A “doença do custo” é algo que eu gostaria de ver mais estudada no caso brasileiro…

baumol_costJá que estou numa onda de “Baumol” por estes dias, aqui vai mais um pouco sobre a “doença do custo”. Resumindo o argumento de seu livro de 2012, Baumol nos dá vários bons insights sobre o tema que desenvolveu junto com Bowen nos anos 60. Reproduzo um trecho da introdução do livro a seguir, comentando-o a cada item.

1. Rapid productivity growth in the modern economy has led to cost trends that divide its output into two sectors, which I call “the stagnant sector” and “the progressive sector.” In this book, productivity growth is defined as a labor-saving change in a production process so that the output supplied by an hour of labor increases, presumably significantly (Chapter 2).

Pergunto ao leitor: quais seriam estes setores, no Brasil atual?

2. Over time, the goods and services supplied by the stagnant sector will grow increasingly unaffordable relative to those supplied by the progressive sector. The rapidly increasing cost of a hospital stay and rising college tuition fees are prime examples of persistently rising costs in two key stagnant-sector services, health care and education (Chapters 2 and 3).

No Brasil, o setor educacional tem passado por mudanças no mercado – aumento do número de faculdades – mas…e quanto ao custo? Pergunta similar sobre o setor de saúde também é válida.

3. Despite their ever increasing costs, stagnant-sector services will never become unaffordable to society. This is because the economy’s constantly growing productivity simultaneously increases the community’s overall purchasing power and makes for ever improving overall living standards (Chapter 4).

Ou seja, como no Brasil a produtividade agregada não anda lá aquelas coisas ultimamente (mas tenho fé no longo prazo), podemos deduzir que o acesso à saúde e à educação tenderão a ser de difícil acesso, ainda por algum tempo? A recessão, como sabemos, não aumenta o poder de compra das pessoas. Muito menos a inflação.

4. The other side of the coin is the increasing affordability and the declining relative costs of the products of the progressive sector, including some products we may wish were less affordable and therefore less prevalent, such as weapons of all kinds, automobiles, and other mass-manufactured products that contribute to environmental pollution (Chapter 5).

baumol_cost2

Clique na imagem para ler o artigo.

O Brasil se encontra nesta situação? A produção de armas não me parece a prioridade nacional, mas automóveis e outros produtos similares têm ido bem, obrigado. A piada, há alguns anos, era que a Nova Matriz Econômica (fruto de anos e anos de pensamento heterodoxo) havia criado o mais interessante dos paradoxos: favoreceu um bocado as montadoras e gerou os congestionamentos que hoje vemos. Não é tão piada assim porque, ceteris paribus, foi isso mesmo. Mas houve também o crescimento da renda no período, mais forte para os mais pobres durante um bom tempo.

Mas, será que podemos falar em aumento de produtividade do setor automobilístico sem descontarmos o efeito distorcivos dos subsídios específicos ao setor? Gostaria de ver esta conta.

5. The declining affordability of stagnant-sector products makes them politically contentious and a source of disquiet for average citizens. But paradoxically, it is the developments in the progressive sector that pose the greater threat to the general welfare by stimulating such threatening problems as terrorism and climate change. This book will argue that some of the gravest threats to humanity’s future stem from the falling costs of these products, rather than from the rising costs of services like health care and education (Chapter 5)

Taí um ponto mais polêmico, mas que não cabe apenas sob o guarda-chuva da análise circunscrita à economia brasileira apenas. Talvez seja o ponto menos bem elaborado do livro. Aqui eu não teria muito o que perguntar, neste momento. Entretanto, eu gostaria muito de ver algum tipo de artigo simples (como este) para a economia brasileira.

p.s. de certa forma, o que Baumol e Bowen fizeram com o artigo clássico de 1978, acredito eu, foi dizer que a destruição criativa Schumpeteriana não é homogênea. Não me lembro mais do livro do Schumpeter em detalhes, mas não me lembro de ele ter atentado para o fenômeno do custo. Leitores mais especializados no argumento schumpeteriano podem me corrigir nos comentários.

p.s.2. aqui está um artigo com alguma formalização e estimação só para exemplificar o tipo de trabalho que poderia ser feito, estudando teatros públicos alemães.

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