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O problema do plágio

Trecho:

It’s strange to think of the Net as limiting, especially when it comes to knowledge, but the fact is that many students have forgotten or never learned how to make use of “real world” sources. In my own experience of teaching college students, I had numerous classes where most of the students were actually unable to locate books on the shelf, much less grasp the concept that journal articles which were not in databases might still contain useful information. Even the idea of digging through databases was foreign; if it couldn’t be found through Google, the thinking went, it’s not worth finding.

The predictable result was that a fair chunk of students in each class turned in papers using nothing but freely-available Internet sources, even when some scholarly sources were required. They had come to think of the Internet as so all-encompassing that it was hard to imagine the need for anything more. Also, going to the library required more work.

And so began the plagiarism. Students who were poor writers, students who were running behind, and students who were simply lazy copied sections of various websites directly into their papers. Their creative thinking had apparently been so circumscribed that they did not even bother to plagiarize from books or journal articles, both of which would have been far more difficult to detect.

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Dissertações de mestrado precisam ser gigantescas?

Não. Antigamente, por algum motivo, as dissertações de mestrado eram bem extensas entre os economistas brasileiros. Eu já disse aqui, várias vezes, que isto tem a ver com a verborragia inútil que Joseph Love bem detectou no Brasil, no início de nossa profissão. 

Hoje em dia, não mais é assim. Um mestrado, ainda mais um mestrado profissional, não se enquadra na suposta pretensão de que o mestre é um sábio conhecedor de diversas superficialidades (“um pouco de cada coisa”, logo, “muito de nada”). Eu gosto de mostrar às pessoas trabalhos de boa qualidade neste blog. Pois bem, a dissertação que se encontra aqui não é de nenhuma ex-aluna minha, mas é um bom exemplo de concisão, ligação entre teoria e prática e objetividade.

Claro que deve ter tido lá seus problemas – quem não os tem? – e a banca deve ter reclamado aqui e acolá. Isto faz parte do processo. Mas repare, leitor, no tamanho da dissertação. Certamente ela não ilustra a carga de leitura necessária e que deve ter sido o fardo da orientanda por um bom tempo. Mas, ora bolas, capacidade de síntese também é algo que um mestrando tem que ter. Senão, pobre coitado, as portas do inferno lhe estarão bem próximas…

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Quando a ciência ganha “função social”, o que acontece?

Reproduzo por inteiro, direto do Laurini:

O caso Luzin

Ontem ocorria uma animada discussão sobre o processo de revisão do Qualis, e um dos pontos era qual a pontuação que deveriam receber as revistas nacionais. Um ponto era que revistas nacionais eram supervalorizadas no Qualis atual, e o ponto contrário era que revistas nacionais desempenham um papel importante ao permitir a comunicação e discussão de alguns tópicos de interesse apenas local. Uma discussão muito importante.
Depois da discussão lembrei de um caso famoso na matemática :

The Luzin affair of 1936

On November 21, 1930 the declaration of the “initiative group” of the Moscow Mathematical Society which consisted of former Luzin’s students Lazar Lyusternik and Lev Shnirelman along with Alexander Gelfond and Lev Pontryagin claimed that “there appeared active counter-revolutionaries among mathematicians.” Some of these mathematicians were pointed out, including the advisor of Luzin, Dimitri Egorov. In September 1930, Dmitri Egorov was arrested on the basis of his religious beliefs and died in 1931. After his arrest he left the position of the director of the Moscow Mathematical Society and after him the director became Ernst Kolman. As a result, Luzin left the Moscow Mathematical Society and Moscow State University. In 1931, Ernst Kolman made the first complaint against Luzin.

In July-August 1936 Luzin was criticised in Pravda in a series of anonymous articles. It was alleged that he published “would-be scientific papers,” “felt no shame in declaring the discoveries of his students to be his own achievements,” stood close to the ideology of the “black hundreds”, orthodoxy, and monarchy “fascist-type modernized but slightly.” Luzin was claimed at a special trial of a Commission of the Academy of Sciences of the USSR which endorsed all accusations of Luzin as an enemy under the mask of a Soviet citizen. One of the complaints was that he published his major results in foreign journals. The method of political insinuations and slander was used against the old Muscovite professorship many years before the article in Pravda.

The political offensive against Luzin was launched not only by Stalin‘s repressive ideological authorities but also by a group of Luzin’s students headed by Pavel Alexandrov. Although the Commission convicted Luzin, he was neither expelled from the Academy nor arrested. There has been some speculation about why his punishment was so much milder than that of most people condemned at that time, but the reason for this does not seem to be known for certain. However, he was never rehabilitated even after the death of Stalin[4] [5].

Ter publicações internacionais já foi um ato de traição.

posted by Márcio Laurini at 2:05 PM

Muito cuidado com o discurso de que “falta humanismo (ou “função social”) para economia, peugeot 206 ou uma furadeira. O final, ensina-nos a história (a mesma “história” que geralmente usam para justificar a tal “função social”) é sempre o mesmo. Laurini prestou um serviço à blogosfera hoje. Quem leu este post e não sabia destas histórias do uso pterodoxo-bolivariano da ciência, aprendeu mais uma.

p.s. eu mesmo já falei disso aqui várias vezes, mas esta história foi genial.

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A vida fácil

Você ensina teoria, o cara pede exercícios. Você faz exercícios, o cara diz que não tem base (ou está com sono). Você fala para ele acordar, ele diz que só faz isto se for para conversar com o colega. Você diz que não pode, ele diz que você é malvado e feio mas promete prestar atenção se você der um problema prático. Aí você ensina um problema prático com a teoria e ele diz que não pode resolver porque não sabe a teoria.

Assim é a vida do malandro. O interessante é que o malandro vive um ciclo, o ciclo de malandragem, que consiste em repetir este comportamento, na mesma disciplina, por muito, mas muito tempo…

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Professor, o que você espera com este trabalho?

Dick Wagner has the best story on this I have ever heard.  Wagner was sitting in Buchanan’s class at UVA, and Buchanan gave the students the following assignment — it is said that if a fly grew 9 times its size, it could no longer fly.  There is a problem of dimensionality.  Is this true for government as well?  For next class you need to turn in a 6 page essay on fiscal dimensionality.  Wagner raised his hand and said “Mr. Buchanan can you give us an idea of what you are looking for.”  Buchanan responded “Mr. Wagner if I knew what I was looking for I wouldn’t have asked you to write the assignment.”  Embrace the challenge of learning how to think creatively and write clearly.

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Por que pesquisas científicas não podem depender de um suposto planejador benevolente apenas?

Este artigo – coloquei o link há pouco, aí embaixo – mostra bem algo que já discuto há algum tempo na blogosfera (com o Adolfo Sachsida apenas, creio) e com colegas. Há um problema sério em se depender de fundos públicos para se fazer pesquisa. Ok, o problema não é depender de um fundo público, mas de um único fundo. Por que? Porque o dono da grana pode recusar projetos de pesquisa só por preferências ideológicas.

Nos anos 90, uma colega minha pediu bolsa a uma fundação estadual de pesquisa. Iria para Columbia, nos EUA, estudar Finanças. Recebeu um parecer desfavorável (virou folclore esta história, eu sei) de um sujeito que dizia ser a UNICAMP já um centro especializado no estudo de Finanças. Obviamente, o infeliz que deu este parecer confunde Hilferding com um modelo CAPM ou, quiçá, um parafuso enferrujado.

Isto deixou minha colega arrasada por muito tempo. Nunca alguém pagará o mal que lhe foi feito. Absurdo, eu sei. O artigo citado acima mostra algo similar, nos EUA. Eu duvido que uma proposta de pesquisa (se bem que, uma vez publicado aqui este texto, a estratégia ótima seja aprovar o que vou propor aqui e depois dificultar ao máximo meu trabalho, de forma lenta e gradual…) que, por exemplo, proponha-se a mostrar falhas na alocação dos recursos públicos como a que eu citei seja aceita…por uma agência pública de fundos de pesquisa.

Se você acha que gente da Academia é neutra e honesta, pura e sinceramente buscando o “saber” (ou o “Saber”, vai saber…), infelizmente você está enganado. Basta ir a uma única reunião de departamento (ou do sindicato) para descobrir a verdade elementar: acadêmicos também respondem a incentivos.

Leia o artigo acima. Vale a pena. Ele ensina, inclusive, como a perseverança pode fazer com que você faça sua pesquisa, mesmo a despeito destes absurdos cometidos por gente que se diz melhor que um bode e que pretende ter um voto tão valioso quanto o seu. Sorte a deles que o critério de ponderação não é o da eficiência econômica senão…

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Há esperança no mundo

Esta eu peguei do Cristiano Costa:

Ontem eu participei da colação de grau dos formandos de 2007 da FGV-RJ em Ciências Econômicas. Desta vez pude ser chamado ao palco para receber a homenagem aos professores; enfim, existem coisas que o dinheiro não compra. Foi realmente muito emocionante – nunca imaginei que passaria por isso; para quem gosta de ensinar como eu, é algo equivalente a ganhar um Oscar ou um Nobel. Fiquei realmente emocionado e muito feliz por ter superado mais essa injustiça da história. Ontem ( e nos próximos anos, se depender de mim) não haverá economista charlatão capaz de me privar deste momento. Até o discurso do patrono da turma, prof. Armínio Fraga, caiu como uma luva: temos o dever cívico de lutar contra o charlatanismo, mesmo que estejamos atuando na iniciativa privada (como eu…). Os impostores devem ser jogados na lata de lixo da história, sem piedade – se não tomarmos tal atitude, estaremos condenados ao bananismo eterno, a obscuridade. Bem, só me resta deixar aqui mais uma vez os parabéns a turma de 2007 da FGV-RJ. Sucesso e consciência!!! Valeu galera!!

Tomara que o empenho do Edson prevaleça.

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Democracias menos liberais são também as mais falidas?

Democracias menos liberais sobrevivem tão bem quanto democracias mais liberais? Eu sei que há muito o que pesquisar a respeito (e muito já foi dito). O tema não suporta uma discussão de apenas 50 minutos. Ofereço a você minha pequena contribuição.

O gráfico acima mostra a correlação simples entre dois rankings: o de liberdade econômica (escolhi, por conveniência, o da Heritage Foundation) e o de falência dos estados (eis o link aqui). As bases de dados foram ajustadas (com perda de pouquissimos países) e, só para matar sua curiosidade, o Brasil está em 101 e 117 nos respectivos rankings. Cuba, o famoso modelo socialista, ocupa as posições: 156 e 77. Vale dizer, Cuba é mais falida e menos livre, economicamente, do que o Brasil.

Podemos tomar como exemplo outros países e, claro, você, leitor, deveria fazer seu próprio estudo analítico com estes dados. Acho bem relevante que qualquer um exerça sua capacidade crítica. Você, que tem algum trabalho de econometria para fazer (ou uma monografia), pode explorar este tema à vontade. Sugiro, como leituras brainstorms:

Veja, só estas leituras não bastam. Contudo, acho que você vai se divertir.

Discuta com seu professor:

a) A necessidade de se ter uma medida objetiva de “democracia” ou “liberdade” antes de qualquer discussão comparativa do desempenho entre diferentes arranjos institucionais;

b) Comparações erradas e certas entre países;

c) A fuga da análise estatística como “barreira à entrada” no mercado das idéias (se alguém não gosta deste gráfico, deve não apenas explicar o porquê, objetivamente, como propor uma análise superior para os mesmos dados);

d) A diferença entre “liberal” e “neoliberal”;

e) O significado do liberalismo: você já leu algum autor liberal clássico na faculdade? Por que não? Que motivos existem para criticarmos o liberalismo (que não foi “inventado” por ninguém) e aceitarmos o socialismo (este sim, uma invenção humana)?

f) É o capitalismo sinônimo de liberalismo? Sim? Não? Depende? Empreendedorismo é sinônimo de liberalismo?

Estas são minhas humildes sugestões para você, leitor.

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Conheça a George Mason University

Não sei como a faculdade ainda não tem convênio com um departamento tão genial como este. Eis um parágrafo para se pensar:

Adjunct professor Arnold Kling offered a terser précis of the GMU way. “My simple way of describing it is that at Chicago they say, ‘Markets work; let’s use markets.’ At Harvard and MIT they say, ‘Markets fail; let’s use government.’ And at George Mason, we say, ‘Markets fail; let’s use markets.’” This seeming paradox means, that GMU sees plenty of deviations from the “perfect neoclassical paradigm,” which requires “perfect information, perfect competition,” but that unlike Harvard or MIT, they do not automatically “ring a bell and say, ‘We need more government.’ Markets come up with solutions to problems of information.”

Há várias outras observações interessantes e, eu diria, cuidado com o parágrafo acima. Fugir do paradigma neoclássico, aqui, não significa ser pterodoxo, como na selva (embora, sim, este seja o caminho mais fácil). Prova: não existe um único economista brasileiro que se diga não-ortodoxo e siga a linha de pensamento da GMU. Aqui não, jacaré. O pluralismo pterodoxo é um só…

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Das simplificações

Tem gente falando sobre uma suposta “heterodoxia” do FED. Contudo, o mundo é mais complicado do que as pautas apertadas dos jornais brasileiros. Por exemplo, considere o que disse o próprio John Taylor, pai da moderna política monetária, tal como praticada por muitos banqueiros centrais:

“However, Taylor (1993a, 197) did not advocate that policymakers follow a rule mechanically:”…There will be episodes where monetary policy will need to be adjusted to deal with special factors”.

E então?

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Econ Journal Watch

Neste número, novamente, só coisa boa. Estou curioso para ver os problemas do artigo de Rodrik e o comentário de Klein sobre Krugman.

Table of Contents with links to articles (pdf)

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Economics in Practice

Character Issues

  • Paul Krugman and the Have-Nots: Based on a comprehensive account of his New York Times columns thru 2006, Daniel Klein argues that Paul Krugman sacrifices poor people’s interests to certain ideological values.

The Sounds of Silence: Individuals who probably should have replied.

Download and Print Entire January 2008 Issue (134 pages, 1.6 MB)