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Momento “boa conversa” do dia ou: “Piada sobre incentivos baseada em fatos verídicos”

Você entenderá melhor quando ler a seguinte piada que, de fato, aconteceu comigo, ontem. Preparado? Aí vai.

Estavam conversando: uma professora de administração (Isolda), um professor de economia (eu) e um empreendedor de sucesso (Wander), todos ex-colegas de turma de um colégio nos anos 80.

Disse a primeira:

– Eu tento ensinar para os alunos sobre como diferentes incentivos geram diferentes resultados.

Disse o segundo:

– Eu tento ensinar a teoria disto para os meus.

Disse o terceiro:

– Eu faço isso todos os dias.

Moral da história: apenas o último ganhou grana ^_^

Observação: esta piada é uma deliciosa lição de Economia. Como nos lembra Adam Smith, primeiro nos dedicamos a nos especializar para, depois, efetuarmos trocas (McCloskey lembra bem disso aqui). Contextualizo para você a piada. Somos três amigos distanciados por 30 (trinta!) anos de distância desde o colégio. Cada um seguiu seu rumo sem contato com o outro.

De repente, a gente se encontra e começa uma divertida conversa sobre vários tópicos até caírmos neste que nos é comum: como funcionários reagem a diferentes tipos de metas (estou usando as palavras sem a menor preocupação com a exatidão na área da Isolda, na minha e talvez Wander use outros termos para descrever a mesma coisa…espero que você capte a idéia). Neste instante, nós três nos descobrimos estudiosos do mesmo tema, sob diferentes perspectivas.

A conversa não seguiu adiante. Talvez não voltemos a falar do tema. É aquela mágica do instante que fica fotografado no tempo e na memória (o lado pessoal do Shikida vibra) e que também dá insights que nos lembram como a Ciência, quando levada a sério, gera frutos e nos permite conversar e pensar sobre o que conversamos de maneira diferente, mais sólida, com pontes que nos permitem melhorar o nosso entendimento (o lado científico do Shikida vibra).

Esta piada foi gerada quase que instantaneamente em minha mente ao perceber o quão interessante foi o momento de troca – uma troca mínima, é verdade – gerado pela livre conversa entre nós. De certa forma, vale a pena viver. Há estes momentos que superam muitas tristezas e nos fazem rir de forma, digamos, um pouco mais elaborada do que a piada do que esta ou aquela piada de português (que também tem seu valor).

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A racionalidade da centralização legal francesa

Eis aqui um tipo de artigo que me agrada. O resumo:

We provide an alternative explanation of French legal centralization. To do this we develop a rational choice model of the legal architecture around 1789 and the French Revolution. Following Tocqueville we propose to analyze the French movement towards legal centralization as the result of an increase in the aversion to inequality before the law. We show that legal centralization can be preferred to the “Ancien R´egime” situation or intermediate legal decentralization if the aversion to legal differences is sufficiently strong. In addition, we show that when the legal system is centralized it is always optimal to allow some degree of judicial discretion. This result is consistent with the historical evidence that the Napoleonic codification, i.e., the culmination of French legal centralization, was associated with a higher degree of judicial discretion than at the beginning of the Revolution.

Claro, uma nova hipótese teórica formulada de forma elegante é sempre bem-vinda. O passo seguinte é examinar a questão empiricamente. De qualquer forma, existe aquela questão (dentre outras) de se a importação destas instituições legais para o Brasil apresentam a mesma característica.