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Desconstruindo o pacotão recessivo

Sachsida fala sobre a estranha lógica do pacote da administração da Silva para frear a economia em 2008.

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O PT de Porto Alegre e o companheiro falastrão

Quando, lá pelos idos de 2000-1, dizia-se das estranhas notícias acerca da sede do PT gaúcho, aqui, no sudeste, todos se entreolhavam e diziam: este aí é doido, tadinho. Pois é. Agora que a máscara caiu, o mínimo que se espera é o reconhecimento.

Curioso mesmo é pensar no que será que motiva tamanha verborragia.

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Hummm….

Diz, muito apropriadamente, Nariz Gelado:

janeiro 04, 2008

Conforme vocês leram ontem, aqui no blog:

Trecho de editorial de hoje do Estadão:

Por ato assinado em 27 dezembro, o governo adiou por seis meses – para julho – o início da vigência de um decreto destinado a disciplinar e a restringir repasses federais a Estados, municípios e ONGs. No dia 28, o presidente, por meio de MP, estendeu os benefícios do Bolsa-Família a jovens de 16 e 17 anos. Pela regra anterior, eram beneficiadas famílias com filhos de até 15 anos. Coincidentemente, aos 16 anos o brasileiro já pode votar“.

Isto sim, é economia política. Agora, bacana mesmo seria alguém investigar se existe direcionamento ideológico em estudos de economistas e outros cientistas sociais quando os mesmos têm boa parte de seus proventos financiados por recursos públicos. Eis aí um tema quente, polêmico e que certamente coloca em cheque o discurso do governo de que respeita a independência intelectual, o livre debate e tudo o mais.

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A esquerda como ela é

E agora?

Da coluna Painel, na Folha de S. Paulo de Hoje

A ONG Ágora, acusada pelo Ministério Público de desviar R$ 900 mil em verbas públicas do extinto programa Primeiro Emprego, teve o registro cassado ontem pelo Ministério da Justiça. Seu proprietário, Mauro Dutra, é amigo de Lula e também dono da empresa Novadata, envolvida no escândalo dos Correios. O ministério alega ter esperado meses pela defesa da ONG, que nunca veio“.

Oportuno lembrar que o requerimento número 094/07, que convoca Mauro Dutra a depor, é um dos que estão inviabilizando a CPI das ONGs – que, por falta de acordo entre oposição e situação, está parada desde 27 de novembro.
A tropa de choque governista quer ver o amigo de Lula longe dos microfones.
Está conseguindo.

Ética na política, heim? Sei…

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Disse tudo

Uma “reforma” é uma medida de amplo alcance que consiste em remover privilégios concedidos a minorias militantes em detrimento de maiorias distraídas. Sua utilidade pode ser aferida, em geral, pela truculência e falta de decoro das minorias quando percebem que suas benesses estão ameaçadas. Por isso se dizia que as privatizações mais salutares foram as que produziram mais gás lacrimogêneo. Por isso alguns sindicalistas andaram querendo lutar jiu-jitsu com alguns parlamentares. O imposto sindical é assunto paradigmático; embora ninguém seja obrigado a filiar-se, somos todos obrigados a pagar o sindicato do mesmo jeito. Para o trabalhador, esse “imposto” custa um dia de trabalho a cada ano, capturado diretamente da folha de pagamentos. Para a empresa custa uma fração do capital (1% para empresas com capital de R$ 1,000,00) recolhidos anualmente a favor do sindicato patronal da atividade predominante da empresa.

A defesa desta odiosa sistemática repousa sobre o argumento teórico, e patético, de que todos os trabalhadores de uma categoria se beneficiam do trabalho do sindicato. Balela. A prática é que o sindicato não tem incentivos para trabalhar porque recebe do mesmo jeito. Parece óbvio, portanto, que as pessoas devem ser livres para contribuir, ou não, para os sindicatos e associações que bem entenderem, e o óbvio, às vezes, é um poderoso impulso político; ele se insinua pelas barreiras mais cerradas, e quando menos se espera, lá está ele, como neste caso, a apontar para a obsolescência da nossa organização sindical corporativista.

Mas se aceitamos o princípio segundo o qual ninguém deve ser obrigado a fazer o que faria na ausência da obrigação, e desobrigamos as pessoas de pagar pedágios para os sindicatos, inclusive os patronais, a pergunta seguinte é por que mesmo as empresas são obrigadas a fazer contribuições para o Sistema “S”. Sempre que ouço empresários exaltando o belíssimo trabalho feito nessas instituições, a pergunta que não quer calar é simples: porque então elas precisam de recursos públicos para se sustentar?

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Conseqüências do ativismo social irresponsável

Malaria is as old as mankind and still going strong, infecting hundreds of millions (and killing between one and three million) each year. A cure was known in 17th-century Europe. But because it was brought to the continent by Catholic missionaries (who actually learned of it from South American natives), many malaria sufferers, included Oliver Cromwell, thought the medicine was part of a “Popish plot” and refused to take it. Cromwell died of the disease in 1658. It took his death, and the subsequent curing of King Charles II, to shift public opinion in favor of “quinine,” as the anti-malaria agent is now called.A similar situation confronts us today. Mankind now has all the scientific and economic tools to virtually eradicate malaria. But some influential groups are refusing to sanction one of the most effective prevention measures. Here’s the twist: in 17th-century Europe, those who rejected quinine sacrificed their own lives. Today, those who block the proven anti-malaria insecticide DDT are mainly condemning poor children in Africa.

Leia tudo que é interessante. Esta do Cromwell eu não conhecia…

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Histerese na taxa de indignação

Marcelo Soares, da Transparência Brasil, tem um ótimo texto sobre o tema, aqui. Contudo, é bom não se esquecer do que disse o Adolfo:

Claro que temos o direito de nos indignarmos com mais essa palhaçada do Senado. Mas não adianta querermos esconder o óbvio: os eleitores de Renan continuarão votando nele. O que me preocupa não é o fato de Renan ter sido absolvido pelo Senado; o que me preocupa mesmo é que tal como seus antecessores Renan continuará ainda por muito tempo na vida política nacional. O que me preocupa é que a população brasileira simplesmente PERDEU POR COMPLETO a capacidade de indignação.

Ontem eu perguntei sobre isto: onde estão os caras-pintadas? Conseguiram um emprego público ou abriram ONG’s e hoje vivem bem às custas do contribuinte? Este é um princípio do liberalismo que nem todos percebem: a cada qual conforme sua produtividade. Um liberal não é a favor do fim da CPMF e, ao mesmo tempo, da manutenção dos subsídios, como neste teatro dos sindicatos. Um liberal também não aceita esta besteira de contribuição sindical obrigatória.

Mas uma coisa é você ser liberal, outra é ser economista, embora ambas possam se confundir. Como liberal, então, eu também acho engraçado como a moral dos eleitores é realmente sacana, tal como o Adolfo diz. Mas, como economista, minha pergunta é: por que a capacidade de se indignar é tão baixa?

Mais ainda: será que o norte-americano ou o japonês se indigna mais do que o brasileiro com relação a palhaçadas como esta? Por que tanta histerese com relação ao tamanho do governo? É, realmente, mais barato viver em uma sociedade “rent-seeker”? Como os incentivos, no Brasil, criaram esta ausência de indignação (eis a histerese) permanente?

Aliás, vamos seguir o receituário dos tradicionais proponentes da intervenção do governo: se há histerese na taxa de desemprego, temos que intervir para mitigá-la. Ok, eu gosto da idéia de cursos de aperfeiçoamento para trabalhadores, embora eu tenha dúvidas sobre o impacto destes cursos no bem-estar (quanto custa? Quanto de emprego gera? Alguém no governo fez esta conta? Ou o tio Mangabeira já mandou demitir o cara que se preocupava com isto?).

Se há histerese na taxa de indignação, e se você segue o receituário keynesiano (como se auto-declaram alguns pterodoxos da ekipeconômica, como diria o Gaspari, sempre tão irônico quando o tema era FHC…), então você deveria propor um aumento dos gastos em campanhas para gerar indignação nas pessoas.

Pensando bem, o que foi feito pela conhecida figurinha oriunda da UNICAMP no Congresso ontem segue bem esta receita. Talvez a conclusão seja a de que Renan Calheiros até tentou, mas não conseguiu gerar indignação suficiente. Antes dele, muita gente do partido do presidente da Silva tentou, mas de nada adiantou.

Piadas à parte, permanece a pergunta: por que tanta falta de indignação? Meu palpite: com uma carga tributária próxima de metade do PIB (40%), é barato ser “rent-seeker” (mais barato do que inovar, concorrer, pensar no mérito das pessoas para lhes dar promoções) e mentiroso (dizer que não votou neste ou naquele sujeito que está no governo hoje é barato, você não precisa ser honesto…tal como visto na votação de ontem).

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Ainda a Lei de Gresham

No texto anterior, muito brevemente, citei a Lei de Gresham. Embora venha da Wikipedia, o verbete para este termo está bem razoável.

Agora, vejamos como um governo que adora regular todos os aspectos de sua vida, pode destruir uma economia através de leis que favoreçam o predomínio da “moeda ruim”:

A case in education where Gresham’s Law generally does not apply is with “diploma mills,” schools that offer diplomas even to those with very low qualifications for a price. It may seem that according to Gresham’s law these “bad” diplomas ought to drive out the “good” diplomas. However, unlike money, most countries have no law requiring employers to accept all diplomas as being of equal value. Each employer is free to assess the value of qualifications as they see fit. In those nations or governmental organizations where the law does require blindness, this effect does occur.

Já pensou se você mora em um país no qual o governo exige para toda (ou parte da) economia que todo diploma tenha o mesmo valor para o empregador?

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Quem é a favor de mais arrecadação gosta de subsídios?

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) defendeu que o governo aproveite o espaço fiscal obtido com a elevação da arrecadação para adotar medidas de estímulo ao crescimento econômico. Pelos cálculos do Iedi, essa folga representa 2% do Produto Interno Bruto (PIB) – 1,1 ponto com o aumento da carga tributária e 0,9 ponto pela redução dos gastos com juros.

Leia mais sobre a proposta do IEDI aqui. Aproveite e leia novamente o que o Adolfo disse ontem. Outro dia eu mesmo comentei aqui uma das últimas cartas quinzenais do Jorge Vianna Monteiro na qual ele expressava – corretamente – sua desconfiança da tal campanha da FIESP contra a CPMF. Se é contra a CPMF, é contra subsídios? Se é, então, sim, leitor, pode ser que seja um liberal. Mas se acha que subsídio é bom, não é liberal, embora o povo da esquerda insista em lançar esta confusão na mente de seus eleitores.

Faz parte do discurso dos não-liberais acusar seus inimigos de liberais (como o faz, descaradamente, há mais de 50 anos, a esquerda) ou de comunistas (como o faz, descaradamente, há quase tanto tempo quanto, os grupos de interesse de empresários).

Já ouviu falar da sociedade rent-seeking? Pois o Brasil é um exemplo que se encaixaria em qualquer livro-texto sobre o tema.