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Economia Solidária, versão nazista

O SD sustenta posições demasiado dogmáticas, com a finalidade, nas palavras de seu próprio chefe, de inserir a economia ‘num contexto étnico’. Ohlendorf entende por isso a implantação de uma economia ‘societal’ (…), isto é, völkisch[,] uma economia em conformidade com o determinismo racial. Por mais absconso que possa parecer esse programa, ele encontrava uma materialização perfeita no debate econômico nazista. Contra o modelo tecnocrático produtivista de Speer, de um lado, e contra o que Ohlendorf chamva de ‘as correntes coletivistas do Partido’, de outro, este último defendia uma ‘linha favorável à classe média’, nas palavras de seus adversários, o SS-Sturmbannführer d’Alquen, redator-chefe de Das Schwarze Korps. [Ingrao, C. (2015) Crer & Destruir – os intelectuais na máquina de guerra da SS nazista, p.147]

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– É, eu queria uma economia mais solidária, de acordo com os preceitos do meu partido. Deu no que deu.

O trecho acima me fez lembrar de propagandistas políticos que sempre tentam dizer que sua proposta não é nem radicalmente individualista e nem radicalmente coletivista. Também me fez lembrar o conceito vazio de cabeça-de-planilha que se pretende uma ironia com a visão de cálculo econômico racional.

Além disso, o trecho me faz pensar que existem, independentemente do espaço e do tempo, sempre, indivíduos tentando justificar seu bem-estar (na forma de poder e influência, como no caso de Ohlendorf) com termos que sempre me remetem ao famoso teorema do eleitor mediano. Incrível como é (quase?) uma regularidade…

p.s. o livro é bem chatinho (algo no estilo do autor não me agradou, mas não sei bem descrever o que é), mas informativo.

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O professor de economia ranzinza (ou socrático)

Fullscreen capture 742014 110234 AM– Professor, o senhor acha que eu devo fazer Economia?
– Não sei. Leia aquele pequeno livro do Gustavo Franco, Cartas a um Jovem Economista, e decida-se.
– Não, não. Eu quero a sua opinião.
– Por que você quer a minha opinião? Não pode ser a sua?
– É que ela é importante para mim.
– Por que ela é importante para você?
– Porque o senhor tem anos de estudo.
– Então peça a opinião de um destes estudantes profissionais do movimento estudantil.
– Mas eles não são professores.
– Ser professor de Economia não significa que sou especialista em carreiras.
– Mas o senhor é uma figura importante.
– Relativo a que?
– Como?
– Sou importante relativo a que, exatamente?
– Em relação à Economia.
– Como você sabe? Você não fez Economia.
– Mas me disseram, professor.
– Sim, mas você acha que tudo que te dizem é importante?
– Não, claro que não.
– Como você faz para se decidir?
– Eu seleciono, uso minha cabeça!!
– Mas como você seleciona?
– Eu tenho um critério, né, professor? Peso prós e contras, vejo o que me deixa mais confortável comigo mesmo.
– Mas você faz isso 24 horas por dia?
– Não, tento fazer meu melhor possível.
– Sim, e me perguntar, agora, sobre seu futuro profissional é seu melhor possível?
– Não sei, acho que sim…tem certeza de que não o incomodo?
– Não me incomodo ao discutir com pessoas que buscam mais conhecimento.
– Então porque não me responde?
– Porque interromperia sua busca de conhecimento.
– Mas assim nunca terei uma resposta, professor!
– Ou talvez já a tenha e só precise percebê-la, apreendê-la.
– O senhor fala por enigmas?
– Não falaram para você que eu era professor e isso não o fez me procurar?
– Sim, é verdade. Mas porque não responde se eu devo ou não fazer Economia?
– Como vou saber o que você deve ou não fazer? Não sou você.
– Mas o senhor conhece muitos como eu.
– Como você “como”?
– Ah, da minha idade.
– Ricos? Pobres? Que estudaram no mesmo lugar?
– Como vou saber, professor, em média…
– Como assim em média? Qual é a média de cada riqueza, ambiente familiar, etc?
– Ah, não sei, professor, mas o senhor entendeu, né?
– Não sei. Como saberei se estou te entendendo?
– Boa pergunta, professor.
– Como a sua.







– Professor, acho que vou fazer Economia.