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Liberação de drogas: Uruguai e Brasil

Os economistas já falaram muito sobre o tema. Agora, com o experimento uruguaio, há uma oportunidade de se mensurar seus efeitos, conforme noticia o Diário Popular, de Pelotas.

O que os economistas esperam? Bem, não é difícil saber. O cientista político Diogo Costa já disseminou boa parte das nossas opiniões por aí. Você também pode pesquisar sobre o tema nos escritos do Jeffrey Miron, de Harvard. A The Economist tem uma opinião aqui. Finalmente, um estudo da London School of Economics sobre o tema, aqui. Aliás, o legal deste último estudo é a elasticidade-preço da demanda calculada.

Hence, even if one somehow knew that legalisation would reduce retail prices by 75 percent for cannabis and 90 percent for cocaine, and even if one knew those drugs’ elasticities over modest prices changes in the past were -0.5 and -0.75, respectively, it would almost certainly be wrong to project a price-induced increase in consumption of only 0.75*0.5 = 37.5 percent and 0.9*0.75 = 67.5 percent, respectively. Indeed, Caulkins and Kilmer et al. show that one cannot rule out the possibility that the actual increases could be very much larger. (p.22 do referido estudo)

Outro estudo interessante é este no qual encontramos o conceito de elasticidade-preço total da demanda.

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O tema é, certamente, interessante e importante. O grande problema é conseguir os dados, notadamente no caso do Brasil. Com esta pesquisa nova que envolve alunos e pesquisadores da área de Saúde da UFPel, espero, minimizaremos este problema.

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Economia do crime: melhor um monopólio ou concorrência?

Talvez o Adolfo goste disto. Estava lendo um velho artigo de Gary Anderson e Robert Tollison (“Legislative Monopoly and the Size of Government”) e aí me deparei com um ponto interessante. Vamos lá.

Sabemos que muita gente diz que é bom liberar o mercado das drogas porque isto diminuirá o poder de monopólio do traficante. Ok, você pode falar do poder do cartel, mas um cartel como este é bem pouco estável como nos mostram os tiroteios entre os “sócios” em sua luta por um “cargo mais elevado” na hierarquia do cartel. Então, fiquemos com o monopólio.

Pois é. Nesta indústria, o bem é a venda de drogas o que, na visão da maioria da sociedade, é um “mal”. Todos querem menos comércio de drogas por conta do vício causado (vamos ignorar, por enquanto, leituras sofisticadas como a Beckeriana sobre o tema). Menos comércio de drogas significa menos consumo de drogas, menos violência, etc. Há também o argumento de que a regulamentação do comércio (neste mercado
“liberado”) permitiria ao governo minimizar os danos sociais das drogas. Esta última parte do argumento é mais complicada porque supõe que não existem falhas de governo significativas neste caso o que, se fosse verdade no Brasil, deveríamos observar reformas nas polícias militar e civil ocorrendo sem nenhum protesto ou mesmo reações mais violentas por parte dos envolvidos (ou com sua punição de facto, não apenas de jure).

Pois considere este argumento simples: o melhor é ter um monopólio privado da venda de drogas. Por que? Porque o preço é mais elevado, mas a quantidade comercializada é menor.

Será?

p.s. Sim, o ideal é considerar custos e benefícios da proposta do mercado liberado e regulamentado com os custos e benefícios do incentivo à monopolização privada. Palpites?