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Qualidade institucional, contabilidade (criativa?) e o jornalismo sério

Vou direto ao trecho do texto:

Recent research in accounting has examined the link between political connections and accounting quality. Researchers in this area have posited that political connections may increase accounting quality because connected firms are subject to greater media scrutiny, which could provide for stronger monitoring of earnings manipulation. Connected firms may also have readier access to subsidized financing or government contracts, which may blunt incentives to manage earnings for capital market and contracting purposes. On the other hand, politically connected firms may be shielded from the consequences of poor accounting quality or the revelation of earnings management. Moreover, connected firms may manage their earnings to avoid detection of payments to political insiders to maintain their connected status.

Preliminary evidence from this body of research suggests that politically connected firms tend to have lower financial reporting quality. However, there is reason to expect that a country’s political, legal, and media institutions—which affect firms’ financial reporting environment more generally (Leuz et al. 2003)—may moderate the relationship between political connections and accounting quality. For example, lack of transparency may limit media outlets’ role in scrutinizing political cronyism. Strong investor protection laws, accompanied by prosecutorial and judicial independence, may impact a connected firm’s ability to escape the consequences of accounting manipulation.

Antes que você fique “nervosinho”, o artigo trata da Venezuela. Quer ler mais? Dá uma olhada lá.

 

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Seu dinheiro vai para o governo em impostos e…como eles são gastos?

Mansueto tem um texto muito importante hoje, no blog dele.

Há duas coisas que tenho certeza. Primeiro, apesar de todo o tipo de controle que hoje existe no Brasil sobre o uso de recursos públicos, o custo das políticas públicas não é transparente. Um dos meus hobbies favoritos é perguntar para pessoas que defendem a tese que o orçamento no Brasil é transparente o custo de vários programas do setor público. Rapidamente consigo mostrar como é difícil saber o custo dos programas públicos no Brasil.

 

Segundo, esse problema de falta de transparência no Brasil é muito maior no caso de politicas setoriais do que nas políticas sociais. Quando se olha o crescimento da gasto público não financeiro, nota-se de forma clara que os grandes programas sociais (bolsa família, LOAS, etc) pelo menos aparecem de forma clara no orçamento e como são despesas de caráter obrigatório, os programas de transferências de renda não geram passivos (restos a pagar) para os exercícios fiscais seguintes.

 

Como se vê, Mansueto sabe do que fala. No primeiro ponto: cadê o custo? No segundo, as famigeradas políticas setoriais. Eu imaginaria até que o modelo de grupos de interesse organizados e desorganizados (clássico tema de Public Choice) se aplica. Grupos de interesse setoriais têm menores custos de organização do que, digamos, os consumidores do Brasil, por uma questão matemática elementar: são em menor número.

Estes grupos ganham às custas da sociedade? Eu e o Leo Monasterio, há uns 10 anos ou mais, fizemo-nos esta pergunta. Curiosamente, deve ter sido um dos primeiros artigos empíricos de rent-seeking aplicado ao Brasil e muita gente tem tratado recentemente do tema sem fazer o dever de casa elementar: a revisão da literatura (em Ciências Econômicas, como em qualquer outra área, é comum vendo todo mundo querendo ser pai da criança quando a mesma é um bebê lindinho e popular…). Já mostrávamos lá naquele artigo boas evidências econométricas de que grupos de interesses atuavam no Brasil, gerando queda na prosperidade econômica.

De certa forma, não é tão difícil entender a lógica dos movimentos sociais atualmente: todos querem fazer rent-seeking. Nenhum, praticamente, deseja atuar por todos os cidadãos, mas apenas para seus associados (outra lógica clássica: a dos sindicatos…).

Faz parte da democracia dar voz a todos e, claro, também faz parte da democracia ser ineficiente quando existem milhares de grupos específicos se preocupando em repartir as receitas do Estado. O efeito? Provavelmente aumentos da carga tributária. No caso do Brasil, isto revolta a população que, claro, elegerá qualquer um que lhes dê um quinhão disto tudo (eis aqui alguma controvérsia sobre este segundo ponto). Resultado disto: novamente o mesmo efeito. Bom, eu estou imaginando que o governo não vai diminuir seus gastos, né?

Só para não ficar sem conclusão, o Mansueto não toca em um tema (mas nem é objetivo dele fazê-lo) que pode ser potencialmente interessante: por que é que lá nos EUA o controle dos gastos públicos é maior do que aqui? Em outras palavras, o que é que gera um controle mais eficiente de gastos públicos? São as instituições (no sentido de Douglass North)? Há uma literatura bem vasta sobre o tema e vale a pena pensar sobre este problema. Afinal, o mundo não é simplesmente G-T, né?

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Economia política: quem ganha mais dinheiro da burguesia capitalista?

A distribuição dos recursos entre 2011 e 2014 para partidos políticos feita pelo Estadão (ver também aqui e aqui) me faz pensar em uma única questão: a correlação entre doações para mensaleiros e o tamanho do quadradinho no infográfico é positiva e forte?

Ao invés de se preocupar com paypal ou bitcoin como meios de pagamento, talvez devêssemos nos preocupar em checar a fonte de recursos de doações para condenados. Ou então poderíamos difundir a estratégia como uma inovação da Justiça brasileira. O.J. Simpson poderia ter se safado? E Oswald Lee? Só não pagou a fiança porque não havia internet?

Pois é…

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Liberdade de Imprensa sem Liberdade Econômica? Sheherazade deve ter o direito de se expressar?

Continuo o tema do post anterior. Primeiro, a resposta é: sim, Sheherazade tem o direito de se expressar. Não concorda com ela? Mude de canal. Simples assim.

Chamo a atenção para esta polêmica apenas para introduzir a segunda parte dos meus breves dois centavos sobre a liberdade de imprensa.

Na figura abaixo, você encontra as correlações anuais entre liberdade de imprensa (d$media_freedom, no eixo vertical) e liberdade econômica (d$economic_freedom). Não tive tempo para ficar arrumando muito os dados. Só a tabulação me deu um bocado de trabalho. Ah sim, o pessoal do Reporters Without Borders não fez índice para 2010 e 2011, criando uma única medida para os dois anos. Optei por repetir o valor em 2010 e em 2011. Alguns poucos países saíram da amostra (realmente uns três ou quatro, no máximo) e temos aí os mesmos países do post anterior.

liberdade

Como você pode rapidamente perceber, se há uma correlação entre calar jornalistas e liberdade de se comprar e vender quaisquer bens, bem, a correlação é a de que mais liberdade econômica se associa a mais liberdade de expressão para jornalistas.

Sim, trata-se do resultado anterior, repetido por anos e anos. Eu já expliquei diversas vezes neste blog as limitações do alcance de análises de correlação e, novamente, no post passado, apresentei algumas evidências (trabalhos de terceiros) de que os jornalistas deveriam, sim, pedir mais liberdade econômica.

Lembra daquela medida do tamanho do governo? Bem, aí está. A correlação que nos mostra que países com governos muito grandes também são países piores para os jornalistas é bem robusta.

tamanhodoestado

Ok, você querer falar da liberdade de fazer negócios. Abrir e fechar empresas. Coisas assim. Bem, aí vai.

business

A história não parece mudar muito. Ah sim, os países nem sempre tiveram dados coletados durante todo o período. A tendência, claro, é que com o passar dos anos, mais países entrem na coleta de dados. Os gráficos também nos mostram isto.

Ah sim, e quanto à liberdade dos trabalhadores de um país? Segundo a Heritage Foundation, entende-se como liberdade dos trabalhadores:

The labor freedom component is a quantitative measure that considers various aspects of the legal and regulatory framework of a country’s labor market, including regulations concerning minimum wages, laws inhibiting layoffs, severance requirements, and measurable regulatory restraints on hiring and hours worked.

Six quantitative factors are equally weighted, with each counted as one-sixth of the labor freedom component:

Based on data collected in connection with the World Bank’s Doing Business study, these factors specifically examine labor regulations that affect “the hiring and redundancy of  workers and the rigidity of working hours.”

In constructing the labor freedom score, each of the six factors is converted to a scale of 0 to 100 based on the following equation:

Factor Scorei= 50 × factoraverage/factori

where country i data are calculated relative to the world average and then multiplied by 50. The six factor scores are then averaged for each country, yielding a labor freedom score.

The simple average of the converted values for the six factors is computed for the country’s overall labor freedom score. For example, even if a country had the worst rigidity of hours in the world with a zero score for that factor, it could still get a score as high as 83.3 based on the other five factors.

For the six countries that are not covered by the World Bank’s Doing Business study, the labor freedom component is scored by looking into labor market flexibility based on qualitative information from other reliable and internationally recognized sources.

Está claro que a liberdade do trabalhador significa que ele encontra menos burocracia no mercado de trabalho. Eu imagino que o personagem que citei no post anterior, de forma bem hipócrita, seja um fã da liberdade do trabalhador, ao mesmo tempo em que prega um maior controle social da imprensa (provavelmente ele deseja ser amigo do político e viver como um monopolista ineficiente, destes que infestam o Brasil).

Bem, vejamos as correlações.

labor Então, países com mercados de trabalho mais desregulamentados, também são aqueles nos quais o jornalista sofre menos agressões físicas ou censuras. Interessante, não?

Ok, sei que o leitor pode discordar de mim sobre muitos pontos, mas os dados não mentem. Evidentemente, é preciso mais do que correlações para se estabelecer uma causalidade. Existem teorias para nos justificar estas correlações, eu sei. Entretanto, uma coisa é teorizar e outra é usar a teoria para estudar a realidade. Acho que o leitor curioso já tem material suficiente para pensar na demanda de liberdade de imprensa.

Existiria um tamanho ótimo de liberdade? Existirá uma censura ótima? Ou a liberdade de imprensa é um valor maior que não se presta a censuras? Caso sua resposta seja positiva para a última pergunta, por que será que alguns não usem o mesmo critério para falar da liberdade econômica? Vivemos em uma sociedade de rent-seekers, eu sei, e eles lutam para criar double standards de julgamentos que os favoreçam (e aos seus financiadores).

É, Sheherazade ou não, o jornalista e você ou eu temos o direito de nos expressar sem ameaças. Sociedades que enriquecem também são sociedades em que todos se manifestam. Nos EUA, por exemplo, até nazistas e comunistas, criadores do maior holocausto do século XX, como sabemos, têm o direito de criarem partidos políticos. No Brasil, apenas os herdeiros de uma das correntes têm estes direitos. Somos, de fato, um país que se acha tolerante, embora achemos bonito proibir biografias não-autorizadas, reprimir integralistas ao mesmo tempo em que aceitamos comunistas (que elogiam, inclusive, carniceiros, como o presidente da Coréia do Norte), e, claro, gostamos de falar de “crime de opinião”.

Entretanto, as correlações indicam que nossa fantasia é tão sólida que deve se desmanchar ao menor contato com o ar. Pois bem. Acho que já fiz minha parte. Cabe a você coletar os dados e trabalhar como eu trabalhei para encontrar evidências contra ou a favor do meu argumento. Tema polêmico, mas que não pode ser discutido sem uma análise mínima que seja dos dados.

Como disse (ou como dizem que ele disse) Deming: In God we trust. All others must bring data.

Até mais.

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A Política Brasileira – comentários

Acabei de ler a ótima entrevista da Maria Celina D’Araujo na última Conjuntura Econômica. Acho que não está disponível online, mas recomendo a leitura. Alguns pontos da entrevista interessantes:

1. Tucanos e petistas são idênticos, mas os últimos sabem se comunicar – Sempre ouvi e concordei com isto. Aliás, nunca vi povo tão ruim para fazer propaganda de suas próprias realizações do que os tucanos. Ou então os “marqueteiros” políticos do Brasil são péssimos (pelo menos os contratados pelos tucanos).

2. O problema da economia política constitucional – Aqui eu vou citar literalmente:

O problema no Brasil não é ter judicialização na política, pois isso é um fenômeno mundial. O problema é que aqui tudo é constitucionalizado: as políticas sociais, os direitos do trabalhador, tudo. Então qualquer mudança é sujeita a uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin). A gente pode até pensar, do lado positivo, que com isso constitucionalizamos todos os direitos, toda a CLT, todas as políticas sociais, públicas, numa forma de garantir que o país caminhasse por um rumo diferente. Por outro lado, podemos pensar que foi uma forma de cortar nossos pés com uma machadinha, já que não conseguimos andar muito, pois tudo fica suscetível a questionamentos nos tribunais por parte da oposição. (p.22)

Ou seja, esta mania brasileira (?) de achar que tudo se resolve com o Direito, colocando tudo em leis é a pior forma de se promover mudanças sociais. Chegamos a um grau, eu diria, perigoso. Ao invés de cumprirmos leis simples como: “bateu em alguém, vai preso”, temos que criar leis para cada grupinho que se ache injustiçado, específicas, dizendo a mesma coisa, mas adornando a coisa com um adjetivo: “mulher”, “criança”, “idoso”, etc. Claro, quando estas coisas são constitucionalizadas, caímos no problema maior apontado pela socióloga.

Então, como fazer para melhorar o país? Pergunta difícil. A primeira coisa a ser feita é ler as matérias da revista. Pelo menos o artigo do Samuel Pessôa e a entrevista citada eu já li e posso dizer: a coisa tá feia.

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Momentos Inacreditáveis de nossa história

Em 18 de março de 1694, uma ordem régia ‘considerando a representação do governador’, resolve por elevar em 10% a moeda no Brasil sobre o levantamento de 20% que houve no reino. Para tanto, era necessário refundir, ou melhor, fundir uma peça provincial e abrir uma casa da moeda na Bahia para se ‘lavrar nela com novo cunho’. Em outra carta régia, do dia 22 do mesmo mês, d. Pedro II resolveu, em razão ‘do amor e lealdade’ com que serviram os moradores do Brasil, demitir ‘da minha Real Fazenda o direito de senhoriagem’. Na mesma ocasião, nomeou João da Rocha Pita como superintendente da Casa da Moeda, José Ribeiro Rangel, como juiz da moeda, e Manuel de Souza como ensaiador. Foram cunhadas moedas de ouro e prata. [Pedro Puntoni “O mal do estado brasílico”: a Bahia na crise final do século VII. In: Carrara, A.A. & Santiró, E.S. (coord). Guerra e fiscalidade na Ibero-América colonial (séculos XVII-XIX). Editora UFJF e Instituto Mora, México, 2012]

Pedro Puntoni é autor de um excelente livro sobre as guerras indígenas no Brasil colonial. Agora, neste artigo pequeno, ele fala da moeda na Bahia colonial. Claro que, para mim, o paradoxo é o da renúncia do rei à senhoriagem. A pergunta que fica, para o leitor interessado em História Econômica, é: quais os motivos para se renunciar à senhoriagem?

No caso de Brasil e Portugal na época, talvez a senhoriagem arrecadada no Brasil fosse insignificante no período. Falar do lado “errado” da curva de Laffer não me parece ser relevante aqui. Enfim, fica a pergunta para os amigos.

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A cultura anti-empresarial e o baixo crescimento econômico

Este texto para discussão do NBER vale a leitura, principalmente para os brasileiros. Temos revolta nas ruas e escolas que instilam idéias anti-empreendedorismo sem o menor cuidado com o futuro do país.

Eu sei que existe uma economia política por trás disto (bem resumida aqui) e também sei que deveríamos ler mais sobre isto e mudar nossa mentalidade.

Bom, começa com a leitura, né?

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Leituras que pretendo fazer

Já tá tudo no micro, para catalogar com Mendeley.
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Desconfie…sempre

Mansueto tem observações extremamente sérias e relevantes sobre certos discursos que ouvimos por aí. Na verdade, ele detectou o que poderia ser chamado de “convergência para a mediana”. Como os partidos políticos brasileiros são atores bem espertos, sempre tendem a posições políticas que atinjam 50% (+ 1) dos votos de qualquer dimensão (digamos, gastos em saúde). A idéia é sempre disfarçar suas idéias, adotando as dos outros apenas para fins eleitorais. Claro que, com partidos tão carentes, realmente, de um programa que lhes sirva de identidade, no Brasil, isso fica mais fácil ainda. Por falar nisso, um cientista político, no Estadão de hoje (caderno Aliás) escreveu um pequeno ensaio sobre um problema sério do coronelismo brasileiro. Eis sua conclusão:

Os adversários das prévias são aqueles que almejam ter o controle absoluto dos seus partidos. Não admitem a divergência. Desejam impor as candidaturas e alianças sem discussão. Consideramos filiados mera massa de manobra, sem direito a palavra. Querem vencer, sem convencer, na marra. No extremo, são adversários da democracia.

Só faltou ele listar os nomes dos “adversários das prévias” e, claro, é bom lembrar que nem todo defensor das prévias é um “amigo da democracia”. Basta ler os jornais.

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Escolas que adotam as pedagogias bolivarianas têm pior desempenho?

Este teste, no Brasil, é impossível de ser feito porque praticamente todas as escolas abraçam o “método”, o que nos deixa sem grupos de controle para um estudo sério. A falta de diversidade, claro, ajuda a propagar preconceitos, já que não se pode comparar diferentes grupos. 

Por que você acha que os governos sempre buscam “uniformizar” algo com uma desculpa qualquer? A “uniformização” serve a quem?

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Editoras e o cartel: por que tão poucos estudos?

Eis aí uma interessante notícia: diante da possibilidade de se verem engolidas pelos ebooks, editoras se unem. Há quem diga que são ganhos de eficiência – provavelmente existem, já que se uniram – mas como será o arranjo interno? E a competição? Afinal, alguém já conseguiu, nestes 500 anos de história, estudar o mercado editorial brasileiro?

Há tantas teses sobre inflação, sobre astrologia pterodoxa, sobre a cor da cueca de Karl Marx, mas há algum estudo aplicado ao mercado editorial brasileiro? Ou só os consultores conseguem dados nesta área?

Eis aí outro exemplo do problema do capital humano (já se juntou ao meu clube?): escassez de dados, má qualidade da estatística aplicada (e do ensino de estatística) e discursos insanos de gente que diz que economia e métodos quantitativos são seres estranhos entre si são todas características de nosso subdesenvolvimento econômico.

Mas as coisas evoluem. Por exemplo, a política monetária, ainda sob ataque dos astrólogos pterodoxos (até ofendo, sem querer, astrólogos bem-intencionados, sorry guys) só não é consenso para quem nunca teve que trabalhar com ela, na prática. No mercado, onde o salário não está ligado ao número de discursos “alternativos”, mas sim ao conhecimento dos dados, o incentivo para falar asneiras sobre política monetária é bem menor. Já na academia, notadamente nos departamentos de economia cujos incentivos são todos políticos e pouco eficientes, discursos cabeças-de-word-le-monde-diplomatique-carta-aos-caros-amigos-da-capital abundam.

Abundam mesmo. Inclusive nas privadas, não apenas nas públicas…se é que você me entende.

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Na Argentina, dinheiro do governo cala jornais. E aqui?

Excelente ver que já há gente preocupada com a questão na Argentina. No Brasil, será que as evidências são similares? Eis um bom tema de monografia.

Veja só: não é a liberdade de imprensa em si que gera democracia. É a liberdade de imprensa com independência editorial (você pode ser chapa-branca, mas receber dinheiro do governo é uma distorção e tanto) que gera desenvolvimento econômico, ceteris paribus. Eis minha tese.

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Revoluções

Maldosamente me pergunto se o argumento do texto resumido aqui poderia ser usado para explicar a diferença entre uma revolução anti-bolivaraina (Honduras) e uma pró-bo(li)v(ar)i(a)na.

Extrapolo, claro, mas é a pergunta natural que emerge desta idéia de revolução profilática. Cuidado, lembre-se que você só sabe se é profilática ou não após algum tempo (veja a questão da taxa de urbanização citada lá). Logo, não me venha com a defesa de revoluções pura e simplesmente.

Provocando mais ainda: a revolução de Pinochet teria sido profilática?

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Empresas, cultura e estratégia empresarial: o que, de fato, é feito?

Mais um artigo interessante:

The influence of culture, legal system, and corporate governance on the strategic and operational content of corporate annual reports
Pagliarussi, Marcelo Sanches; Liberato, Giuliana Bronzoni.
Abstract

We examine aspects of cultural dimensions, legal systems and corporate governance on the extent that firms from the United States, United Kingdom, France and Brazil disclose their strategy in annual reports of 2006. We based our analysis on concepts brought by three theories: cultural dimensions (Hofstede, 1997); legal systems (La Porta, Lopez-De-Silanes and Shleifer, 1999; Glaeser & Shleifer, 2002); and corporate governance (La Porta et al., 1999; Bushman & Smith, 2001). Each company’s annual report was entirely analyzed to assess its strategy disclosure. The hypotheses were tested through regression analysis and nonparametric tests of equality of means. The results indicate that the extent to which companies in common law countries disclosure their strategies is greater than in civil law ones. Also, we observed that firms less frequently disclose information with operational content in comparison with information with corporate strategic content.
Keywords: Disclosure, strategy, legal system, corporate governance, cultural dimensions.

Eis aí um interessante artigo para quem gosta de economia, administração e contabilidade. Acrescentaria ainda: economia política (no bom sentido). O texto é mais um daqueles estudos que acho bacana porque os autores coletam seus próprios dados.

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Metas do milênio?

Easterly mostra uma bela evidência de que – agora sim, eu interpreto – a burocracia da ONU não é muito criativa. Seu texto tem uma mensagem clara: são os incentivos, os micro-incentivos, que importam. Não tem qualquer resultado você criar um conjunto grandioso de metas.

Até mesmo as grandes óperas só são apresentadas com aquela qualidade quando os pequenos incentivos funcionam. Ou você acha que Bayreuth foi construída porque Wagner queria o maior bem-estar social possível?