A gente tem que seguir a restrição orçamentária com carinho…já dizia Antonil

Pedindo a fábrica do engenho e tantos e tão grandes gastos quantos acima dissemos, bem se vê a parcimônia que é necessária nos particulares de casa. Cavalos de respeito mais dos que bastam, charameleiros, trombeteiros, tangedores e lacaios mimosos não servem para ajuntar fazenda, para diminuí-la em pouco tempo com obrigações e empenhos. E muito menos servem as recreações amiudadas, os convites supérfluos, as galas, as serpentinas e o jogo. E, por este caminho, alguns em poucos anos do estado de senhores ricos chegaram ao de pobres e arrastados lavradores, sem terem que dar de dote às filhas, nem modo para encaminhar honestamente aos filhos. [Antonil, André J. Cultura e Opulência do Brasil, Itatiaia/Unesp, 1997 (original de 1711), p.93]

Pois é. “Lacaios mimosos” seria, hoje em dia, traduzido como “trabalhadores que fazem corpo mole”. Belo trecho, chamando a atenção para o problema da restrição orçamentária (intertemporal e incerta, eu diria). Antonil entendia o papel dos incentivos.

p.s. A edição em domínio público do livro está aqui.

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