Gastamos mal?

Fabio Miessi acha que sim. Para não dizerem que só estou de sacanagem, veja a tabela abaixo.

Preciso dizer algo?

Claro, veja também este belo (e triste) gráfico.

Por isso é que tenho criticado um bocado aqui o descaso do nosso governo com o ensino. Não preciso dizer muito: a cada resultado ruim, ouvimos as autoridades desqualificarem os avaliadores ao invés de pedirem desculpas e dizerem que vão trabalhar para mudar o quadro.

Muita arrogância e pouco trabalho são uma fórmula certa para chafurdar na lama. Apenas isto.

Vale a pena ver de novo

Eu avisei. Avisei, avisei e avisei. E você não ouviu, nem ele, nem ela, nem eles. Bom, mas eu falei. Agora, bom, agora é sobreviver porque viver ficou difícil.

Repetência já ou “Não me enganem, que não gosto”

A questão da meritocracia não é desprezível, não? Perguntaram em São Paulo sobre esta história de extinguir a “reprovação” nas escolas públicas.

O principal argumento contra o sistema é a percepção de que os alunos passam de ano sem aprender a matéria – o que é admitido por 46% dos estudantes entrevistados na pesquisa. Outras justificativas são a baixa autoridade do professor sobre a classe e a falta de esforço dos alunos. A progressão continuada foi o 2.º maior problema das escolas na opinião dos docentes, atrás apenas da falta de segurança. A pesquisa ainda mostrou que 39% dos pais e 29% dos alunos acreditam que mais cursos e atividades extracurriculares são essenciais para melhorar a qualidade da escola.

Na verdade, ao observar os dados da reportagem (a tabela parece só estar disponível para assinantes), observamos que os alunos a maioria esmagadora de pais (94%), alunos (75%) e (em números mais modestos…) professores (63%) são contra o modelo de avaliação atual.

A pesquisa cita quatro motivos para a discordância: “alunos passam sem saber o conteúdo”, “alunos não se esforçam o suficiente”, “professores não têm autoridade sobre os alunos” e “outros”. A grande maioria dos três – pais (82%), alunos (67%) e professores (80%) – realmente se incomoda com a questão de passar sem saber.

Vale dizer: não é uma questão simples como querem alguns. Esta história de que “reprovar desestimula o aluno” não me parece consensual nos estudos. Como ciência é sempre algo em que se contestam resultados, eu diria que o melhor seria deixar cada escola (pública ou privada) escolher o sistema que deseja. Aí sim, poderíamos verificar se esta história de “não reprovar” realmente melhora o desempenho dos alunos.

Observando apenas a pesquisa acima, eu diria: não enganem o aluno. Ele tem o direito de repetir a matéria (o que é uma segunda chance, lembre-se) para tentar de novo. Claro, se ele não vai às aulas porque “já viu a matéria antes” (embora não tenha passado), então, sim, o lugar dele é, realmente, naquela classe. Até que, de fato, tenha conhecimento suficiente ou adequado para dar um passo adiante. Ou você acha que o menino não pode cair nunca da bicicleta enquanto aprende?

Insumos para a educação: maximizar o bem-estar também é educar…ou civilizar?

Pode-se produzir educação em casa ou na escola. Mas quais são os insumos importantes para aumentar o impacto marginal dos estudos? Conforme uma pesquisa a ser divulgada hoje, existem algumas características básicas.

Um aluno com nível alto de conscienciosidade (organização e responsabilidade), por exemplo, pode apresentar em Matemática mais de 4 meses de aprendizado à frente de um estudante que tenha esse parâmetro mais baixo. Essa característica, no entanto, não é tão influente em Português. Para esse domínio, competências como o chamado lócus de controle (identificado com o protagonismo) e a abertura a novas experiências são as que fazem a maior diferença: numa distância também de 4 meses a mais de aprendizado.

Organização, responsabilidade, protagonismo…palavras bonitas e que nem sempre aparecem entre alunos. A organização, talvez, seja a mais fácil de se obter. Responsabilidade e protagonismo são aquilo que gostaríamos de ver quando o sujeito, em sala, mostra que não está não apenas acordado, mas também ciente de seus deveres e participa da aula buscando reforçar seu conhecimento, não sua fama de palhaço.

 A avaliação concluiu que só esse estímulo [o papel dos pais] pode diminuir em mais de 20% a diferença entre alunos com baixa e alta conscienciosidade. Esse peso é duas vezes maior do que a diferença vista nessa habilidade entre ricos e pobres, por exemplo. A escolaridade da mãe – um atributo que apresenta forte ligação com o sucesso acadêmico – tem impacto quase nulo quando se trata da questão socioemocional.

Sempre temos a escolaridade da mãe em estudos com regressões múltiplas e microdados. Mas eis aí um ponto interessante: depende do canal de transmissão e dos controles. Então, a conscienciosidade pode ser afetada pela intervenção dos pais fazendo o seu (deles) dever de casa que é educar (embora muitos achem que não precisam se preocupar com a educação dos filhos…). Por outro lado, o papel dos pais não é tão forte quando o objetivo é melhorar outra característica da garotada: o socioemocional (algo destacado, dentre outros, pelo Nobel de Economia, o Heckman).

Na opinião do escritor e jornalista canadense Paul Tough, que estuda as habilidades não cognitivas na educação, é preciso garantir mais “proteção” para as crianças de origem pobre. “Em ambientes ricos, as crianças são superprotegidas das adversidades e sofrem porque não tiveram a oportunidade de superar os seus próprios fracassos. Em áreas pobres, porém, as crianças já tiveram muitas adversidades e precisam, mais do que tudo, de proteção.”

Então, a ciência avançou nosso conhecimento sobre os insumos da educação? Eu diria que sim. Vou aproveitar para continuar esta discussão utilizando conceitos de sala-de-aula, no caso, de Microeconomia.

Pensando com o que aprendemos em sala de aula…dois bens, uma função de utilidade…(somente para quem curte Economia)

 Primeiro, não confundimos mais estas habilidades com o falso dilema “capacidade vs conhecimento“, como aponta David Nicoll em matéria correlata, lá no mesmo Estadão. 

Em segundo lugar, Heckman aponta a indústria de testes como um indicativo de que estamos observando incorretamente o fenômeno da educação. Isto não significa que não se deva medir as coisas – não caia no papo dos falsários! – antes pelo contrário, conforme se percebe neste trecho:

Professor de Economia na Universidade de Chicago e especialista na economia do desenvolvimento humano, Heckman ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2000 por seu trabalho em provar que há efetivos ganhos econômicos quando se investe no desenvolvimento infantil, inclusive ao estimular características como cooperação e auto-controle (competências socioemocionais). Segundo ele, investir nesses aspectos durante a infância pode influenciar a economia, os aspectos sociais e de saúde de indivíduos e da sociedade como um todo, e isso pode ser avaliado com bases científicas. – See more at: http://educacaosec21.org.br/impacto-educacao/#sthash.8Hn7y9NW.dpuf

Estão aí todos os elementos para se pensar no problema da educação da gurizada. Com habilidades cognitivas e socioambientais (dois bens) produzimos a educação do menino (e, portanto, bem-estar).

Mais ainda, sabemos que as curvas de indiferença podem ter diferentes formatos, conforme estejamos observando resultados de bem-estar em aprendizado de português ou de matemática (isto tudo sem falar no papel dos pais). Algo como:

cognitivas = X
socioambientais  = Y
papel dos pais = Z
P = desempenho em português
M = desempenho em matemática

Finalmente, (D)esempenho é definido como:

U = u(P(X, Y, Z)), M(X, Y, Z)).

Eu diria que, para o processo tem duas etapas. Para maximizar U, temos que nos preocupar com o processo produtivo. Assim, pelo que vimos acima, as relações entre as duas matérias básicas e os insumos é tal que:

P = p(X(Z), Y(Z)) e M= m(X(Z), Y(Z)) com um ponto importante que é o de que, em P ou M, dX/dZ > dY/dZ. Imagino que a X e Y não sejam substitutos ou complementares perfeitos em nenhum dos casos, mas isto é com quem entende de educação.

Ah sim, a obtenção de impactos de Z em X ou em Y, conforme vimos no texto acima, é função de uma restrição orçamentária (a diferença entre “ricos e pobres”).

Bom, eu só queria mostrar como esta conversa toda pode ser pensada como um problema de maximização de utilidade típico. A solução do problema ou o refinamento do modelo não são meu foco principal aqui (mas seria uma boa idéia tentar resolver o problema, não? Supor alguns sinais de derivadas, etc). Eu queria mesmo era só destacar o ponto interessante disto tudo que é: a Ciência Econômica tem um papel social notável e não-desprezível. Afinal, quem pode ser contra a educação das pessoas?

Lições de Desenvolvimento Econômico: reflexões a partir de uma entrevista

Tem vários exemplos legais de crescimento. Mas nenhum deles deixou de ter um componente de mudança institucional não raro contenciosa que fizessem prevalecer as instituições que fazem a economia crescer em oposição às tradicionais. (Gustavo Franco, em entrevista à Conjuntura Econômica, Fev/2014, p.38-9)

Pois é. O Plano Real fez 20 anos (e comentei sobre isto em 20 minutos, aqui). O Gustavo Franco, no trecho acima, chama a atenção para algo muito importante: mudanças institucionais não se fazem facilmente. Não basta saber o que tem que ser feito e nem dá para ignorar as questões políticas. A revista informa que a entrevista estaria no ar mas, honestamente, eu procurei e não a encontrei (e olha que sou assinante!).

Reformas institucionais são importantes? Acho que você não precisa estudar Economia para saber que a resposta é positiva. Por outro lado, se não estudar Economia, provavelmente não saberá organizar suas idéias sobre as reformas. Panfletários de todo os lados apenas vendem suas bandeiras, mas quantos deles param para pesquisar a realidade? Quantos panfletários marxistas ou libertários apresentam-nos um estudo sério, que vá além das correlações, sobre causalidades? O assunto não é fácil, eu sei, mas temos que começar.

O problema é a educação! Eles são jovens, vão aprender!

Vão mesmo? Na mesma entrevista o Gustavo Franco nos lembra que fazer reforma educacional é tão importante quanto difícil. Por exemplo, há um grupo poderoso (que adora não se ver como grupo poderoso…como todo grupo poderoso, aliás) que tem uma visão bem cartorialista da educação:

Mas há um preconceito sindical absurdo quanto ao estabelecimento de metas, planos e meritocracia no funcionamento da educação – na superior então é outra conversa. Você precisa mexer nas engrenagens. É reformar. (idem)

Grupos de interesse agindo? Tirando crescimento econômico? Já ouvi esta história antes. Não dá para ignorar o tema, nem em Macroeconomia. Aliás, o livro do Richard T. Froyen, de Macroeconomia, é o único que tem um capítulo sobre política fiscal que inclui uma discussão interessante sobre o tema da política e eu o recomendo para bons estudantes (e alguns capítulos do mesmo são leitura obrigatória comigo).

Enquanto isto, jovens, muitos deles, querem apenas repetir frases, fazer memes de economistas mortos. Não que não seja divertido brincar de repetir frases, aprender a citar, mas o objetivo final da Educação é melhorar a sua (e a nossa) compreensão da realidade. Então, sim, no final do dia, queremos todos saber se há ou não impacto da educação sobre o crescimento econômico de um país. Não apenas isto, queremos saber, já que recursos são escassos, em que metas devemos focar e com quais instrumentos. Qual é a elasticidade-retorno da educação para cada R$ 1.00 investido no Pará? No Acre? Aqui? E assim por diante.

Você quer falar de livre mercado? Eu gosto de livre mercado. Mas quero saber o quanto a flexibilização do mercado de trabalho geraria empregos e salários relativamente a hoje. Você pode ser um destes que acha os fenômenos sociais complexos e tal, mas, no final do dia, ninguém vai te contratar (no setor privado, pelo menos) para você contar histórias bonitas sobre a não-linearidade do mundo ou sobre o efeito-borboleta. Isto é papo bonito, mas vale para a realidade? Para qual delas? Como se aplica?

Jovens falam em mudar o mundo…

Todo mundo quer mudar o mundo mas, dizem meus amigos libertários, ninguém quer ajudar a mãe e lavar a louça. E eu complemento: e menos gente ainda querem sentar e estudar. Infelizmente, para os que não curtem um bom tempo investido em pesquisa, as pesquisas continuam mostrando que a educação, digo, a Educação, é importante. Por exemplo, lembra deste gráfico?

cronismo_filantropia

Repare que ele ilustra três variáveis, na verdade. A escala das “bolinhas” é medida em Capital Humano (medido em 2010, com dados atualizados de Barro e Lee). Brinquei com este gráfico nestes últimos dias, focando nas variáveis dos eixos vertical e horizontal. Mas repare no tamanho do capital humano dos países. Veja, por exemplo, como esta história de filantropia também parece ter uma correlação forte com o capital humano.

Não quero sugerir mais do que o gráfico nos diz, mas aposto que mais tempo na escola também tem algum impacto na visão das pessoas sobre o que elas pensam daqueles mais desfavorecidos. Ou sobre a ajuda a velhinhas na travessia de pedestres. Pode ser que não, mas é possível que, em média, haja um impacto positivo neste aspecto. Vai saber. Só mesmo com…mais estudo para responder perguntas assim.

Mas as mudanças institucionais…como ficam?

Alguém tem que trabalhar nisto, não tem? Então, vamos lá.

human_k_corrigido

Apenas uma correlação? Ou há como explicar isto?

Imigrantes…

Interessante discussão: os imigrantes carregam consigo normas sociais que podem ter impacto econômico? Trecho:

Our results support the notion that social norms are deeply rooted in long-standing cultures, yet are nonetheless subject to adaptation when there are major changes in the surrounding circumstances and environment.

  • The effect of source country social trust is strongly significant, with a size about one-third as large as that from trust levels in the destination countries where the migrant now lives.
  • Migrants from low-trust environments are especially affected by the low trust in their country of origin even after migration, while migrants from high-trust environments are less likely to import the high trust of their country of origin to their current country of residence.
  • Holding constant the effects of imported trust, immigrants and the native-born have similar levels of social trust.
  • The footprint effects for generosity are similar as those for social trust, but smaller.

To help confirm that the footprint effects for social norms represent more than just the time it takes to learn about new surroundings, we undertake similar tests for trust in national institutions, where we would not expect to see footprint effects. In contrast to our social trust and generosity results, and consistent with our expectations, we find no footprint effects for opinions about domestic institutions in the new country.

Então, sim, pode ser que aquela diferença que você intui haver em certas comunidades de descendentes de imigrantes seja, de fato, algo relevante para nossa compreensão dos processos econômicos. Pode ser que sim, pode ser que não. No mínimo, a bibliografia do artigo vale a consulta para os interessados em debater temas de fronteira como este.

A juventude se diverte mais no carnaval, trabalha mais ou estuda mais?

Em suas aulas de Macroeconomia, lá no início do curso, você já deve ter ouvido falar de “estoques” e “fluxos”. Deve ter visto um diagrama, ouvido umas histórias e, se aprendeu algo, nem precisa ler este texto porque vou apenas usar estes conceitos com uma reportagem que li hoje de manhã. É, você já notou que o “carnaval” do título foi só para te enganar…

Vamos lá?

Estoques e fluxos: mercado de trabalho

Diz lá o Estadão, citando o IBRE:

Os reajustes salariais tiveram, em 2013, o menor peso no crescimento da renda do trabalho desde 2005. Do aumento de 1,8% no rendimento (também o menor avanço desde 2005), 0,7 ponto porcentual, ou 40% do total, deveu-se ao fato de menos jovens estarem entrando no mercado de trabalho, segundo estudo inédito do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

Sim, é verdade que estamos tendo menos filhos, mas não é este, ainda, o ponto central desta queda. A matéria não é sobre o fluxo de jovens, mas sobre o estoque atual e, neste, um bocado deles resolveu esticar seus estudos. Como se diz lá em casa, “trabalhar que é bom, nada”.

Mas isso é ótimo por um lado (embora os pobres pais tenham que pagar, geralmente, para o moleque um almoço, janta e até uma ajuda para as farras…): o número de anos estudados por indivíduo está aumentando.

Duas mudanças socioeconômicas acompanham o fenômeno: o aumento da escolaridade e o crescimento real da renda das famílias nos últimos anos. “Antes do fim da década de 1990, se você pegasse pessoas de 22 anos de idade, só 30% chegavam ao ensino médio. Hoje, são mais de 70%”, diz o economista Naercio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas (CPP) do Insper.

O crescimento econômico com crescimento da base da pirâmide da classe média.

Sem a frieza dos dados estatísticos, Ricardo do Nascimento Reis, gerente de metodologia do Grupo Multi, sente essas mudanças na demanda pelos cursos técnicos. Segundo Reis, entre os jovens, sobretudo entre 15 e 20 anos, há uma pressa latente de alcançar cargos mais altos. Por isso, muitos preferem se afastar do mercado de trabalho ou atrasar o início da profissão para se qualificar e conseguir cargos melhores.

Há jornalistas e jornalistas e alguns não parecem ter superado o preconceito de associar “dados estatísticos” com “temperaturas polares”. O Estadão é um ótimo jornal, mas de vez em quando você lê estas frases estranhas. A ironia da coisa é que os jovens estudam, estudam, mas nem sempre aprendem tudo. Por exemplo, alguns continuam com a idéia de que dados estatísticos são “frios”. Um aumento do PIB em 2% é frio, uma desvalorização da taxa de câmbio em 1% é fria, mas, um “black bloc” espancando jornalista, bem, isto é quente.

Fluxos, Estoques…intertemporais…

Mas vamos seguir em frente, sem a frieza do preconceito contra dados estatísticos (a matéria é bem escrita, exceto por esta frase).

Além disso, há também um fator demográfico estrutural por trás do fenômeno. “Está caindo o porcentual de jovens na população em idade ativa (PIA), e aí, logicamente, você tem um menor contingente de jovens no mercado de trabalho”, ressalta Moura, do Ibre/FGV.

Eu já havia falado lá em cima, né? Aqui está a questão do fluxo. O fluxo de jovens está diminuindo. O estoque futuro, portanto, deve ser menor do que o atual, diz o pesquisador do Ibre implicitamente. Não apenas isto, mas este estoque tem a característica de alongar seu período de estudos. Nem discutimos a qualidade do ensino, mas tão somente a quantidade de tempo que o sujeito fica sem trabalhar (ou trabalhando pouco) para estudar. Por exemplo, o garçom – oriundo da classe média – que resolveu estudar mais, daqui a um tempo, anotará seu pedido em um português que todos entendam? Espero que sim.

Repare como a alteração nos estoques (via fluxos) dá-se por meio de milhares e milhares de decisões descentralizadas individuais não apenas de jovens que decidem estudar, mas também de pais que decidem ter mais ou menos filhos. Não é meio óbvio que as consequências macroeconômicas são fundamentadas em decisões microeconômicas? Por que é que você acha que economistas desenvolveram pesquisas em tópicos como a economia da família (veja também este texto), etc?

Ok, vamos em frente.

Possíveis reflexos de um melhor capital humano? Digressão idiossincrática.

Tenha em mente que o estoque de capital humano de um país é parte integrante do desenvolvimento econômico do mesmo (basta lembrar do modelo de Solow, né?). Quer ver algo que eu esperaria de um país que se quer desenvolvido com um capital humano decente? Eu esperaria:

1. Comentários civilizados: Páginas de jornais e outras páginas estão cheias de comentários mal escritos, curtos, sem conteúdo e/ou com apenas xingamentos. Isto sem falar nas frases desconexas. Melhorar o capital humano significa melhorar o conteúdo dos comentários em todas estas dimensões.

2. Aumento na produção de vídeos educativos: Meu amigo Diogo sempre comenta sobre sua decepção com a quantidade de vídeos educativos produzidos aqui e (como diriam os nacional-desenvolvimentistas) alhures. Acho que ele pretende fazer um post sobre isto no blog dele, então não vou me aprofundar (mas se ele demorar…).

3. Banheiros mais limpos: Espero que a educação escolar, lá na creche complemente a educação doméstica e a civilização geralmente vem acompanhada de gente que não chuta catracas, quebra paredes ou deixa as privadas em estado calamitoso.

Ok, o último ponto é menos relacionado com os anos de estudo, mas não é menos importante…certo?

Um outro Vietnã, que largou a bobagem comunista e sabe fazer contas?

Em alguns momentos anteriores, neste blog, falei do PISA. Aqui e aqui, por exemplo (mas tenho mais a dizer ao longo do texto…). Não é todo dia que você vai me ver falar de Capital Humano aqui. Meu trabalho é tentar criá-lo (ou aperfeiçoá-lo, corrigí-lo, etc). Já é demais fazer isso e ainda vir aqui falar disso, notadamente em véspera de feriado.

Mas vamos lá. O aplicativo citado anteriormente em um dos links tenta ilustrar, graficamente, a relação entre ocupação dos pais e desempenho dos alunos no exame.

How much can we infer about a student’s performance in school by looking at what his or her parents do for a living? To find out, PISA 2012 asked participating students about their parents’ occupations. Occupations@PISA2012 is a web-based application that allows you to explore the relationship between parents’ occupations and their children’s performance in mathematics, reading and science – in your own country and in other countries.

 

E já que o BID destacou o Vietnã neste post, eis aqui algo.

vietnam_brazil

 

 

Honestamente, eu não sei se esta figura me informa muito sobre alguma suposta influência da ocupação dos pais sobre o desempenho dos meninos e meninas. Mas eu vejo que o diferencial de nota é gigantesco com os vietnamitas na frente em larga vantagem.

Aliás, os alunos do Vietnã foram uma grande surpresa, segundo o post, pelo seu alto desempenho no exame.

Una de las mayores sorpresas de la publicación de los resultados del Programa para la Evaluación Internacional de Alumnos (PISA 2012) fueron los impresionantes resultados registrados por Vietnam, el cual se ubicó en la posición 17 entre los 61 países que participaron. Su puntaje fue de 511 en matemáticas, superior al promedio de la Organización para la Cooperación Económica y el Desarrollo (OCDE) que fue de 494.

 

Você terá toda razão de me perguntar se isto é fruto da educação comunista do país. Repare que o governo do país é comunista e o estilo autoritário lembra muito o da China. Tal como a China, contudo, o Vietnã se abriu aos mercados (sim, o tal “capitalismo” que seu professor de História tanto odeia).

Não vou entrar aqui na – interessante-mas-que-fica-para-a-próxima – discussão de se é a liberdade econômica que traz a liberdade política, ou vice-versa (entretanto, veja o que eu andei estudando aqui, para o Brasil).

Repare que o ensino de matemática não tem nada daquelas baboseiras que alguns Rasputins tentam vender aos pais (bobagens com belos nomes, claro). E nem tudo está perdido. No Brasil, claro, tem gente séria querendo fazer o ensino da Matemática alcançar um nível decente, como o Flávio Comim e o pessoal do Círculo da Matemática.

Finalmente, para os que, como eu, gostam de olhar para os dados, a dica é a OCDE e, claro, a pergunta que fica é: quais as chances de o Vietnã nos ultrapassar? Eu aposto que, com nossa educação toda ideologizada e falida, seremos um dos países mais pobres do mundo, em capital humano. Exagero meu. Digamos que seremos o último colocado no PISA (e não adianta melhorar a colocação fazendo “pré-vestibular” do PISA, senhores burocratas).

Liberdade econômica, caridade e capital humano: uma lição de como se começar uma pesquisa

caridade_liberdadeconomic

 

Eu já disse aqui que uma correlação não faz verão, mas resolvi colocar este resultado aqui para despertar a curiosidade das pessoas. Então, no eixo vertical temos o último índice de liberdade econômica do Fraser Institute e, no eixo horizontal aquele índice de caridade que o pessoal gosta de discutir de vez em quando. Só, que desta vez, eu coloquei os pontos da correlação ponderados pela medida de capital humano de 2010 do Barro (Barro & Lee) que são os anos médios de estudo.

Existe uma correlação positiva entre caridade e liberdade econômica? Eu diria que, caso exista alguma, ela parece ser fracamente positiva. O que istor quer dizer? Não sei. Mas sei o que isto não quer dizer.

1. Mais liberdade econômica inibe a caridade: Não sei. Com uma base de dados cross-section, apenas, não posso dizer muito. Além disso, níveis de variáveis fraca ou fortemente relacionadas não significam que variações das variáveis se relacionem.

2. Menos liberdade econômica favorece a caridade: Olha, meu caro, se não há correlação clara, ou se ela é fracamente positiva, não me parece também que isto seja sinônimo de dizer que existe uma forte correlação negativa. Veja o gráfico. Isto sem falar das outras observações feitas.

3. Caridade não tem a ver com anos de estudo: Talvez sim, talvez não. Não dá para dizer com o gráfico acima. Aliás, nem sei porque anos de estudo teria alguma relação com a caridade. Qual é a sua teoria?

Assim, no mínimo, você precisa de duas coisas: (a) uma teoria a ser testada e (b) uma base de dados maior que considere a possibilidade de outras variáveis interferirem nesta correlação simplória.

Quero fazer uma pesquisa sobre o tema! Devo sair correndo atrás de um orientador?

Calma que o mundo não vai acabar amanhã (eu acho).

Primeiramente, não incomode seu provável orientador com uma correlação sobre a qual você ainda sequer pensou. Veja, é muito importante ter alguma hipótese a ser testada. Eu até imagino que existam teorias para nos dizer que a caridade pode ser desincentivada pelo aumento no tamanho do governo (aliás, estas teorias existem e, se não me engano, existem artigos científicos sobre o tema).

Outra coisa: o que compõe cada um destes índices? Este é outro trabalho pré-encontro-com-o-provável-orientador que você deveria fazer. Trata-se do que poderíamos chamar de eu sei sobre o que estou falando. Você conhece seus dados? Pensou sobre eles? Entendeu a metodologia? Nem precisa concordar com a metodologia de coleta dos dados, por exemplo, mas tem que entender como ela é feita ou o que ela nos diz (e, o mais importante, o que ela não nos diz).

Bem, eu não sei se fiz uma caridade com este texto, mas pelo menos espero que alguém tenha entendido um pouco melhor sobre o início de uma pesquisa. Talvez até tenha ajudado a melhorar um pouco seu capital humano. Viu só como estas coisas são complicadas? ^_^

Desmistificando o Keynesianismo de Bar

Todo leitor deste blog sabe que não há preconceitos contra a ciência aqui. Mas discurso de boteco a gente tem que destruir – quando errado está – pelo bem do país.

Aí o cara chega para você e diz:

” – Eu li no meu primeiro ano de Economia (imagino se o sujeito gostaria de ser operado por um novato de Medicina, mas vamos ignorar isto por enquanto) que quando o governo aumenta o déficit público, gera crescimento (mesmo que a gente seja bonzinho e considere aquela oferta agregada dos sonhos, toda rígidas nos preços, o argumento é terrível)”.

Logo, ele arremata:

“- Portanto, uma guerra é um bom negócio”!

Vamos ser sinceros. É muita falta de senso, né? Não vou gastar meu latim – aliás, não sei latim – com o tema. Apresento apenas uma evidência para reflexão: é a Ruanda o país mais rico do mundo?

Eu poderia fazer um desenho, mas alguém já fez uma tabela que mostra como esta história de guerra gera uma, digamos, queda no estoque de população.

Não se convenceu? Bem, pergunte a quem teve seus bens destruídos no vandalismo que caracterizou praticamente todos os protestos recentes no Brasil. Veja se eles estão mais ricos agora? Ou, claro, veja se quem financiou os vândalos teve suas próprias propriedades destruídas. Ficaram mais ricos? Talvez estejam pensando em enriquecer com a destruição alheia, o que é o oposto da definição de uma troca econômica (voluntária, logo, geradora de valor).

É, ler metade de um livro-texto não é suficiente. Nunca foi.

Você realmente acha que está bem usando só a planilha?

Este breve post do pessoal do Revolution serve não apenas para você usar o R ou qualquer outro pacote estatístico sério. Ele serve para você perceber que o avanço em seu conhecimento consiste, justamente, em não usar planilhas como último recurso, nem como o único recurso em uma análise séria de dados.

Eu diria que o avanço do capital humano é função da efetiva troca de planilhas por pacotes como o SAS, R, SPSS, Minitab, Eviews, Stata e afins. Bem, “eu diria”, mas é uma hipótese. Acho que a complementaridade entre planilhas e estes pacotes é importante em um dado ponto do tempo, mas, ao longo do tempo, eu esperaria um número maior de usuários de pacotes do que em planilhas. Eis minha função do capital humano usando como proxy nosso uso de planilhas e pacotes econométricos.

Aliás, eu gostaria de ter uma pesquisa estatística sobre isto. Como não posso, fico só na idéia e, claro, na espera de que alguém me diga se já existem estudos como este.

Qualificar, qualificar, qualificar

Pessoas têm preguiça de estudar. Não tem jeito. Faz parte da natureza de muitos seres humanos jogar a culpa nos outros. Não foi bem na prova? Culpa do professor. Não entendeu a aula e não perguntou? Culpa do professor. E por aí vai.

O que fazer? Claro, o negócio é comprar um diploma. Todo mundo quer se dizer mestre em alguma coisa, doutor em outra, enfim, faz bem para o ego achar que sabe algo. Caso o retorno da educação seja alto no país, aí é que a coisa pega fogo!

Pode-se escapar reclamando, inventando mentira sobre o professor, fazendo fofocas, mas a verdade é uma só: qualificar-se é que vai salvar o sujeito da pobreza.

Aliás, a formação do capital humano é o tema da terceira aula de A Economia Política dos Gibis que vai ao ar hoje aqui. O Erik falou da qualificação e eu concordo com ele. Mas existe um outro aspecto da formação de capital humano que os economistas brasileiros insistem em não estudar e que é muito complicado no longo prazo. Embora não se possa enganar muitos todo o tempo, o fato é que o pouco tempo pode durar muito.

 

E o capital humano, minha gente?

Em resumo acredito que a participação da indústria de transformação na economia é uma variável endógena. Desta forma não deve ser objeto direto de políticas econômicas. Se é para ter uma indústria mais forte então que se mudem os fundamentos da economia da economia brasileira, do contrário estaremos condenados a ciclos de aumento e queda da indústria.

Não poderia concordar mais com o Roberto. Poderíamos voltar no tempo e rever a questão dos fundamentos na história econômica brasileira. Desde quando nosso governo tentou mudar os fundamentos da economia? Há vários momentos interessantes, sempre celebrados nos livros-texto de história econômica do Brasil. Entretanto, sabe o que eu nunca vejo nestes livros? A questão da educação.

Quer dizer, há aquele livro do Langoni, e tal, mas o pessoal do mainstream dos livros-texto parece não gostar muito dele. Os motivos para tal ausência poderiam ser alvo de um estudo de Sociologia do Conhecimento (acho que é este o campo de estudo adequado). Quando foi que o governo brasileiro tentou mexer no capital humano? Meu amigo Kang acha que o governo não foi muito ativo nisto.

Isso significa que o governo deixou o mercado cuidar da educação e toda aquela lenga-lenga da panfletagem sindical sobre o neoliberalismo é o que temos hoje? Nada poderia estar mais longe da verdade. Como sempre lembrou Jorge Vianna Monteiro, a expansão do tamanho do Leviatã não se mede apenas por “G/PIB” e nosso governo sempre gostou de regulamentar o que visse pela frente. Alguém poderia achar isso lindo ou imaginar que o cidadão burrão (= hipossuficiente = com racionalidade de barata e limitada = qualquer outro motivo alegado pelos defensores da tese) estaria sendo protegido do malvado mercadão neoliberal comedor de crianças.

Bom, a história não foi bem assim. O que temos hoje é um sistema educacional (que nem sempre educa, mas doutrina) com problemas que não preciso citar. Basta botar os garotos em competições internacionais sérias (não vale alguma patrocinada por Cuba, Venezuela, Bolívia, Coréia do Norte, Argentina ou Irã) e nosso desempenho vai para o fundo do poço. Pode não ser o pior país do mundo, mas não dá para ficar muito feliz com os resultados.

No final do dia, a pergunta mais óbvia é aquela que Hering se fez ao começar sua indústria: cadê o engenheiro para manusear esta super tecnologia que comprei? (eu não tenho a citação, mas o prof. Sanson me contou esta história faz tempo…).

Foi ao cinema e matou o filho

Gosto muito da sacada do jornalista que começou esta matéria com a chamada bombástica de que “nada mata mais crianças no Brasil do que a ignorância”.

Mesmo que ele não perceba, acabou de cutucar onças com varas curtas. Claro que a intenção é dizer que a falta de investimento em educação ajuda a piorar tudo e tudo o mais. Quem pode ser contra a educação para todos?

Contudo, muitas questões ficam em aberto. Por exemplo, medir educação como anos de estudo é uma prática comum no meio, mas não sinaliza a qualidade da educação. Eu não cobro dos pesquisadores esta medida, mas quando se fala de educação matando crianças, a gente fica apreensivo: será que uma escola da Al-Qaeda, alfabetizando todos, seria menos causadora de mortes do que uma escola pública da periferia? Ou uma escola privada em Higienópolis (nem sei se existe, mas vamos lá, sou ignorante nisto (e espero não ter matado ninguém no futuro…)) é tão boa quanto uma escola em Cuba?

Claro que eu também acredito que gente mais estudada deve cuidar mais dos filhos porque, novamente acredito, sabe ler bula de remédio, entende o que o médico diz, não pergunta quatro vezes a mesma coisa para o farmacêutico, etc. Seria ótimo se todos fossem assim.

O estudo merece leitura, obviamente (quem sou eu para desestimular a leitura de um artigo econômico que usa métodos estatísticos?), mas fica no ar uma crítica – que nem sempre é feita de forma honesta, é bom dizer – sobre o que significa, exatamente, a tal educação dos pais. O futuro, acredito, vai nos trazer estudos mostrando que um ano de estudo na Coréia do Norte pode não ter exatamente os mesmos impactos que um ano de estudo na Alemanha. Dito de outra forma, embora ambos saibam ler bulas de remédios, ceteris paribus, os filhos de ambos vão crescer e um deles preconizará mais e mais restrições sobre a sociedade (seja no mercado, seja na vida pessoal, etc), enquanto que o outro tentará, pelo desejo de controlar a própria vida, lucrar com, digamos, a sua descoberta da cura de alguma doença.

Enquanto isto, quem não quer ler mais que um tweet, quem deseja vadiar, claro, vai ao cinema e mata o filho. Figuradamente, digo (eu acho).

Senhoriagem e Inflação, por David Romer

O trecho abaixo (nota de rodapé 28, lá no cap.11) mostra algo que eu sempre digo em sala: capital humano faz a diferença no combate à inflação.

Individuals who specialize in monetary policy are likely to be more knowledgeable about its effects. They are therefore likely to have more accurate estimates of the benefits and costs of expansionary policy. If incomplete knowledge of those costs and benefits leads to inflationary bias, increasing specialists’ role in determining policy is likely to reduce that bias.

Tá lá, na página 567!

Como a esquerda conseguirá destruir o capital humano brasileiro

Rolf Kuntz tem uma crítica muito bem elaborada com respeito ao ministério da desigualdade (MEC). Parece aquela história antiga: os caras se agarram a um livro nunca revisado de Celso Furtado e a algumas idéias estranhas dos anos 50. Ou seja, não querem saber de gente bem educada (que, inclusive, é mais consciente e “participativa”), mas sim de substituição de importações. Só que agora querem importar engenheiros e técnicos de Cuba ou sei lá de onde mais.

Afinal, nem educação de qualidade eles querem dar, embora pressionem o setor privado a absorver semi-analfabetos em seus bancos, condenando os mesmos a um sofrimento muito maior do que teriam se bem educados fossem. Curiosamente a UNE, a CUT e outros que se vendem como “neutros defensores” de trabalhadores ou educadores preferem se calar e construir prédios ou lutar pelo imposto sindical (embora se digam contra o mesmo).

Os pais, claro, acham bonito que a educação seja de “esquerda” porque dividem o mundo entre bons e maus, tomando como referência os anos da ditadura militar estatizante (que eles chamam de “direita” apenas por conta do caráter religioso, imagino, já que liberalismo é o oposto de estatizante). Já ouvi várias vezes que “uma coisa é um cara que mente para se eleger (digamos, hipoteticamente, o Maluf)” e outra é “quem mente para se eleger (digamos, hipoteticamente, um da Silva que literalmente rasga seus gritos de guerra históricos para se vender como candidato palatável ao eleitorado sério). Ou seja, mentiu e eu gosto dele, pode. Mentiu e eu não gosto, não pode.

As pessoas gostam de double standards para avaliar aqueles que cuidam do dinheiro que lhes é arrancado sob a forma de impostos. Curiosamente, em um casal, o mesmo comportamento leva a brigas intermináveis e, claro, ao divórcio.

Interessante, não? Bem, mas se você leu tudo até aqui e concorda ou não comigo, fico feliz. Afinal, você ainda entende a língua portuguesa que estudamos em boas escolas.

Bancos Centrais, panquecas com maple e minha última sobre capital humano: “se não for mestrado e doutorado acadêmicos, deve ser só sinalização”

Estes dias reencontrei meu amigo Carlos, do Bank of Canada. Ele esteve no Seminário de Economia de Belo Horizonte ministrando o curso sobre política monetária no mundo. Bem, alguns alunos chegaram a me perguntar sobre o que ele fazia, mas não sei se olharam na internet. Como precisei lhe enviar uma mensagem, dei-me ao trabalho de ir ao google e, bem, olha ele aí.

A produção acadêmica dele é de dar inveja.

Aqui no Brasil temos gente muito boa no Banco Central, recém-chegado(s) do exterior. Se aumentarem a produtividade do banco daqui, já será um ganho imenso.

Talvez eu concorde em parte com Bryan Caplan sobre educação como sinalização. O ditado é: “se não for mestrado e doutorado acadêmicos, deve ser só sinalização” (*). Eis minha frase-síntese, contribuição a ser eternizada em Teoria Econômica e citada até o final dos tempos.

Se alguém fizer um estudo sobre educação com dados que realmente sejam proxies decentes, eu gostaria muito de ver um teste desta minha frase-síntese.

(*) na versão forte, eu terminaria com: “…é apenas sinalização”. Caramba, minha frase tem até versão fraca e forte! ^_^

Clube do capital humano

Pronto, fundei o meu clube.

Explico-me. Não quero subsídios do governo para mim. Também não quero mais impostos sobre ninguém em meu nome. Tudo começou com o artigo que eu e o Guilherme publicamos aqui. Desde então, não consigo mais deixar de notar a má qualidade da mão-de-obra por aí. Ontem fui a um restaurante japonês de BH com o Ari e sua família. O garçom me soltou um “- A gente temos” em umas quatro ou cinco frases seguidas.

Não dá para ignorar. Como conheço alguns professores da rede pública, sei que nem todos concordaram com o “construtivismo achado na rua” que defende, na prática (mesmo que não o digam, é a consequência lógica do que pregam), o descaso com a qualidade do capital humano. Nesta visão puramente política da pedagogia, “qualidade” é coisa de capitalista que certamente gera exploração da mão-de-obra inocente, burra (e que precisa ser guiada pelos grandes timoneiros da esquerda para…para…para onde?).

Como economista e como professor, não posso compactuar com esta enganação. Não quero mais ver garçom falando como um selvagem. Quero vê-lo estudando e ampliando as chances de evoluir e ser uma pessoa realmente completa, que tem capacidade de escolher entre diversas profissões possíveis.

Cada um com um mínimo de inteligência (note: não necessariamente isto significa estudar muito) sabe que os políticos estão, em sua esmagadora maioria, independente da ideologia que dizem defender, apenas dispostos a permitir que as pessoas tenham a oportunidade de servi-los como garçons, prostitutas, engraxates a troco de uma esmola que pode até ser uma bolsa financiada com o dinheiro público. Isto não é política social, é exploração.

Até os industriais, que sempre defenderam uma única política setorial como sendo social, a tal política industrial, estão em maus lençóis agora, em parte como resultado de suas próprias ações como pedintes (e não como empresários) neste capitalismo paternalista que é o brasileiro. Não é difícil notar a notória dificuldade que eles têm, por exemplo, em apresentar algum estudo com uma medida simples de bem-estar para justificar suas reivindicações. Substituir importações, meus caros, não é um almoço grátis.

Bem, isso tudo nos leva ao clube do capital humano. Qual o objetivo? Simples, quero colecionar, sobre esta tag, notícias que mostrem o problema. Quanto mais a blogosfera espalhar as impressões sobre este problema, melhor. No mínimo vou colecionar evidências, aqui, de que o problema do capital humano brasileiro continua sério e que não pode ser mascarado com o discurso “agregador-keynesiano”. Capital humano é, sim, um problema de infra-estrutura no Brasil e, não, não se resolve criando mais universidades públicas. Capital humano é um problema microeconômico. Está na vida de cada um de nós: na padaria, no posto de gasolina, na faxina semanal e, para a tristeza de alguns, na própria família.

Este Clube está aberto para a coleta de depoimentos, impressões, dados, estudos científicos, etc.

p.s. O primeiro convite é ao professor Guiherme Hamdan, co-autor do artigo. Se quiser blogar aqui sobre este tema (e outros), é só me falar.

Banco no celular

Eis uma breve análise da situação mundial. Breve e didática.

Uma única observação: para mim, o calcanhar de Aquiles que impede a disseminação deste tipo de serviço bancário é a segurança das redes. Como sempre, o baixo nível do capital humano é um obstáculo. Talvez devêssemos conversar com gente da área de Ciência da Computação (ou qualquer um de seus apelidos mais ou menos nobres: Tecnologia da Informação, Tecnologia de Redes, etc) para ver o que eles acham.

Se eu pudesse fazer uma entrevista, escolheria alguém daqui.

Esqueça os pedabobos brasileiros…

…a revolução educacional começou nos EUA, obviamente construída sobre anos e anos de estatísticas acumuladas e analisadas. Enquanto os pedabobos daqui falam impropriedades sobre o que não entendem (“imperialismo”, “neoliberalismo”, etc), inventam histórias sobre “direitos adquiridos de segunda, terceira, quarta geração” e chamam as técnicas de ensino de “arcaicas”, o hiato entre a selva e a civilização só aumenta.

p.s. sim, há exceções honrosas, mas eu não as conheço. Como eu sei que existem? Princípios básicos de estatística, claro.