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Economia do crime: estupro na Suécia, Jamaica, Bolívia…

Não, não há tal coisa como “cultura do estupro” (ou então devemos parar de elogiar a Suécia…ou os defensores do conceito podem tentar explicar o que há de comum entre a Jamaica, a Suécia e a Bolívia, para começo de conversa). Existem estatísticas de estupro e, na minha opinião, uma falta de esforço de gente bem-intencionada na busca de melhor compreeensão sobre este sério problema.

Vários preconceitos têm prejudicado a existência de estudos (como a desconsideração do problema do estupro de homens por homens em cadeias nos debates populares). Há também o problema de dados não reportados (por motivos óbvios e, neste caso, talvez o gráfico acima seja menos informativo ainda…) e, caso alguém queira, de fato, entender o problema do estupro para, portanto, combatê-lo, deve começar o trabalho por aqui.

Há esperança? Pesquisando um pouco, vejo que há material para se estudar. Por exemplo, eis um trabalho aqui, sobre o pós-crime. Alguns outros trabalhos em que nós, economistas, tratamos do tema? Um exemplo está aqui. Outro está aqui. Veja também esta apresentação.

Nos outros fronts, claro, existem os policiais e as autoridades. Neste blog, obviamente, refiro-me aos pesquisadores (p.s. a fonte do gráfico é esta).

UPDATE: (a) Diogo Costa e Ari F. de Araujo Jr chamam a atenção para um problema destes dados agregados que é o de que não sabemos se a ONU usa a mesma definição para todos os países (o “estupro” é homogêneo nas definições legais dos países?). (b) Um leitor comentou, no FB, que o gráfico não mostra que não há cultura de estupro, mas que apenas não haveria correlação com, digamos, PIB per capita. Não é bem assim. O gráfico não mostra correlação alguma com nada (e, ok, não vamos inferir, como diz o leitor). Não sabemos se é o PIB per capita que não está correlacionado com os crimes e minha aposta é que a tal cultura do estupro também não está, com um agravante: o PIB é definido, a suposta cultura, não. Por isto é que continuo muito cético quanto ao argumento de “textão de facebook”: ele não se baseia em nada cientificamente sério (obviamente, há textos bons por aí, mas refiro-me aos que são propositalmente escritos sem qualquer definição mínima de seu conceito central, a suposta “cultura do estupro”. (c) Lucas Mafaldo fez uma observação importante: o problema é da impunidade. “Cultura” da impunidade ou não, o fato é que ele tem razão e temos aqui um problema importante a ser tratado: como instituições formais e informais podem ser melhoradas para diminuir os graus de impunidade no Brasil?

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5 comentários em “Economia do crime: estupro na Suécia, Jamaica, Bolívia…

  1. Ponto importante a se fazer é que a Suécia é reconhecidamente um país de larga igualdade entre gêneros. São rechaçados comentários sexistas em qualquer ambiente. Direitos exatamente iguais, licença paternidade/maternidade por exemplo, iguais para ambos os progenitores etc…. Interessante.

  2. Existem duas vertentes. Uma diz que o significado de “estupro” na suécia é extremamente… “abrangente”, que quer dizer que mulheres alegam estupro por coisas que nós não considerariamos, como por exemplo “ele me estuprou com um olhar” (sim, é sério).

    A outra vertente, que acredito ser a mais acurada, é o fato de que a grande imigração de muçulmanos para a suécia, devido aos grandes incentivos governamentais (leia-se bolsa imigrante, que não se resume apenas a dinheiro mas também programas de socialização e oferta de emprego). Acontece que esses homens chegam com sua cultura, essa sim de estupro, e atacam as locais. Trata-se de uma grande polêmica atualmente, já que muitas feministas afirmam que não se incomodam de serem estupradas por imigrantes, inclusive reclamando quando os homens suecos protestaram contra o quadro. Pode parecer muito surreal, mas é só pesquisar e você vai ver que síndrome de estocolmo tem um nome por um bom motivmo.

    1. Lucas, bom dia. Poderia por favor indicar referências sobre as feministas que afirmam não se incomodar em ser estuprada por imigrantes? Isso é absolutamente impressionante, e eu gostaria de ler sobre o fenômeno. Grato, Arthur – Recife/PE.

  3. Na Suécia se olhar para uma garota por mais de alguns segundos já é estupro. Lá há a tirania das leis e os casos existentes são relatados. No Brasil menos de 5% são relatados e os casos de fato aumentaram. Somamos a vergonha das vítimas à certeza da impunidade.1

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