dissonância cognitiva · economia · humor negro · microeconomia

Em breve os “fanáticos pela externalidade” defenderão: “filhos homens devem indenizar as mães”

Você já viu o quanto de amigo seu usa – de forma abusiva – o conceito econômico de “externalidade”? Eu já ouvi vários argumentos assim. Normalmente são adeptos da pterodoxia ou da “esquerda (intervencionista) anaeróbica”. Pois agora considere isto (vou reproduzir um trecho):

Filhos homens não são fáceis para uma mãe. Seja o peso maior na hora do parto, o nível elevado de testosterona ou, simplesmente, as algazarras que as deixam de cabelo em pé – os meninos trazem um fardo extra à mulher que os deu à luz. Examinando registros de dois séculos de uma igreja finlandesa, Virpi Lummaa, da University of Sheffield, na Inglaterra, tem como provar: filhos homens reduzem a expectativa de vida da mãe, em média, em 34 semanas.

Com o auxílio de genealogistas, a bióloga evolucionária finlandesa de 33 anos vasculhou livros com séculos de idade (e décadas em microfichas) em busca de certidões de nascimento, casamento e óbito – e pistas sobre a influência da evolução na reprodução humana. Historiadores, economistas e mesmo sociólogos há muito usam táticas parecidas para explorar seus campos de estudo, mas Lummaa está entre os primeiros biólogos a estudar o Homo sapiens como animal cuja população pode ser acompanhada ao longo do tempo.

Primeira consequência deste argumento sobre estes intervencionistas, creio eu, seria uma redução de aproximadamente 50% dos mesmos. Outra possível consequência é que o grau de “negação” aumentaria graças à dificuldade de se defender, ao mesmo tempo, a ladainha intervencionista “porque-tudo-tem-externalidades” com o fato de se ter nascido homem (nos casos devidos, entenda-se bem). Finalmente, uma possível bem-humorada consequência seria o aumento dos pedidos para troca de sexo em centros especializados. ^_^

Eis um bom motivo para se entender bem economia: evita um monte de pensamentos bobos.

humor negro · off-topic

Como conseguir paz mundial?

1. Junte uns amigos brucutus,

2. Encha suas mentes de um discurso socialista com toques cristãos (CNBB + Marx + Gramsci + etc),

3. Mate alguns e sequestre outros,

4. Crie um imenso estoque de quase-mortos, sequestrados. Mantenha-os em regime de isolamento e com pouca comida,

5. Cultive a produção de drogas e diga que é pelo “social”,

6. Negocie um décimo dos reféns com qualquer um que esteja disposto a lhe dar o “status” de organização não-governamental (embora você seja, no mínimo, um terrorista e, no máximo, um criminoso violento),

7. Pronto, você já tem a fórmula para a paz mundial.

humor negro · política brasileira

Largou a amante, a ética e foi ao cinema

Você enfrentou fila no aeroporto de Brasília ontem? Eu enfrentei. Mas isto porque não sou um amigo da Força Aérea Brasileira.

A bordo de um jatinho da Força Aérea Brasileira, para escapar dos saguões dos aeroportos, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deixou ontem Brasília para se afastar da crise. Longe de seu Estado desde que começou a ser julgado por quebra de decoro, o peemedebista saiu da capital federal em direção a Curitiba, segundo sua assessoria. Da capital paranaense, embarcou para São Paulo, segundo relato de amigos, acompanhado da mulher, Verônica.

Não é uma beleza ser político neste país? A reeleição do sr. da Silva, em 2006, não foi apenas uma demonstração de que brasileiro sabe votar, e muito bem. O fato do sr. Calheiros ser um dos principais líderes do sr. da Silva e também ter sido eleito mostra que brasileiro sabe muito bem o que faz quando deposita seu voto na urna. Por isso, se você não anulou seu voto ou se votou nestes dois cavalheiros, não me venha com desculpas.

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Histerese na taxa de indignação

Marcelo Soares, da Transparência Brasil, tem um ótimo texto sobre o tema, aqui. Contudo, é bom não se esquecer do que disse o Adolfo:

Claro que temos o direito de nos indignarmos com mais essa palhaçada do Senado. Mas não adianta querermos esconder o óbvio: os eleitores de Renan continuarão votando nele. O que me preocupa não é o fato de Renan ter sido absolvido pelo Senado; o que me preocupa mesmo é que tal como seus antecessores Renan continuará ainda por muito tempo na vida política nacional. O que me preocupa é que a população brasileira simplesmente PERDEU POR COMPLETO a capacidade de indignação.

Ontem eu perguntei sobre isto: onde estão os caras-pintadas? Conseguiram um emprego público ou abriram ONG’s e hoje vivem bem às custas do contribuinte? Este é um princípio do liberalismo que nem todos percebem: a cada qual conforme sua produtividade. Um liberal não é a favor do fim da CPMF e, ao mesmo tempo, da manutenção dos subsídios, como neste teatro dos sindicatos. Um liberal também não aceita esta besteira de contribuição sindical obrigatória.

Mas uma coisa é você ser liberal, outra é ser economista, embora ambas possam se confundir. Como liberal, então, eu também acho engraçado como a moral dos eleitores é realmente sacana, tal como o Adolfo diz. Mas, como economista, minha pergunta é: por que a capacidade de se indignar é tão baixa?

Mais ainda: será que o norte-americano ou o japonês se indigna mais do que o brasileiro com relação a palhaçadas como esta? Por que tanta histerese com relação ao tamanho do governo? É, realmente, mais barato viver em uma sociedade “rent-seeker”? Como os incentivos, no Brasil, criaram esta ausência de indignação (eis a histerese) permanente?

Aliás, vamos seguir o receituário dos tradicionais proponentes da intervenção do governo: se há histerese na taxa de desemprego, temos que intervir para mitigá-la. Ok, eu gosto da idéia de cursos de aperfeiçoamento para trabalhadores, embora eu tenha dúvidas sobre o impacto destes cursos no bem-estar (quanto custa? Quanto de emprego gera? Alguém no governo fez esta conta? Ou o tio Mangabeira já mandou demitir o cara que se preocupava com isto?).

Se há histerese na taxa de indignação, e se você segue o receituário keynesiano (como se auto-declaram alguns pterodoxos da ekipeconômica, como diria o Gaspari, sempre tão irônico quando o tema era FHC…), então você deveria propor um aumento dos gastos em campanhas para gerar indignação nas pessoas.

Pensando bem, o que foi feito pela conhecida figurinha oriunda da UNICAMP no Congresso ontem segue bem esta receita. Talvez a conclusão seja a de que Renan Calheiros até tentou, mas não conseguiu gerar indignação suficiente. Antes dele, muita gente do partido do presidente da Silva tentou, mas de nada adiantou.

Piadas à parte, permanece a pergunta: por que tanta falta de indignação? Meu palpite: com uma carga tributária próxima de metade do PIB (40%), é barato ser “rent-seeker” (mais barato do que inovar, concorrer, pensar no mérito das pessoas para lhes dar promoções) e mentiroso (dizer que não votou neste ou naquele sujeito que está no governo hoje é barato, você não precisa ser honesto…tal como visto na votação de ontem).