Por que a multa do sushi que sobra? Uma velha questão que me assombra…

Leitores mais antigos (ainda da época do blog Economia Everywhere) devem se lembrar do e-book que fizemos sobre a temática: “por que a multa do sushi (que sobra no prato)?”.

Pois é. Agora vejam isto (em japonês, aqui). O vídeo, sem legenda, segue abaixo.

Uma outra notícia (aparentemente os blogueiros se aproveitaram um bocado do texto) sobre o restaurante, aqui. A explicação “oficial” do restaurante pela multa é:

According to the explanation in the menu, the working conditions for fishermen are harsh and so dangerous that it’s not unknown for lives to be lost. To show our gratitude and appreciation for the food they provide, it is forbidden to leave even one grain of rice in your bowl. Customers who do not finish their tsukko meshi must give a donation.

Os comentários sob a notícia são tão sofríveis e ignorantes que não merecem…ser comentados. Tentei achar algum que fosse mais investigativo em termos do puzzle da multa do sushi que eu os meus amigos buscamos desvendar no e-book citado, mas não consegui encontrar nenhum. Obviamente, não compro muito a idéia das “perigosas condições de vida (ou morte) dos pescadores”, embora seja uma boa idéia investigar o tema.

Continuo achando a idéia um bom marketing, contudo. Vende-se um custo de oportunidade (“pescadores quase morreram para te trazer este peixe”) como um valor adicionado ao prato. Mesmo assim, o tema continua me perseguindo ao longo dos anos.

Pois bem, há uma pista interessante nesta outra notícia sobre outro restaurante em Manhattan. Leia o trecho abaixo, mas note, já de antemão, que são situações distintas:

According to Hayashi Ya’s manager Ben Lin, the motivation behind adding a surcharge was twofold. First, it’s an incentive for customers to only take what they can eat, thereby cutting down on waste. Second, it prevents the eatery from obtaining a surplus of ingredients, which hurts the restaurant’s profitability.

A primeira parte, sobre fazer o sujeito se educar, acho bobagem. Já a segunda, sobre a lucratividade, parece interessante. Na verdade, parece que os dois motivos se resumem a um só: a lucratividade do restaurante. No caso deste último, o restaurante tinha um preço fixo, independente do peso sobre o qual se adicionou a multa. Aparentemente, é mais fácil ver que o restaurante perdia mesmo na lucratividade caso houvesse desperdício de ingredientes.

Uma solução seria adotar a estratégia de preço por quilo, mas sua não-adoção é uma evidência de o custo de se adotar esta estratégia não compensavam (ou porque os concorrentes faziam isto e/ou porque o custo de colocar balanças e funcionários pesando não justificariam…pense por exemplo no custo de alocar tempo de gente para pesar, filas, etc). Ah sim, mais sobre restaurantes do “tudo o que você puder comer” e regras que, no fundo, tentam manter a lucratividade aqui e aqui.

No caso do restaurante japonês, por outro lado, ainda não está claro para mim o porquê da multa. Afinal, o prato é individual, não é “pague X e coma o quanto quiser”. Minha aposta é que uma boa explicação para estes casos surge da aplicação da teoria dos custos de transação.

Nosso ebook é de 2007 e quase todas as notícias que encontrei e referenciei aí em cima são de 2008 em diante o que me leva a crer que a questão continua merecendo mais atenção de economistas. Gostaria de ouvir novos palpites. Ah sim, relendo o ebook, tive boas recordações (e vejo que o Leo Monasterio usa a mesma explicação para o fenômeno de food trucks, mas não achei a referência…pode ter sido em uma troca de mensagens).

Palpites?

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Uma resposta em “Por que a multa do sushi que sobra? Uma velha questão que me assombra…

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