O Carnaval no Laranjal é um exemplo de Bem de Clube

Acho interessantíssima a iniciativa de foliões pelotenses em buscar financiamento para seus blocos carnavalescos (ver aqui) porque:

(i) vejamos, um bloco carnavalesco é exatamente um bem de clube (na definição econômica do clássico artigo do falecido Nobel, James Buchanan). A definição? Tomo de empréstimo a da Wikipedia.

Club goods (also artificially scarce goods) are a type of good in economics, sometimes classified as a subtype of public goods that are excludable but non-rivalrous, at least until reaching a point where congestion occurs. These goods are often provided by a natural monopoly. Club goods have artificial scarcity. Club theory is the area of economics that studies these goods.

Excludente e não-rival? Sim. Isto significa que você pode excluir gente do bloco (quem não paga, não desfila) e também que não há congestionamento (um participante a mais no clube não atrapalha a diversão do outro, assumindo que o bloco tenha um tamanho compatível, conforme a definição acima nos lembra).

Um bloco carnavalesco é exatamente como um clube. Mas curto a idéia dos foliões procurarem bancar seu bloco por mais alguns motivos, a saber:

(ii) há quem queira que todos os pagadores de impostos, por meio do governo, financie qualquer bloco de carnaval, o que é economicamente errado: não há porque quem odeia carnaval financiar um bem que não é público, mas de clube (leitores que fizeram um semestre de Economia, favor rever o capítulo sobre bens públicos). Eu, aliás, não curto carnaval (mas curto teoria econômica);

(iii) no caso específico, a prefeitura preferiu realocar recursos para a saúde e qualquer um que saiba como vão as prefeituras brasileiras sabe que elas têm sérios problemas com gastos e receitas e, portanto, qualquer cidadão que prefira ver seu avô doente receber uma vacina ao invés de um saco de confete provavelmente achará interessante que esta realocação de verbas seja feita.

No caso brasileiro, vale insistir: ajustes fiscais são necessários e prefeituras não escapam à dura realidade (e a prefeitura de Pelotas não é uma exceção). Diante deste fato, acho inevitável que se passe a discutir iniciativas como as Parcerias Público-Privadas (recomendo a leitura de qualquer texto do meu amigo e colega de departamento, o Rodrigo, por exemplo).

Aliás, não lhe parece meio óbvio que uma iniciativa privada (bloco de foliões) com o apoio da prefeitura (segurança, regulação) não é uma espécie de parceria público-privada? No fundo, é tudo uma questão de se encontrar, para cada tipo de bem, o melhor arranjo, socialmente falando, para se ofertá-lo de forma a que o bem-estar social seja o maior possível (e olha que eu não curto carnaval…).

p.s. Há uma briga danada por conta do carnaval em Pelotas, como você pode conferir aqui (não sei se não-assinantes conseguem ler, mas, anyway…).
 

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