Pensar fora da caixa pode não ser uma boa idéia…o caso da extinta (mas viva em nossos corações) URSS

okishioAlec Nove, em seu antigo A Economia Soviética, da Zahar, livro de 1963, observa algo que ouvi de um professor como uma anedota há anos: o problema dos planejamentos baseados em qualquer coisa que não a teoria econômica que conhecemos hoje como mainstream (ou ortodoxa, para alguns). Em outras palavras, não se usa preço, mas sim a quantidade. É até simples de pensar, se você é um matemático sem noção de economia.

A receita total com a demanda de um bem é dada pelo produto do preço unitário (burguês, capitalista) com a quantidade de produto demandada. Sendo o preço algo ideologicamente reprovável, usa-se a quantidade como indicador para as metas. Genial, não? Nem tanto. Pense na falta de incentivo econômico neste caso. Não visualizou? Eis alguns exemplos.

É claro que um plano de produção expresso em têrmos de toneladas incentiva à escolha de uma variedade em que um determinado pêso é conseguido com o menor dispêndio possível dos recursos não relacionados com êle. Por exemplo, as fábricas que produzem blocos de cimento pré-fabricados preferem fazer blocos grandes embora, como acontece, o resultado seja uma escassez de blocos menores destinados a completar partes dos edifícios em construção. O próprio Krushev apresentou um exemplo especialmente absurdo: o plano para lustres e candelabros foi expresso em toneladas, de modo que os lustres e candelabros se mostraram desnecessàriamente pesados. [p.192]

Isso jamais acontece em um sistema econômico movido pelo lucro (ou pelas sobras, para os simpatizantes das cooperativas), como sabemos. Ah sim, a piada que sempre ouvi era a de que uma fábrica de lâmpadas recebia metas em tonelagem e fabricavam lâmpadas que caíam. Certamente baseada no relato dos lustres e candelabros acima…

Neste caso, pensar fora da caixa é uma boa idéia se você vive em uma sociedade maluca como a soviética ilustrada acima. Caso contrário, pensar fora da caixa pode te levar exatamente a uma sociedade como esta. Todo cuidado é pouco.

p.s. a grafia dos anos 60 foi, como se viu, integralmente respeitada na citação acima.

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