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“Eu” ou “Nós”?

Akerlof, há anos, vem numa agenda muito interessante de repensar a modelagem da ação microeconômica incorporando (ou importando) aspectos de outras áreas. Vai emplacar? Não sei. Mas é o Akerlof, né?

Veja a última dele.

Increasingly, economists are drawing on concepts from outside economics–such as “norms,” “esteem,” and “identity”–to model agents’ social natures. A key reason for studying such social motivation is to shed light on the conditions that facilitate–or deter–collective action. It has been widely observed, for instance, that groups are more able to engage in collective action when they have a common, group identity. This paper gives one explanation for such a link. The paper develops a new concept, “we thinking”; and it also provides a deeper understanding of the concepts of norms, identity, and esteem.

Legal, né?

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O grande fosso entre a ideologia e a realidade: o ataque à turma da Mônica

Nem quero saber quem foi o autor do projeto de lei que resultou na bobagem resumida abaixo.

No Brasil, temos a felicidade de poder acompanhar o surgimento de leis arbitrárias a cada semana – fascículo especial com capa dura todo mês na banca mais próxima de você. O projeto de lei 5921/2001, que foi aprovado há três meses, trouxe a proibição de publicidade voltada para o público infantil. De brinde, uma caneta esferográfica e o fim da exibição de desenhos animados na TV, que hoje não têm patrocínio.

Incrível, não? Enquanto isto acontecia, o movimento libertário brasileiro fazia de conta que não era com ele e publicava mais um meme com a foto do Thomas Sowell no seu Facebook. Ou promovia mais uma conferência no Brasil, para promover a idéia de que o Banco Central deveria ser extinto. Ou então poderia ser encontrado em grupos de discussão, nos quais a maior briga ocorre porque alguém não quer discutir a econometria usada para se testar se propagandas influenciam compras de artigos infantis porque a mesma econometria não era usada por Mises.

Como nos ensina a boa economia: tempo é dinheiro. Já que alguns gostam de usar o termo, bem, a ação humana tem um propósito (se não tivesse, seria engraçado, né?) e qual será o propósito de se investir tanto dinheiro na marca pop que é se dizer libertário, anarco-sei-lá-o-quê, dizer que leu alguns parágrafos-chave do livro “A Ação Humana” (ou mesmo o livro todo), divulgar frases de liberais norte-americanos e falar que o Banco Central deveria ser extinto e que abortar pode (ou não) ser uma grande bandeira libertária?

Há libertários e libertários e, como já falei aqui antes, este é um movimento que cresceu muito nos últimos anos, ocupando um espaço que estava praticamente vazio, dada a hegemonia inegável (mesmo) dos emporiofóbicos no Brasil (para uma definição de “empóriofobia”, use a caixa de busca acima). Isso não quer dizer que esta ocupação seja homogênea, até porque, como sabemos, indivíduos são…indivíduos. A qualidade intelectual e das estratégias utilizadas são diferentes. Tem de tudo no movimento libertário, para o bem ou para o mal.

O que não tem, de forma insistente, devo dizer, é pesquisa empírica. Falar em estimar carga tributária, por exemplo, é rotulado de “questão puramente acadêmica” (tenho salvos os diálogos sobre isto, em backup). Então, a discussão séria morre porque só se discute sobre mundos virtuais em que existem infinitas cargas tributárias e infinitos governos. Ótimo para RPG ou para pessoas com forte pendor autista, mas pouco útil para uma efetiva ação em prol da mudança da sociedade brasileira.

Mas não precisamos nos ater a questões econométricas. Advogados não faltam no Brasil (taí um artigo que não falta no supermercado da vida…). Tem advogado de tudo que é jeito, claro. Até alguns que se dizem libertários. Vai ver existe até publicitário libertário também, mas eu me afastei do grupo pelos motivos que você está lendo aqui, dentre outros, e não sei muitos nomes neste campo. Economistas liberais? Fácil de encontrar.

O que não é fácil de encontrar é um grupo de dois ou mais liberais que tenha conseguido sair da areia movediça da discussão ideológica – na qual se “investe” muito tempo rotulando um liberal de “socialista” (e isto geralmente ocorre quando se vai discutir algum problema de política pública…) – para a ação real. Poderíamos chamar estes liberais de liberais autistas (sem ofensas aos autistas), pela característica dificuldade de passar das idéias para a ação.

Temos aí as características individuais – gente que adora brigar, que tem dificuldade para se relacionar com outras pessoas, que não curte agir em grupo (esquecendo-se que ser liberal não é sinônimo de abandonar a sociedade, como diria Adam Smith) – e há também a velha operação das leis econômicas básicas: a existência do caroneiro (aquele que não quer arcar com os custos, mas apenas deseja usufruir dos benefícios) também é um fato. A falta de leitura (profunda), típica do estudante brasileiro também é um entrave. Afinal, por que você acha que o mercado editorial brasileiro não vai bem? Uma video-aula, por melhor que seja, não substitui as horas de leitura e nem o esforço do indivíduo em organizar suas idéias, resumir, ler literatura especializada, etc.

Quem ganha com esta inação? Não é apenas o governo (ou os políticos), mas também empresários que não querem concorrência. Sabemos que não existe almoço grátis. Agora, a quem interessa este tipo de política? Quem ganha com tanto investimento em debates e brigas sem qualquer ação efetiva contra a baixa concorrência e a alta carga tributária?

Eis o desafio do dia: faça-me feliz. Mostre-me um link para uma ação legal efetiva gerada por advogados ou grupos de advogados liberais contra alguma arbitrariedade do governo. Faça isso nos comentários. Vou abri-los apenas para este tipo de texto. Se não quiser fazer isso por mim, faça-o pelas crianças, que curtem, dentre outras, a Mônica, a Magali e o Cebolinha.

O governo quer quebrar esta promessa?
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Economia política dos conflitos de terra

Há muito tempo eu escrevi em algum lugar (ou disse para algum amigo) que esta histeria dos sem-terra contra o capitalismo tem dois lados. Um, bobo mesmo, é o ideológico. O outro, mais disfarçado, é o do rent-seeking explícito. Muito desta destruição de laboratórios – eu dizia – tem a ver com o desejo de eliminar a competição.

O falecido Jack Hirshleifer, ao falar de economia do conflito, dizia em seu livro-texto que firmas competem com estratégias, muitas vezes, violentas. O que foi aquilo em 1930 em Chicago?? Nem Marx explica, né? Afinal, Marx não tinha o mesmo arcabouço analítico de um Mancur Olson ou um Jack Hirshleifer. Mas vamos lá às evidências. O esforço deste pessoal para maximizar o lucro tem sido evidente. 

Ah sim, eu e o Ari já falamos sobre isto antes. Veja aqui. Mas o especialista, mesmo, nisto, é o Bernardo Mueller, um sujeito para lá de inteligente.

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Arqueologia e bens públicos

Qual o motivo do início de uma sociedade humana? Provavelmente a necessidade de se obter bens públicos. Bem, antigamente falava-se de caça e agricultura mas, agora, um alemão que andou passeando por cavernas turcas acha que a história foi um pouco diferente. De repente, uma grande parede (para fazer um xixizinho? para encostar e tirar uma soneca?) parece ter sido a causa inicial de uma sociedade que, aí sim, depois disto sairia por aí atrás de uns mamutes.

O ponto central do artigo pode ser resumido assim: para se explicar o surgimento da civilização devemos pensar em bens públicos. O bem público primordial, por assim dizer, na visão do arqueólogo, é anterior ao que o consenso científico havia postulado.

Fascinante! Dilemas de ação coletiva no início desta terrível humanidade…

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É a Bolívia o novo Império Austro-Húngaro?

Acho que não, mas não são poucas as coincidências segundo este artigo no prelo:

Why did the Austro-Hungarian Empire collapse? – A public choice perspective
Dalibor Rohac

In this paper, we seek to identify causes of the disintegration of the Austro-Hungarian Empire. We note that great salience was attached to issues of self-governance and autonomy of the numerous ethnic groups living within the Empire. From a public choice perspective, the Empire was an over-centralised state and there were clear gains from federalising it. However, such federalisation was not feasible because of the collective action problem arising in bargaining with the central government. Furthermore, the move towards the war economy and the empowerment of the executive state provided the last drop leading to the exit of ethnic minorities from the monarchy and to the ultimate demise of the Empire.

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雷鬼太鼓 - Raiki Daiko

Eis o link. Abaixo, as informações. Comento a seguir.

雷鬼太鼓 - Raiki Daiko

Treino na Associação mineira de cultura nipo-brasileira

Rua Dom Lourenço de Almeida, 535 – Nova Cachoeirinha- Belo Horizonte- MG

ÔNIBUS 4205

*PEGA NA PRAÇA SETE*

Em dos textos que li para minha tese, o autor – não me lembro o nome, acho que era Sun Ki Chai, de uma universidade do Hawaii – falava sobre como a ideologia resolvia problemas de ação coletiva (e mensurava isto de uma forma estranha, mas vá lá). Creio que já li em outro lugar que a cultura também resolve. Só assim posso explicar o sucesso destes meninos aí do Raiki Daiko na colônia japonesa de BH. É interessante que após muitos anos de atividade jovem praticamente nula, de repente isto tenha surgido. Eu sei que há esta moda de comida-filme-desenho-revista japonesa, mas, mesmo assim, ação coletiva é ação coletiva, como já nos ensinou Mancur Olson.

De qualquer forma, foi um sucesso a apresentação da rapaziada no último final de semana. Creio que seria mais correto dizer que é não apenas um caso para estudiosos de ação coletiva, mas uma alegria para um sujeito que já foi jovem um dia…