Entenda a diferença entre “reagentes” e “reacionários” (e algumas observações intimistas)

Boa palestra, indicada por Martim V. Cunha. Trata-se, não de uma palestra liberal, entenda-se bem, mas sim de uma palestra de um conservador para conservadores sobre o que o palestrante chama de Nova Direita. Não concordo com tudo? Claro. Nem precisa dizer. Sou um indivíduo que pensa, logo, não posso concordar com tudo de todos, não é? Ou você não é assim também?

Um insight muito bom dele é a diferença entre reagentesreacionários. Concordo com ele: esta Nova Direita tem um componente muito maior de reagentes do que de reacionários. Gostei disso porque, acho, como muitos leitores aqui já desconfiam, tenho muitos amigos no eixo conservador-liberal (amigos que, inclusive, são capazes de brigarem – sem violência física, obviamente – caso sejam colocados juntos em uma sala…). Ou seja, talvez o rótulo seja outro.

Ou talvez seja mais interessante pensar em termos de stasists dynamists, como o fez Virginia Postrel naquele livrinho de 1998 que volta e meia sou impelido a reler. Sei que é chato tentar rotular os outros, mas a necessidade de classificar grupos de interesses faz parte da tentativa humana de entender os conflitos que se observa por aí (ou mesmo dos quais fazemos parte, esquizofrenicamente ou não).

Ironicamente, tenho sentido a indiferença de muitos, ora porque não sou liberal o suficiente, ora porque não sou conservador o suficiente (os socialisto-comunistas já desistiram de minha amizade e vice-versa, até agora). É curioso como certos liberais se igualam, em comportamento, com os autoritários (de qualquer lado do espectro direita-esquerda) quando se busca um diálogo honesto (diálogo, gente, apenas isso, sem intenção de convencer alguém de algo…lembra?).

Ceteris paribus a falta de paciência (que também tenho, talvez por genética ou talvez por influência conjunta do meio e da genética), esta vontade de (me) xingar de left-lib ou de neoliberal parece inevitável. Ronald Hillbrecht já me disse que sou independente demais para pertencer a algum grupo. Ele nunca esteve mais certo. Na minha solidão – angustiante, mas recompensadora – tenho aprendido mais sobre a natureza humana e reafirmado meu ceticismo sobre tudo e todos.

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