Professor, você ensina Economia! Por que não é rico?

Por diversas causas, mas eu prefiro esta explicação. É mais ofensiva (para alguns) e mais engraçada (para mim).

The dark side of emotion in decision-making: When individuals with decreased emotional reactions make more advantageous decisions

Baba Shiva,T, George Loewensteinb , Antoine Becharac

Cognitive Brain Research 23 (2005) 85 – 92

Abstract

Can dysfunction in neural systems subserving emotion lead, under certain circumstances, to more advantageous decisions? To answer this question, we investigated how individuals with substance dependence (ISD), patients with stable focal lesions in brain regions related to emotion (lesion patients), and normal participants (normal controls) made 20 rounds of investment decisions. Like lesion patients, ISD made more advantageous decisions and ultimately earned more money from their investments than the normal controls. When normal controls either won or lost money on an investment round, they adopted a conservative strategy and became more reluctant to invest on the subsequent round, suggesting that they were more affected than lesion patients and ISD by the outcomes of decisions made in the previous rounds.

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Correlação e previsão

Eis um texto para se ler com calma. Ainda que seja um post em um blog, não é um post qualquer. Exige algum conhecimento de Econometria e de Finanças. Mas vale sua leitura. O economista é John Cochrane, conhecido no meio.

O problema que ele se propõe a analisar é:

Does the predictability of stock returns from variables such as the dividend yield imply that stocks are safer in the long run? The answer would seem to be yes — price drops mean expected return rises, bringing prices back and making stocks safer in the long run. In fact, the answer is no: it is possible to see strong predctability of returns from dividend yields, yet stocks are completely uncorrelated on their own.

 

O restante do texto fica por sua conta.

Momento R do Dia

O blogueiro fez um belo trabalho para os usuários do R que curtem Finanças. Olha a dica dele.

Caso você queira mais dicas, olhe este belo tutorial (e os links que lá se encontram). Acho que quem vai gostar disto é a Luciana Valadares, frequente leitora deste blog…

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Econometria

Tenho que elogiar o site novo da editora Blücher. Da outra vez que estive lá, eles sequer te enviavam um comprovante de compra – e me queixei disso, acho que aqui, no blog . Desta vez, comprei a 2a edição revista e ampliada do livro do Morettin (Econometria Financeira) e o site está todo remodelado.

Além da resposta automática, o cadastro, é perfeito: ele permite que você cadastre seu lattes lá. Por que esta opção é ótima? Quase todas as editoras de livros técnicos são péssimas em cadastrar professores. Você é obrigado a se cadastrar várias vezes ao ano (parece que os representantes não conversam com a editora e nem os da editora falam entre si, ou com seu próprio sistema). Claro, além de se dizerem interessados em livros universitários, jamais checam seu currículo lattes, o que é muito estranho. A editora Blücher ganhou pontos comigo.

Sim, recomendo a compra da 2a edição do livro do prof. Morettin. Quanto ao livro, especificamente, senti falta de um maior detalhamento sobre as mudanças feitas, o que dificulta a comparação das edições. De qualquer forma, a folheada inicial me deixou com vontade de ler mais (mas estou com hordas de livros na fila…).

A proposta de Vinod: quem sabe deveria fazer, quem faz não sabe tanto

Vinod tem um pequeno paper no qual analisa o caso Madoff. O mais interessante é sua sugestão final de que:

It is a simple matter to require that regulators (enforcers, auditors) and top management at financial institutions have quantitative background at the graduate level of understanding. Such background is not difficult to obtain these days. For example, a test covering the material in Vinod and Reagle’s (2005) book on downside risk in stock market investing is not difficult to administer. We cannot have conflicted, ignorant and politically connected regulators. They must know the quantitative stuff, which are the bread and butter of modern finance.

Não deixa de ser interessante.

Mais sobre Galbraith, bobeiras e crise mundial

Excelentes textos.

Claro, ambos complementam esta crítica do Mankiw. É irônico ver o filho de Galbraith (o também irônico, mas péssimo em previsões, errou todas que fez em seu livro publicado no Brasil naquela famosa coleção “Os Economistas” que nunca rivalizou com Paul Samuelson, por exemplo, como “arqui-inimigo” de Friedman) atacar os colegas por, supostamente, não terem acertado previsões.

O comentário do Tyler Cowen está perfeito: o povo que vive de misticismo financeiro (não me refiro ao pessoal sério, que já anda meio abalado) certamente perderá espaço. Eis aí um momento interessante para os que pretendem entrar no curso de Economia. Afinal, a crise é mais um daqueles momentos de “boom-and-bust” que geram curiosidade e novas demandas por gente inteligente.

Vejamos.

Polêmica: Finanças é picaretagem?

Laurini e SB. Desta vez, Laurini elaborou bem o argumento. Acho que o radicalismo foi mais retórico do que prático, mas vamos ver no que dá. A impressão que me dá é que a crítica é mais sobre o ensino médio (no sentido da média) de Finanças na selva brasileira do que sobre alguma dúvida acerca da competência deste ou daquele Nobel.

Aguardemos.

Finanças é picaretagem – a polêmica continua

A discussão está boa. Claro que há gente que fala sobre o que não entende acerca desta crise, mas vamos aos bons colegas.

Você que já esteve aqui ontem, sugiro dar uma olhada nos blogs indicados. Valem, todos, muito a pena.

Mais Laurini

Os problemas na modelagem

(…)
Também acho que a crise tem outros motivos, sendo que o principais estão relacionados a seleção adversa e risco moral. As formas de remuneração dos executivos, ligadas ao desempenho da empresa, como stock options, incentivam posições extremamente arriscadas. E outro fator óbvio está na expectativa implícita do resgate de instituições com dinheiro público, devido ao risco sistêmico. Apesar que mesmo esta explicação tem seus limites. Se sua instituição conseque empréstimos da autoridade monetária toda a direção é substituída, e assim isso não me parece uma explicação muito racional. Creio que a explicação mais razoável desta hipótese seria um resgate de mercado, no máximo coordenado pelo banco central. Resgate público é a solução mais drástica e com perdas enormes para os gestores.

Não é necessário nem pegar um artigo, um bom livro texto já resolve. Só olhar o capítulo 6 do Mas-Collel (Choice Under Uncertainty) para perceber que teoria econômica e teoria de finanças estão totalmente relacionadas. É impossível de separar as duas teorias.

Na minha opinião pessoal a formação básica dos economistas é bastante insuficiente para os padrões atuais de modelagem financeira (e como coloquei no post anterior, eu aposto nessa opinião, tanto que fui fazer um doutorado em estatística justamente por ter essa opinião).

Eis aí mais uma resposta ao Selva Brasilis, sobre Economia e Finanças. Destaco os trechos seguintes:

As formas de remuneração dos executivos, ligadas ao desempenho da empresa, como stock options, incentivam posições extremamente arriscadas. E outro fator óbvio está na expectativa implícita do resgate de instituições com dinheiro público, devido ao risco sistêmico.

E:

… a formação básica dos economistas é bastante insuficiente para os padrões atuais de modelagem financeira (e como coloquei no post anterior, eu aposto nessa opinião, tanto que fui fazer um doutorado em estatística justamente por ter essa opinião).

Eu sei que para bom entendedor, meia palavra basta, mas a blogosfera não é conhecida por terem bons entendedores em abundância. Por isto, resumo mais ainda:

(a) Incentivos –  o problema do incentivo no mercado financeiro (a questão da remuneração do mané) não é diferente do problema do incentivo na administração de bancos, faculdades, hospitais, etc: há sempre um péssimo administrador criando sistemas de incentivos irresponsavelmente ruins, que estimulam os mais diversos problemas. Só um gerente muito sem-vergonha é capaz de esconder isto dos acionistas para obter ganhos no curto prazo. Portanto, acionistas, estudem Economia e Finanças ou apliquem seu dinheiro em empresas minúsculas, familiares ou tribais (e olhe lá que índio não é bobo não…)

(b) Finanças e Estatística – conheço gente que leciona na área. A diferença entre o bom professor de Finanças e o mau caráter é a seguinte: o bom professor respeita o que não conhece (no caso, Estatística) e o mau caráter fala mal da Estatística de maneira sutil (“eu não entendo nada disto, é coisa de gente estranha que não toma banho”, etc) e diz que o mercado é muito diferente do que dizem os livros de Finanças, não no sentido de alterações nas hipóteses sob um modelo teórico básico (como diria o Laurini, o Mass-Collel…), mas naquele sentido pterodoxo de que “o mundo, o inconsciente, o meu tesão pela professorinha são mais importantes na determinação dos preços dos ativos do que este livro chato que nunca li e nem consigo porque não sei somar e subtrair”.

Preciso deixar claro isto porque, como diria Coase, se a blogosfera fosse abundante em sábios, comentarista mal-educado ou blogueiro safado não existiriam e, como sabemos todos, este tipo de gente (gente?) é ótima para deseducar as pessoas sinceras que encaram a própria ignorância como uma barreira a ser superada, não algo a ser elogiado ou visto como um sinal de sucesso (principalmente quando ocupa algum cargo público besta…).

E a dança das bolsas continua. Vejamos a imprensa ao longo do dia…

Polêmica – UPDATED

Wednesday, September 17, 2008

Finanças é Picaretagem

Depois de mais um bail out, dessa vez de U$ 85 bilhões para o AIG, todos se perguntam de quem é a culpa desse financial meltdown. O SB tem uma hipótese: Um dos grandes culpados [além do tesouro e do Fed] são as decisões do oligopólio formado pelos intermediários financeiros. Especificamente, as decisões são tomadas com base num conhecimento pretensioso, aparentemente sério, mas fundamentalmente fraco e falho, esse conhecimento é para os incautos uma ciência, para outros uma picaretagem, chamada finanças.
Todo economista, talvez até mesmo alguns economistas de porta de cadeia, sabe que um Ph.D. em finanças garante um excelente salário e muito pouco conhecimento. Os profissionais de finanças, munidos de uma infinidade de dados, rodam modelos cujos fundamentos pouco entendem. Ganham milhões nos mercados financeiros para dar conselhos no mais das vezes óbvios e, não raramente, desastrosos. Tomem o caso do AIG como ilustração. Será que não havia um único analista de finanças dentro do AIG, provavelmente ganhando meio milhão de dólares por ano, com a mínima capacidade de identificar uma bolha no mercado imobiliário a ponto de dizer que uma carteira com U$ 57.8 bilhões segurando subprime mortgages é o fim da picada?

O texto acima é do Selva Brasilis e, creio, é útil para uma boa e saudável polêmica.

UPDATE:

Você entende de Finanças?

Pessimistic preferences and portfolio allocation – empirical analysis and risk management applications

Márcio Poletti Laurini

Resumo
Neste artigo, analisamos as propriedades empíricas da metodologia desenvolvida por Bassett et al. (2004) para a solução do problema de seleção de carteiras quando os agentes possuem funções utilidade pessimistas. Neste enfoque, as probabilidades dos retornos extremos negativos são inflacionadas com o uso de uma função de distorção empregando a teoria de utilidade esperada de Choquet. Compara-se esta metodologia ao paradigma média-variância de Markowitz, por meio de medidas de mensuração de risco tais como Value at Risk e Expected Shortfall, para uma carteira de ações formada pelos títulos contidos na carteira teórica do Ibovespa.

É o Márcio Laurini mandando ver!

Artigos interessantes

A patota que diz gostar de Finanças – e que foge da Econometria – deveria ler mais.

DEA investment strategy in the Brazilian stock market

Ana Lopes, Edgar Lanzer, Marcus Lima, Newton da Costa Jr

Abstract
This paper presents a multi-period investment strategy using Data Envelopment Analysis (DEA) in the Brazilian stock market. Results show that the returns based on the DEA strategy were superior to the returns of a Brazilian stock index in most of the 22 quarters analyzed, presenting a significant Jensen’s alpha.

Interessante, não?

p.s. DEA não é análise paramétrica, mas os fujões de Econometria normalmente são fujões de Programação Linear (a correlação é elevada).