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História e Relações Internacionais: China e EUA

History Matters in International Relations: Evidence from Long-Memory Processes in Sino-American Cycles 
Carlos D. Ramirez
Yingxin Du

Abstract
Measures of bilateral political relations are typically long-memory (fractionally integrated) processes. Appropriate inference and interpretation of this property hinges on the underlying reasons behind it. There are three possible explanations: (i) mechanical aggregation, (ii) bilateral relations history, and (iii) structural breaks. Explanations (i) and (iii) are data-induced, and thus not particularly meaningful. Explanation (ii) indicates that long-memory is a genuine feature in the series’ dynamics. Using Sino-American relations as a case study, we conduct three tests to identify the underlying cause. We first examine the stability of the long-memory parameter over the sample period (1980-2018), and discard structural breaks. Next, we evaluate the longmemory parameter for U.S.-China political relations, and for seven issues in the bilateral political relations portfolio. Finally, we investigate whether bilateral political relations and each of the issues are fractionally cointegrated. Our results suggest that the bilateral relations history is pivotal for explaining the observed fractional integration.

No mínimo, um artigo interessante. Sai do lugar comum, muito retórico, destes debates que até enchem auditório, mas não nos acrescentam muito em conhecimento.

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As escolhas intertemporais de Jackie Chan e de Camila Pitanga são similares?

Genericamente, é. Mas, claro, os parâmetros, para cada país, precisam ser estimados. Uma analista do Euromonitor acha que chineses são menos impacientes do que brasileiros. Digo, falo de impaciência no sentido econômico, ou seja, daquela característica, intrínseca nas preferências dos consumidores, de serem mais ou menos satisfeitos com o consumo de hoje relativamente ao do futuro.

A análise, contudo, diz respeito ao consumo discricionário, lá definido como o consumo que exclui bebidas não-alcóolicas, alimentação e custos de aluguel.

Não ficou muito claro para mim, mas parece que o consumo inclui bens duráveis e não duráveis, algo que faria alguma diferença em uma aula de Economia, já que a lógica da demanda de bens duráveis é um pouco diferente da de bens não-duráveis (lembre-se que uma laranja tem uma depreciação bem distinta da de uma geladeira, para dizer o mínimo).

De qualquer forma, as tendências apontadas pela analista no pequeno texto merecem atenção e uma análise mais detalhada. Por exemplo, a questão demográfica é um determinante importante. Outro ponto que você poderia – e deveria – questionar diz respeito ao sistema de previdência do país: existe previdência privada na China? Não? Como funciona a aposentadoria lá? As regras do jogo (olha as instituições aí, leitores assíduos…) são sempre importantes, não? A demografia é importante?

Eu diria que há questões importantes quando se estuda a interação dos mercados (no nível microeconômico, claro) e também a questão da oferta e da demanda agregada nos dois países. Meus colegas da faculdade (sabiam que, modéstia às favas, somos a segunda melhor escola de Ciências Econômicas do Brasil, segundo o INEP? Veja lá o resultado do ENADE) vivem lutando contra jornalistas teimosos que custam a aceitar que o problema do país tem a ver com o capital humano. Eles, talvez por viverem em um estado dominado pela indústria, ainda compram a surrada tese de que o negócio todo é fazer a indústria lucrar (como se isso fosse possível sem mão-de-obra qualificada…). Eu sei, é um discurso que nunca se sustentou e não se sustenta e não vou fazer a pesquisa bibliográfica para este post neste debate chato: fica para o leitor este trabalho.

Mas há muitas questões interessantes aqui, além de Jackie Chan e Camila Pitanga (e boa parte dos leitores provavelmente achará a segunda mais interessante que o primeiro, creio). Caso você já tenha estudado um pouco de microfundamentação da macroeconomia, eis um prato cheio: você tem as dotações, a taxa de juros, a taxa de inflação, o PIB, tudo isto espalhado por aí (pergunte ao pessoal do Nepom, por exemplo).

Um bom exercício seria olhar para uma relação óbvia, mas que nem sempre os analistas investigam, por questões as mais diversas: a interrelação entre os padrões de consumo intertemporal na China e no Brasil. Ok, você pode me dizer que não há impacto (mas eu não vi os dados e nem suas estimativas). Talvez o melhor seja olhar para as restrições ao crédito aqui e lá (ou acolá).

Qualquer resposta a perguntas sobre consumo na economia, veja bem, suscita, no mínimo, a necessidade do uso de uma base de dados rica em variáveis. Talvez minha(s) pergunta(s) seja(m) ruim(ns), mal formulada(s) ou errada(s). Ou talvez não. Mas eu te digo uma coisa: o que tem de pergunta interessante aguardando testes empíricos. Comece com este texto didático do meu amigo e ex-colega de faculdade(s), o Fábio.

Pois é. No final do dia, eu quero mesmo é saber do consumo de macarrão instantâneo japonês. Este sim, tem o tempero que gostamos aqui em casa. Aliás, é um baita mercado, como você descobrirá aqui. É, acho que já falei disto aqui, há alguns posts. Quando começo a ficar repetitivo, é hora de parar. Então, até a próxima.

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Por que a China se tornou uma “ameaça”?

Ok, vamos pensar um pouco em como a China se tornou uma “ameaça” para os industriais. Lá pelos idos de 2004, na administração da Silva, que gerou esta nova administração, a Rousseff, resolveu, suspeito, com certa gama de ideologia de “países não-alinhados”, que reconheceria a China como economia de mercado. Qual era a vantagem disto?

O reconhecimento significa que futuros processos antidumping (quando produtos são vendidos a preços abaixo do mercado) ficarão sujeitos às regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Qual foram as palavras de importante autoridade governamental na época?

Furlan confirmou que o Brasil reconheceu a China como economia de mercado e disse que isso não vai trazer prejuízos ao país.

“O Brasil não abriu mão das salvaguardas que tem (de acordo com a regras da OMC) e também não abre mão das tarifas de importação”, informou Furlan.

O ministro disse ainda que os contenciosos comerciais entre os dois países são poucos e não envolvem setores que empregam mais mão de obra no Brasil.

Ou seja, se reconhecer a China como economia de mercado não é um problema para os empregos com mais mão de obra no Brasil, e se, além disso, seguimos as regras da OMC, tudo bem, certo? Um estudioso de história econômica do Brasil poderá nos dizer, no futuro, o que mais estes acordos diziam, suas ligações com interesses empresariais específicos, bem como as motivações econômicas subjacentes ao acordo, por parte dos políticos da situação (administração da Silva e atual administração Rousseff).

E o que isso tudo tem de tão barulhento? Bem, quando uma economia é considerada, para fins da OMC, uma economia de mercado, ela se sujeita às mesmas regras dos outros membros da OMC no que diz respeito a processos antidumping. Como isto funciona?

First, it needs to be clear about what MES is – and what it is not. It needs to get clear that MES, a grand-sounding concept, is only meaningful in the context of anti-dumping investigations. This is how MES works. In the case of the United States, the Department of Commerce investigates any complaint from a U.S. firm that a Chinese firm’s imported goods are being sold at “less than fair value.” Since China is classified as a “non-market economy” by the U.S., and therefore the export price might be below real market cost, a “surrogate country” approach is used to determine fair value. Investigators find a comparable firm in, say, India or Japan, to see what the “real” costs of producing those goods are. If this price is more than the Chinese export price, then the goods are being sold at “less than fair value.”

If this finding is made, then the complaint goes to the International Trade Commission, which determines whether the domestic industry is suffering “material injury” because of the imports. If its decision is affirmative, dumping is found to be occurring and punitive import tariffs can then be levied. A similar process occurs in the EU, though here individual countries do the initial assessment.

Claro que há algum debate sobre o tema, como se vê aqui e aqui. Mas até aí, o ponto é que os industriais ou se fizeram de bobos, ou realmente acharam que o governo brasileiro estudou bem os impactos econômicos desta decisão (= não é só com regra de três e nem sem alguma seriedade estatística) na economia antes de, voluntariamente, aceitar a China como economia de mercado.

Bem, isso foi 2004. Os mesmos industriais foram lá às urnas, disseram para todos que gostaram do que viram, que a esquerda, cujo discurso anti-empresarial nunca mudou agora era uma aliada, que isso e aquilo e tudo o mais. E o comércio externo continuou muito favoravelmente ao Brasil – em termos do Balanço de Pagamentos – e então, de repente, em 2011, em um intervalo de tempo pequeno, somos bombardeados com matérias sobre o que a FIESP pensa disso tudo…8 anos depois.

Contudo, o argumento é muito vago. Fala-se de a China não ser uma economia de mercado porque produtos chineses chegam aqui ilegalmente (parte deles), o que me parece muito mais um problema do governo – cujos gastos aumentam a cada ano – ser incapaz de combater a corrupção nas aduanas e também a burocracia do setor. Cadê a infra-estrutura que os amigos socialistas da FIESP prometem a cada ano? Por que os industriais não cobram isso com a mesma veemência que pedem o cartão vermelho para a China é um mistério (aparentemente).

Outro argumento é que há superávit na balança comercial, mas não para a indústria (na matéria, vagamente chamado de “setor manufatureiro”). Como se sabe, em uma economia de mercado – a mesma que se usa em discursos mais superficiais como este – não há porque todos os setores da economia ganharem sempre mais fatia de mercado o tempo todo e em qualquer lugar. Quem é mais eficiente, sim, progride. Quem não o é, perde ou é mesmo expulso do mercado. Assim, esta é uma queixa descabida e qualquer funcionário público do setor pode rebater o argumento, simplesmente usando a lógica econômica básica e as leis da WTO (OMC).

Mesmo assim, insistindo nesta tese de que  China é uma ameaça, então fico a pensar em porque empresários ajudaram a reeleger o sr. da Silva e sua sucessora (o benefício deve ter sido maior do que o custo, para eles. Como? Pense um pouco e você encontrará alguns possíveis candidatos a hipóteses…). Também me pergunto sobre o porquê de tanta demora para falar de OMC e China. Não houve alguém que mostrou algum estudo sério sobre estes impactos no governo ou nas entidades sindicais de empresários (e, claro, dos trabalhadores, que também adoram reclamar de competição)?

Havia alguma pesquisa séria em 2004 sobre o tema? Ou foi tudo uma sequência decisões pensadas com o improviso típico do ex-presidente, sem base alguma em estudos estatísticos? A ameaça da China me parece muito mais uma ameaça de um setor industrial que, às custas de lutar por uma economia oligopolizada, esquece-se de que, no final, a eficiência econômica é que prevalecerá.

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O último imperador…e seu irmão

Você já deve ter ouvido falar da espiã sino-japonesa por conta do filme “O Último Imperador”. Mas já tinha ouvido falar de Hiro Saga? Realmente a Manchúria não era lá algo muito próximo do governo central chinês e, segundo me disseram, ironicamente, foram usados para massacrar civis no famoso – e pouco citado pelos nossos socialistas da cultura na imprensa – Massacre da Praça da Paz Celestial de 1989 por falarem um dialeto bem distinto (facilitando o fim das relações “pacíficas” entre os primeiros soldados enviados para conter o protesto e os posteriormente massacrados…).

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Quer falar sério sobre o Yuan?

Então não faça como o ministro da fazendinha, e sim como este autor. Vejamos o resumo:

The Yuan’s Exchange Rates and Pass-Through Effects on the Prices of Japanese and US Imports
Yuqing Xing – National Graduate Institute for Policy Studies

Abstract:
This paper estimated the pass-though effects of yuan’s exchange rates on prices of the US and Japanese imports from the People’s Republic of China (PRC). Empirical results show that, a 1% nominal appreciation of the yuan would result in a 0.23% increase in prices of the US imports in the short run and 0.47% in the long run. Japanese import prices were relatively more responsive to changes of the bilateral exchange rates between the yuan and the yen. For a 1% nominal appreciation of the yuan against the yen, Japanese import prices would be expected to rise 0.55% in the short run and 0.99%, a complete pass-through, in the long run. The high degree of pass-through effects were also found at the disaggregated sectoral level: food, raw materials, apparel, manufacturing, and machinery. However, further analysis indicated that the high pass-through effects in the case of Japan were mainly attributed to the PRC’s policy to peg the yuan to the United States (US) dollar, and that the dollar is used as a dominant invoicing currency for the PRC’s exports to Japan. After controlling the currency invoicing factor, I found no evidence that the yuan’s cumulative appreciation since July 2005 was passed on to prices of Japanese imports at either the aggregate or disaggregated levels. The estimated low pass-through effects of the yuan’s appreciation suggest that a moderate appreciation of the yuan would have very little impact on the PRC’s trade surplus.

Pronto, nada como um trabalho simples e objetivo do que declarações estranhas.

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Taiwan sucumbirá à China?

Ausente da mídia nacional, os protestos em Taiwan têm incomodado os dirigentes da China bolivariana. A autonomia que normalmente o governo chinês aplica é a mesma utilizada no Tibet, o que não é nada promissor.

Quais as implicações para a economia mundial? Trata-se do velho exercício de utilizar modelo de Ramsey no qual dois países se unem. Acho que o Joaquim Toledo nos torturou com isto, na USP. Mas a economia política disto não aparece neste exercício simples…

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Não ao bolivarianismo chinês

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Os neocons bolivarianos (bolivianos, venezuelanos, cubanos, norte-coreanos e alguns discretos brasileiros malandrinhos) chamarão isto de “manipulação da CIA”, mas é difícil acreditar que um povo que não encontra um fascínora como Bin Laden tenha, ao mesmo tempo, tanto poder de hipnotizar tanta gente…

O pessoal de Taiwan não deixará sua liberdade ser cortada tão facilmente…

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Taiwan, a província rebelde, pode salvar a China…digo…o meio ambiente

Acho complicada esta relação entre Taiwan – um jovem e rica democracia – e a República Popular da China, uma ditadura que muitos adorariam ver implantada no Brasil porque combina o pior do capitalismo selvagem com o pior do socialismo real (talvez só não seja pior do que os infindáveis discursos de Castro em sua ilha-prisão).

Mais complicada ainda é esta questão de uma província rebelde ter um Banco Central distinto do Banco Central dos comunistas. Eis aí um problema institucional interessante. Se é um país só, então a definição de “país” tem que ser repensada (talvez nossos amantes da China queiram adotar a regra da reciprocidade e fazer algo similar com a Amazônia…ou pimenta nos olhos dos outros é refresco?).

Veja que interessante esta solução para uma externalidade:

The government could allow industries to plant trees in China and other countries to help reduce greenhouse gases blamed for global warming, an official said yesterday.

Under a bill proposed by the Cabinet, authorities would place caps on the amount of carbon dioxide that major industries are allowed to emit annually. The legislature is expected to approve the bill soon, officials said.

Stephen Shen (沈世宏), head of the Environmental Protection Administration (EPA), told lawmakers that companies may choose to grow trees, which can absorb carbon dioxide, in Taiwan or in other countries to help reach the emission targets by offsetting some of their gas emissions.

“Carbon dioxide emissions cause warming globally, not just in Taiwan,” he said.

Some industries say they cannot find enough land to plant trees domestically.

Officials say oil refineries, power plants and steel, chemical and plastics factories together accounted for more than 50 percent of the 268 million tonnes of greenhouse gases produced by the nation last year.

Em outras palavras, pode haver um reflorestamento na China continental (a comunista) por conta da escassez de espaço para reflorestamento em Taiwan. Mais ainda, a decisão é, digamos assim, “unilateral” em princípio porque são dois países distintos (ou não?).

Fico curioso para saber como o governo de Beijing reagirá a este reflorestamento aparentemente barato de seu território. Afinal, é fato conhecido que países comunistas são também os que mais poluem no mundo. Já imaginou ganhar este presente de uma “província rebelde”?