Mais governo, menos mercado…menos liberdade: o ‘credit score’ na China

A notícia, em si, é uma demonstração de que, sim, quando o mercado é contaminado por intervenções governamentais a um determinado nível, propostas absurdas surgem. Eis a notícia. Trechos:

This Chinese credit score, which seemed innocent at first, was introduced this summer. More precisely, it was introduced by Alibaba and Tencent, China’s IT giants who run the Chinese equivalents of all social networks, and who therefore have any and all data about you. People can download an app named “Sesame Credit” from the Alibaba network, and the score has become something of a bragging contest, being interpreted as a kind of “citizen status” – and not entirely falsely so. Almost 100,000 people have posted their “status” online on Weibo, the Chinese equivalent of Twitter.

Até aí, ok, não? Mais ou menos, certo? O aplicativo é opcional, mas o governo chinês quer torná-lo, digamos, não-opcional em breve. O que é que há neste aplicativo que incomoda tanto?

Things that will make your score deteriorate include posting political opinions without prior permission, talking about or describing a different history than the official one, or even publishing accurate up-to-date news from the Shanghai stock market collapse (which was and is embarrassing to the Chinese regime).
But the kicker is that if any of your friends do this — publish opinions without prior permission, or report accurate but embarrassing news — your score will also deteriorate. And this will have a direct impact on your quality of life.

Notou? É o sonho bolivariano. Em termos de princípios (i)morais, é a mesma coisa que foi feita quando Chavez violou as votações do referendo e passou a controlar a vida dos opositores (dificultando, por exemplo, seu acesso ao emprego e nem preciso comentar as consequências de uma intervenção assim sobre a vida das famílias, né?) sob a silenciosa cumplicidade da diplomacia continental.

A Economia Política já me parece ter maturidade – após anos e anos de Public Choice – para responder à pergunta sobre qual é o preço que eleitores pagam para se submeterem a este tipo de coisa. Lembro-me de alguns supostos intelectuais (muitos deles, hoje, com cargos em governos e bem calados…) que diziam que “o problema do (neo)liberalismo é que você troca igualdade por liberdade”, o que, todos sabemos, é uma leitura muito rasa, superficial e pouco informada do pensamento liberal: no mínimo, quem diz isto nunca leu o que disse Milton Friedman sobre o imposto de renda negativo, por exemplo.

Mas tudo bem. Quero ver é o cara me explicar como ele mesmo trocar sua privacidade e seu direito de discordar em troca de uma viagem para fora de um país pode ser ‘bom para o social’. Esta é a pergunta que muito intelectual que se diz moderninho e ‘cool’ não quer enfrentar porque sabe que a resposta entrará em choque com suas convicções.

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