Capital Humano · educação

Educação de verdade

Tesshu’s life bridged the time between feudal and modern Japan. Tesshu held a position as a bodyguard for the last Togugawa Shogun. Tesshu even played a role in the transition of power. Then Tesshu became a tutor for the Emperor Meiji during the emperor’s early adulthood.

On one occasion the young emperor challenged Tesshu to a wrestling match. The emperor enjoyed sumo wrestling but he had acquired the inappropriate habit of challenging his aids to impromptu wrestling matches. On one occasion, following a bout of sake drinking, the emperor challenged Tesshu to wrestle. When Tesshu refused the challenge, whereupon the emperor tried to push and pull Tesshu, but the emperor found Tesshu to be immoveable. Then the emperor tried to strike Tesshu, but Tesshu moved slightly aside. The force of the emperor’s blow caused him to fall down, whereupon Tesshu pinned the emperor to the ground. The emperor’s other aids were furious with Tesshu and demanded that Tesshu apologize to the emperor. Tesshu asserted that he was in fact doing his duty and would commit suicide if the emperor requested, but he would not apologize. The emperor saw the wisdom of Tesshu’s way and gave up (temporarily) both wrestling and drinking. From then on Tesshu was one of the emperor’s most trusted advisors.

On another occasion, the emperor, observing how worn Tesshu’s clothing was, gave Tesshu some money to buy new clothes. Tesshu, however, had little regard for material possessions and gave the money to the numerous poor people who sought the hospitality of his household. The next time Tesshu appeared before the emperor, he was wearing the same old clothes.

“What became of the new clothes?” asked the emperor. Tesshu responded back, “They went to you majesty’s children.”

Ao invés de dar um “carteiraço” (como é hábito no Brasil), o jovem Meiji aprendeu as lições de Tesshu Yamaoka. Não é à toa que ambos tenham se tornado tão famosos…

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O lado sujo da (des)educação que os pais desejam para seus filhos

Trecho:

Sou do tempo – e creio que a maioria que me lê também é – em que notas baixas no boletim eram motivo para um castigo. As penas eram duríssimas: de uma semana sem ir brincar na rua a uma mês inteiro sem matinê, elas variavam de acordo com a nota e os danos que a mesma poderia causar no aproveitamento escolar anual. Sem contar a vergonha a que éramos submetidos nos churrascos e reuniões familiares, quando todos nos olhavam com reprovação. Um tio meu, aliás, tinha uma técnica infalível. Sempre que algum moleque – os meninos eram piores – aparecia com notas baixas, ele vinha com um discurso semelhante: “Fulano, não se preocupe. Nós te amamos assim mesmo. Entendemos que você é limitado e jamais vamos lhe deixar desamparado. O tio está guardando um dinheirinho para lhe comprar um taxi. Esteja certo de que comida não vai lhe faltar” , etc e tal. Era tiro e queda.

São práticas educacionais familiares de um tempo que já morreu. Hoje, quando a criança apresenta notas insatisfatórias, os pais vão à escola para xingar os professores. As reuniões não ocorrem mais para discutir o comportamento da meninada em sala de aula – e para orientar os pais sobre o que eles devem cobrar de seus filhos. São, isto sim, verdadeiras sessões de linchamento dos professores. Nenhuma ou pouca responsabilidade se exige dos estudantes.

Não é difícil perceber como se chegou a isso. Nos últimos 30 anos, a introdução de novos conceitos pedagógicos acabou por questionar valores antes tidos como certos: a nota como parâmetro de produção, a exigência de um bom rendimento, a valorização da competitividade e o respeito a autoridade do professor caíram por terra. Em substituição, vieram a subjetividade do conceito, o respeito à diferença de ritmo de cada aluno e a exagerada valorização de “saberes” outros, não adquiridos nos livros – aquela história de que saber tocar pandeiro é tão importante quanto saber somar. E se hoje os professores são responsabilizados por tudo é porque houve um momento em que eles se mostraram absolutamente coniventes com estas inovações pedagógicas.

Leia tudo. Esta praga é tal qual o plágio e a saúva: abundam no Brasil.

bolivarianismo · brasil · doutrinação · educação · ideologia · ONG

Quem faz a cabeça do seu filho?

Certamente não é você, pai ou mãe que terceiriza a educação dele para um qualquer. Mas eis uma pista do que te aguarda no futuro (trecho):

Igrejas e partidos disputam eleição para conselhos tutelares

Ministério Público quer nova lei para regulamentar campanhas, qualificar candidatos e fiscalizar conselheiros

Adriana Carranca

No próximo domingo tem eleição para os 35 conselhos tutelares da capital. Desconhecidos por muitos paulistanos, são importantes para zelar pelos direitos de crianças e adolescentes. Mil e cinqüenta candidatos disputam 175 vagas. Entre eles, muitos pastores e candidatos apoiados por vereadores e deputados. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não estabelece regras de campanha. Mas especialistas acreditam que esse tipo de apoio pode afetar a autonomia do órgão, prevista na lei.

O Ministério Público, claro, se acha mais importante do que os igrejeiros e os militantes-que-nada-opinam-sobre-o-mensalão. Mas nem eles estão livres do que tentam regulamentar: o viés ideológico.

O ideal seria não politizar tudo na vida das pessoas (uma vez Norberto Bobbio falou disto, mas a esquerda anaeróbica não curte o velho socialista italiano aqui na selva…). Por que, raios, tem que haver um “Estatuto” para tudo que é substantivo do dicionário Aurélio? Por que qualquer coisa tem que ser decidida por votação?

Como diria o Alex Castro ao atacar os inimigos dos miguxos, tenho uma opinião similar: a politização é resultado da maior força relativa do grupo de interesse que tem vantagem comparativa na verborragia sobre o resto da sociedade. Eis aí algo para se pensar. Será que Alex também pensa assim? Não sei. Mas eis aqui um outro fenômeno no qual a tese dele se aplica muito bem. Vale, claro, a pena detalhar um pouco melhor a composição deste grupo de interesse, mas acho que é um bom começo.

O mais notável é que não há, na reportagem, indícios de um único grupo de liberais tentando educar as pessoas. Só existe conspiração liberal na cabeça da blogosfera “quinta coluna”, que se finge de neutra mas vê Opus Dei e tropa de elite em qualquer crítica ao criminoso Lamarca ou ao assassino Che Guevara. Ok, como liberal eu acho que esta gente tem o direito de se expressar. Você, leitor, é quem tem de analisar e comparar as interpretações de mundo. O que? Você achava que só havia uma interpretação? Aquela que se diz “plural” mas é apenas marxismo tosco? Pois é. Há muito mais do que isso além do jardim…

Capital Humano · educação · vouchers

Educação (mais boas observações)

Olha que beleza de análise do Cisco. Vai na íntegra.

Lendo Megan McArdle discutir vouchers escolares, me ocorreu que eu nunca comentei aqui meu plano secreto para implementar vouchers no Rio Grande do Sul. Basicamente, seria um grande suborno/chantagem do sindicato dos professores, onde o Estado daria todas as escolas públicas para todos os professores. Cada professor de escola estadual seria acionista, cooperativista ou quesejista da escola em que trabalha. Sem compromisso. Porteira fechada. Se os professores se reunissem e decidissem destruir a escola e construir um estacionamento, eles poderiam. Se quisessem vender para a Igreja Católica, poderiam. Se quisessem construir um clube de strip-tease apenas com ex-alunas, seriam subsidiados.

Essa seria a parte suborno. A parte chantagem seria o seguinte: quando o sindicato esperneasse, o governo diria “vem cá, vocês não conseguem gerenciar o próprio negócio? Nós vamos dar os vouchers para os pais escolherem onde colocar os filhos para estudar, vocês estão com medo que ninguém queira ser aluno de vocês?” Não aceitar a oferta, generosa a não poder mais, seria o equivalente a admitir que não sabe fazer o próprio trabalho direito e que quer viver de mamar nas tetas do Estado até se aposentar.

(Minha experiência limitada com compra de vagas em escolas privadas para os excedentes da rede municipal é a seguinte: já vi pais literalmente chorando de felicidade porque conseguiram mandar seus filhos para uma escola privada — uma escola privada simples e pequena, que só tem turmas de primeira a quarta série, não o Anchieta ou o Leonardo DaVinci. Mesmo sabendo que o Brasil é o Brasil e que ainda haveria algum nível de corrupção e desperdício, não consigo imaginar que as crianças aprenderiam menos, que os pais ficariam menos satisfeitos, que mais dinheiro seria desperdiçado ou que a corrupção correria mais solta do que já corre.)

Quem disse que não há blogs inteligentes?

Capital Humano · desenvolvimento · educação · política industrial

Sabe aquela história de fazer política industrial?

Pois é. Há um debate interessante aqui e aqui sobre o tema. Eu continuo a pensar que o mais importante é investir em educação. Ainda mais com evidências como esta. Já pensou? Ganhos de 75% em menos de 20 anos? E sem gerar o mesmo ônus para o contribuinte que grupos de interesse tanto gostam (desde o MST até a FIESP, passando por outros sindicatos deste país selvagem…)?

Queria, agora, ter nascido na Hungria há uns 30 anos…

Capital Humano · educação · informação · jornalismo · Tecnologia

Tecnologia e uso da tecnologia

Este comentário do Marcelo Soares sobre o uso primitivo dos computadores pelos jornalistas brasileiros me faz lembrar o importante fato de que não basta encher salas de aulas com gente despreparada e que não mexe um dedo para aprender. Quantidade de gente não é sinônimo de uso intensivo do cérebro. Ou dos cérebros.

Por isto existem profissionais ruins em Economia, Jornalismo, etc.

América Latina · autoritarismo · bolivarianismo · demagogia · educação

É brincadeira!

Já não basta nossos “livros didáticos”, nossa “nova mídia estatal”, agora mais essa:

 Chávez lança livro sobre Bolívar e doa para escolas brasileiras

O pior: “O livro contém cem textos atribuídos a Bolívar escritos entre 1805 e 1830 e é financiado pela construtora brasileira Odebrecht, que tem a concessão de grandes obras de infra-estrutura na Venezuela.”

Que belo exemplo! Iniciativas como essa são “louváveis”.

educação

Revista Piauí

Neste final de semana comprei o n.13 da Revista. Alguém havia me indicado, reconheço que no geral gostei. Neste número vem junto um travel guide sobre a “Molvânia: uma país intocado pela odontologia moderna”. É hilário.  Segue o trecho sobre o método de ensino do “lugar”.

Na escola…

A maioria das pessoas, quando pensa em métodos de ensino alternativos, lembra-se de Montessori ou de Steiner. Entretanto, a Molvânia também tem seu próprio sistema, baseado nas obras do visionário V.Z.Vzeclep (1823-1878), uma das grandes personalidades de Lutenblag. Os Vzeclep Instjtuts  se baseiam numa filosofia educacional conhecida como Ne Drabjovit Vard Szlabo (“não espanque o burro com tanta força”). Esse sistema enfatiza a postura e respiração, e as crianças nas Escolas Vzeclep passam os primeiros seis anos de sua vida escolar amarradas em arreios.

pág. 3 de “Molvânia:  uma país intocado pela odontologia moderna”, travel guide do n.3 da Revista Piauí.

Capital Humano · desenvolvimento · educação · pobreza

Apartheid, já (é o que dirão os apressados)

Crianças que estudam em favelas de bairros ricos no Rio de Janeiro têm um desempenho pior na escola do que aquelas que vivem em favelas situadas em bairros que destoam menos da sua realidade social, indica um estudo de pesquisadores cariocas.

Como é? Eu não vi a metodologia da pesquisa, mas temo pelos apressadinhos que certamente vão propor um “apartheid” social, agora em nome do bolivarianismo. Ou então farão passeata por uma maior igualdade de renda, só que com todo mundo pobre (já que ser rico é minoria na sociedade, dirão, e como as necessidades da maioria são sempre preferíveis às da minoria, então…).

O resultado, contudo, não deixa de ser um desafio para os pesquisadores sérios e não comprometidos com o financiamento do governo para suas atividades (o potencial de viés, neste caso, é muito alto) que se preocupam com um dos problemas mais sérios do Brasil: a pobreza.

Note que não digo que qualquer pesquisador bolsista de agências públicas é viesado, mas é muito preocupante que, até hoje, não se tenha feito uma avaliação externa para se descobrir o potencial de viés e de práticas nefastas ao desenvolvimento de pesquisas por conta disto (e.g. se um burocrata do governo encomenda um índice, sei lá, de qualidade de vida, e se a pesquisa não der o resultado esperado…pode o burocrata simplesmente recusar o resultado?).

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Os tais livros didáticos

O Ministério da Educação deveria ter um controle mais rigoroso sobre os livos que distribui, ainda que ele seja demandado por milhões de professores. Obras mal escritas, com uma visão de mundo simplista e distorcida, não deveriam receber o que é um tipo de chancela do Ministério da Educação. É claro que qualquer livro didático tem a obrigação de ser menos enviesado e doutrinário e muito mais bem escrito do que os de Schmidt. Mesmo assim, não acho que obras como essas vão construir uma multidão de socialistas acríticos nos próximos anos. A realidade é muito mais complexa do que isso, e os livros didáticos de Schmidt não são a única fonte de informação a que os alunos estão expostos. Ainda bem.

Peguei lá da Torre de Marfim. Se eu fosse o leitor, passaria também por esta matéria do Estadão sobre o mesmo livro. O que dizer de tudo isto? Primeiro, tentativa de doutrinação sempre existe, o que não quer dizer que seja o caso de todo avaliador do MEC (mas eu não duvidaria que existem alguns tresloucados lá). Mas o que diz o Matamoros no trecho acima é correto: o problema é a péssima qualidade do livro. E isto me faz pensar: por que é que um editor topa publicar um livro com tantas distorções? Se ele não enxerga isto como um empecilho à sua busca de lucro, então é porque percebe que a demanda não reage a isto. Em outras palavras, o editor percebe que os consumidores não têm muito poder de crítica.

Mas, se isto é correto, caímos em outra pergunta: por que tanta falta de crítica por parte dos leitores brasileiros? Pode-se culpar o governo militar, a herança maldita ou a conspiração gramsciana da esquerda (consciente ou não). Mas esta é a resposta que, até hoje, não vi bem elaborada. Talvez este seja um dos pontos para se discutir em Brasília.

brasil · educação

Má educação é gerada por…

Os dados nos permitem questionar a idéia de que o baixo nível educacional dos jovens é apenas produto das suas condições socioeconômicas, que explicaria a entrada prematura ao mercado de trabalho de milhões de jovens brasileiros, provocando por sua vez desemprego e baixas remunerações. Ao contrário, o que argumentamos é que o problema principal se encontra no interior do sistema educacional e, que este problema incide, principalmente, nos jovens pobres e, em conseqüência, nas suas oportunidades de encontrar melhores empregos. É devido à educação deficiente que as crianças pobres enfrentam maiores dificuldades e altas taxas de repetência desde os primeiros anos da escola, o que incide, posteriormente, no alto grau de evasão escolar, fazendo com que ingressem ao mercado de trabalho sem condições adequadas. Se isto é verdade, então o trabalho fundamental para romper o círculo vicioso da má educação e trabalho precário e mal remunerado precisa ser feito junto ao sistema escolar, e não no mercado de trabalho, e nem por subsídios à demanda por educação, embora políticas específicas nestas áreas possam também ter seu lugar.

educação · irracionalidade racional · microeconomia · sinalização

Educação, sinalização e a resposta de Caplan a Kling

Outro dia eu coloquei aqui um link para o post  do Arnold Kling para Caplan, no qual se perguntava a este último sobre educação, sinalização e a famosa irracionalidade racional. Eis a resposta do Caplan. Reproduzo, abaixo, parte do texto:

1. Steve Miller and I have a paper where we examine the extent to which the tendency of education to “make people think like economists” is actually a disguised effect of IQ. We find that at least one-third of the apparent effect of education should actually be attributed to IQ. So while there is something to Arnold’s concerns, there is still plenty of room for education to matter.

2. You might object that it will be extremely costly to significantly raise the average education levels of people with average or lower IQ. I’m sympathetic, but this ignores a cheaper, more realistic alternative: Revising the curriculum to emphasize subjects, like economics, with large political externalities.

3. Just because education is largely signaling, it does not follow that students are not learning anything! The point, rather, is that students are not learning job skills. I don’t deny that students learn history in school; I just deny that knowledge of history makes people (historians aside) into measurably better workers.

Ok, é o bastante para este tema.