Você acha aquele cara rico e arrogante um porre no seu ônibus, toda manhã? Apóie o Uber.

Pois é. Em 2013, a galera foi para as ruas, supostamente porque havia um problema de mobilidade urbana no país. Notadamente, claro, em São Paulo. Claro que o livro do Morgenstern já mostrou que não era bem assim.

Mas o discurso tem algum fundamento: problemas de mobilidade urbana existem e há muito mérito em se buscar novas soluções de transporte. Muita gente já falou de vários deles aqui. Eu acho, por exemplo, que a disposição a pagar dos usuários deveria ser levada em conta: quem está disposto a pagar mais pode pagar mais.

Ora bolas, quantas vezes já ouvi a história de que neguinho rico estuda em universidade pública quando poderia pagar e blá blá blá? A mesma coisa vale para o transporte coletivo. O cara mais pobre tem que pegar ônibus ou metrô com mais frequência do que um rico, que pode pagar por um táxi (ou um Uber).

Assim, eis um argumento antipático para se apoiar o Uber contra os grupos de interesse encastelados em nosso capitalismo de compadrio: fique livre do rico chato que pega ônibus lutando pela manutenção do Uber. Sabe aquele cara chatinho, com papo intelectual e roupa de marca? Pois é. Você pode ficar livre dele se ele usar mais táxis ou o Uber.

Claro, o rico também quer ficar livre do pobre chato do ônibus que mal sabe falar e não entende sua sofisticada conversa sobre ciclofaixas ou vinhos. Assim, ambos têm interesse em que soluções inovadoras de transporte urbano sejam permitidas.

Sim, eu poderia expor este argumento de forma simpática, mas no fundo é só uma questão de disposição a pagar e eu gostaria mesmo de enfatizar o lado feio de todos nós que, mesmo assim, é funcional. Veja, se pensarmos do lado “bom”, ainda assim, ambos deveriam ser a favor do Uber.

Eu sei que temos que discutir isto e aquilo mas, tudo bem, não estou propondo quebradeiras ou paralisações que impedem até ambulâncias de chegarem aos hospitais. Estou propondo que pensemos no problema da mobilidade urbana com a mente aberta, sem preconceitos.

p.s. Sabem que nunca usei o Uber? Não tenho dinheiro para gastar com este meio de transporte (estou com vontade de experimentar) e, dado o que a dupla Mantega-Augustin fez nos últimos anos, nem dinheiro tenho para ir a um restaurante de luxo em São Paulo para jantar. Ou seja, vaiar ou aplaudir políticos em locais assim é privilégio de ricos graças à política econômica adotada nos últimos anos, não algo que eu possa fazer, mesmo que quisesse.

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Uma resposta em “Você acha aquele cara rico e arrogante um porre no seu ônibus, toda manhã? Apóie o Uber.

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