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Maximização intertemporal de utilidade, sabor kimuchi

Jong-il entendia que seu pai não escolheria como sucessor o homem que prometesse fazer o melhor para a Coréia do Norte ou para o povo. Ele escolheria o homem que prometesse fazer o melhor para Kim-Il-sung, mesmo depois de morto. Como todos os políticos sagazes, Kim Il-sung se importava tanto com o futuro quanto com o presente: ele se importava com seu legado. [Fischer, Paul. “Uma produção de Kim Jong-Il”. Record, 2016, p.90]

Mais sobre o tirano – e sobre um dos crimes mais ignorados pela patuléia – veja isto. Aliás, neste verbete você entenderá o porquê da imagem.

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Cinema e R – Dica R do Dia

Galera que curte cinema vai gostar disto: OMDB API.Testei com alguns filmes. Não tem muita coisa, mas dá para começar a se divertir. Por exemplo, eis as avaliações do clássico do Ed Wood, o Plan 9 from Outer Space.

plan9_ratingsPodemos também checar um dos meus favoritos dos últimos anos: Iron Sky.

iron_sky_ratingsO que mais acho interessante é a variedade de resultados (além da própria variância em cada ranking) entre rankings. Mas acho que posso concluir que minha fama de fã de filmes trash não é injustificada, não é mesmo? ^_^

 

 

 

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Sentindo-se assim, um pouco bravo…fui assistir “Seppuku” (também lido como “Harakiri”)

seppuku

 

É, eu recomendo sim. Tem algo na narrativa do filme que me agradou. Não sei bem o que é, mas eu gostei. O povo da Criterion assim descreve o filme:

Following the collapse of his clan, an unemployed samurai (Tatsuya Nakadai) arrives at the manor of Lord Iyi, begging to be allowed to commit ritual suicide on the property. Iyi’s clansmen, believing the desperate ronin is merely angling for a new position, try to force his hand and get him to eviscerate himself—but they have underestimated his beliefs and his personal brand of honor. Winner of the Cannes Film Festival’s Special Jury Prize, Harakiri,directed by Masaki Kobayashi is a fierce evocation of individual agency in the face of a corrupt and hypocritical system.

De fato, tem algo de crítica a um sistema hipócrita mesmo. Mas a forma como o personagem de Nakadai narra sua trágica (bem trágica, para ser sincero) história é particularmente interessante. Comprei o filme, embora já o tenha visto por aí na “nuvem”. Valia a pena porque vinha com o remake de 2011. Este, ainda não assisti. Mas vejam estas frases “citáveis” do filme, direto do IMDB.

After all, this thing we call samurai honor is ultimately nothing but a facade.

Parece simplista, né? Mas se você assistir o filme e prestar atenção à história verá que a frase carrega uma dor incrível.

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Momento Político do Dia

Na bela biografia do Mussum, conta-nos o autor, Juliano Barreto acerca do clássico O Trapalhão no Planeta dos Macacos, que o roteiro não era apenas uma paródia do sucesso original mas…

Os tiranos do outro planeta planejavam um golpe de Estado, castigavam seu povo impedindo o uso de eletrodomésticos e bens de consumo importados e não conseguiam controlar a alta no preço da banana por conta de uma cruel inflação. Mais ou menos como outros primatas faziam em Brasília. (Barreto, J. (2014). Mussum forévis: samba, mé e Trapalhões, p. 180)

O mais irônico é que, não sei se o autor percebeu, parece que a macacada continua em Brasília. Sobre a inflação de 1976? Dá uma olhada no seu livro de economia brasileira. Ou veja este vídeo.

Ah, a inflação da banana…
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O final de semana da turma e o numerário

Namorados e namoradas chegam ao final de semana sem pensar muito em gráficos ou em R. Mas, deveriam? Estão perdendo algo? Não sei.

Alguns se divertem indo ao cinema, outros a motéis. Outros preferem uma boate, outros, jogos de futebol. Uma rápida pesquisa pelo IPCA nos dá uma idéia dos preços relativos. Qual preço relativo você quer analisar?

Diversão no sábado

O sujeito que deseja comparar suas opções de lazer com relação ao motel, digamos, pode fazer a hipótese de que o índice de preços é uma média do preço (preço médio). Assim, para o subitem do IPCA referente ao motel, ele calcula o índice. A mesma coisa ele faz para o índice de preço dos subitens boate, jogos e cinema.

Então ele pode verificar algumas coisas. Por exemplo:

relativos1

Ah sim, a amostra é de (1999.08 a 2014.01, dados, obviamente, mensais). Repare no eixo vertical. Ele tem o que seria o índice de preços relativo entre boate e motel. Quando ele estiver acima de um – supondo que o índice é a média – então diríamos que a média do preço da boate é maior que a média do preço do motel. Em outras palavras, está mais caro ir para a boate. Parece-me que, em Julho, o relativo é o mais baixo, ou seja, se você quer economizar…

Ignoramos, é claro, diversas diferenças, já que o índice de preços é, ele mesmo, uma média brasileira. Alguém mais preocupado com sua realidade local deveria trabalhar com as regiões metropolitanas levadas em consideração pelo IBGE.

Ok, outra escolha seria ir ao futebol ou ao cinema. Ceteris paribus, o incentivo do preço parece tender sempre para o futebol.

cinema_Relativos2

Ok, ok. Teríamos que olhar muito mais coisas para uma boa escolha de lazer no final de semana. Mas os preços relativos não têm moral ou censura: não me importa se você quer ir ao futebol ou ao motel, ao cinema ou à boate. O fato é que você pode construir preços relativos e expressar os preços dos outros bens em relação ao seu numerário.

O pessoal que teve aula hoje de manhã me perguntou isto e eu não poderia deixar de ir para meu sábado sem tentar lhes dar uma explicação mais intuitiva.

Citando da Wikipedia cujo link acabei de indicar:

Numéraire is a basic standard by which value is computed. Acting as the numéraire is one of the functions of money, to serve as a unit of account: to measure the worth of different goods and services relative to one another, i.e. in same units. “Numéraire goods” are goods with a fixed price of 1 used to facilitate calculations when only the relative prices are relevant, as in general equilibrium theory or in effect for base-year dollars. When economic analysis refers to goods (g) as the numéraire, typically that analysis assumes that prices are normalized by g’s price. In general equilibrium theory setting the price of one good to be 1 has the problem that this presumes (unwarrantedly) that this good will not be a free good in equilibrium. This is typically avoided by using the sum of the prices of all goods to be 1, that is, by restricting prices to the unit simplex.

Pois é. As coisas podem ficar bem mais complicadas quando você resolve estudar uma economia com mais bens, não? Por enquanto, estamos com dois bens e em equilíbrio parcial. Por isso, preocupe-se apenas com o início da definição. Com ela, podemos visualizar alguns relativos de preços. Bem, mais ou menos, porque estou, novamente, assumindo que o índice de preços é uma média dos preços do produto, né? Uma hipótese simplificadora, bem simplificadora, mas que todos fazem quando querem explicar o relativo de preços com dados com este.

Ficamos assim então. Aproveite seu final de semana e visite o blog do Nepom. Caso dê, volto aqui para conversar mais.

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Filmes

Finalmente assisti a segunda parte de Yojimbo, Sanjuro. Além do bom e velho Mifune, há ainda Kayama Yuuzo, bem novo (e praticamente irreconhecível), Tatsuya Nakadai (se não me engano, o velho samurai de Ran) e um dos companheiros de Mifune em Falcão de Edo, cujo nome agora me foge.

Falta ainda ver a “Fortaleza Escondida”, mas o leitor deste blog deve se lembrar que comprei este DVD há quase mais de um ano (se não mais). Nunca tenho tempo para um bom filme. Melhor, quase nunca. Como o especialista em cinema da blogosfera não sou eu (mas sim o Cristiano Gomes), fica aqui apenas minha impressão: Sanjuro é muito bom. Vale cada minuto. É um filme divertido, com uma história interessante e, claro, com bons atores.

Bom, para este Natal eu me presenteei com: Kwaidan – as quatro faces do medo (baseado no clássico livro do húngaro naturalizado japonês, Lafcadio Hearn), A Espada da Maldição (a sinopse promete muito sangue, o que busco em férias, né?), Domingo Maravilhoso (de Kurosawa) e A Rotina tem seu Encanto (do meu favorito, Ozu).

Tenho uma vontade de promover sessões de cinema em casa, apresentando ao público a cultura japonesa. Um dia, quem sabe, este projeto se realiza.

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Mais um filme que não será exibido no democrático Brasil

An American Carol, o filme que trata o desonesto Michael Moore como alvo de comédia. Evidentemente, pluralismo é algo que os nossos amigos “cinéfilos” das eternas discussões sobre “a fotografia” em documentários iranianos com legendas em húngaro não admiram. Afinal, só se fala em “declínio do império americano”, mas nunca na diversidade do cinema. 

Aliás, será que um filme americano só pode ser exibido aqui se faz crítica de parte dos valores norte-americanos? Em outras palavras: Michael Moore pode, mas críticas a ele não pode? 

Assim a cultura estagna e vamos mesmo viver como índios lutando por colares e pedras…