Função de Utilidade CES e o Pixuleco Debatedor

Quem nunca teve um conhecido que tentava a todo custo ganhar uma discussão sem muita preocupação com a qualidade do argumento? Pois é. Ele é mais ou menos assim: tem uma função de utilidade de ganhar os debates (U). “U’ é sua felicidade.

Para ganhar os debates, ele usa uma combinação de má-fé (M) e seu desconhecimento/desinformação (D) que é uma proxy, talvez, para seu desapego pelo esforço intelectual.

Eu sei, parece aquele militante – não importa a ideologia – fanático que você conhece, né? Olha, para mim, que não sou psicólogo, mas um reles economista, ele se enquadra no sujeito que tem este tipo de função de utilidade (chamada, entre nós, de CES).

pixuleco_economic

O leitor interessado pode abrir um livro de microeconomia e pesquisar pela função CES (constant elasticity of substitution). Aparece também na discussão de tópicos introdutórios à teoria da produção.

Eu diria que um sujeito assim poderia ser chamado, para diferenciá-lo do consumidor normal, de pixuleco. O pixuleco é um fanático defensor de seu partido/ideologia e constrói seus argumentos com esta tecnologia mental (sic) entre sua desinformação e sua má-fé.

Neste sentido, a função acima pode ser pensada como uma função de produção (f.d.p., hummm….) cuja transformação monotônica é uma função de utilidade (transformação monotônica crescente, como sói ocorrer em Economia, caros amigos).

O interessante é que esta função acomoda três interessante tipos de militantes pixulecos (na verdade, como mostrarei, quatro ou, se quiser, cinco).

Caso I: Militante Pixuleco Cobb-Douglas

Este caso ocorre quando ρ→0. Neste caso, o militante pixuleco sempre usa má-fé e desinformação na discussão. Note que, mesmo que fique mais caro para ele, ceteris paribus, usar má-fé (desinformação), ele usará menos má-fé (desinformação) e a mesma quantidade de desinformação (má-fé) de antes. É um militante pixuleco muito comum.

Caso II: Militante Pixuleco Substitutos Perfeitos

Este caso ocorre quando ρ = -1.  Trata-se de um militante pixuleco bem agressivo. Caso a sua desinformação seja muito cara, ele usa apenas má-fé (e vice-versa). Não ganha muitas discussões, mas é um sujeito meio brucutu. Talvez até esfaqueie balões ou chute crianças. Costuma ficar revoltado quando a violência vem contra si, mas acha normal bater nos outros.

Caso III: Militante Pixuleco Complementares Perfeitos

Ocorre quando ρ→∞  . Este é um militante monótono, de certa forma. Ele usa sempre a mesma proporção de má fé e desinformação em seus debates. Não é muito comum de se ver, creio.

Caso IV (e, por extensão, V): Militante Limitado (ou meio lerdinho)

Ou temos δ = 0 ou (1- δ) = 0. Nestes casos, o militante só usa má-fé ou sua desinformação no argumento. Trata-se de um sujeito meio limitado. Note que, ao contrário do caso 2, este é limitado mesmo. Digo, pode-se alterar o custo de oportunidade de ele usar mais má-fé do que argumentos desinformados (pensando no caso em que ((1-δ) = 0) que ele continuará usando má-fé porque não vê utilidade em usar de sua desinformação. Costuma ser meio violento também.

Eis aí minha heterodoxa teoria do militante pixuleco. Espero que tenham gostado.

 

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