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Como está a tolerância com a liberdade de expressão em nossas universidades?

O sociólogo aí acima é alguém que não vejo muito citado por aqui, por nossos sociólogos de gabinete…ou por nossos jornalistas que, aliás, hoje divulgaram uma suposta tendência à polarização da sociedade brasileira que seria preocupante. Uma tendência ao radicalismo que parece ser o resultado de uma miríade de fatores e, aposto eu, um deles, a falta de hábito de lidar com a diversidade (um hábito muito incentivado por quase 15 anos no país, por gente que pouco tinha (tem) de valores democráticos “em seu DNA”).

Parece-me que, quando você se esforça muito para calar vozes discordantes, uma virada de mesa no jogo do poder faz com que aqueles que sofreram passem a desejar aplicar a mesma repressão aos seus antigos algozes. O rancor gerado não deve ser desprezado…

Mas o início do vídeo me faz pensar no que vejo por aqui. Não é comum ver pessoas com camisas, digamos, do Bolsonaro nas universidades (e quando aparecem, surgem estranhas acusações de fascismo, etc). Será que a liberdade de expressão está sendo respeitada, praticada e incentivada no Brasil? Existe uma pesquisa séria (ou seja, com método científico, dados, aplicação honesta de métodos quantitativos) sobre o tema por aqui?

A propósito, a pesquisa é do Ipsos (mas não encontrei nada no site).

 

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Academia · direitos de propriedade · economia · pterodoxos · sociologia

Sociólogos e os Direitos de Propriedade

No “mundo-menos-o-Brasil”, é comum encontrar economistas heterodoxos sérios. Mais ainda, é comum também encontrar economistas heterodoxos sérios que levam a sociologia mais a sério do que os sociólogos.

Nicolai Foss é um destes economistas. Há anos eu comprei um livro seu, interessante, sobre economia austríaca, composto de vários pequenos artigos (minha visão não o alcança em minha mini-biblioteca, no momento). Um deles, se não me engano, fazia um pouco de História do Pensamento Econômico sobre Coase, Mises e os direitos de propriedade.

Pois é. Faz tempo que eu não leio os artigos do prof. Foss, mas apenas seu blog. E olha só que indagação interessante ele faz em um texto publicado hoje.

I just finished reading Bruce Carruthers and Laura Ariovich’s ”The Sociology of Property Rights,” published in The Annual Review of Sociology (2004) (no, Brayden, O&M is not the anti-sociology blog). This is a nice piece, but it is debatable how much of it is sociology per se. In actuality, most of the paper, which given the journal (research annual) that it is published one would expect to survey sociology contributions, turn out to be a survey of — economics. Specifically, the contributions of Coase, Demsetz, Barzel, and even Moore and Hart are highlighted and summarized. The authors themselves acknowledge that sociology “neglects” property rights. Others have made similar observations (e.g., Richard Swedberg).

This neglect of property rights is bizarre; after all, property rights, in a sort of proto-Hartian understanding, were central in Marx’ thought. Durkheim and Veblen also didn’t neglect property rights. Intuitively, one would think of property rights as a preeminent sociological theme, as it involves power, social stratification, inequality, and other sociology favorites. So, what accounts for the neglect?

A pergunta é bem interessante. Desde as contribuições de Coase (ok, antes dele outros falaram do tema, como Mises, reconheçamos, mas não com a mesma capacidade comunicativa), a questão dos direitos de propriedades, gradativamente, tornou-se importante nas análises econômicas.

Como em toda agenda de pesquisa, apesar dos pterodoxos de sempre, o conceito evoluiu e as análises teóricas se sofisticaram em diversos aspectos (matemático, abrangência, etc). Hoje, um economista consegue dissertar sobre o tema com bastante desenvoltura.

Mas a festa não pára por aí. Interessados em estudar o tema, procuraram os colegas do Direito e hoje, por exemplo, existem diversas associações, como a ALACDE.

A impressão que dá é que os auto-denominados pluralistas da “sociolândia” isolaram-se contra a concorrência das idéias de outras áreas e adotaram o monocórdio – e improdutivo – discurso do “isto não é marxismo”, “isto não é novidade”, “isto é ciência burguesa”, “isto não nos ajuda a compreender a realidade” (como se a luta de classes ajudasse…se bem que Marx disse que o importante não era entender, mas mandar mata…digo, mudar a realidade).

Claro, há exceções, estatisticamente falando. Mas eu não conheço nenhum sociólogo brasileiro sério quanto ao tema, então não posso nem citar exemplos.

Mas é irrelevante saber se há sociólogos, pedagogos, veterinários ou botânicos imunizados contra o tema dos direitos de propriedade. O ponto mais importante é que, quem deseja estudar o tema, estuda. Quem não quer, que vá fazer outra coisa. Talvez a pergunta de Foss tenha uma resposta óbvia: o silêncio ecoa a honestidade dos silenciosos porque os mesmos realmente não se metem a dizer asneiras sobre o que não entendem (e/ou não pesquisam).

Prefiro pensar assim do que imaginar que haja sacanagem na academia, embora eu saiba que, sim, isto existe às pampas.