Natsume Souseki

Natsume Souseki, com sabor Smithiano

164px-sosekiA soya pastry seller does not sell his produce for the good of the State. His basic aim is to earn something to make ends meet: that is why he does it. However, when we wonder if he makes a fundamental contribution to society, whatever his motivations, well, we can say that he is indirectly profitable to the country. [My Individualism and the Philosophical Foundations of Litera: and the Philosophical Foundations of Literature (Tuttle Classics), p.56]

É quase um Adam Smith, não? ^_^

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O imensurável, o incompreensível e o picareta…segundo um gato

Existe uma certa dignidade no imensurável e há algo impossível de se menosprezar dissimulado no incompreensível. Por isso, enquanto o homem comum se dá ares de entender aquilo que na realidade não compreende, os acadêmicos explanam o que compreendem como se não o houvessem entendido. É de conhecimento geral que nos cursos universitários os professores que discorrem sobre assuntos incompreensíveis se tornam populares e aqueles que explicam claramente o que sabem não são apreciados. [Souseki, Natsume. “Eu sou um gato”, Estação Liberdade, 2008, p.347]

O grande Souseki tinha uma sabedoria e um deboche inigualáveis.

Lembro de uma ocasião em que debochava, em uma cantina, com uma aluna, dos pomposos discursos recheados de jargões que são o ganha-pão de muito consultor de porta-de-cadeia. Lá pelas tantas, uma outra estudante que nos observava, disse-me seriamente:

– O senhor poderia ser candidato!

Mesmo lhe explicando que meu discurso era um arrazoado ilógico, ela insistiu e, mais ainda, falava seriamente. O gato de Souseki não poderia estar mais correto. Quanto a você, leitor, cuidado com aqueles que Pondé chama, pejorativamente, de moderninhos. Eles dizem ser criativos, conectados, inovadores mas, muitas vezes, são apenas vendedores de remédios que não funcionam, embora sejam tãããããoooo sedutores…

No mundo da pesquisa também existem estas criaturas execráveis que buscam vender aos inexperientes suas soluções “mágicas” para produzir sem muito esforço. Mas qualquer um que já tenha enfrentado uma banca de professores minimamente sérios sabe que pesquisa não se faz sem sofrimento. Já disse Feynman:

Sabe, tenho a vantagem de ter descoberto como é difícil saber mesmo alguma coisa, como a gente tem de tomar cuidado para conferir as experiências, como é fácil cometer erros e se enganar. [Os melhores textos de Richard Feynman, Blucher, 2015, p.39]

Você acha mesmo que sabe algo? Talvez o gato saiba mais…