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Mais armas, menos crimes? Mais uma pesquisa chegando ao caldeirão…

Tema famoso, já debatido por aqui, nas ruas, em minha aula (semana passada, na aula de econometria aplicada, no laboratório, com os dados do famoso Shooting down the ‘more guns less crime’ hypothesis) e alvo de trabalhos empíricos (para alguns deles, procure – com alguma paciência, já que não organizei por temas – aqui).

Agora, por meio do livro de caras do Zuckerberg, chega-me a dica do prof. Timm sobre uma pesquisa do sociólogo Beato sobre o tema. A matéria é um pouco vaga: fala-se de resultados, mas não vemos os métodos empregados e também não temos acesso aos dados (quem sabe não demora a aparecer?) para reproduzir os resultados (algo desejável, ainda mais em temas polêmicos como este).

O resultado segue compatível com o que Lucas achou com os dados de Minas Gerais. Entretanto, minha intuição me diz que o debate continua. Afinal, a discussão levantada pela revista toca apenas no que seria o encontro do bandido com a vítima na rua. O que dizer do sujeito que está armado em casa e pega um bandido invadindo a residência? Teríamos exatamente o inverso desta frase:

“É ilusório acreditar que a arma pode proteger a vítima de um roubo – mesmo que a pessoa seja muito bem treinada. Quando ela percebe a ação do criminoso, já está com a arma apontada para o rosto. Existe ainda o risco de latrocínio, que não foi possível aferir nessa pesquisa”, afirma Beato.

Em nosso artigo sobre os determinantes da votação do Estatuto do Desarmamento, é mostrado que, teoricamente, o efeito de um encontro destes é indeterminado (é a proposição 2.2 abaixo citada). O artigo está aqui ou, alternativamente, aqui.

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Aguardo ansiosamente pela publicação da pesquisa do Beato e também torço para que os os dados sejam disponibilizados publicamente (não sei se será possível, mas seria um avanço para a pesquisa nesta área) porque reproduzir resultados é o futuro da ciência econômica e, em geral, das sociais aplicadas. Sem falar na polêmica do tema.

Para fechar, algo que já disse em outro lugar: sou, filosoficamente, favorável ao porte de armas mas entendo que minha opinião pode não encontrar suporte empírico nos dados. Isto me leva a rejeitar a leitura de artigos e livros que simplesmente me dizem que o estatuto do desarmamento está errado – sem mostrar evidências empírica – e também me levam a querer reproduzir resultados de pesquisas de quem quer que seja, de ambos os lados do debate.

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Função de Utilidade CES e o Pixuleco Debatedor

Quem nunca teve um conhecido que tentava a todo custo ganhar uma discussão sem muita preocupação com a qualidade do argumento? Pois é. Ele é mais ou menos assim: tem uma função de utilidade de ganhar os debates (U). “U’ é sua felicidade.

Para ganhar os debates, ele usa uma combinação de má-fé (M) e seu desconhecimento/desinformação (D) que é uma proxy, talvez, para seu desapego pelo esforço intelectual.

Eu sei, parece aquele militante – não importa a ideologia – fanático que você conhece, né? Olha, para mim, que não sou psicólogo, mas um reles economista, ele se enquadra no sujeito que tem este tipo de função de utilidade (chamada, entre nós, de CES).

pixuleco_economic

O leitor interessado pode abrir um livro de microeconomia e pesquisar pela função CES (constant elasticity of substitution). Aparece também na discussão de tópicos introdutórios à teoria da produção.

Eu diria que um sujeito assim poderia ser chamado, para diferenciá-lo do consumidor normal, de pixuleco. O pixuleco é um fanático defensor de seu partido/ideologia e constrói seus argumentos com esta tecnologia mental (sic) entre sua desinformação e sua má-fé.

Neste sentido, a função acima pode ser pensada como uma função de produção (f.d.p., hummm….) cuja transformação monotônica é uma função de utilidade (transformação monotônica crescente, como sói ocorrer em Economia, caros amigos).

O interessante é que esta função acomoda três interessante tipos de militantes pixulecos (na verdade, como mostrarei, quatro ou, se quiser, cinco).

Caso I: Militante Pixuleco Cobb-Douglas

Este caso ocorre quando ρ→0. Neste caso, o militante pixuleco sempre usa má-fé e desinformação na discussão. Note que, mesmo que fique mais caro para ele, ceteris paribus, usar má-fé (desinformação), ele usará menos má-fé (desinformação) e a mesma quantidade de desinformação (má-fé) de antes. É um militante pixuleco muito comum.

Caso II: Militante Pixuleco Substitutos Perfeitos

Este caso ocorre quando ρ = -1.  Trata-se de um militante pixuleco bem agressivo. Caso a sua desinformação seja muito cara, ele usa apenas má-fé (e vice-versa). Não ganha muitas discussões, mas é um sujeito meio brucutu. Talvez até esfaqueie balões ou chute crianças. Costuma ficar revoltado quando a violência vem contra si, mas acha normal bater nos outros.

Caso III: Militante Pixuleco Complementares Perfeitos

Ocorre quando ρ→∞  . Este é um militante monótono, de certa forma. Ele usa sempre a mesma proporção de má fé e desinformação em seus debates. Não é muito comum de se ver, creio.

Caso IV (e, por extensão, V): Militante Limitado (ou meio lerdinho)

Ou temos δ = 0 ou (1- δ) = 0. Nestes casos, o militante só usa má-fé ou sua desinformação no argumento. Trata-se de um sujeito meio limitado. Note que, ao contrário do caso 2, este é limitado mesmo. Digo, pode-se alterar o custo de oportunidade de ele usar mais má-fé do que argumentos desinformados (pensando no caso em que ((1-δ) = 0) que ele continuará usando má-fé porque não vê utilidade em usar de sua desinformação. Costuma ser meio violento também.

Eis aí minha heterodoxa teoria do militante pixuleco. Espero que tenham gostado.

 

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Maioridade penal, mulheres e estupros

Neste levantamento de dados feito pelo prof. Shikida (é, eu sei, é meu parente) e seus associados, constata-se que existe uma diferença na opinião de homens e mulheres no que diz respeito à redução da maioridade penal: as mulheres são bem mais favoráveis à mesma.

Vejamos:

O fato de estarem mais exposta a crimes como estupro explica o maior apoio das mulheres à redução da maioridade penal, segundo o professor Shikida. “Praticamente todo o contingente de respostas favoráveis à redução da maioridade penal fez alusão ao estupro, dizendo ser isto imperdoável, independente da idade. Como sexo frágil, elas se resguardam mais e são mais favoráveis à redução”, diz. “Já os homens são em sua grande maioria contra porque percebem que a estrutura carcerária não é adequada para receber os novos detentos que vão chegar com a redução da maioridade penal”, explica.

Fico menos convencido com a justificativa dos homens, tão “preocupados” com a chegada dos mais novos, mas o argumento para as mulheres me parece razoável.

Obviamente, são só tabulações de surveys, mas já nos dão uma pista acerca das preferências de uma parcela dos eleitores: aqueles que já sofreram estupros ou crimes similares por parte de menores.

O infográfico abaixo é do ótimo Gazeta do Povo e está na matéria cujo link forneci acima.