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Sugestão de roteiro para um curta feito e estrelado por estudantes

Um sírio refugiado chega ao Brasil e tenta ganhar sua vida. Descobre que seu diploma de médico tem que ser validado e que leva um tempo danado. Aí parte para a estratégia de abrir um negócio próprio. Claro, vai para o ramo de alimentação. Abre um boteco e descobre que tem impostos, taxas de licenciamento e pixuleco para o fiscal.

Ele insiste!

Contrata três funcionários e começa o negócio. Em uma semana, um deles falta diversas vezes. O refugiado sírio o demite e tem que responder na Justiça Trabalhista porque o funcionário abre um processo.

Ele ainda insiste!

Passa o primeiro mês e ele vê que a tal “Nova Matriz Econômica” gera inflação com recessão o que é, claro, péssimo para seus negócios. Ele lê em um grande jornal paulista a coluna escrita por um comediante que se aventura como intelectual que diz que a culpa é dos empresários.

Ele desiste! Pega a mulher, os filhos e volta para a Síria. Prefere morrer lá do que viver aqui.

Notas: (a) aqueles que quiserem dar cabo do projeto do curta devem pesquisar os dados e usá-los no vídeo, indicando a fonte; (b) lembrar sempre de dizer que qualquer semelhança é mera coincidência; (c) fazer um vídeo legal, bem-humorado é importante; (d) tendo como usar um bom figurino e alguma técnica básica de filmagem, melhor e, (e) que o vídeo não tenha mais do que 5 ou 6 minutos, indo, no limite, a 10 minutos.

Eu daria ponto extra para aluno meu que fizesse algo decente. Sério. Seria divertido ver um vídeo destes no YouTube.

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Negócios com Pedro Alves (geram externalidades negativas)

Negócios com Pedro Alves
Eu não quero mais;
A couve da minha horta
O gado dele comeu;
E, pagando arrendamento,
Que lucro é que tiro eu?
Fui justar contas com ele,
E nenhuma conta fiz;
Negócio com Pedro Alves
Eu não quero mais…

[“Negócios com Pedro Alves” (Rio de Janeiro). In: Romero, Sílvio. Cantos Populares do Brasil, p.219-220]

A externalidade cantada em prosa e verso pela sabedoria popular carioca, estupendamente salva por outro que nos resgatou o folclore brasileiro, Sílvio Romero. O cantor, que aluga a terra para plantar, tem sua horta destruída pelo gado do vizinho. Vale dizer, com direitos de propriedade não cumpridos, efetivamente, não tem jeito.

Mais um exemplo de que a economia está presente nos recantos mais inesperados da literatura…

p.s. Serve para explicar a estudantes de ensino médio o que é uma externalidade, não serve?

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Por que a multa do sushi que sobra? Uma velha questão que me assombra…

Leitores mais antigos (ainda da época do blog Economia Everywhere) devem se lembrar do e-book que fizemos sobre a temática: “por que a multa do sushi (que sobra no prato)?”.

Pois é. Agora vejam isto (em japonês, aqui). O vídeo, sem legenda, segue abaixo.

Uma outra notícia (aparentemente os blogueiros se aproveitaram um bocado do texto) sobre o restaurante, aqui. A explicação “oficial” do restaurante pela multa é:

According to the explanation in the menu, the working conditions for fishermen are harsh and so dangerous that it’s not unknown for lives to be lost. To show our gratitude and appreciation for the food they provide, it is forbidden to leave even one grain of rice in your bowl. Customers who do not finish their tsukko meshi must give a donation.

Os comentários sob a notícia são tão sofríveis e ignorantes que não merecem…ser comentados. Tentei achar algum que fosse mais investigativo em termos do puzzle da multa do sushi que eu os meus amigos buscamos desvendar no e-book citado, mas não consegui encontrar nenhum. Obviamente, não compro muito a idéia das “perigosas condições de vida (ou morte) dos pescadores”, embora seja uma boa idéia investigar o tema.

Continuo achando a idéia um bom marketing, contudo. Vende-se um custo de oportunidade (“pescadores quase morreram para te trazer este peixe”) como um valor adicionado ao prato. Mesmo assim, o tema continua me perseguindo ao longo dos anos.

Pois bem, há uma pista interessante nesta outra notícia sobre outro restaurante em Manhattan. Leia o trecho abaixo, mas note, já de antemão, que são situações distintas:

According to Hayashi Ya’s manager Ben Lin, the motivation behind adding a surcharge was twofold. First, it’s an incentive for customers to only take what they can eat, thereby cutting down on waste. Second, it prevents the eatery from obtaining a surplus of ingredients, which hurts the restaurant’s profitability.

A primeira parte, sobre fazer o sujeito se educar, acho bobagem. Já a segunda, sobre a lucratividade, parece interessante. Na verdade, parece que os dois motivos se resumem a um só: a lucratividade do restaurante. No caso deste último, o restaurante tinha um preço fixo, independente do peso sobre o qual se adicionou a multa. Aparentemente, é mais fácil ver que o restaurante perdia mesmo na lucratividade caso houvesse desperdício de ingredientes.

Uma solução seria adotar a estratégia de preço por quilo, mas sua não-adoção é uma evidência de o custo de se adotar esta estratégia não compensavam (ou porque os concorrentes faziam isto e/ou porque o custo de colocar balanças e funcionários pesando não justificariam…pense por exemplo no custo de alocar tempo de gente para pesar, filas, etc). Ah sim, mais sobre restaurantes do “tudo o que você puder comer” e regras que, no fundo, tentam manter a lucratividade aqui e aqui.

No caso do restaurante japonês, por outro lado, ainda não está claro para mim o porquê da multa. Afinal, o prato é individual, não é “pague X e coma o quanto quiser”. Minha aposta é que uma boa explicação para estes casos surge da aplicação da teoria dos custos de transação.

Nosso ebook é de 2007 e quase todas as notícias que encontrei e referenciei aí em cima são de 2008 em diante o que me leva a crer que a questão continua merecendo mais atenção de economistas. Gostaria de ouvir novos palpites. Ah sim, relendo o ebook, tive boas recordações (e vejo que o Leo Monasterio usa a mesma explicação para o fenômeno de food trucks, mas não achei a referência…pode ter sido em uma troca de mensagens).

Palpites?