Incentivos para que o trabalho em equipe funcione – o caso do futebol

O papel de motivador em um time (seja ele do técnico ou do jogador) é importante. Como dizem Anderson & Sally:

“(…) the Köhler effect occurs because weak links work harder to keep up, whether in an attempt to match their more talented colleagues or because they think their role is just as essential. These two factors are equally important in helping improve a weak link”. [Anderson, C. & Sally, D. (2013) The Numbers Game, Penguin Books, 2013, p.242]

20170224_151410-001Ok, o efeito Köhler está resumido aqui e, contrariamente ao que um economista novato esperaria, diz que o indivíduo trabalha mais em grupo do que individualmente. Após estudar um pouco mais (ou seja, deixar de ser “novato”), o pesquisador descobre que incentivos importam e que o trabalho em grupo pode gerar maior esforço individual conforme os incentivos que se aplicam.

Meu exemplo preferido era um que usava nos meus tempos de professor de Industrial Organization, retirado do excelente livro-texto de Oz Shy, mas não vamos cansar os poucos leitores com álgebra, ok? Basta dizer que é possível construir um sistema de incentivos simples que minimiza (bem, no modelo teórico diríamos que “zera”) o comportamento free-rider (o carona…).

Voltando ao nosso caso, os autores estão discutindo como fazer com o jogador que é o seu elo mais fraco na equipe (weak(est) link) e uma das soluções é buscar melhorá-lo. Mas é preciso ser mais específico quanto aos incentivos que operam, digamos, no dia-a-dia dos jogadores de um time que treinam para um campeonato. Não é muito fácil gerenciar um conjunto heterogêneo de jogadores (uns ganhando mais, outros menos, uns ídolos antigos, etc), percebe-se.

Uma sugestão dos autores é que você tenha um jogador que seja um baita strong(est) link (aqui eu diria strongest mesmo). Ou seja: o cara que chega cedo para o treino, faz o dever de casa, dá o exemplo, enfim, diminui o custo de absorção dos valores adequados para um time que deseja vencer (os autores são felizes na expressão: an ethos of maximum effort). Um exemplo? Para os autores, Lionel Messi. No Lobão, eu apostaria no nome de Rafael Dal Ri.

(Longo) p.s. Sério, não tem como parar de ler este livro e também não tem como não gostar da área de Economia dos Esportes, mais especificamente, a Economia do Futebol. Sem falsa modéstia, aos que se interessam, sugiro o artigo que provavelmente foi um dos primeiros no Brasil (leitores mais atentos, por favor, corrijam-me se não for o caso) que é este. Há também este e, nos últimos anos, alguns poucos pesquisadores de economia têm publicado no tema (já citei alguns por aqui, salvo engano). Claro, principal periódico da área é este journal.

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