Uncategorized

Por que mudanças marginais? – a justificativa conservadora

Meu amigo – e ex-patrão – Afonso, presenteou-me, outro dia, com o As idéias conservadoras de João Pereira Coutinho. Como já li de Karl Marx e Adolf Hitler a Thoreau passando por Anuários do IBGE e Zé Carioca sem preconceito algum, não seria com este livro diferente, né? Há quem me chame de conservador, embora eu ainda afirme que sempre achei minha autocrítica bem ruinzinha.

Voltando ao livro, o Coutinho nos lembra de um ponto que já foi muito bem explicado por Hayek em vários de seus textos: a questão da imperfeição humana. Por que devemos ser cautelosos quanto a projetos de mudanças amplas e ambiciosas? Nossa imperfeição.

Somos imperfeitos, intelectualmente imperfeitos, não porque tenhamos nascido livres e nos encontremos aprisionados em toda parte (a célebre proclamação de Jean-Jacques Rousseau que não é mais do que a corruptela bíblica sobre a queda do homem), mas porque a complexidade dos fenômenos sociais não pode ser abarcada, muito menos radicalmente transformada rumo à perfeição, por matéria tão precária. [Coutinho, J.P., As Ideias Conservadoras explicadas a recolucionários e reacionários, Três Estrelas, 2014, p.34]

É incrível como esta idéia simples ainda não tenha gerado maior cautela por parte de mais gente, independentemente de seu posicionamento no espectro ideológico. A arrogância humana e a má fé dos vendedores de sonhos nunca tiveram muito valor (lei da escassez, claro!), mas minha impaciência com a espécie (supostamente humana) sempre me deixa cansado de tanta lentidão para optarmos por soluções mais, digamos, “pé no chão”.

Seja você um liberal (libertário) ou não, este é um ponto que não deveria ser ignorado em suas análises da realidade. Afinal, somos todos imperfeitos e é por isto que você termina este meu texto achando que ele poderia ter sido escrito de forma mais talentosa. Poderia mesmo.

 

Uncategorized

E agora social-democratas e conservadores?

No link móvel do IL-RJ:

E agora, social-democratas e conservadores?

ROBERTO FENDT

“As críticas não se dirigem aos liberais. A crise foi gerida pela parceria de um presidente conservador com um Congresso social-democrata”

NAS ÚLTIMAS semanas, com o recrudescimento da crise financeira, os liberais brasileiros viraram saco de pancadas de todos os descontentes com o que supõem ser os males do liberalismo.

Nesta mesma Folha perguntou-se que figurino vai usar agora quem toca o bumbo do liberalismo econômico no Brasil (“E agora, liberais?”, 30/9, pág. A2).

Muitos liberais ficaram indignados com essa e outras críticas semelhantes. A esses aconselho moderação e tolerância; porque não se trata de má vontade e menos ainda de má-fé dos críticos. Trata-se, na verdade, de um profundo equívoco semântico.

Aqueles que atribuem os males do mundo aos liberais americanos, que nos teriam metido nesse imbróglio financeiro, ignoram dois fatos. O último presidente liberal americano foi John Quincy Adams, cujo mandato durou de 1825 a 1829. Também liberais foram os primeiros presidentes americanos -George Washington (1789-1797), John Adams (1797-1801) e Thomas Jefferson (1801-1809)-, mas não o foi o antecessor de Quincy Adams, James Monroe (1817-1825).

Desde então, os Estados Unidos foram presididos por políticos de todos os matizes, menos liberais.

Mais recentemente, uma onda conservadora sucedeu aos social-democratas Franklin Delano Roosevelt e Bill Clinton. O expoente dessa corrente é George W. Bush. A eles devemos a crise. O candidato liberal na corrida presidencial dos EUA deste ano foi Ronald Ernest Paul -Ron Paul, como é mais conhecido-, deputado federal pelo Texas. O perfil político de Paul já diz tudo: é constitucionalista, libertário e se opõe às intervenções militares dos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão. Em 1988, concorreu à Presidência pelo Partido Libertário Americano. Por seu perfil, jamais empolgou o eleitorado americano, dividido que está entre social-democratas e conservadores.

Já os liberais brasileiros estão fora do circuito dos diversos matizes da social-democracia que nos governa desde pelo menos 1994, aí incluída a atual administração.

Quanto à crise, os liberais brasileiros se opõem a qualquer plano de “salvamento” dos bancos e demais instituições financeiras, preocupando-se, sim, com os recursos dos cidadãos comuns depositados e investidos nessas instituições.

Preocupam-se também com crises sistêmicas, pois sempre sobram para a gente. Sofremos as conseqüências das crises sistêmicas de 1929 e 1931, das cadernetas de poupança americanas (“savings and loans”) da década de 1980 e sofreremos com a atual, que já vem desde a crise do banco Bear Stearns, de meados de 2007.

A crise é mais longa do que se pensa, mas foi toda gerida pela parceria de um presidente conservador com um Congresso social-democrata.

A tradição dos liberais não tem nada a ver com os que endividaram o Brasil, dentro e fora, nem com o crescimento avassalador da carga tributária, que, se não incomoda colunistas, empobrece os brasileiros comuns.

A tradição liberal remonta a Pimenta Bueno, Frei Caneca, Tavares Bastos, José de Alencar, Joaquim Nabuco e Rui Barbosa, para citar apenas alguns e evitar ofender os vivos, pela eventual omissão.

Calcados nessa tradição, quase todos os liberais brasileiros se opuseram à proposta original do secretário do Tesouro americano por razões variadas. A maioria porque o plano original pretendia usar o dinheiro do contribuinte para comprar os papéis “micados” nos ativos dos bancos, premiando a negligência e irresponsabilidade dos gestores e acionistas; outros adicionaram a isso o pedido indecente de poderes para gerir US$ 700 bilhões dos contribuintes sem dar satisfação a quem quer que seja.

Os liberais brasileiros não estão comprometidos com um “pensamento único”. Um grande número de liberais é favorável a que não haja nenhuma intervenção do governo no sistema financeiro, já que a liberdade de tomar riscos deve vir acompanhada da responsabilidade de arcar com as conseqüências. Mas outros, tendo em conta o caráter sistêmico da crise e o fato de que na raiz da solução do problema está a capitalização do sistema financeiro, recomendam alternativas sem benevolência com as instituições, seus gestores e acionistas, como a aquisição de participações acionárias.

Do exposto, fica claro que as críticas não se dirigem aos liberais, mas aos conservadores e social-democratas. Por essa razão, tenho recomendado paciência e tolerância com aqueles que, por ignorância, nos atribuem o que pertence a terceiros.

Bom ponto.

Uncategorized

Excelente bem público do Ordem Livre

Este texto do Hayek é uma das melhores coisas já escritas sobre a óbvia (para mim) diferença entre liberalismo e conservadorismo.

Leitura mais do que recomendada.

Discuta com seu professor:

1. Você sabe diferenciar um liberal de um conservador?

2. A quem interessa que se confunda liberais com conservadores? Por que?

3. Quando, no Brasil, você viu uma proposta liberal por parte dos governos?

Uncategorized

O pior 24 dos gaúchos

Uma última nota sobre a questão 24

Na Zero Hora de hoje, o professor Alexandre Englert Barbosa, do Departamento de Economia da UFRGS, tem um editorial sobre a questão 24 da prova de História do Vestibular da Universidade. Só um parágrafo:

A questão do vestibular, além de ser subjetiva e ideológica, trazia como certa a resposta sobre um acordo que ainda não foi realizado e, se tivesse sido colocado em prática poderia ser, inclusive, melhor para o Brasil. Como se não bastasse, incluiu o termo neoliberal como resposta correta, em outra lacuna a ser preenchida, algo que sequer é bem definido, exceto nas cabeças daqueles que se declaram contrários a essa “vertente” semi-amorfa. Quem elaborou a questão, errou. Quem “acertou” a resposta, errou. Quem errou a resposta, errou. Afinal, não há resposta correta para a questão.

Filisteu é imbatível.