Não, seu amigo de esquerda não é mais aberto a novas idéias do que você.

Ideology as Motivated Cultural Cognition – How Culture Translates Personality into Policy Preferences

Abstract

In different cultures, the same perceptions make for different policies. This paper summarises the results of a quantitative analysis testing the theory that culture acts
as an intermediary in the relationship between individual perceptual tendencies and political orientation. Political psychologists have long observed that more “left-wing” individuals tend to be more comfortable than “right-wing” individuals with ambiguity, disorder, and uncertainty, to equivocate more readily between conflicting viewpoints, and to be more willing to change their opinions. These traits are often summarised under the blanket term of “openmindedness”. A recent increase in cross-cultural studies, however, has indicated that these relationships are far less robust, and even reversed, in social contexts outside of North America and Western Europe. The sociological concept of culture may provide an answer to this inconsistency: emergent idea-networks, irreducible to individuals, which nonetheless condition psychological motivations, so that perceptual factors resulting in left-wing preferences in one culture may result in opposing preferences in another. The key is that open-mindedness leads individuals to attack the dominant ideas which they encounter: if prevailing orthodoxies happen
to be left-wing, then open minded individuals may become right-wing in protest. Using conditional process analysis of the British Election Study, I find evidence for three specific mechanisms whereby culture interferes with perceptual influences on politics. Conformity to the locally dominant culture mediates these influences, in the sense that open-minded people in Britain are only more left-wing because they are less culturally conformal. This relationship is itself moderated both by cultural group membership and by Philip Converse’s notion of “constraint”, individual-level connectivity between ideas, such that the strength of perceptual influence differs significantly between cultural groups and between levels of constraint to the idea of the political spectrum. Overall, I find compelling evidence for the importance of culture in shaping perceptions of policy choices.

Eis aí um artigo que nos ajuda a pensar cientificamente (não como em discussões de boteco) sobre “cultura”, “ideologia” e afins. Aliás, eis uma definição de cultura (lá no artigo):

One influential definition of culture is that it is a pattern of beliefs, a repetition of
ideas or behaviours across individuals in a way that is too systematic to be explained by individual choice alone, yet too variable to be attributed to biological “human nature” (Benedict, 2005).

Não encontro análises detalhadas e com esta qualidade sobre o tema em trabalhos nem de economistas, nem de cientistas políticos, há anos (com as exceções esparsas de sempre). Ah sim, o trecho abaixo resume o que eu sempre digo sobre o uso do termo “cultura” por aí.

Culture is perhaps the hardest to operationalise of all the concepts in this study. The concept is somewhat vague, has been underused in quantitative research, and historically has been understood to mean quite different things in different theoretical traditions (Soares et al, 2007).

Vou ter que ler as 107 páginas do artigo para entender melhor o que ele quer dizer (minto: são 33 apenas e o resto é apêndice!), mas já adianto que a conexão com os conceitos expostos nos últimos trabalhos de Douglass North e no livro de Pereira, Mueller e Alston (aquele, sobre o Brasil, já citado por aqui) parece direta.

O tema da “cultura” e da percepção ideológica atrapalhando ou ajudando na implementação de políticas públicas, este sim, não é tão estranho a alguns economistas (embora ainda haja quem diga, no Brasil, “que isso não é assunto de economista”, claramente ignorando mais de 50 anos de pesquisas…).

Como é interessante ver trabalhos de cientistas sociais que realmente se preocupam em analisar dados (ou seja, a realidade) ao invés de dispararem palpites genéricos por aí…

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