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Frases para não se esquecer nunca

Uma sociedade economicamente racional irá privatizar um recurso a partir do momento em que a manutenção de limites custar menos do que o desperdício decorrente do uso excessivo do recurso. [Cooter & Ulen, Análise Econômica do Direito, 2010, p.164]

Não é ótima? Nada de pregações ideológicas como “privatiza porque o Estado é ruim” ou “coletiviza porque o liberal é burguês”. Nada disto. A frase, como destacam os autores, dá-nos proposições testáveis. Vai lá no livro ler.

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Incentivos importam? O caos microeconômico criado pelo coletivismo soviético

Eis um artigo mais antigo, mas importante, sobre o problema dos anticomuns (o problema oposto ao famoso problema dos comuns). O livro de Cooter & Ulen (acabei de falar dele no post anterior) descreve o exemplo interessante dos apartamentos que, após a Revolução Russa, foram divididos entre várias famílias (sabe aquela história de que “se o socialismo for implantado no Brasil, você terá que dividir seu apartamento”? Pois é, ela não é uma ficção…).

Como era feita a divisão de um apartamento? Pode-se esperar que as famílias dividam os cômodos e, de comum acordo, compartilhem o(s) banheiro(s) e cozinha. Bem, aí vem o problema.

Quando o comunismo acabou, essas famílias achavam que tinham direitos de propriedade contínuos a suas peças individuais e aos espaços comuns. Suponha que, se transformado num imóvel para um único proprietário, o valor do apartmento – ou ‘kommunalka’, como era chamado – seria de US$ 500 mil. Suponha que atualmente haja quatro famílias de inquilinos e, cada uma ocupe uma peça e compartilhe o uso dos espaços comuns. Vendidos separadamente, os interesses dos inquilinos alcançariam, segundo nossa suposição, U$ 25 mil – ou US$ 100 mil no total. Converter a ‘kommunalka’ num único apartamento criaria US$ 400 mil em valor. Mas ocorreu frequentemente que os custos da combinação dos interesses individuais dos inquilinos eram tão grandes que impediam o uso mais valioso do recurso. [Cooter & Ulen, Análise Econômica do Direito, 2010, p.139]

Esta é uma das interessantes distorções microeconômicas geradas pelo modelo econômico socialista soviético. Repare que não é um problema exclusivo da ex-URSS. Sempre que há excesso de direitos de propriedade (no sentido de que há ‘superproprietarização’, ou seja, há um número excessivo de direitos de propriedade em relação ao seu ótimo), o problema aparece. Já li em algum lugar que este é um problema atual da indústria de smartphones, na qual se tenta patentear até o deslizar dos dedos sobre a tela.

 

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Taleb é muito “pop” mas de pouco conteúdo?

Neste ótimo blog sobre o R (link direto ao post), uma crítica ao Nassim Taleb, já ao final do texto:

Overall, I don’t like Taleb’s The Black Swan. While some of what it has to say (the fallacy of seeing things as a controlled dice game) is very sound, it is riddled with straw man propaganda techniques when he gets on to his critique of statistics. I can only presume he received some exceptionally bad, old fashioned teaching of economics, econometrics and statistics, and didn’t take the trouble to look beyond to the amazing things that have been going on in this field. He writes as though no-one before him had noticed non-normal distributions or outliers. See my answer on Cross-Validated.

A sequência do debate no Cross-Validated é interessante. Aliás, quem tomou o lugar de Taleb na lista dos “economistas pop” é o Thomas Piketty que, talvez, tenha até mais produção científica relevante do que ele.