) representa quase a negação desses princípios. Como explicar essa contradição? Acredito que dois fatores são fundamentais aqui: a ignorância político-econômica e o dilema do prisioneiro.

Uma reação imediata típica da exposição a este vídeo é a seguinte: “Ok, eu concordo como tudo isso aí. Mas e a exploração e a luta de classes? O capitalismo selvagem? E a distribuição de renda?” O problema é que organizar a sociedade em torno dos princípios da liberdade exige uma compreensão algo mais sutil do que a interpretação “luta de classes + capitalismo = má distribuição de renda => necessidade de Estado controlador” permite perceber.

O segundo ponto é o dilema do prisioneiro. Tudo na vida tem um preço. Por mais corretos que sejam os seus princípios, se para exercê-los você tiver que pagar um preço muito alto, talvez não valha a pena fazê-lo. Isto serve para o estudante de economia que sofre do patrulhamento ideológico dos colegas e professores, para o professor que é excluído pelos colegas por não pertencer ao partido e por ter opinião própria, para o empresário que terá seu padrão de vida reduzido caso discurse contra subsídios e crédito estatal, e para os políticos que perderão votos caso prometam e/ou visem reduzir privilégios a grupos de interesse. Em outras palavras, vale a pena praticar o liberalismo se todo mundo assim o fizer. O problema é a sociedade estar presa em um equilíbrio perverso onde a alocação de talentos e a aquisição de conhecimento se direcionem a atividades rent-seeking. Aí então o preço de praticar o liberalismo pode ser demasiadamente elevado.

4. Vamos variar um pouco: Economia e Direito. Você faz parte do IDERS que é um think tank que se pretende difusor de conhecimento em Law and Economics. Posso estar enganado, mas não vejo muita disposição entre acadêmicos de Direito e de Economia para uma conversa séria sobre este tema. Neste sentido, vejo o IDERS com muita alegria. Mas, diga-me, qual a relevância do IDERS no debate acadêmico brasileiro? Como é a relação entre advogados e economistas no IDERS? Quais os planos do IDERS para o segundo semestre?

Aí tem um pouco de conflito entre gerações. A nova geração de juristas e advogados tem uma maior exposição a Law & Economics. Mas isso representa uma mudança drástica de paradigma na profissão. Assim sendo, a receptividade a L&E pela geração anterior, que ocupa cargos de prestígio nas Universidades e nas esferas de operação do Direito, não é necessariamente a melhor possível. Por outro lado, a adesão de jovens advogados e economistas é impressionante, apesar de ser ainda um contingente pequeno.

Sobre a produção acadêmica, membros do IDERS como o Luciano Timm, Cristiano Carvalho, Rafael Bicca e Giácomo Balbinotto têm produzido bastante, principalmente na forma de livros e participação em congressos. Mas a missão essencial do IDERS é disseminar o conhecimento acumulado de L&E e assim induzir a produção de melhores políticas públicas nessas duas áreas.

5. Vejo que a maior parte dos blogs de economia mantidos por alunos de graduação está no RS. Mais ainda, concentra-se em alunos do curso em que você leciona, na UFRGS. Por que esta concentração da blogosfera econômica em um grupo tão restrito? Alguma hipótese?

Algum professor conhecido de desenvolvimento regional poderia argumentar que existe uma formação espontânea de um cluster. Mas podemos pensar em explicações adicionais. Existe, de fato, um pequeno cluster de professores que disseminam idéias voltadas a liberdade de mercados e democracia no depto de economia da UFRGS. O que é impressionante é que possivelmente eles estejam influenciando seus alunos! Mas talvez o fato mais importante seja o seguinte: Em toda turma nova de alunos da Economia da UFRGS existe um pequeno grupo altamente talentoso, mentalmente disciplinado e insubmisso à rotina do aprendizado passivo. Essas qualidades associadas à iniciativa de desenvolver seus projetos pessoais é que têm possibilitado esta situação.

6. Voltemos ao liberalismo. Em Porto Alegre existe o Dia da Liberdade do Imposto, uma manifestação baseada no conceito originalmente introduzido pela The Tax Foundation nos EUA. Qual é sua avaliação deste evento anual? Sente-se que pessoas discutem mais sobre o liberalismo no Brasil no RS? E o risco de que tudo não se converta em uma auto-afirmação de correntes ultra-regionalistas que tendem a ver o resto do Brasil como algo negativo em contraposiçào a alguma superioridade gaúcha? Existe?

Sobre o Dia da Liberdade do Imposto, trata-se uma iniciativa importante para que o cidadão saiba quanto lhe custa a qualidade dos serviços públicos que recebe. Liberalismo ainda é uma coisa mal vista no país, e o Rio Grande do Sul não é diferente. O que tem mudado, de fato, as percepções da sociedade gaúcha é que práticas políticas e econômicas mais liberais têm gerado melhores resultados. Existe uma constante mudança de perspectiva em direção à importância de resultados em detrimento de intenções. Apenas para exemplificar, o processo de globalização tem sido fundamental nesta mudança de percepções. Há menos de cinco anos, existia uma fortíssima reação no país contrária à inserção apropriada do
país na globalização. Hoje em dia, nem mesmo economistas acadêmicos vinculados ao partido se opõem veementemente.

6. Adolfo Sachsida acabou de realizar, com sucesso, uma passeata liberal em Brasília (o que é, de certa forma, irônico, dada a fama da capital…). Como avalia a iniciativa do Adolfo? Crê que liberais gaúchos possam fazer algo similar num futuro próximo?

Não sou contra passeatas, faz parte da nossa liberdade de expressão. É uma iniciativa importante para tornar visível uma visão de mundo que não é representada pelo sistema político. Mas não me convide nem para passeatas, nem para ir ao teatro.

7. Fique à vontade para encerrar, Ronald.

Agradeço o interesse lhe desejo bom sucesso nessa difícil empreitada que temos, como libertários (ou liberais, como desejar) que é o de usar a força da persuasão para construir uma sociedade mais próspera, pacífica e justa.

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Pesquisa..pesquisa….

Coincidência ou não, Diogo Costa colocou este texto de Peter Boettke no Ordem Livre. Digo isto pelo que tenho falado aqui e no próprio blog do Ordem Livre: sem pesquisa, o liberalismo brasileiro continuará a léguas (muitas léguas) atrás do mais bobo não-liberal. Estes, pelo menos, entendem que pesquisa é importante.

Creio que estamos – todos nós liberais – começando a perceber algo importante: a era da divulgação dos princípios (a louvável biblioteca editada pelo saudoso IL nos anos 80) terminou. É chegada a hora de dar o segundo passo, em direção à construção de uma tradição acadêmica séria.

Sim, tem gente que pensa apenas em artigos para jornais. Isto é importante, mas é apenas reprodução de conhecimento, não criação. Olhem lá, senhores liberais brasileiros, no texto de Boettke, o que ele fala sobre Hayek. Tudo bem que ele fale para economistas – ele é um de nós – mas você pode transportar isto tranquilamente para outras esferas do conhecimento.

O Ordem Livre e o Adolfo Sachsida têm feito algo realmente digno de admiração neste sentido, mas ainda falta muito chão. Liberal que não pesquisa é liberal dogmático e este, por sua vez, é tão imprestável quanto um não-liberal dogmático.

Já dei meu passo. Faça sua parte, liberal e, quem sabe, não melhoramos este país?