Re-encontros no Érre-êne e os Axiomas de Peanuts

Fazia tempo que não encontrava o Lucas. Depois que ele enveredou pelo caminho do ermitão, escondendo-se em uma caverna no Rio de Janeiro, meu único meio para descobrir se ele não havia se matado com a Matemática era por meio de mensagens de email semestrais (ou quase). Mas eis que ele está firme e forte e com planos estranhos para o futuro.

Após uma cheia manhã (cheia mesmo) fora da faculdade, almocei com três dos mais exóticos espécimes que já conheci. Alunos com os quais tive o prazer de conviver em sala por algum tempo. Alguns deles trabalharam comigo no Nepom e outros foram monitores, ajudando-me em momentos difíceis.

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Da esquerda para a direita: Reco-Reco, Bolão e Azeitona e a Joice.

Uma feijoada no “Jorge Americano” foi o combinado com o Lucas antes que fosse embora para o Rio de Janeiro novamente.

Juntaram-se a ele, para minha sorte, Victor e Joice, para conversarmos sobre doutorado, mestrado, política econômica, crise mundial e…bem, o plano não deu certo e tivemos que conversar sobre outras coisas.

“- Onde está o meu bife?”, perguntou Victor. Eu não me lembro de tê-lo visto.

As novidades foram reveladoras mas não posso falar nada aqui por questões legais (pode ter implicações sobre operações da Polícia Federal ou da Interpol…). Para o almoço, o chef preparou três feijoadas (uma sem couve) e um exótico prato com carne de boi invisível, especialidade da casa (se você não chamar a atenção da garçonete, que pode acabar se distraindo, ele realmente será invisível!).

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“É mais fácil ver um tapete de Sierpinski que o Lucas namorando uma colombiana…ou não?”

Notamos que o Lucas piorou em sua incapacidade de se comunicar com seres humanos ou vulcanos. Agora, mesmo a lógica vulcana lhe é demasiado imprecisa. Qualquer conversa com ele precisa ser iniciada com uma definição axiomática (envolvendo ou não jujubas, como diria a Joice).

Perguntado sobre Estatística ou Economia, ele disse: “- Não trabalho com ciências impuras. Larguei este vício há tempos. Meu negócio agora é ficar rico provando teoremas de Finanças trancado em cubículos de Hilbert”.

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“- Pode embrulhar a loja, que vou levar.”

Ninguém entendeu nada do que ele disse, claro. Victor ficou preocupado e me disse que Lucas vem piorando progressivamente ao longo dos anos. Há suspeitas de que ele tenha feito uso de drogas pesadas como livros de teoria da medida ou de Análise no Rn fabricados com folhas de coca colombianas. Eu não sei.

Só sei que tivemos que fazer um tour com a Joice pelo Mercado para que ela conhecesse melhor o ponto turístico de Belo Horizonte (ironicamente, ela não colou grau ainda, então ainda há tempo de conhecer o mercado antes de se dizer ‘economista’…). Após ouvir as estranhas histórias do Lucas, Joice entrou em profunda depressão e teve que comprar muitos doces para tentar se curar.

Foi uma sexta-feira agitada, eu sei. Após o almoço com estes ex-alunos, tomamos um café na tentativa de gerar uma taquicardia no Lucas (sem sucesso, ele já percebe nossas tramóias) e andamos um pouco.

Sim, não é um post típico do blog, mas eu queria deixar registrado aqui o momento em que reencontrei alguns dos seres humanos mais esforçados que já passaram pelas cadeiras da faculdade. São pessoas que espero encontrar sempre, agora, fora da sala, por aí e, quem sabe, em simpósios, congressos ou seminários?

Obrigado a todos por tornarem meu almoço muito melhor (do que se eu estivesse sozinho). Desejo muito sucesso a cada um em seus planos. Quem sabe não repetimos este almoço um dia destes? Bem, vocês já sabem onde me encontrar.

p.s. Quais seriam os Axiomas de Peanuts? O título enseja uma piada mais elaborada do que eu poderia criar agora. Um dia destes, quem sabe?

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