Mais comércio, mais bem-estar! (cliometria é show!)

A família imperial dos Castro só quer uma vida melhor! É, querem consumir bens melhores. Simples assim.

Muita gente acha contraditório – e, de certo ponto-de-vista, é mesmo – um sujeito apoiar Fidel Castro e, ao mesmo tempo, reclamar do bloqueio comercial dos EUA (que parece ter chegado ao fim no apagar das luzes da administração Obama).

Ideologicamente, claro, é um nó. Mas a Ciência Econômica, quando separa o seu lado positivo do normativo, é capaz de explicar o aparente paradoxo. A questão é bem simples: mais comércio significa mais bem-estar! Adicione a isto uma pitada de Public Choice e você verá que há bons motivos para que ditadores adorem comércio.

Veja, por exemplo, como países notoriamente não-democráticos (no sentido moderno) se beneficiaram do comércio. O pesquisador Nuno Palma, em seu: Sailing away from Malthus: intercontinental trade and European economic growth, 1500–1800, publicado na Cliometrica de Maio deste ano, mostra-nos que:

What was the contribution of intercontinental trade to the development of the European early modern economies? Previous attempts to answer this question have focused on static measures of the weight of trade in the aggregate economy at a given point in time, or on the comparison of the income of specific imperial nations just before and after the loss of their overseas empire. These static accounting approaches are inappropriate if dynamic and spillover effects are at work, as seems likely. In this paper, I use a panel dataset of 10 countries in a dynamic model that allows for spillover effects, multiple channels of causality, persistence, and country-specific fixed effects. Using this dynamic model, simulations suggest that in the counterfactual absence of intercontinental trade, rates of early modern economic growth and urbanization would have been moderately to substantially lower. For the four main long-distance traders, by 1800, the real wage was, depending on the country, 6.1–22.7 % higher, and urbanization was 4.0–11.7 percentage points higher, than they would have otherwise been. For some countries, the effect was quite pronounced: in The Netherlands between 1600 and 1750, for instance, intercontinental trade was responsible for most of the observed increase in real wages and for a large share of the observed increase in urbanization. At the same time, countries which did not engage in long-distance trade would have had real wage increases in the order of 5.4–17.8 % and urbanization increases of 2.2–3.2 percentage points, should they have done so at the same level as the four main traders. Intercontinental trade appears to have played an important role for all nations that engaged in it, with the exception of France. These conclusions stand in contrast to the earlier literature that uses a partial equilibrium and static accounting approach.

Prestou atenção nos números? Pois é. Nem vou grifar ou comentar.

Eu arriscaria dizer mais. Diria que, em democracias, mais comércio é sempre bem-vindo. Já em países menos democráticos, as tentativas de limitar as liberdades civis (e, portanto, individuais) de boa parte da população (exceto, claro, as das elites governantes) em conjunto com liberalizações econômicas geralmente criam mais distorções do que as resolvem, pelo simples fato de que é impossível para um ser humano controlar os fluxos de trocas individuais (surgem os mercados negros, pessoas negociam ilegalmente com oficiais das alfândegas, etc).

Hayek bem nos ensinou sobre a necessidade de sermos menos pretenciosos quanto às variáveis que podemos controlar (Friedman disse algo similar sobre a política monetária) e continuo achando seu insight importante…o que não significa que um governo não possa adotar uma política (há um papel para o governo, claro) de abertura comercial, por exemplo.

Alilás, você sabe o que é cliometria? Sabe como fazer pesquisa na área? O Leo Monasterio responde, neste ótimo bem público (gerado privadamente pelo prof. Cajueiro).

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