A economia está no ar – o caso das vendas pós-Natal

Tá, estamos longe do Natal. Eu sei disso. Mas eu estava aqui folheando um livro e me deparei com esta ótima explicação sobre como você, leitor, em geral, adora uma discriminação de preços. Por exemplo, no caso do Natal, é uma festa quando nos afastamos do feriado, não?

Isto porque, depois do Natal vem…a liquidação do pós-Natal. Explica-nos McKenzie (em tradução livre minha):

Antes do Natal, muitos consumidores precisam dos bens que eles compram para serem capazes de gerar a (muito mais imaginada do que real) alegria de seus entes queridos e amigos na manhã do dia de Natal, quando recebem os presentes. Antes do Natal, muitos consumidores estão trabalhando e têm elevados custos de oportunidade do tempo; eles também poderiam ter baixos custos de estocagem. Eles ainda não encheram seus armários e guarda-roupas com incontáveis presentes, a maior parte deles desejada e alguns apenas mantidas por respeito com os que dão presentes. Após o Natal, muitos compradores estão frequentemente com um estoque imenso de presentes, mais do que o desejado ou o necessário. Muitos estão, frequentemente, em seus dias de descanso do Natal, com baixos custos de oportunidade.
Indo direto ao ponto, antes do Natal, as demandas dos compradores são altamente (preço-)elásticas. Após o Natal, elas são altamente elásticas porque eles têm tempo para pensar mais cautelosamente sobre os preços cobrados por um sem número de vendedores, e eles somente encherão seus armários e guarda-roupas com mais produtos se observarem significantes reduções de preços. [McKenzie, R. Why Popcorn Costs So Much at the Movies – and other pricing puzzles, Springer/Copernicus, 2008, p.71]

Sabe aquele seu professor que falou de elasticidade-preço da demanda? Ora, uma curva mais preço-elásticas em todos os seus pontos (relativamente a outra curva) é aquela em que uma mesma redução de preço, digamos, 10%, causa um aumento maior na quantidade demandada do produto nesta curva (mais preço-elástica) do que em uma curva menos preço elástica. Por exemplo, pode ser que a quantidade demandada aumente em 12% na curva mais elástica, enquanto, que, na menos elástica, o aumento poderia ser de 10%.

Faz todo o sentido do mundo, não? Ninguém prevê o futuro com perfeição, mas é razoável imaginar que um empresário saiba que as demandas não sejam idênticas antes e depois do Natal e, mais ainda, que elas sigam este padrão: menos elástica antes do Natal (“preciso comprar o presente, não tenho tempo para pesquisar muito”) e mais elástica depois (“tenho tempo livre, o feriado já passou, agora posso pesquisar com calma por preços menores”). Ora, se o empresário percebe isto e deseja maximizar seu lucro, não há porque não fazer a famosa promoção pós-Natal.

Perceba, leitor, que o que obtivemos aqui foi uma previsão qualitativa sobre o futuro. Claro que saber mais exatamente – quantitativamente  o impacto disto é um trabalho mais denso, que exige coleta de dados e tudo o mais (tudo o que se aprende em um bom curso de Economia)…e é por este motivo que você, consumidor-leitor, adora a discriminação de preços. Afinal, você adora uma liquidação pós-Natal, não?

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Ho, ho, ho.

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