A Economia do Crime: A Delação Ótima e a Conjuração/Inconfidência Mineira

Joaquim Silvério dos Reis traiu os inconfidentes, todo mundo já sabe. Mas nem todos sabem que ele falsificou a data de sua carta de delação. Por que?

A resposta estava em seu espírito de ‘melhor calculador’. Antes de o coronel finalizar o documento, é provável que o governador tenha lhe contado que outro delator, o fazendeiro português Basílio de Brito Malheiro do Lago, formalizara uma denúncia por escrito no dia 15 de abril, acrescentando detalhes do movimento até então desconhecidos, em especial sobre a ação de Tiradentes. [Figueiredo, L. Tiradentes – Uma biografia de Joaquim José da Silva Xavier, Companhia das Letras, 2018, p.266]

Mas era só uma vaidade? Não. Cálculo de benefício esperado mesmo.

Afinal o governador havia suspendido a derrama, mas mantivera a cobrança das dívidas dos contratos. O coronel, portanto, continuava dependendo dos favores de Barbacena. Futuramente, se fosse concedido algum prêmio à pessoa responsável por impedir que se concretizasse a segunda revolução republicana das Américas, Silvério dos Reis estaria apto a requerer para si o benefício. [Figueiredo, L. Tiradentes – Uma biografia de Joaquim José da Silva Xavier, Companhia das Letras, 2018, p.266]

Parece que a Teoria dos Jogos funciona muito bem aqui, não?

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