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Roger Kimball

Após um inexplicável (até o momento) atraso, recebi minha Dicta & Contradicta. Só li, até agora, a análise de um poema de Camões por Pedro Sette (não é que este é um exercício que o colégio me ensinou de forma bem precária?), o excelente texto do Kimball sobre Hayek (este deveria ser lido e relido por todos que curtem o bom austríaco) e o conto do Ruy Goiaba que muito me lembra o meu – sucesso de vendas no mundo – Tire a mão da minha linguiça, só que com o talento goiabal que só o Ruy consegue imprimir aos seus textos.

Será que no próximo semestre eu consigo organizar um grupo de estudos de economia para ler Hayek? Talvez eu tenha ajuda…

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A cultura…

Outro que fala de coisas similares ao que eu disse aqui, outro dia.

Trecho:

Nosso desinteresse, acho, é mais fruto da ignorância, que leva à indiferença, do que propriamente algum tipo de reação psicológica de fundo histórico pela condição de colonizados. Basta que alguém num grupo de amigos saiba um pouco de história para, rapidamente, todos ficarem interessados. E é sintomático que um jornalista brasileiro como Eduardo Bueno tenha se tornado um bestseller com livros sobre a história Brasil/Portugal.

Voltando à vaca fria, ou seja, a mim mesmo, é gozado ouvir brasileiros falando de brasileiros, brasileiros falando de portugueses e portugueses falando de brasileiros (vou contando o que ouvi ao longo dos textos para o blogue). Porque dificilmente me reconheço nas características. E não vai aqui qualquer traço de esnobismo (está bem, está bem, mas só um pouquinho). O fato de ter morado em várias cidades brasileiras tirou-me as raízes, aquela sensação de pertencer a algum lugar.

O primeiro parágrafo é perfeito. Somente os doutrinadores (supostos professores) de colégio dizem que é o negócio é se revoltar contra os imperialistas desde 1500. A moçada ouve isto, fica com preguiça, tenta ler alguma coisa, mas só encontra livros que mais lembram a coleção MIR de “o que é o capitalismo” e lixos afins ou então se depara com livros muito avançados (de nível universitário…para cima).

Se história fosse mesmo estudada, vários mitos da historiografia nacional seriam derrubados. E não me refiro apenas às mentiras da pterodoxia, mas também a muitos supostos autores (supostos estudiosos) do tema cujas teses ensebadas com muito palavreado que parece saído de uma sentença de um daqueles juízes amantes do parnasianismo jurídico, estão, quase sempre, erradas. Digo “quase” porque, por absoluto acaso, pode ser que o sujeito acerte. Mesmo a ignorância, claro, é um fenômeno aleatório. O sujeito pode ser um imbecil, mas eventualmente falará algo correto, por puro acaso.

Interessante texto este do Bruno.

A propósito, falando em cultura, encontrei a verdadeira ontem (deveria ter tirado uma foto!) de forma quase-espontânea na apresentação dos meninos do COPOM. Philipe (do Matizes), Juliano (do Preço do Sistema) e Pedro (do Homo Econometricum) e eu (daqui) estivemos em uma mesa de bar por quase duas horas. Creio que era 100% da blogosfera de economia de Belo Horizonte. Ou algo próximo disto. Vale a pena consultar o blog desta patota toda. Creio que todos os links estão na barra lateral aí à direita da sua tela.

Isto sim, é cultura.

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Cultura e economia

Para ajudar os leitores que acompanham nossas conversas sobre empreendedorismo, eis o que é aceitável, para mim, em termos da definição de “cultura”. Não é fácil, como já disse aqui antes, definir isto. Afinal, cultura é algo que muda a cada segundo, a cada nova criação humana (chego a pensar, muitas vezes, que este papo de preservar patrimônio histórico é coisa de gente com sonhos de monopólio nas preferências artísticas dos outros).

De qualquer forma, é necessário entender corretamente (ou pelo menos operacionalmente) o conceito antes de jogá-lo no lixo ou adotá-lo nos estudos. O debate sobre empreendedorismo (use a caixinha de busca aí ao lado) que segue aqui, obviamente, não foge à regra.

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Não é a cultura

Selva faz um bom post:

O Mercado e os Juízes Analfabetos

Pensamos que apenas a selva é infestada por promotores e juízes católico-comunas, cuja monumental estupidez e ignorância econômica visa exterminar os pequenos focos de capitalismo existentes. Mas não se enganem, os profissionais da justiça em todo o mundo e, particularmente, nos EUA, se esforçam em conjunto para restringir, deformar e impedir, o funcionamento dos mercados. Vejam mais uma decisão dos juízes americanos visando punir empresas eficientes.

Bom ponto mesmo! Interesses nem sempre são determinados pela cultura. Incentivos, no final das contas, podem ser puramente econômicos. Em outras palavras, a pergunta relevante é: quanto da palhaçada brasileira é explicada por incentivos puramente culturais (se é que você consegue definir cultura de forma assim, digamos, estática) e quanto é oriunda dos incentivos econômicos.

Nossos neocons, por exemplo, adoram falar da cultura de 500 anos, como se em 500 anos, a cultura brasileira fosse homogênea, congelada, estática. É como se em 1990, o Brasil sofresse um único contato com culturas estrangeiras (pobres índios, sempre ignorados nestas histórias, embora se aliem aos neocons em questões que lhes interessam…). Cultura, infelizmente, é algo muito mais difícil de se definir. Talvez até mesmo o que gente boa da área de desenvolvimento econômico chame de “cultura” seja tão somente um determinante histórico da cultura inicial de um país, o que nada tem a ver, obviamente, com a cultura de hoje. Ou tem, mas é muito pouco.

Se o problema é a “cultura” inglesa, por que a Guiana Inglesa não é uma potência econômica? E Portugal? Como conseguiu ser uma potência econômica? E a Austrália, colonizada pela escória? O Suriname é um exemplo a ser seguido?

Antes de falar em cultura,  pense nestes exemplos. O nó não é facilmente desatável..

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Crítica da crítica de filmes estrangeiros no Brasil

Apesar de concordar com o tom pessoal do autor da matéria sobre “O Suspeito“, discordo da linguagem adotada. Como o autor do ensaio é contra o “Patriot Act”, sempre que pode, desvia-se do assunto principal para dizer que qualquer um que seja contra o dito decreto (ou “medida provisória nos EUA”) faz parte de uma hipotética “parte esclarecida” ou “mais consciente” da sociedade norte-americana.

O que eu acho bacana nos EUA é que, apesar da xenofobia brasileira média – hoje exacerbada pelos aliados Chávez, Castro e Morales – a sociedade é suficientemente forte para não se deixar levar pelas loucuras socialistas, mas também consegue gerar crítica social (em filme) que não perdoa nem seus governantes atuais. Aqui no Brasil, pelo que vejo, até blogosfera quinta coluna surge e usa linguagem violenta se você fizer uma única crítica à administração do sr. da Silva ou aos seus aliados socialistas, comunistas e bolivarianos. Veja você mesmo: não há um único filme no mercado, crítico da administração atual. Não há um único diretor que faça um filme criticando algum aspecto do populismo renovado (ou do “Populismo renovado e carismático”) que grassa este país.

Nos EUA, se você criticar o governo, criticou. No Brasil, apressam-se a lhe chamar de “tucano” para tentar criar uma imagem de “bem” (não-tucanos) e “mal” (você sabe quem). Há um “mensalão”? Argumenta-se que todos assim o fazem. Há corrupção? Idem. Claro, o discurso da antiga oposição se desmancha ao ar. Tudo é maquiavelicamente válido. A antiga posição destrutiva contra, digamos, a Lei de Responsabilidade Fiscal, é esquecida e se a defende, agora, por conveniência (até que o jogo dos grupos de interesses internos, socialistas, bolivarianos e comunistas, consiga modificar a lei com alguma justificativa esotérica).

Eu até concordo que haja problemas com a administração Bush. Governo é governo em qualquer lugar do mundo e sempre faz besteira. Agora, eu reivindicaria aquilo que os – assim chamados – “barbudinhos do Itamaraty” adoram: reciprocidade. Que tal o jornalismo nacional usar o mesmo tom para matérias sobre o Brasil? Quem é a parte “mais consciente” da sociedade? Aquela que se cala quando há um aumento da carga tributária? Aquela que defende o “mensalão”? Ou serão os que pedem subsídios? Onde, meus caros amigos da mídia, está a parte esclarecida da sociedade brasileira?

Difícil responder? Eu sei o porquê. É porque está apenas na cabecinha de cada um. Cada um acha que a sua é a parte esclarecida. Se assim o é, não seria melhor (e até seria uma prova de saudável humildade) esquecer esta tal de “parte consciente/esclarecida” nas matérias? Só acho defensável o seu uso para fins de humor. Ou então como ironia, para mostrar as baboseiras de alguns argumentos.