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Como o setor privado pode gerar injustiças

Lembra-se deste exemplo no qual policiais taiwaneses cumpriam quotas de “multas” na internet? Pois bem. Trata-se de um perfeito exemplo de como o governo pode gerar falhas por conta dos incentivos errados. Agora, considere este caso. Reproduzo um trecho:

Japan’s new professional seducers
This woman leads a double life. Her boyfriend thinks she’s a secretary. In fact she is one of Japan’s new breed of professional seducers, hired by embittered spouses to entrap their straying partners. And she’ll stop at nothing to get the desired results.

Em outras palavras, aqui temos uma empresa privada que também produz falsas evidências. Incentivos similares? Nem tanto. Ao invés das quotas, “armadilhas” por demanda. Os resultados possivelmente incomodam tanto quanto as multas dos policiais taiwaneses.

Entretanto, ainda assim, é preferível a empresa privada japonesa do que o setor público taiwanês no lucrativo negócios de “suspeitas e suspeitos”. Por que? Primeiro, o custo e o benefício são de quem paga pelos serviços. Segundo, há sempre como se defender na Justiça de uma fraude privada. Já uma fraude pública é mais complicada (principalmente se você mora em países como o Brasil). Há também a questão do poder de monopólio. Aqui, possivelmente, haveria um problema pois quanto menos substitutos, maior o poder da empresa. Neste ponto a discussão passa a depender de se o governo estimula os monopólios ou não: trata-se de um problema de economia política (public choice).

Se você tiver que escolher, prefere incentivos que levem o governo a gerar injustiças ou os que levem o mercado a fazê-lo?

p.s. como um austríaco justificaria o seu argumento usando seu conceito de monopólio, no segundo ponto do argumento acima é algo que eu gostaria de ver…

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Por que pesquisas científicas não podem depender de um suposto planejador benevolente apenas?

Este artigo – coloquei o link há pouco, aí embaixo – mostra bem algo que já discuto há algum tempo na blogosfera (com o Adolfo Sachsida apenas, creio) e com colegas. Há um problema sério em se depender de fundos públicos para se fazer pesquisa. Ok, o problema não é depender de um fundo público, mas de um único fundo. Por que? Porque o dono da grana pode recusar projetos de pesquisa só por preferências ideológicas.

Nos anos 90, uma colega minha pediu bolsa a uma fundação estadual de pesquisa. Iria para Columbia, nos EUA, estudar Finanças. Recebeu um parecer desfavorável (virou folclore esta história, eu sei) de um sujeito que dizia ser a UNICAMP já um centro especializado no estudo de Finanças. Obviamente, o infeliz que deu este parecer confunde Hilferding com um modelo CAPM ou, quiçá, um parafuso enferrujado.

Isto deixou minha colega arrasada por muito tempo. Nunca alguém pagará o mal que lhe foi feito. Absurdo, eu sei. O artigo citado acima mostra algo similar, nos EUA. Eu duvido que uma proposta de pesquisa (se bem que, uma vez publicado aqui este texto, a estratégia ótima seja aprovar o que vou propor aqui e depois dificultar ao máximo meu trabalho, de forma lenta e gradual…) que, por exemplo, proponha-se a mostrar falhas na alocação dos recursos públicos como a que eu citei seja aceita…por uma agência pública de fundos de pesquisa.

Se você acha que gente da Academia é neutra e honesta, pura e sinceramente buscando o “saber” (ou o “Saber”, vai saber…), infelizmente você está enganado. Basta ir a uma única reunião de departamento (ou do sindicato) para descobrir a verdade elementar: acadêmicos também respondem a incentivos.

Leia o artigo acima. Vale a pena. Ele ensina, inclusive, como a perseverança pode fazer com que você faça sua pesquisa, mesmo a despeito destes absurdos cometidos por gente que se diz melhor que um bode e que pretende ter um voto tão valioso quanto o seu. Sorte a deles que o critério de ponderação não é o da eficiência econômica senão…

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Olímpiadas

O escândalo dos gyouza envenenados foram terríveis para os chineses no início do ano. Afinal, os pastéizinhos foram exportados para seu grande parceiro comercial: o Japão. Agora, alimentos para atletas no evento esportivo do ano, certamente, serão fornecidos com mais cuidado.

Interessante como uma economia fortemente regulada pelo governo tem os mesmos problemas que alguns insistem em imputar apenas ao mercado (o escândalo do leite no Brasil, recentemente noticiado, vem à minha mente). O problema, aparentemente, está nos incentivos para que a regulação funcione.

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Falta de cuidado é isto

10 people suffer food poisoning from Chinese-made ‘gyoza’ dumplings

Antes que você me pergunte, sim, eu acho que por mais perfeito que seja o mercado (o modelo regulatório), falhas ocorrerão. A diferença entre o mercado livre, o mercado regulado e o bolivarianismo é que o primeiro deles gera mais ganhos de bem-estar com menor custo. Obviamente, o fato de o custo não ser zero não significa que o mercado possa ser acusado de todos os males criados (normalmente) pelos burocratas ou mesmo pelas aleatoriedades da vida.