Grandes momentos da sociologia brasileira: ainda Oliveira Vianna

É engraçadíssimo ler o que alguns acharam ser ciência, muitos anos depois. Por exemplo:

Nos serviços domésticos, as negras ‘minas’, dóceis, afetuosas e possuindo uma inata habilidade culinária, são preferidas como mucamas e cozinheiras. Elas e as de raça fula, porques ão mais belas, elevam-se mesmo, às vêzes, à condição de ‘donas de casa’ ou ‘caseiras (…).
Os mulatos, em regra, mais inteligentes do que os negros puros, mais vivazes e destros, mais ladinos, aplicam-nos os senhores em ofícios mais finos, como sapateiros, sirgueiros, marceneiros e alfaiates, em que se revelam habilíssimos. [Evolução do Povo Brasileiro, José Olympio, 4a edição, 1956, p.150]

Oliveira Vianna é um dos autores mais pitorescos – na minha opinião – da antiga sociologia brasileira. Tem cada trecho engraçado…e, como já falei antes, muita gente achava que “raça” era um conceito científico sério.

O trecho acima não tem erros de lógica, não é? Mas é uma visão científica bem fundamentada? Obviamente que não. Por isso é que retórica não pode ser apreciada apenas em si. Há quem não entenda o que McCloskey escreveu e viva por aí dizendo que o negócio, em Economia, é falar bonito. Nada mais longe da realidade. O ponto é falar de forma elegante, mas sem exageros. Falar para ser entendido.

Agora, de nada adianta falar se você não mostrar evidências científicas sérias. Ou você acha que basta falar que o negrinho do pastoreio é bom jogador de futebol porque você leu isto em um romance qualquer para que isto seja considerado uma séria afirmação científica? Não dá, né?

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A análise científica requer mais do que apenas palavras ou estatística? Sim!

Tenho dito sempre aqui que uma correlação não faz verão. Recentemente, meu aluno Thomaz voltou a publicar no blog e, o que é sempre bom, o texto gerou uma saudável polêmica porque, em resumo, ele tentou sustentar sua tese com uma vaga correlação. O debate que, infelizmente, ficou no Facebook e não aqui, seguiu-se com intervenções de Pedro Sant’Anna (co-criador do Nepom), Regis (PPGOM-UFPel) e, claro, este que vos fala.

Existe, claro, uma questão de custo de oportunidade quando se fala em qualquer decisão humana (e não-humana…vide Freakonomics), inclusive a de se publicar textos em blogs. Quem me acompanha há mais tempo sabe que já cometi erros aqui, já exagerei acolá e, com o passar do tempo, tornei-me mais preocupado em esclarecer ao leitor as limitações do que coloco aqui. Não sendo perfeito, obviamente, devo sempre assumir meus erros e omissões.

Mas eu queria apenas voltar ao tema usando um exemplo prático, um case, como disse o Thomaz na polêmica. Aliás, este é um meta-case, já que vou usar um texto (case) para ilustrar o problema.

Lembremos do (mau) uso da estatística em um outrora celebrado autor das sociais, o famoso Oliveira Vianna. O trecho que vou citar a seguir tem um pouco de tudo. No caso, ele se remete não apenas às suas tabulações, mas também à literatura estrangeira. O tema em questão é o valor da ‘raça’ amarela em termos de inteligência.

O problema é o desempenho dos japoneses em testes psicométricos. A hipótese de trabalho:

Estudadas scientificamente pelo processo psycometrico dos ‘tests’, como se comportam ellas? como se comporta especialmente a [raça] japoneza em confronto com as raças brancas, especialmente a anglo-saxonia? [Oliveira Vianna (1938) Raça e Assimilação, p.208]

Não se sinta constrangido com o trecho acima. Lembre-se que a eugenia já foi muito popular entre o pessoal das sociais nos anos 30. Narloch, em um dos seus “guias politicamente incorretos”, lembra-nos mesmo que Allende era um entusiasta da eugenia (embora sua admiração viesse com uns 20 ou 30 anos de atraso…).

Então, veja, havia um contexto na Sociologia, Antropologia, enfim, em que a turma que estudava a sociedade achava ser “raça” um conceito central.

Oliveira Vianna faz mais: ele cita, então, um estudo norte-americano:

Os dois pesquisadores americanos (que visivelmente não morrem de amores pelos orientaes, principalmente os japonezes) foram forçados a concluir que as duas raças amarellas, com especialidade a japoneza, estudadas scientificamente em relação aos ‘tests’ da intelligencia e do caracter (temperamento), não são em nada inferiores a nenhuma das raças européas e – o que é mais surprehendente – em alguns dos ‘tests’ se mostraram mesmo superiores! [idem, p.208]

Repare no texto de Oliveira Vianna. A despeito do português impecável (e do bela grafia dos anos 30…), o autor não consegue disfarçar sua surpresa com o fato de que japoneses poderem se sair bem em testes psicométricos. Melhor ainda é o que ele diz ao final do pequeno capítulo:

O japonez é como o enxofre: insoluvel. E’ este justamente, o ponto mais delicado do seu problema immigratorio, aqui como em qualquer outro ponto do globo. [ibidem, p.209]

racistasA psicometria é uma ciência que, como qualquer outra, tem sua história cheia destes preconceitos que são típicos de cada época. Oliveira Vianna, desta forma, não é um homem descolado do contexto histórico. A bem da verdade, o racismo não era a única forma de se pensar a sociedade e há teses e teses sobre isto – em especial sobre este autor – no mercado.

O que temos é um raciocínio construído com base em uma estatística ruim – não se vê muito esforço do autor em fundamentar suas hipóteses de forma muito profunda. Há um ou outro cálculo de indicadores em seu texto, mas nada mais do que isso.

Assim, a análise científica dele tem de tudo um pouco. Citam-se dados, referências da literatura da época, nacional ou estrangeira, enfim, uma prática não muito diferente da que usamos hoje. A diferença, talvez, esteja em alguns pontos:

a) Nem sempre está claro quando Oliveira Vianna é normativo ou quando é positivo. Ou melhor, em seu livro, mistura-se opiniões pessoais com teses positivas. Não é estranho, portanto, que tantos o acusem de racismo enquanto outros achem que ele apenas seguia a literatura da época. É a mesma polêmica que alguns levantam ao ler o livro do Narloch ao se defrontarem com o pensamento ‘eugenista’ de Allende.

b) Oliveira Vianna busca respaldar suas opiniões em um texto que não é apenas literário. O livro tem cálculos de índices, tabelas e gráficos (como o famigerado gráfico acima) para tentar ajudar em seu argumento. É certo que gráficos são importantes, mas e a lógica?

c) Oliveira Vianna não tem um único teste estatístico para testar as hipóteses que levanta. Por exemplo, ao final do livro, ele tem o artigo que talvez seja o mais polêmico de todos: O problema do valor mental do negro. Obviamente, o nome desperta uma certa ojeriza, embora, como já disse, isso fosse popular no passado (lembre-se de Galton que, aliás, ele cita). Neste ensaio, ele cita um único estudo estatístico (com uma única amostra) para tentar mostrar suporte (ou, se quiserem: suportar (no pun intended)) a tese de que uma raça teria menos possibilidade de gerar pessoas com ‘valores mentais’ do que a outra (e adivinhe que ‘raça’ é…).  Em seguida, ele cita algumas referências sobre a história da África para sustentar a tese, desta vez, tentando mostrar que civilizações avançadas africanas não eram, originalmente, negras.

O que se conclui disso tudo? Na minha opinião, é simples: você pode seguir ‘consensos’ e pode se valer de um pouco de estatística, inclusive, criando categorias próprias (‘raças’, por exemplo). Claro que se a ciência não sofre censura estatal, existe sempre a possibilidade de outros autores contestarem suas descobertas.

A polêmica a que me referi no início deste texto enseja este debate, não é? Até que ponto o que fazemos é ‘ciência’, ‘divulgação da ciência’, ‘má ciência’ ou ‘má divulgação da ciência’? Tanto eu como o Leo Monasterio, Andre, Pedro, Thomaz, só para lembrar alguns que publicaram neste blog comigo sempre tentamos fazer os dois primeiros. Você pode sempre dizer que estamos seguindo “a mentalidade da época”. É verdade. Não como falsear esta afirmação. Mas acho que estamos no caminho certo. Usamos a Teoria Econômica, esta que não demoniza pessoas por raça, credo ou time de futebol. Esta mesma teoria que sempre esteve aberta a novos conceitos (veja até onde chegamos). Não que não existam grupos de fanáticos que desejam apenas fazer exegese ou impor seu credo político sobre outros. Eles existem. Mas a esperança é que a boa ciência triunfará.

Ah sim, para fazer uma homenagem aos racistas no futebol, vai aí uma outra tabela do mesmo livro.

racistas2

 

Peter Boettke, novamente, ataca o obscurantismo

To me, Austrian economists and classical liberal political economists should not be satisfied professionally until they are the editor of the AER or JPE or QJE and teaching at Princeton, Chicago, Harvard, MIT or Stanford.  Academic life certainly can be productive and personally rewarding elsewhere, but if you aspire to be a significant research economist in the world of professional economics this should be your goal.  Work in proportion to your aspirations.

Excelente posição. Mas por que pararmos aqui?

 Daring to be different doesn’t mean ignoring the established institutional hierarchy and pecking order in publishing.  It means, to me, striving to break into the hierarchy and pecking order on your own terms.  Responsible radicalism in scholarship.

Nada como uma saudável humildade. Finalmente:

So I say embrace the division of labor in our profession, but don’t confuse or delude yourself about the institutional hierarchy or publishing pecking order. And don’t let others act deluded about the hierarchy or pecking order either — if they went to Iowa and publish in the Quarterly Review of Economics & Finance, they are not pushing out the envelope of economic knowledge!  (BTW, I have a paper in the QRE&F with Ed Stringham and JR Clark so I am not against publishing there)

Do good economics, find your relevant niche, and don’t be afraid to push your comfort zone to try to improve your ability to advance economic understanding among your students, the general population, and your peers.

Being a college professor is a GREAT way to make a living, and being part of the economics profession is HONORABLE.  I cannot imagine a better “job” and I cannot think of a better or more important scientific discipline to study.  As I tell all my students, economics is the sexiest of all disciplines.  The argumentative structure is a thing of beauty, and the insights it can provide on the way the world works is breathtaking.

Este é mais um trecho do eterno tema recorrente deste blog: a construção do pensamento e os trade-offs que a ciência apresenta para os cientistas. “Peter Boettke” – anote este nome quando quiser se lembrar de uma boa referência.

Os nazi-arqueólogos, a ciência e um pouco de Brasil

Lembra quando eu comprei o livro sobre a “ciência” do Terceiro Reich por conta do que disse o Cisco? Pois é. Nesta última viagem que fiz, tive uma inesperada estadia em um hotel e um vôo extra. Tudo isto me rendeu o tempo necessário para ler para não enlouquecer. Neste caso, o livro é exatamente o The Master Plan, de Heather Pringler.

Em tempos nos quais o brasileiro médio acha bonito – ou pelo menos não acha errado que o partido governista, seja ele qual for, crie regras absurdas para concursos públicos de órgãos públicos de pesquisa, esta leitura é um belo alerta do que pode acontecer na delicada travessia entre a safadeza não-letal e o fanatismo ideológico. Estamos longe de um governo nazista, obviamente, mas, é bom lembrar, Hitler foi eleito pelo povo.

Voltando ao livro, é fascinante como a cúpula nazista tinha um delirante como Himmler em elevado cargo hierárquico. Um sujeito que tentou forçar a barra com os físicos alemães para construir um “martelo de Thor” (isto mesmo!) que anulasse a energia elétrica dos inimigos ao mesmo tempo em que se recusava a acreditar na possibilidade de construir uma bomba atômica realmente não é meu exemplo de cientista.

Talvez seja meu exemplo de burocrata encarregado da ciência em um regime maluco. Isto é bem plausível. Já vi gente perder a chance de um doutorado em Finanças porque o parecerista afirmava que uma certa universidade brasileira de tons fortemente heterodoxos já tinha um excelente curso de finanças. Obviamente, o – felizmente (para ele e sua família) anônimo – parecerista pensava em Marx e Hillferding e não em, digamos, um simples CAPM. É deste fervor ideológico que nascem os pequenos Himmlers latino-americanos, em geral, macunaímicos, que não matam com armas, mas sim por envenanemento lento e gradual pelo mau uso do poder público.

Quem quiser comprar o livro eu recomendo fortemente.

O maior inimigo da Escola Austríaca, frequentemente, é o Economista Austríaco, também seu melhor amigo. Como assim?

“Nada de dogmatismos, meus caros”. É o que digo aos amigos austríacos sempre. Primeiro, eu acho que é importante notar os artigos da RAE. Temos aqui Horwitz & Lewin usando derivadas, Cowen baseando-se em literatura “neoclássica”, Mulligan usando somatórios e derivadas, Levy & Peart usando previsões para discutir um interessante problema de metodologia, McCabe usando economia experimental (dados, dados, dados!) para falar de bons insights austríacos e, finalmente, Wagner & Oprea fazem uma crítica do livro de Roger Garrison, Time and Money, no qual se vê que bons economistas austríacos estão longe da idolatria (Rothbard nunca errou, Mises está sempre certo, Hayek é um Deus, Kirzner é um gênio), mesmo que esta seja uma perigosa armadilha para os austríacos (que podem transformá-los em pterodoxos, como a muitos “heterodoxos” brasileiros):

If Austrians wish to join the discussion of contemporary macroeconomics, they must let contemporary macroeconomics join the Austrian discussion. This means necessarily that the Austrian tradition will be subject to transformations as it grows, incorporates the better ideas of modern macroeconomics and becomes more robust to its critics. If the tradition is viewed as a fort, this transformation will be viewed as a corruption. But if the tradition is viewed as a town, it will be viewed as healthy infusion of new ideas. This is both the price and reward of participating in a living tradition.

Creio que a jovem blogosfera austríaca tem todo o potencial para fazer algo como Horwitz, Boettke e Garrison, ou seja, levar os insights austríacos para a Teoria Econômica sem medo ou necessidade de rótulos (“se não se chamar austríaco, não brinco”).

Em homenagem ao meu austríaco preferido, Hayek, reproduzo a nota de rodapé 2 do texto de Caplan – um sujeito que gosta de Rothbard, Mises, Hayek e outros, mas não os idolatra – cujo link fiz acima.

While modern admirers of Hayek often present his work as a radical alternative to mainstream economics, there is little evidence that Hayek thought this. Contrast Mises and Rothbard’s stringent rejection of mathematical economics with Hayek’s desire to “…avoid giving the impression that I generally reject the mathematical method in economics. I regard it as indeed the great advantage of the mathematical technique that it allows us to describe, by algebraic equations, the general character of a pattern even where we are ignorant of the numerical values determining its particular manifestation. Without this algebraic technique we could scarcely have achieved that comprehensive picture of the mutual interdependencies of the different events in the market.” (F.A. Hayek, “The Pretense of Knowledge,” in F.A. Hayek, Unemployment and Monetary Policy (Washington, D.C.: Cato Institute, 1979), p.28.

Hayek é como Minas, para os mineiristas radicais que adoram este amontoado de minério, queijo, goiabada e políticos estranhos: Hayek são muitos. Confio na capacidade intelectual dos jovens economistas austríacos brasileiros como confio em minha própria capacidade: com muita (auto-)crítica.

p.s. claro que se formos discutir filosofia com base em insights austríacos, estou muito pouco qualificado. Só posso falar da (ir)relevância de idéias austríacas na teoria econômica.

Boa discussão

Ei-la. Se quiser saber mais, especificamente em Economia, faça uma busca por João Victor Issler, Ari F. de Araujo Jr, João R. Faria, eu mesmo, Walter Novaes e você terá algumas dicas de como se discute o mercado das idéias, pelo menos em Economia. Em outras áreas, que eu saiba, não há análise de desempenho dos pesquisadores com a precisão que o tema, necessariamente, invoca.

Aliás, você já leu a Dicta?

Debates e Pluralismo…com boa educação, estas coisas funcionam

Pedro Sette e Ronald publicam, hoje, textos similares no espírito. Qual espírito? O do bom debate. Ocorre que pluralismo, em ciência (ou em debates religiosos com e sem liberais), envolve algo que já foi analisado de forma pioneira por Mises e Hayek e ainda hoje é alvo de estudos em Economia: o mercado das idéias.

No fundo, creio, há uma questão moral, normativa mesmo, que vai além do bom debate. O sujeito tem que aceitar correr o risco de se admitir errado neste ou naquele ponto da discussão. Isto implica que as barreiras à entrada devem ser as menores possíveis o que nem sempre é compatível com o ego deste ou daquele sujeito.

Claro que eu acredito que o bom debate e a mudança de paradigmas são coisas que deveriam ser mais bem aceitas por todos mas, justamente nesta hora é que o sujeito treme. De qualquer forma, os dois pequenos textos são recomendáveis. Nem tanto por alguma solução para este problema “de egos”, mas pelo conforto que trazem: mostram-nos que há esperança no debate.

Numbers…na prática

Trecho:

Num jogo de palavras e números, peritos da Polícia Civil e do Ministério Público (MP) conseguiram decifrar o código secreto que acreditam ser de um esquema de propina de mais de R$ 4 milhões, oculto na agenda do fiscal de renda Francisco Roberto da Cunha Gomes, o Chico Olho de Boi. O caderno de anotações foi apreendido durante a Operação Propina S/A, em novembro do ano passado. Os investigadores constataram que as 365 páginas estavam criptografadas — escritas com um código que só o autor conhecia. Durante mais de quatro meses, os peritos fizeram cruzamentos, com equações matemáticas, usando letras e algarismos, para chegar à chave do enigma: a expressão “pomba feliz”.

A partir da expressão, os investigadores chegaram à conclusão de que, de 2 de janeiro a 30 de dezembro de 2007, Chico Olho de Boi registrou na agenda toda a movimentação da propina. No documento, há valores, nomes de empresas e de alguns dos 46 denunciados pelo MP por causar prejuízo de R$ 1 bilhão aos cofres públicos, em esquema de sonegação que envolve fiscais estaduais, empresários e contadores. Pela análise dos peritos, cada letra da expressão “pomba feliz” representa, em ordem, os 10 algarismos.

Comentário sarcástico: Imagine se os investigadores só tivessem estudado Filosofia e Sociologia no colégio. Ou se gastassem mais do seu tempo nisto do que no aprendizado de Matemática…

Obviamente, o mais engraçado desta notícia é ver as consequências do tamanho (crescente) do governo em nossas vidas. A mais visível dela é o “bom” uso que o fiscal fazia de sua esperteza. Não existem anjos e, quanto maior o governo, maior a possibilidade de ocorrência de práticas criminosas já que o governo sempre tenta fiscalizar e tributar tudo o que existe, com qualquer desculpa (normalmente alguma “social”).

Problemas econométricos e científicos

Reproduzo na íntegra, com citação da fonte.
———— EH.NET BOOK REVIEW ————–
Published by EH.NET (June 2008)

Stephen T. Ziliak and Deirdre N. McCloskey, _The Cult of Statistical Significance: How the Standard Error Costs Us Jobs, Justice, and Lives_. Ann Arbor, MI: University of Michigan Press, 2008. xxiii + 287 pp. $25 (paperback), ISBN: 978-0-472-05007-9.

Reviewed for EH.NET by Philip R.P. Coelho, Department of Economics, Ball State University.

Ziliak and McCloskey have written a fine book of 24 chapters, a reader’s guide, and preface. They write for an “implied” audience of “keeper[s] of numerical things” to persuade them that: “Statistical significance is not the same thing as scientific finding. R-squared, t-statistic, p-value, f-test, and all the more sophisticated versions of them … are misleading at best” (p. xv). The authors have accomplished this and more in a well-researched, written and documented book. The authors start with a Contents section that contains a brief précis of each chapter’s contents. The précis is an imaginative and highly useful resurrection of nineteenth- and early twentieth-century practice; a reader-friendly technique that can be usefully employed today.

An examination of the Contents is revealing. Directly opposite the beginning of the Contents section is a photograph of William Sealy Gosset, the “Student” of the “Student t [commonly truncated to the t] distribution.” In conjunction with an exposition of why statistical significance is very different from importance or scientific (economic/historic or whatever) significance, they have written a paean and brief biography of Gosset. I am convinced that Gosset was a noble and modest man, a great statistician and intellect who was shabbily treated by his supposed friend and colleague, R.A. Fisher. He has also been neglected by historians of science and statistics; Gosset deserves to be memorialized, and certainly warrants biographies. That being said, combining two fine books on disparate subjects (statistical methodology and historical biography) does not make an even better book.

Ziliak and McCloskey emphatically make their argument against the use of statistical significance as a proxy for importance in Chapters 1 through 5. The basic difficulty with statistical significance is that it has been permeated with the mathematical ethos of certainty. A mathematical “proof” implies a truth (Gödel’s Theorem is conventionally ignored) that is invulnerable to time, space, and reality; it is an abstraction that cannot be falsified using mathematical epistemology. Relevance, economic importance, and any metrics other than mathematics are beside the point.

Scientific assertions should be confronted quantitatively with
the world as it is or else the assertion is a philosophical or
mathematical one, meritorious no doubt in its own terms but not
scientific. …

The problem we are highlighting is that the so-called test of
statistical significance does not in fact answer a quantitative,
scientific question. Statistical significance is not a
_scientific_ test. It is a philosophical, qualitative test. It
does not ask how much. It asks “whether.” Existence, the
question of whether, is interesting. But it is not scientific
(pp. 4-5).

In the absence of some measure of how big an effect is, the existence of an effect reveals nothing of importance about the world of observational reality.

Ziliak and McCloskey highlight the danger and corruption that flow from the overwhelming importance placed upon statistical significance (a measure of existence or lack thereof) by using the tragic example of Vioxx. Vioxx was a formulation developed by Merck designed to combat pain. In clinical trials Vioxx had about five times the number of fatalities as a generic version of a control drug (naproxen). Because the number of observations did not reach the appropriate size, the 5 to 1 ratio of excess fatalities caused by Vioxx was deemed statistically insignificant. (Merck may have reduced the actual number of fatalities by manipulating the data [p. 29].) Merck’s ethics and the clinical/scientific studies of Vioxx that were sponsored by Merck have been sharply criticized by the scientific and journalistic establishments. (See the _Wall Street Journal_, April 16, 2008, p. B4) By simply discarding some fatalities (on dubious grounds) the 5 to 1 disadvantage in mortality became statistically insignificant in the submitted trials, and Vioxx was marketed. It was literally a fatal error that cost Merck billions of dollars and caused a number of needless deaths.

In the absence of any measure for costs or benefits the standard use of an acceptance/rejection rate arbitrarily set at five percent is mindless and/or non-scientific. Five percent of a very large number (say the world’s human population or the GDP of the United States) is still a large number; and conversely one hundred percent of a minuscule number is still minuscule. These are not Nobel Prize winning observations; regardless they are ignored by researchers in a depressingly large number of disciplines. Ziliak and McCloskey document (Chapters 5 through 16) the standard statistical conventions that predominate in publications in a number of journals and disciplines. The results do not inspire confidence in the scientific competence of the editors and practitioners. Typically overweening emphasis is placed on the existence of an effect (statistical significance) while the magnitude of the effect is either barely noticed or entirely ignored.

I found other parts of the book fascinating; some are apposite to their goal of reforming statistical practice (what should be done, strategies for change), others are not directly germane to their professed goal (digressions on the life and career of Gosset, Fisher, Edgeworth, and twentieth century academic politics). The difficulty with including these digressions is that it makes assigning this book as ancillary reading for students problematic. What other faults did I find with the book? 1) Rather than digressions I would like to have seen a greater emphasis on the analysis of examples, perhaps a step-by-step numerical approach highlighting the various issues inherent in statistical “acceptance/rejection.” (Vioxx would be a good case study; another would be the case of black-teenage unemployment which is statistically “insignificant” yet about 40 percent of the population at risk.) 2) I also found some deficiencies in the writing; it is too informal and breezy. My unhappiness with its literary style is strange because McCloskey is one of the better writers in all of academia today. Regardless, there are journalistic conventions (I expect done for emphasis) that should be eliminated; sentences without a noun or a verb are particularly irritating. Another infelicity is the constant usage of the word “oomph” instead of importance (relevance, interest, practical significance, etc.; in the synonym finder I consulted there were over 80 synonyms for the word “significance”). “Oomph” is singularly distasteful. Perhaps this is a taste unique to me, but I expect that in five years “oomph” will appear as grating to readers as “groovy” does now. This book warrants language and style that are more timeless and less ephemeral. 3) Finally the absence of an index is the bane of all reviewers. The index may be missing because my copy is an “advance reading copy,” and an index will be in the final version. If this is not the case, then subsequent printings should include one.

These are quibbles; this is an important work that deals with a major problem of statistical analysis in the social, medical and physical sciences. If you are not aware of the problem, you should be. If you are aware of the problem, this book is a good compendium of the problem, real-world issues, and the historical milieu in which the cult of significance evolved.

Philip R.P. Coelho is a professor of economics at Ball State University. He has written on and is continuing his study of long-run economic growth and the impact of parasitic diseases and biology upon economic growth, history and development. His papers have been published in the _Journal of Economic History_, the _American Economic Review_, _Explorations in Economic History_, _Economic Inquiry_, _Southern Economic Journal_, and other outlets.

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Incentivos da pesquisa científica

A dica do site foi do Leo Monasterio e eu recomendo. Já o texto específico é este. A pergunta é: tem o Leo Monasterio vários co-autores? ^_^

p.s. visite o blog dele. É um dos poucos corajosos que patrocina o meu genial e interessantíssimo livro.