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A demanda dos eleitores: como melhorá-la?

Ricardo Hausmann diz que é preciso melhorar a demanda dos eleitores. Eis um belo trecho:

Governments will become more effective in the future only if voters learn to become more demanding of the policies that future governments adopt. And yet none of Latin America’s political narratives teaches voters anything new or useful.

Percebe? Temos Meltzer & Richard (1981) nos dizendo que a extensão da franquia de voto aumenta o tamanho do governo. Temos toda a tradição da Public Choice falando de burocracia ou da regulação, dos ciclos político-econômicos e do Estado Leviatã. Cada qual é um complemento da figura maior.

Mas temos os eleitores sempre demandando políticas que parecem ser inconsistentes. Por que? Alguns acham que é por conta da ignorância racional, outros, pela irracionalidade racional (uma hipótese avançada pelo prof. Caplan e já citada aqui antes). Não é preciso ir muito longe para ver que pessoas protestam sem se preocupar muito com a consistência lógica de seus argumentos, independente do espectro ideológico (experimente dizer a frase anterior a alguém que pense com o fígado e caminhe de quatro: ele ficará possesso e vai sempre lhe acusar de ser parcial, mesmo quando você diz  – vou repetir – independente do espectro ideológico).

O texto de Hausmann chama a atenção para este ator geralmente tratado com desdém por alguns: o eleitor. Quem não se lembra da mesa redonda em uma famosa rede de televisão brasileira quando, em uma destas eleições presidenciais um(a) nada neutro(a) cientista politico(a) esbravejava que o eleitor era “manipulado”, “ignorante”, “tinha racionalidade limitada”, etc, enquanto os números eram contra o seu (dele(a)) candidato? Com a notícia de que os rumos da votação haviam mudado, a mesma pessoa passou a falar de um eleitor “esclarecido”, “consciente”, que “havia aprendido a votar”, etc.

O eleitor, longe de ser um elemento passivo que é ignorante porque gostaria de se informar, mas não consegue, escolhe, na hipótese de Caplan, ser irracional quando isto não lhe dói no bolso. A cada dia que passa, sinto que esta hipótese dele é a melhor para explicar muito do que vejo por aí e, sem qualquer citação aos trabalhos do professor da George Mason, o veterano Hausman acaba mostrando que os argumentos parecem convergir.

Como melhorá-la? Diminuindo os vieses gerados pela irracionalidade. Não há solução fácil: começa com a leitura do livro do Caplan, The Myth of the Rational Voter.

A conferir.

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Vantagens comparativas, regressões, análise de conjuntura…ou: “por que sua reforma curricular deveria incluir mais Econometria?”

Vantagens comparativas, regressões, análise de conjuntura (como alguém poderia dizer que estes são conceitos separáveis?), tudo isto pode ser encontrado nesta recente publicação do FMI.

Vale a pena pedir para aumentarem o número de disciplinas de Econometria na sua graduação? Olha, se aumenta sua empregabilidade, inclusive, em outros países, imagino que pode ser uma boa idéia (claro, existem trade-offs e você terá que deixar de lado algumas disciplinas porque o curso de Economia não pode durar 5 bilhões de anos, ou você não se forma, né?).

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