Ciência · economia · meio ambiente

Ecologista quer salvar o planeta a qualquer custo

Incrível o que um ecologista não faz pela causa. Até juntar casais separados, se puder, ele faz.

UPDATE: Ok, minha sugestão é a de que se libere o divórcio, mas se obrigue que dois casais vivam no mesmo apartamento. Pronto, resolvi o problema com a mesma solução do ecologista.

Al Gore · Ciência · meio ambiente · Nobel

Landsburg merecia o Nobel, não Al Gore

Basta ler isto. Trecho:

Barring a last-minute intervention by the Supreme Court, the 2007 Nobel Peace Prize will be shared by Albert Gore Jr. Admittedly, Gore has been less of a menace to world peace than some previous laureates (think Henry Kissinger). But there is nothing particularly peaceable about Gore’s rhetorical approach to climate policy. At his most pugnacious, Gore has depicted the fundamental trade-off as one between environmental responsibility and personal greed. Of course, as everyone over the age of 12 is perfectly aware, the real trade-off is between the quality of our own lives and the quality of our descendants’.

In other words, climate policy is almost entirely about you and me making sacrifices for the benefit of future generations. To contribute usefully to the debate, you’ve got to think hard about the appropriate level of sacrifice. That in turn requires you to think hard about roughly half a dozen underlying issues.

Leia as questões e tente responder antes de cair no conto do vigário.

Ciência · economia · psicologia

Por que eu gosto de psicólogos?

Eles são mais honestos no debate do que a corja usual. Mesmo que nem todos sejam honestos (quem disse que somos melhores?), os argumentos fazem mais sentido. Bem-vindos, psicólogos.

What economists think about psychologists:
1. Psychologists only study rats, pigeons, college freshman, and crazy people.
2. (Perhaps due to the above,) psychologists are not very rational.
What psychologists think about economists:
1. Economists stubbornly hold to a rational model of man(kind) that (they must know) is obviously wrong.
2. Economists can never agree about what will happen to our economy.

I’ll now give a few comments of my own. First, my impression is that, within academia, economics has a higher status than psychology. Thus you see psychologists sniping at economists but not much of the reverse: economists probably don’t spend much time thinking about psychologists. It reminds me of when I used to teach at Berkeley: we could always get a rise out of the students by mentioning Stanford. But, at Stanford, if you mention Berkeley, nobody cares.

On the substance of the matter, of course psychologists will be able to explain some aspects of economic behavior better than economists can, and economists will be able to explain other aspects of economic behavior. I’d trust the economist more on the price of food and I’d trust the psychologist more on the question of what food a person will actually buy. I don’t know that either side would know “more” than the other.

Vejamos até onde isto vai.

Academia · Ciência · ciência econômica · economia da economia

A economia da economia

Algumas pessoas que visitam este blog ficam curiosas sobre o tipo de pesquisas que seus autores desenvolvem. Deixe-me falar de uma de nossas agendas de pesquisa (minha e do Ari): a Economia da Economia. Não, você não leu errado. É isto mesmo, “Economia da Economia”. Conheci esta área por causa de conversas com João Ricardo Faria e por causa das pesquisas do Tom Coupé. Aliás, vejamos a definição que este último faz sobre esta agenda de pesquisa:

Economics of Economics is studying the behavior of economists and the characteristics of the economics profession. Maybe this is less wackonomics than the others as it’s mainly of interest to economists. At the other side, some people clearly do not like it. Click here for some evidence of this!

Por que eu gosto disto? Bom, a economia é ciência dos incentivos, por excelência. Nada mais interessante do que observar os incentivos que regem as ações dos próprios economistas. Muita gente reclama que os economistas são “imperialistas” porque desenvolvem modelos para explicar coisas como o crime, o conflito ou decisões políticas. A reclamação tem muito de ciúme dos concorrentes das outras áreas do conhecimento (o mercado das idéias também tem gente que adora criar barreiras à entrada…) e muita injustiça. Afinal, existe a economia da economia. Em outras palavras, somos honestos o suficiente para olharmos para nós mesmos e nossas práticas de trabalho e fazermos um estudo sobre isto.

Mas estudo de que, especificamente? Há vários tópicos interessantes. O mais popular deles – e que causa muita briga boba entre os colegas – é o “ranking”, seja ele de pesquisadores, departamentos de economia ou publicações. Outro bom tópico é o da análise do mercado editorial e suas imperfeições. Talvez o melhor seja eu reproduzir alguns dos títulos dos artigos produzidos pelo Jocka conosco ou com outros autores para você ter uma idéia mais clara do que falo.

The tenure game: Building up academic habits (2008) Japanese Economic Review, forthcoming (with Goncalo Monteiro)

Negatively correlated author seniority and the number of acknowledged people: Name-recognition as a signal of scientific merit? (2008) Journal of Socio-Economics, forthcoming. (with Nathan Berg)

Proliferation of academic journals: Effects on research quantity and quality (2007) Metroeconomica, forthcoming (with Rajeev Goel).

The game academics play: Editors versus authors (2005) Bulletin of Economic Research 57, 1-12.

The international research of academic economists in Brazil: 1999-2006 (2007) Economia Aplicada, forthcoming. (with A. Araujo and C. Shikida)

The citation pattern of Brazilian economists (2007) Estudos Econômicos 37, 151-166. (with A. Araujo and C. Shikida)

Is there a trade-off between domestic and international publications ?(2005) Journal of Socio-Economics 34, 269-280.

Some reflections on incentives for publication: The case of the CAPES’ list of economic journals (2004) Economia Aplicada 8, 791-816.

What type of economist are you: r-strategist or K-strategist ? (2003) Journal of Economic Studies 30, 144-154.

An analysis of rankings of economic journals (2002) Brazilian Journal of Business Economics 2, 95-117.

Rent seeking in academia: The consultancy disease (2001) American Economist 45, 69-74.

The research output of academic economists in Brazil (2000) Economia Aplicada 4, 95-113.

Note bem, leitor. Não é que não exista este tipo de crítica em outras áreas do conhecimento (embora eu não tenha conhecimento de nada similar), mas os artigos acima não se limitam a apontar problemas. Há uma análise de dados, há hipóteses e teorias formuladas, enfim, há uma tentativa de entender o(s) problema(s) que permeiam a produção acadêmica dos próprios economistas.

Sinceramente, acredito que uma História do Pensamento Econômico Brasileiro não pode escrita de forma completa se não abordar problemas como estes que nós, da Economia da Economia, estamos a estudar.

Em outras palavras, a história da ciência econômica no Brasil vai muito além de um livro de história sobre as reuniões que deram origem à ANPEC (existe um interessante nas livrarias, mas não me lembro da referência agora) ou sobre o que pensava José Bonifácio sobre o livre comércio. Estas coisas são importantes, claro, mas ilustram apenas o lado das preferências dos economistas. É importante ver como este discurso (não) se traduz em determinadas práticas. Aí é que a coisa fica bem interessante…

amostragem · Ciência · economia austríaca · pesquisa

Pesquisas feitas de forma não tão correta…(e alguns pontos adicionais sobre marketing)

Esta notícia é interessante.

Aqui vai um pouco da história:

A new study has intensified the conflict between the food police and food marketers. Thomas Robinson of Stanford University School of Medicine has found that McDonalds’ marketing is highly effective. Young children ages 3 to 5, were presented with two identical samples of food. One sample was wrapped in plain paper while the other was in McDonald’s paper. The children were more likely to indicate the food labeled McDonald’s “tastes the best.”

Não, não. Não diga nada ainda. Leia o resto da matéria. Eu vou ajudar, selecionando alguns trechos, mas é melhor você mesmo ler. Aí vão:

Now consider what is happening from the child’s perspective. He or she is motivated to answer the question accurately. The two foods are, by design, very similar physically, so the child has to look for something to break the tie. The McDonald’s branding is the most obvious, easiest cue for solving the problem. “I have had good experiences with McDonald’s previously, and I will use that in my judgment.” Notice that the child’s rational response is different from advertising “tricking the taste buds.” McDonald’s has not nefariously manipulated the child. Instead the youngster has appropriately used the most relevant information available—his or her opinion of McDonald’s—to answer a difficult question. If anything, the experimenters themselves were manipulative, asking the children to spot a difference in taste that, if the experimental design were successful, did not exist.

Percebeu? Mais um pouco:

Suppose we were to replicate the Stanford study with adults. What is likely to happen is that adults who have positive associations with McDonald’s would prefer the McDonald’s wrapped food. By contrast, adults who despise McDonald’s would be more likely to say that the unbranded food tastes better. By the way, the young children of McDonald’s rejectors might act similarly to their parents. Your attitude toward the brand counts for a lot when physical differences between food samples is small.

The correct interpretation of the Stanford research is that when confronted with an ambiguous taste test young children will rely on familiarity and experience in making judgments. This does not suggest that McDonald’s actions are depraved, nor does it support “regulating or banning marketing directed at children.”

O autor gastou muita tinta para dizer algo bem óbvio. Talvez pudéssemos fazer um experimento similar. De um lado, colocamos um sanduíche enrolado no papel genérico. Do outro, um sanduíche enrolado em um papel com o símbolo do partido do presidente da Silva (ou com o símbolo dos nazistas, com uma goiaba desenhada, com o Bob Esponja..). É bastante óbvio, pelo menos para mim, que a criança preferirá a informação do que a falta de informação. Em outras palavras, qualquer marca é um sinal melhor do que nenhuma marca.

Lembro-me de Jerry Kirkpatrick, no único livro que já vi, traduzido em português, falando de propaganda do ponto de vista de Mises e Hayek (já posso imaginar o Guilherme Stein todo alegre, risos). Melhor, estiquei o braço e peguei o livro (“Em defesa da propagand – argumentos a partir da razão, do egoísmo ético e do capitalismo laissez-faire, Geração Editorial, 1997). Kirkpatrick faz uma análise randiana-austríaca (nunca vi nada igual entre os nossos “marketeiros”, mas confesso que não passo horas do meu dia folheando livros de marketing em livrarias…) da propaganda. Uma amostra do que há no texto dele:

A propaganda não modificou nossos gostos criando uma necessidade que de outra forma não teria existido? (…) Sempre tivemos necessidade de métodos mais rápidos e mais convenientes de cozinhar, e a necessidade de um entretenimento disponível de acordo com a conveniência de cada um. As pessoas que fazem o marketing dos fornos de microondas e dos VCRs, certamente, tornaram possível para o consumidor ir ao encontro destas necessidades, de uma forma melhor e mais barata, e a propaganda certamente contribuiu para esse processo. (…) Mas, à medida que os preços destes produtos declinaram, e os rendimentos dos consumidores aumentaram, as atitudes dos consumidores – o seu julgamento de valor – com relação aos produtos mudou. Livremente, eles resolveram não mais considerar estes produtos como um luxo e gradualmente passaram a considerá-los como necessidades (…). Longe de serem receptáculos passivos, que respondem curvando-se ante a propaganda, as mentes dos consumidores ativamente percebem as condições mutáveis do mercado e as avaliam. [p.70]

O ponto é que “marketing” não é esta coisa toda. Bom, o experimento descrito –  e criticado – acima não foi capaz de mostrar, realmente, o sucesso da (maligna) propaganda (subliminar) da McDonald’s. Apenas mostrou que sinalização é importante (e se o outro sanduíche viesse com o símbolo da Burger King?). E, afinal, seguir sinais – como marcas – não é nenhuma novidade. As placas indicando trajetos e nomes de cidades existem desde sempre.

Finalmente, aposto que o Guilherme não conhecia este livro. He, he, he.