Momento Sapiciência Heterodoxa do Dia

Com o dólar a R$ 3,50, o câmbio pode ajudar a economia? 

Ajuda muito. Como sou economista, acredito no mercado. A grande maioria das empresas, com o câmbio a R$ 3,50, está competitiva. Prefiro R$ 3,60, mas se elas acharem que esse câmbio vai continuar mais ou menos nesse nível, vão investir para exportar ou vão substituir importações, de forma sadia. Volta a tornar as empresas competentes a serem competitivas. A tragédia de 1990 foi que as boas empresas brasileiras deixaram de ser competitivas internacionalmente. Alguns dizem que a culpa é das empresas, porque a produtividade caiu. É verdade, a produtividade da indústria caiu bastante, especialmente nos anos 2000, mas caiu por quê? Porque não se investe. E por que não se investe? Porque não há expectativa de lucro, pois o câmbio estava apreciado.

A entrevista é de 15 de Agosto de 2015. O que nos mostram os dados? Que as empresas brasileiras estão próximas do ponto de deslanche (não, não é “desmanche”).

bresserp

Quer mais? Olha os últimos valores.

2015-08-18  3.4844
2015-08-19  3.4782
2015-08-20  3.4754
2015-08-21  3.4837
2015-08-22  3.4716
2015-08-23  3.5015

Eu sei que o ex-ministro Mantega disse para você que quem apostar na taxa de câmbio desvalorizada vai quebrar a cara, mas o que estamos vendo aí é que o governo vem tentando seguir o que diz o outro ex-ministro.

Algumas perguntas, entretanto.

  1. Estamos mesmo competitivos com esta economia fechada?
  2. Qual é a taxa de câmbio ótima para um painel de ex-ministros da Fazenda? Só Mantega e Bresser nos dariam um intervalo deveras extenso.
  3. Será que existem fundamentos políticos (grupos de interesse, capitalismo de compadres) subjacentes a defesas aguerridas de alguns economistas por determinados valores específicos (na reta dos números reais, como diria um matemático) da taxa de câmbio?
  4. Acreditar no mercado significa acreditar no mercado apenas quando ele dá o resultado que você quer? Ou alguém precisa rever seu conceito de mercado?
  5. Episódios de crescimento econômico com controle inflacionário e redução de pobreza são acompanhados de desvalorizações cambiais, aumento de impostos de importação, barreiras tarifárias e políticas fiscais de insistentes déficits primários disfarçados por “contabilidade criativa”?

São perguntas heréticas, eu sei, mas sou um pecador que insiste em pensar em coisas assim, fora da caixa.

 

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